O Baseado e o Primo
Parte da série Cronicas de alguém sem sentimentos.
Todos nós temos historias que envolve nossos familiares mais próximos, afinal, somos seres de matéria e memoria, nossas vidas são linhas rabiscadas e folhas em branco, somos historias contadas a tempos e que serão contadas após nós mesmos.
Mas eu aposto meu almoço que não ha familiar preferido por você que um primo ou prima próximo, aquele que cresceu com você e que do nada, se tornou seu primeiro amigo, com um tempo os dois sempre tomam rumos diferentes, muitos permanecem juntos, outros se afastam de maneiras colossais.
INFÂNCIA: Se não fosse pelo terrível mal da PUBerdade, hoje eu continuaria a ser puramente feliz. Infância pra mim era brincar, assistir desenhos e passar o dia todo com o meu primo, ele era meu melhor amigo antes da adolescência e eu o dele.
Leonardo era o primo mais chato e mais legal, o rebelde e terrível da família. Brincávamos o dia todo, mas passávamos boa parte dele brigando, eramos assim. Quando começou aquele surto de hormônios demoníacos no nosso corpo, banhos de mangueira se tornavam melhores quando tirávamos tudo e escorregávamos no quintal gigantesco da minha casa; nos sujávamos na horta só pra podermos tomar banho juntos e, na nossa mais pura inocência, mijar juntos era incrível.
ENTÃO A GENTE SE TOCOU UMA VEZ(não fazíamos ideia do que estávamos fazendo)
ENTÃO A GENTE SE BEIJOU LOGO DEPOIS(foi mais pra selinho, não significou nada)
Então depois disso nos separamos de vez, ele parou de ir na minha casa e eu de ir na dele, eu mudei, ele também, crescemos e tivemos historias, aventuras da vida completamente diferente uma da do outro. Ele o cara vida louca e rebelde, o cara "bad ass" que fazia as meninas o quererem e os meninos também e eu? Bom, eu me tornei eu, completamente diferente, na minha, sem confiança nas pessoas e com sentimentos, pensamentos e expressões, restritas somente à mim, ele é quem eu queria ser.
Passei tanto tempo tendo inveja dele que passar mais de uma hora no mesmo lugar que ele era insuportável, ainda assim, de certa maneira, continuávamos sendo amigos.
Agora que já introduzi o Primo, vamos introduzir o Baseado. MACONHA; uma coisa por muitos julgado imoral, e por outros tão natural, usado para "fugir da realidade" e ficar doidão, na minha humilde opinião, da sono e fome (como se eu precisasse de mais disso na minha vida) e caro leitor, enrolar um baseado é considerado uma arte, bom se qualquer coisa hoje em dia, como um rabisco sem sentido, umas pinceladas de tintas em tom pastel em uma tela de 40x40, são consideradas ARTE, porque enrolar, lamber, grudar e fumar não pode ser também?
Agora que temos o que precisamos, iremos à verdadeira historia de quando os malditos sentimentos novamente estão em jogo, aqueles mesmos que eu sempre tentei esconder (maldita PUB)
Sábado, o dia de descanso infinito pra mim, o dia que acordo só depois das 14h. o dia da tarde preguiçosa e divertida, meus pais iriam a uma festa e meus tios também, por isso eu e meu primo iriamos passar a noite toda juntos, eu ja esperava ter a noite mais entediante do ano, dormir na sala fria da casa dele e me trancafiar no meu the sims (sim caro leitor, eu amava esse jogo).
Cheguei em sua casa as 21h. meus tios foram as 22h. e então eu e ele ficamos la, sozinhos, juntos à TV e aos sims e seu estranho simlish, quando num dos canais começa a passar um programa sobre a Holanda e o fato de ser o paraíso da erva e seus usuários, ele teve o rosto todo iluminado por uma ideia que o fez sorrir de orelha a orelha, ele foi até o quarto dele e voltou trazendo com sigo uma caixinha preta, dentro tinha uma baseado e um esqueiro azul.
-Ja usou? -disse ele mostrando e sorrindo pra mim
-Não nunca -nunca mesmo
-Vamos usar? Vai ser legal usar com você -ele falou aquilo confiante e sempre com aquele maldito sorriso
-Eu não sei, quero dizer, eu nunca usei, não sei o que pode acontecer comigo haha -eu estava nervoso e sentia meus lábios tremendo a cada palavra dita
-Hey, esse é de boa, só vai chapar você, vamos!
Começas a fumar, uma tragada um, depois o outro, por um momento parecia incrível e a sensação no meu corpo estava me deixando muito relaxado e bem.
-Vem aqui, quero te mostrar uma coisa -ele já estava com olhos vermelhos e parecia mais feliz ainda
-O que é? -tudo ao alcance da minha visão girava
-Eu vou tragar e quando eu soltar a fumaça eu vou soltar em você e então você traga de mim -parecia a coisa mais normal no momento
Ele então pôs uma mão em um lado da minha cabeça e a outra ele segurava o cigarro, ele deu uma tragada forte e então soltou tudo em meu rosto, direcionando todo o fluxo de fumaça pra minha boca, eu traguei o máximo que consegui dele.
-Você fez errado, de novo.
Fizemos de novo, ele mais próximo a mim.
-Não, você tem que sugar e respirar junto
-Mas é o que eu to fazendo oras
-De novo
Dessa vez ele chegou muito perto, a um ponto que no meu estado atual e a tudo o que eu sentia a respeito dele, poderia ser classificado como "O Ponto de Perigo". Eu disse que não iria mais tentar, se não conseguia, não conseguia e ponto. Fomos para dentro e nos sentamos na cama de solteiro dele, um do lado do outro, juntos, ]muitojuntos[ e começamos a mexer em meu notebook e a jogar the sims, meu primo conseguiu fazer o casal fazer Oba-Oba e dizia 'fizeram um amor gostoso HAHAHA' e em um lapso de "não sei o que fodas aconteceu" ele saiu do jogo, abriu um guia anonimo, entrou no redtube, clicou em qualquer vídeo e começou a ver, ele olhou pra mim e disse com um olhar serio
-Eu quero te beijar
-... -arregalei os olhos e fiquei com a boca aberta como se quisesse falar alguma coisa mas não conseguia
-HAHAHAH te peguei, fiz isso com um amigo meu e ele teve uma reação parecida com a sua HAHAHA -ele ria com se fosse uma piada naquele momento, mas não soava como uma piada, soava como uma desculpa.
Continuamos a ver os videos e ele sempre insinuava tesão e vontade de se masturbar e perguntava se eu estava com tesão e se eu queria bater uma e eu dizia que estava bem ali. Ele como que não querendo nada, começou a encostar a mão em minha perna e cada vez mais ia deixando ela la, acariciando minha perna como quem acaricia um gato no colo, eu retribui, não sei porque mas fiz, ele olhou pra minha mão e depois diretamente pra mim e eu olhei pra ele, naquele momento eramos como um baseado, tão imoral e tão natural e ali numa troca de olhares, palavras invisíveis foram ditas e apenas eu e ele entendemos:
-Eu não só quero te beijar, eu preciso
-Eu preciso e quero, não consigo mais aguentar isso
-Agora
"Dito" isso, nos beijamos e beijamos e ali, naquele momento, dei meu primeiro beijo gay, sim nesse momento foi o primeiro e real beijo; ele parou de beijar e me abraçou, deitou no meu peito e disse que amava meu perfume, mas o dele era realmente bem melhor que o meu. Não demorou pros meus tios chegarem, eram quase 2h e la estávamos nós abraçados e chapados, nos separamos rápido e ele trouxe um colchão pro quarto dele e la eu dormi, ao lado dele. Nunca mais tocamos no assunto, e ficamos muito tempo sem nos vermos.
Quando minha vó foi morar com ele, eu passei a ficar o dia todo na casa dele depois da escola e foi nesse período que começamos a ficar, todas as tardes eu e ele esperávamos nossa vó ir a algum lugar pra nos beijar e e ficarmos juntos, quando percebi que estava ficando sério, eu comecei a preferir ir pra casa de amigos depois da escola do que ir pra la, e sempre que ia pra la, dormia a tarde toda, mas havia dias que ele me acordava com uma beijo gelado no pescoço e dizia que estava com saudade. Um dia começamos a nos acariciar mais eroticamente e ele se esfregava em mim de uma maneira sedutora e muito sexy, eu simplesmente o fiz parar e sentamos na cama
-Eu acho que não podemos continuar com isso Leo -eu nunca fui tão sério quanto naquele momento
-Porque não Thor? Eu amo ficar com você e eu quero fazer isso e quero fazer com você -ele falou olhando fundo em meus olhos
Eu não tinha uma desculpa pra usar, simplesmente não podia fazer aquilo, não me sentia confortável e não sentia nenhuma vontade.
-Somos primos, não acho certo fazermos essas coisas, somos parte de uma família e tudo que passa por minha cabeça é que esta errado e isso está me deixando mal Leo, gosto de ficar com você mas meu cérebro me diz pra correr de você sempre que te vejo, pra que não fiquemos -falei cabisbaixo, não podia falar aquilo tudo olhando pros olhos dele
-Isso não tem nada a ver, ninguém sabe da gente, ninguém nunca precisa saber, seremos sempre eu e você, sem contar que você sempre quis fazer alguma coisa fora das regras lembra? -ele só faltou chorar, ele realmente queria que aqueles momentos nunca acabassem
-Não sinto que devemos mais, não quero ter vergonha de olhar pro rosto da sua mãe, não quero que um dia eu e você não possamos nos ver nem em festas de família porque tivemos alguma discussão, quero terminar isso tudo aqui em quanto ainda somos bons amigos
-Tudo bem, tente mudar de ideia primo, vou estar sempre aqui pra você.
-Eu sei Leo, só não consigo mais continuar.
A partir dali, paramos de nos ver, paramos de sair, sempre que o vejo não sou capaz de olhar pra ele e nunca mais tivemos uma conversa sobre esse ou qualquer outro assunto. Com ele também foi um fim de capitulo.