Um Sentido Na Vida - Capítulo 8

Conto de Sonhador Viajante como (Seguir)

Parte da série Um Sentido Na Vida

Capítulo 8

Estar apaixonado me fez acreditar que as coisas acontecem exatamente quando tem se acontecer. Não importa as circunstâncias, quando tem de ser mesmo, tudo de bom ou ruim conspira a favor. Cada linha que nos liga a outra pessoa, nunca vai ser em vão.

Olhei para a cara presunçosa dele, e ele chegou mais perto de mim.

- Olá, Daniel...! – ele disse sorrindo e estendendo a mão para me cumprimentar. Deixei-o no vácuo.

Ok! Como ele se lembrava do meu nome? Já fazia dias, desde aquela noite. A cara de safado dele era surreal. Sabe aquele olhar de conquistador barato? Pois é!

- Você lembra o meu nome? Nossa! O que você faz aqui? – eu perguntei olhando serio para ele. Ele não desistiu e pegou minha mão, apertou-a e me acariciou. Larguei-me dele na mesma hora.

- E o meu nome você lembra né? Sou o Tomás! Só pra você lembrar. – ele disse com aquele olhar patético. Muito amador esse cara!

- Não quero saber... Tomás! – eu disse bem rude pra ele entender.

- Você continua marrentinho hein... Do jeitinho que eu gosto! – ele disse mordendo os lábios.

- Você é muito atrevido mesmo né... Eu não quero nada com você tá! Há quanto tempo você conhece meu pai? Nunca te vi por aqui... – eu falei bem rude pra vê se ele entendia o recado dessa vez.

- Conheço seu pai á alguns meses... Só não sabia que ele tinha um filho tão arrasador de corações. Você não sabe como eu esperei sua ligação depois daquela noite. Sério! Eu fiquei preocupado com você. De verdade, eu só pensava em ter você na minha cama, só pra mim. – ele sorriu e eu também fiquei sem graça. – Até que eu vi uma foto da família, no escritório do seu pai e reconheci você. Foi amor à segunda vista. – ele disse sorrindo e chegando mais perto de mim, me afastei.

- Se você pensa que eu vou cair na sua lábia, você está muito enganado! Eu tenho namorado e sou muito bem apaixonado por ele. – eu disse olhando firme pra ele.

- Ele não merece você... Mas eu sim. Você merece coisa melhor, mais experiente e mais firme. Bom de cama! Cara, eu posso te levar aonde você quiser... É só você pedir. – ele disse.

- Se liga cara! Você não faz meu tipo... E mesmo se fizesse, eu nunca ficaria com um cara que pega qualquer um nas madrugadas por aí... – eu disse e senti que ele ficou bravo dessa vez.

- Quem é você pra achar que sabe tudo hein garoto? Você não sabe de nada. Você é só um garotinho muito mimado que se acha o tal. – ele disse mais serio dessa vez.

- E você seu advogado de porta de cadeia. – eu disse na defensiva.

- Olha como você fala comigo. Você não me conhece. – ele disse ameaçador dessa vez.

- Eu não tenho medo de você... O que você vai fazer? Me matar? Contar alguma coisa pro meu pai? – eu disse chegando bem perto dele, pra ele vê que eu não tinha mesmo medo dele.

- Pois deveria! Eu sei muito bem do que você precisa. Você deve ter um namorado muito filho da puta pra te aguentar né? Eu se fosse ele te daria um bom trato, deixaria você mansinho, mansinho. – ele disse com aquela cara de safado. Aff! Que sacana!

- Você é muito idiota mesmo! Você não chega aos pés dele. Ele tem pegada, já você... – eu disse.

- E Essa pegada aqui... – ele disse me puxando bem forte pra si.

Ok! Ele até podia ser mais forte, mas o meu Léo era especial. Soltei-me dele.

- Você não chega perto de mim. Seu tarado... Imbecil! – eu disse.

- Eu não sou isso que você tá falando... Julgar quem não conhece é muito sua praia pelo visto. – ele disse saindo de perto de mim.

- Desculpa então... Só não fica jogando indiretas pra mim. Não vai rolar nada entre a gente... – eu disse e já ia saindo da sala, quando ele segura meu braço com força.

- Quem disse que eu quero alguma coisa com você? Eu me valorizo. Você também não faz meu tipo, e nem é lá essas coisas toda. Não sou de ficar me humilhando, e você com toda certeza não merece a minha atenção. – ele disse me encarando bem perto dessa vez.

- Me solta. – Soltei-me dele. – Não fala comigo nunca mais! Eu que fui burro mesmo de ter vindo falar com você. Pensei que você fosse melhor do que aquilo. – eu disse saindo de perto dele, até que ele me pega por trás e me envolve com seus braços.

- Nossa conversa ainda não acabou... Você só me deixou ainda mais excitado com esse nosso papo. Delícia... – ele disse tudo aquilo sussurrando no meu ouvido.

Empurrei-o e corri para meu quarto. Que ótimo! Estava sendo assediado por um canalha! Aí que ódio! Além de conquistador sem vergonha, ele era insuportável. Ele até podia ser bonito, mas comigo ele não iria se criar, mas não iria mesmo!

Passei o resto dia ligando para o Léo e nada dele atender. Desisti e resolvi me preparar para o jantar de hoje á noite. Meu irmão viajou nesse final de semana com a namorada dele. Minha avó só vive no telefone falando com parentes de fortaleza. Meu pai trabalha o dia inteiro no escritório dele de advocacia e quando chega em casa se tranca no quarto. Vivo sozinho nessa casa até demais. Nessa segunda começam as aulas, finalmente vou começar o terceiro e último ano do ensino médio. Estou bastante ansioso para reencontrar meus amigos e já comprei tudo para esse retorno escolar. O Artur me avisou pelo facebook, que passou numa faculdade também, ele vai fazer artes cênicas. Espero que no próximo ano, eu seja o sortudo de conseguir começar minha faculdade de medicina. Meu maior sonho! Tudo parecia estar voltando ao normal finalmente. Eu só não imaginava que esse normal fosse tão diferente e ao mesmo tempo arbitrário.

...

Anoiteceu rapidamente. Tomei um belo banho e me arrumei para esperar o Samuel. Minha vó se sentou na sala comigo, enquanto eu o esperava.

- Esse rapaz que vêm aí é bem mais velho do que você não é? – ela perguntou desconfiada.

- Deve ser... Olha vó, ele só vem me pegar pra jantar com a mãe. Ele se sente em dívida comigo. Eu só vou para não ficar chato sabe. Ele parece ser um cara muito bacana, com uma família muito legal. Eu só quero ser gentil. Apenas isso! E eu tenho namorado, sou bem comprometido. – eu disse a tranquilizando. Conhecia minha avó e ela tinha lá suas preocupações.

- Eu confio em você meu lindo. Só não quero que você se machuque. Tá sendo um começo de ano bem difícil, mas você entre todos dessa casa, tá recomeçando com uma força admirável. O que pode ser perigoso... – ela disse e eu fiquei me controlando para não me lembrar dos primeiros dias do ano.

- Como assim perigoso vó? – eu perguntei tentando não demonstrar meu lado fraco nisso tudo.

- No sentido de que você está construindo um muro, para não sofrer agora. Mas ao mesmo tempo isso pode cair ao mínimo toque. – ela disse aquilo e eu fiquei nervoso.

- Não! Claro que não vó! Eu estou muito bem... – eu disse e na mesma hora ouvi um carro buzinando.

- Tenha uma noite ótima meu lindo! – ela disse e eu a beijei.

Quando entrei no carro, o que eu senti no ar foi um cheiro maravilhoso de perfume. Era do Samuel. Ele estava lindo, bem bonito mesmo. Sorri pra ele e ele sorriu de volta.

- Oi... – eu disse ainda sem saber o que dizer á ele. Ele olhou pra mim e me avaliou dos pés a cabeça.

- Oi, Boa Noite! Bom! Vamos então... – ele deu partida no carro e fomos embora.

Ele e eu ficamos em silêncio por vários minutos. Era aquele tipo constrangedor de silêncio em que duas pessoas não falam nada, esperando o outro tomar a iniciativa. Aí meu deus! Que ótimo! Aquilo estava ficando mais difícil do que eu imaginava. Eu perguntei a primeira coisa que me veio à cabeça.

- E sua namorada, você também vai pegar ela? – eu perguntei. Que pergunta é essa que eu fiz? Meu deus! Porque eu não me interno logo num hospício?

- Ah! Eu terminei com ela... Há algumas semanas... – ele disse e ficou meio triste.

- Nossa! Desculpa perguntar isso... – eu disse e definitivamente desisti de falar alguma coisa.

- Que é isso! Já passou... Ela me traiu... Sabe aquele dia que você me encontrou na praia, bêbado? Foi naquele mesmo dia que a gente terminou tudo, eu bebi demais e deu no que deu. Mas você me salvou! – ele disse e sorriu pra mim.

- As coisas são complicadas mesmo né? – eu falei triste por ele.

- Bastante! E essa aliança no seu dedo... Seu eu tivesse visto logo, teria convidado sua namorada também... – ele disse olhando para minha mão.

- Ele viajou... – eu disse. Não tinha que esconder isso de ninguém.

- Ele? – ele disse fingindo estar surpreso.

Ou eu tinha me enganado ao seu respeito! E aquele flerte hoje pela manhã, do cílio no meu rosto? Eu devia estar muito louco mesmo ao pensar que ele estava meio que afim de mim. Ah que ótimo! Minha mente e suas ilusões inesperadas.

- É... Ele sim! – eu disse.

- Bacana! Vocês estão juntos há muito tempo? – ele perguntou agora cheio de curiosidade.

- Não muito... Já faz dois meses. – eu respondi.

- Ele tem sorte de ter você... Você parece ser muito legal! E eu tenho que certeza que você é. – ele disse e dessa vez olhou pra mim. Desviei do seu olhar e me contive.

Ok! O que era todos aqueles flertes e olhares... Eu devia estar muito louco mesmo.

- Você trabalha? – eu perguntei querendo mudar de assunto.

- Sim! Trabalho como administrador de dia. Faço faculdade de engenharia química... E sou saxofonista numa banda pelas noites! – ele disse.

- Caramba! Que legal! Poxa vida! Você deve ser um cara bem ocupado né? – eu disse encantado com sua vida profissional.

- Sem ter tempo nem para dormir direito... Mas eu administro bem minha rotina. – ele disse. Parecia ser um cara responsável em todos os setores da vida dele.

- Quantos anos você tem? Desculpa a pergunta... – eu disse meio sem graça.

- 25... – ele sorriu. – E você? Pela cara me deixa adivinhar... 17? – ele perguntou.

- Na mosca. Isso mesmo. – eu disse me surpreendendo com sua esperteza.

- Novinho ainda... Tem muita coisa pra viver pela frente... – ele disse. Seu sorriso era do tipo que te pega e envolve num mar de ilusões. Que ótimo! Apenas sorri de volta.

Alguns minutos depois chegamos à sua casa, que ficava a alguns bairros de distância do meu. Era uma casa bonita, com duas garagens enormes. O portão se abriu e entramos. Quando desci do carro, fui logo recebido por sua mãe, que me abraçou e me beijou, uma mulher totalmente carinhosa e simpática. Assim que entramos na sua casa, a filha dela também falou comigo. Que bom que tinha alguém da minha idade por ali, caso contrário me sentiria perdido. Sentamo-nos na sala todos juntos.

- Daniel! Fico muito feliz por você ter vindo jantar com a gente. Eu e o Samuel, ficamos muito abatidos com tudo que aconteceu com você naquele dia no hospital. Até tentamos falar com você depois, mas nós entendemos seu luto. As perdas são muito difíceis, sei bem como é, e para um garoto como você. Eu imagino o que você passou. – ela disse pegando na minha mão.

- Foram dias difíceis... Mas minha família tá se recuperando e vai dar tudo certo. – eu disse ainda um pouco abatido com aquele assunto. O Samuel só fazia olhar pra mim com aqueles olhos verdes mais perfeitos e estranhos a cada piscada.

- Bom! Eu quero que você se sinta á vontade nessa casa. Vamos só esperar o meu outro filho chegar, você vai adorar ele. Jeniffer, Saí desse celular e vem fazer companhia para o Daniel, enquanto vou dar uma olhada na cozinha? Por Favor? – ela disse e a garota que não parava de mexer no celular apenas acenou com a cabeça. Ela sorriu e foi ate a cozinha.

- O Samuel vai fazer uma ótima companhia pra ele mãe... – ela disse sem humor algum. Samuel jogou uma almofada nela e ela jogou outra de volta. Típico de irmãos.

- Eu vou ficar bem... Você tem quantos irmãos? – eu disse e ele logo se virou pra mim.

- Tenho dois... Essa chatinha aqui. E um irmão mais velho que mora sozinho. Ele logo tá chegando.

- Entendi... Legal sua casa... Bem espaçosa... E seu pai? – eu perguntei.

- Ele morreu três anos atrás... De câncer... Lutou bastante até o fim... – ele disse meio triste.

- Eu sinto muito mesmo cara... – eu disse e queria mudar de assunto o mais rápido possível. – Olha só, aquele é o seu saxofone? – eu perguntei olhando para o instrumento preto numa outra sala que parecia apenas de música pelo visto.

- Ah sim... Vêm! Eu vou te mostrar. – ele disse me convidando para lá.

Eu fui atrás dele e assim que entrei na outra sala. Encantei-me com o lugar, cheio de instrumentos musicais. Sentei-me numa cadeira estofada e ele pegou o sax e se preparou para tocar.

- Vou tocar pra você. – ele disse me olhando bem estranho de novo.

- Ah! Claro eu vou adorar... – eu falei me sentido a última bolacha do pacote. Ok! Se isso pareceu estranho, eu não queria nem me situar pra não perder o encanto.

Ele começou a tocar. Meu Deus! O que era aquilo que eu estava ouvindo? Era suave e longo. Não entendia nada de música, mas aquilo era perfeito. A cada toque ele olhava pra mim e só fazia me deslumbrar mais ainda com sua agilidade com aquele saxofone. Ele era bonito, inteligente, músico e ainda um cara responsável e muito serio. Aquela carinha de anjo mostrava muito mais, do que um rostinho bonito. Qualquer mulher que casasse com aquele homem, seria uma mulher de sorte. A safada que o traiu merecia ser linchada por perder um cara como ele. As pessoas às vezes tem tudo pra serem felizes, e não agarram a felicidade.

Quando ele terminou, eu fiquei ainda mais estagnado com sua leveza e postura.

- Foi incrível Samuel... Perfeito cara. – eu disse sem nem disfarçar meu encantamento.

- Obrigado! – ele disse sorrindo.

Fomos interrompidos quando ouço uma voz na sala conversando com a mãe dele.

- Deve ser meu irmão... – ele disse e a gente voltou pra sala.

Assim que vi quem era o irmão do Samuel, tive uma síncope na mesma hora. Conversando com a mãe deles, e sentado no sofá. O safado do Tomás olha pra mim, e se levanta assustado fixado em mim. Ele então era o irmão mais velho do Samuel. Que mundo pequeno é esse hein? Acho mesmo que dessa vez passou dos limites, mas quem foge das armadilhas do destino? Que ótimo! Agora eu já posso chamar o Samu!

Ainda em choque vou andando na sua direção.

- Esse é o Daniel... Foi ele quem salvou o Samuel do afogamento, Tomás. – disse a mãe deles.

- Olá Daniel! Fiquei sabendo que você foi o grande herói da noite. Salvou meu irmão. Olha só, eu estava com ele naquela noite. Não devia ter deixado ele sozinho. Mas ele estava querendo curtir sua dor de cotovelo. E quase perdeu a vida. Que bom que você o encontrou. – ele disse me olhando sarcasticamente. Eu já estava com vontade de dar na cara dele.

- Oi... Eu tive sorte de encontra-lo mesmo. – eu disse sem reação. Queria me enfiar num buraco e nunca mais sair.

- Ele é advogado Daniel. Tem uma vida bem corrida, por isso se atrasou. Mas agora podemos jantar.

Sentei-me a mesa junto com todos e começamos a jantar. O Idiota do Tomás sentou-se do outro lado da mesa, bem na minha frente. O Samuel se sentou do meu lado e eu me senti mais protegido. O jantar inteiro o Tomás olhava pra mim e fazia indiretas. Até que teve uma hora que ele me cutucou com a perna por baixo da mesa. Na sobremesa eu já queria matar aquele desprezível na frente de todo mundo. O meu autocontrole já estava bugado de tanto que eu me controlava.

- E aí Daniel você namora? – perguntou o Tomás sarcástico novamente.

- Sim... – eu disse.

- Ah você devia tê-la trazido... – disse a mãe deles.

- Ele não pode vim... – eu disse me sentindo constrangido, quando a garota e a mãe me olharam de boca aberta.

- São tempos modernos mesmo né. – disse a Dona Clarice sorrindo e tomando um gole do vinho. O Tomás me cutucou e piscou. O Samuel olhou pra mim e também sorriu, se divertindo pela reação da mãe.

- Eu digo o mesmo. – disse a garota.

Quando terminamos fomos todos para a sala conversar mais um pouco.

O Tomás tinha se formado em advocacia há pouco tempo e já atuava na área. Tinha 26 anos, e já morava no seu próprio apartamento, era solteiro. O canalha deixou bem claro, apenas como uma indireta pra mim. A mãe deles era psicóloga e trabalhava numa clínica. A Jeniffer tinha 16 anos, além de linda como os irmãos, tinha uma vestimenta bem patricinha. Ela deveria ter muitos amigos no whatsapp, pois não largava o celular um só minuto. Conhecer aquela família só foi ruim porque eu me encontrei com o babaca do Tomás. Mas tirando isso, eram todos muito simpáticos e legais. Gostei muito deles, e combinamos de jantar na minha casa, num futuro distante. Na hora de ir pra casa, foi a maior discussão para quem me levaria.

- Eu peguei o Daniel e eu vou leva-lo pra casa. – disse o Samuel. Olhando serio para o irmão. A relação dos dois parecia ser um pouco combativa demais.

- Não! Não! Eu faço questão de leva-lo, é o mesmo caminho da minha casa. Sábado á noite tem muita bebedeira por aí irmãozinho. Melhor você ficar em casa. Tenho certeza de que o Daniel, não vai se importar não é? – disse Tomás, me olhando serio.

Eu só queria bater nele. Além de ter estragado o resto da minha noite. Eu ainda teria de aturar aquele cara numa viagem de carro até a minha casa. Que ótimo! O destino sempre á favor da minha desgraça.

- Claro! Eu vou ficar bem Samuel... – eu disse olhando pra ele. Era melhor não dá tanta bandeira no quesito (odeio seu irmão).

- Beleza então... Se você quiser sair pra se divertir, qualquer dia desses... Liga pra mim. – ele disse.

- Vou ligar sim... Me dá seu número? – eu disse e senti que o Tomás ficou com um pouco de ciúme.

Ele começou á dizer, enquanto eu anotava no meu celular (novo) e sua mãe depois veio me abraçar e agradecer.

- Você é sempre bem-vindo aqui, Daniel. Espero te vê mais vezes. Foi maravilhosa sua visita. – ela disse toda carinhosa. Abracei-a e me despedi de todos.

Quando entrei no carro, o Samuel deu um último adeus e eu acenei com a mão. O carro deu partida e o vi pela última vez pelo retrovisor do carro. O Samuel tinha se mostrado muito mais interessante dessa vez, e se encantar por ele, era automático. O anjo era real, e era hétero pelo visto. Lembrei-me do Léo, eu ainda tinha que falar com ele.

- Pensando em mim delícia? – disse Tomás assim que saímos da rua da casa de Samuel.

- Palhaço... Ainda bem que não! Você ser irmão do Samuel é muita coincidência mesmo. Quer dizer que você estava com ele naquela noite e o deixou sozinho bêbado? – eu disse indignado com sua atitude.

- Também não foi assim... Ele estava numa balada... Deprimido com a ex... E de repente ele só queria ficar sozinho. Eu não tive escolha á não ser ir embora e ter uma noite agradável sozinho também. Se eu soubesse o que ele ia fazer, nunca teria deixado ele sozinho. Não sou nenhum vilão não garoto. – ele disse se explicando seriamente.

- Ele é um cara muito bacana... Você tem um irmão maravilhoso. – eu disse sendo sincero.

- Vai se apaixonar pelo meu irmãozinho? Ele não curte o que a gente curte delícia... Pode esquecer! – ele disse se gabando da opção que nós dois tínhamos em comum.

- E se ele curtisse? E daí? Eu prefiro mil vezes ele a você. – eu disse com raiva dele.

- Pois pode esquecer... Você não vai ficar com ninguém além de mim... – ele disse.

Alguns minutos depois ele parou num prédio muito alto, até luxuoso e entrou no estacionamento do condomínio.

- Que lugar é esse? Tomás pra onde você está me levando? Eu quero ir pra casa, agora... – eu disse fuzilando ele com o olhar.

- Calma aí... Eu quero te mostrar meu apartamento só isso... Apenas como grandes amigos. – ele disse já saindo do carro. Saí do carro e ele pegou na minha mão com uma força que era carinhosa.

- Eu vou gritar... Você é louco... Me solta agora... – eu disse me sentindo em pânico.

- Eu sou louco sim... Mas é por você meu novinho, delícia. Eu não vou fazer nada com você, não precisa fazer escândalo não tá legal. É um prédio residencial. Se eu fizer algo com você alguém com toda certeza vai escutar e chamar a polícia. Eu tenho uma reputação a zelar, se você não percebeu. Sou discreto cara. Então relaxa, a gente bebe alguma coisa e eu te levo em casa. – ele disse e por incrível que pareça eu relaxei mais com meu medo dele.

- Se você tentar alguma gracinha pro meu lado... Eu faço um escândalo... – eu disse e ele me olhou animado.

O que estava acontecendo comigo afinal de contas? Eu merecia uma tapa na cara por isso... Tinha um namorado maravilho, que por sinal estava sem falar comigo o dia inteiro. E ainda assim concordei com o convite desse cara, poxa, O Léo era muito fiel a mim. Não merecia isso. Não rolaria nada, se o Tomás estivesse pensando que eu ia ceder algo á ele, sua noite seria bem frustrada. E ainda tinha meu novo sentimento pelo Samuel, que mesmo eu não querendo admitir isso pra mim mesmo, eu sentia algo por ele, e eu não entendia como e por quê. Mas era mais do que uma admiração.

Tomás parecia uma criança quando ganha um doce. Ok! Ele era divertido. Só tinha um problema, a sacanagem era seu charme na arte da conquista, o que não combinava comigo. Subimos de elevador até o andar onde ele morava, no 12° andar. Era um prédio de bacanas. Chegamos ao andar e ele foi à frente abrir a porta do seu apartamento. Assim que entrei me deslumbrei com o tamanho, que era enorme e com janelas por todos os lados.

- Caraca! Muito maneiro! Você mora aqui sozinho mesmo? Esse apartamento é muito grande para uma pessoa só. – eu disse ainda olhando cada metro quadrado daquele palácio.

- Não por muito tempo... Eu pretendo casar com uma pessoa... Só falta ela aceitar. – ele disse jogando a chave no sofá.

- Olha só... Espero que seja quem for... Aceite logo... Pelo menos você saí do meu pé... – eu disse me sentando no sofá. Ele sorriu e foi até a cozinha. Voltando alguns segundos depois com uma garrafa de champanhe e duas taças. Sentou-se comigo e encheu a taça. – eu não bebo. – falei logo antes dele encher a taça.

- Ah por quê? Por favor, vai? Só um gole. Eu já te expliquei que não vou fazer nada com você. – ele disse me olhando com cara de cachorro manso.

- Tomás... Eu não vou cair no seu papo... Eu só subi aqui porque eu fiquei com pena de você. – eu disse.

- Parabéns por me enche de tesão a cada porta fechada que você bate na minha cara. – ele disse e encheu a taça. Bebeu um pouco e sorriu pra mim.

- Tá vai... – eu bebi e ele pegou minha mão.

- Gosto mesmo de você sabia? É sério... Você é meu fetiche desde a hora que eu te vi... Perdido naquele calçadão. – ele disse chegando perto de mim.

- Mostra a casa pra mim? – eu disse me soltando dele.

A casa tinha de tudo, e era grande. Levou-me para seu quarto e eu fiquei mais deslumbrado com a cama de casal dele. Ele pulou na cama e me puxou pra sentar junto com ele.

- Cama bem macia... Deve trazer muitas mulheres e rapazes pra cá né? – eu disse.

- Na verdade não trago ninguém pra cá... Quando quero foder com alguém levo para um motel... É mais seguro. Nunca trouxe ninguém pra cá... Só você agora. Sinta-se privilegiado. – ele disse querendo me beijar. Desviei-me e vi algo chocante na gaveta semiaberta perto da sua cama.

- Meu Deus! Você usa algemas? – eu disse pegando a algema.

- Encontrou meu brinquedo favorito, delícia. – ele disse pegando-o da minha mão e colocando no meu braço esquerdo e no direito dele.

- O que você fez? Cadê a chave disso? Me solta agora Tomás... – eu disse e ele começou a rir da minha cara. – Não tem graça tá legal. – eu falei já querendo chorar com medo daquele negócio preso no meu braço.

- Eu acho que nós vamos ficar presos um no outro pra sempre... E você não vai ter escolha á não ser se apaixonar por mim de vez... – ele disse todo sedutor pro meu lado.

Levantei-me da cama já com raiva dele e ele me puxou e me deitou numa rapidez assustadora que doeu no meu braço preso no dele. Ficamos frente a frente deitados e ele puxou meu braço pra cima da cabeça e começou a beijar meu pescoço. Aquele idiota estava passando dos limites, o pior era que ele tinha pegada de caras brutos e selvagens e já estava me deixando com um calor insuportável.

- Para Tomás! Saí de cima de mim... Eu quero sentir um pouco de ar fresco... – eu disse ainda sem folego e me levantei o empurrando para o lado.

Vi uma brecha da janela do seu quarto aberto e um vento entrar. Corri para lá e ele veio junto reclamando da algema que machucava nos meus movimentos. Ele abriu as algemas e me soltou. Fui até a varanda do seu quarto do lado de fora senti o vento, da cidade e seus cheiros e barulhos. Tinha uma vista do Rio de Janeiro maravilhosa. Alto era, mas não olhei pra baixo. Fiquei completamente encantado.

- Cara isso é lindo... Olha só isso! – eu disse e ele veio por trás e me segurou pela cintura.

- É... Eu gosto de ficar olhando isso aqui de madrugada e admirando á cidade. É incrível. Mas com você... Fica tudo melhor... Sozinho não tem tanta graça. – ele disse me apertando contra seu corpo.

- Tomás, você é muito sozinho né? Digo você se sente sozinho? – eu perguntei e me virei para olha-lo de frente nos seus olhos.

- Eu sempre me senti sozinho Daniel. Eu trabalho o dia inteiro com pessoas de todos os tipos e mesmo assim sou um completo sozinho no mundo no final do dia. – ele disse e senti que ele ficou meio sério.

_ Você não é o único... Eu me sentia assim... Ainda me sinto às vezes. O que eu quero-te dizer é que... Você merece uma pessoa que te faça se sentir amado, gostado, pra te receber no final do dia depois de um dia cansativo e te dá todo amor que ela puder. Eu tenho certeza que você vai encontrar... O mundo dá voltas. Me leva pra casa, por favor. E a gente pode ser amigos. Combinado assim? – eu disse e me soltei do seu abraço. Ele puxou meu braço.

- E se for você? – ele perguntou.

- Não é... E você sabe disso. – eu disse e saí do seu quarto.

...

Ele me deixou em casa, e passou o caminho inteiro sem falar uma palavra ou fazer qualquer tipo de gracinha, sério feito um touro. Chegamos à minha casa e me despedi dele.

- Valeu pela carona! Tchau! – eu disse e na hora que eu abri á porta do carro, ele olha pra mim e pega minha mão.

- Eu vou te deixar em paz garoto... Juro que você nunca mais vai me vê na sua frente. Mas quando você completar 18 anos... Eu te procuro, e nem que eu tenha que te achar no inferno, eu vou te conquistar e vai ser á minha última tentativa. Eu vou te conquistar e você vai ser meu. E não chega perto do meu irmão, por que se você se atrever a ficar saindo com ele, eu te mancho pra minha família, inclusive para o meu irmão, fica longe da gente. Agora, saí do meu carro. – ele disse bem sério e me soltou com uma rispidez absurda. Saí do carro e ele pisou fundo no acelerador e foi embora.

Ele não estava brincando. Aquilo me deixou com medo de verdade. Afastar-me do Samuel, da sua mãe, me deixava revoltado. Não tentaria testá-lo. Era melhor mesmo que eu não tivesse nenhum contato com o Samuel, para não cair nas minhas ilusões de novo. QUE ÓTIMO! O Tomás, devia mesmo estar afim de mim. Ao abrir minha porta de casa... Alguém me chama na rua , vejo o Léo saindo carro e vindo à minha direção.

- Léo, meu amor. Eu te liguei o dia inteiro... Onde você estava? A gente precisa conversar. – eu disse e fui logo abraçar ele. Ele me abraçou tão forte que eu quase engasguei.

- Onde você estava? Quem era aquele cara? – ele perguntou já nervoso comigo.

- Não era ninguém... Eu estava jantando na casa do cara que eu salvei. A mãe dele fez questão de dar um jantar e me convidou como agradecimento só isso. – eu disse. Dispensando os detalhes drásticos.

- Eu estava de cabeça quente o dia inteiro. Queria você. Queria sentir teu cheiro, teu toque, teu olhar. Não posso ficar mais longe de você. – ele disse me beijando.

- Léo, você vai fazer a faculdade né? – eu perguntei.

- Não! Vou ficar com você aqui. Eu já me decidi Daniel, eu não deixo você. Meus pais podem fazer o que eles quiserem, mais a vida é minha. Eu faço as minhas escolhas. – ele disse decidido.

- Léo, você só pode estar louco. Você conseguiu passar numa universidade para ser veterinário, era seu sonho, você sempre me falou isso. Você não vai desistir de tudo por minha causa, pelo amor de deus Léo. Olha o que você está dizendo. – eu disse segurando seu rosto e falando nos seus olhos.

- Você faria o mesmo por mim não faria? – ele perguntou. Eu fiquei mudo. – Faria? Me responde Daniel. – ele falou me sacudindo.

- Eu não sei... Léo, eu te amo! Mas a gente tem que pensar no nosso futuro também. Olha! Nós podemos viver com um relacionamento á distância. Dá certo e não precisa você desistir de nada... Você sempre me encontra, esqueceu? – eu disse querendo que ele entendesse e ficasse tudo bem.

- Você não faria o mesmo se você tivesse no meu lugar não é? Agora eu vejo isso claramente na sua resposta... – ele disse e começou a chorar. – Quer saber?... Eu vou aceitar sim. Eu vou pra São Paulo. Mas eu não vou viver nenhuma relação com você mais. Pra mim, agora você mostrou que não está disposto a enfrentar tudo por nosso amor, como você dizia antes. Eu estava disposto a abandonar tudo pra ficar com você, mas você não. Pensei que você fosse entender e querer que eu ficasse, mas não. Beleza Daniel. Fica aí... que eu vou seguir minha vida, só que sozinho. Acabou entre a gente. ACABOU! – ele disse chorando, jogando a aliança no chão.

- Léo, espera não faz isso comigo. Vamo conversar... Você entendeu tudo errado, eu te amo. – eu disse aos prantos e ele entrou no carro e saiu cantando o pneu na maior velocidade.

Comecei a chorar muito. Vi a aliança dele no chão. Peguei e entrei em casa completamente destruído com meu término repentino com o Léo.

Nota do autor: O que acharam dessa Reviravolta? Please Comentem. Capítulo 9 em breve! Abraço á todos!

Comentários

Há 2 comentários.

Por simon em 2014-09-18 14:13:23
São muitas reviravoltas.To doido pra saber o que vai levar Daniel a se matar.
Por Anderson P em 2014-09-18 00:23:07
O conto ta ótimo, e acho que o Léo vai acabar indo para São Paulo e acho que de alguma forma o Tomás vai acabar fazendo alguma coisa que acabe deixando a vida do Dan num inferno e vai fazer com que o Dan acabe decidindo se matar, chegando na parte do começo que você mostrou.