Capítulo 6 - Caminhar, Ouvir e Sentir
Parte da série UM EM UM MILHÃO
Eu segui andando sem rumo, admirando as casas do bairro e fui até uma praça que havia ali perto e sentei em um dos bancos que havia lá e fiquei observando a paisagem, as pessoas que passavam, esquecendo por poucos instantes os meus sentimentos.
Fiquei um pouco preocupado com a volta, pois não tinha nenhum senso de espaço e localização, mas como não tinha ido muito longe resolvi não me preocupar.
Coloco meus fones de ouvido e coloco pra tocar no celular (não sairia de casa sem ele). “You’ll be In my heart – Teddy Geiger” começou a tocar, não era a melhor música para ouvir na minha situação, mas eu adorava ouvir cada palavra dela, então fechei os olhos, senti a o vento tocar minha pele e me concentrei em cada palavra e em cada nota até sentir aquele arrepio que se sente quando se está em perfeita harmonia com a música. Sinto algo em meu ombro, me levanto em um pulo e lá estava ele olhando pra mim.
Tirei meus fones de ouvido ainda assustado:
- Ricardo? O que você esta fazendo aqui?
- Todos ficaram preocupados, você saiu do nada, todos saíram pra te procurar. O que aconteceu?
- Podiam ter me ligado. – disse lhe mostrando o celular - Pouparia o tempo de vocês. Estou ótimo. – Mentira.
- Fala a verdade, você saiu porque aconteceu alguma coisa. Dava pra ver claramente que você estava com raiva quando saiu
Droga eu era mais previsível que um livro nas horas erradas.
- Já vou voltar pra casa. – disse desviando do assunto.
- Você está desviando do assunto. – Droga, ele era bom! – Fala logo o que aconteceu para você querer sair daquele jeito.
Eu não respondi nada, minhas opções eram dizer a verdade e ser o bobo de sempre, ser grosseiro e passar por um idiota ou mentir e fingir que estava tudo bem. Optei pela terceira.
- Eu não gosto de filmes de terror, só isso. Por isso não queria ver, vocês saíram pra me procurar à toa. – Se essa colasse, eu merecia ganhar o Oscar e não era uma mentira tão grande assim, não que eu não gostasse de filmes de terror, mas realmente tinha medo de assistir, então era uma boa desculpa.
- Vou fingir que acredito em você – disse ele de braços cruzados e com uma cara séria que me deixou com medo.
Voltamos pra casa e nenhum de nós falou mais nada durante o caminho e ele continuava com a mesma expressão séria, mas não olhava pra mim.
Quando chegamos todos estavam na porta de casa.
- Você pirou garoto saindo assim do nada? – Falou o Auro gritando comigo.
Eu ignorei passei por eles olhei com um cara de “ninguém merece” para o Bruno e fui para o meu quarto e fechei a porta. Me jogo na cama e alguém bate na porta. Era inevitável.
- Entra!
Era o Luis.
- O que aconteceu mano? – sentando do meu lado na cama.
Com ele eu não poderia mentir, ele é meu porto seguro e meu melhor amigo, se eu tivesse um problema eu teria que contar, mesmo que o problema fosse ele mesmo. Eu confio nele e amo muito o Luis como meu irmão. Então algo me passou pela cabeça. Se o Ricardo estivesse mesmo afim dele, eu teria que aceitar e ficar feliz pelos dois e torcer pela felicidades dele, afinal eu não poderia ver nenhum deles tristes.
- Eu me senti mal.
- Como assim?
- Eu estava sobrando ali na sala, então era melhor sair.
- Mano, não tem nada entre mim e o Ricardo se é isso que você esta pensando.
- Por mim vocês podem ficar só não quero ficar segurando vela.
- Você está gostando dele não é?
- Eu adoro perder o meu tempo. – disse abraçando meu travesseiro
Mais uma vez bateram na porta.
- Pode entrar! – Dissemos juntos dessa vez.
Era o Ricardo. Ele parou ao pé da porta, nos olhou e esperou alguns segundos antes de falar.
- Estou indo embora, que horas eu passo aqui amanhã Well?
- Hã? – Perguntei sem entender.
- Eu fiquei de te dar carona até o seu trabalho amanhã.
Nossa eu tinha me esquecido disso, pensei que ele tivesse falado por falar.
- Eu preciso estar lá às oito horas. Tem certeza que não vai ser um incômodo?
- Não, nenhum. Sete e meia venho te buscar. Até amanhã. – falou ainda sério, desaparecendo da porta do meu quarto.
- Até! – mas ele já tinha ido.
... CONTINUA