Um Sentido Na Vida - Capítulo 5

Conto de Sonhador Viajante como (Seguir)

Parte da série Um Sentido Na Vida

Capítulo 5

A verdade pode ser cruel, pode machucar, pode até matar e ser a sua destruição. Nada pode ser escondido por muito tempo, um dia, tudo sempre aparece. Por mais que você esconda, o tempo se encarrega de soltar a bomba no momento mais inesperado. Meus pais me encaravam enquanto eu caía num choro sem pausa.

- O que você fez Elisa? Você bateu no Daniel? Perdeu o juízo? – ele disse a encarando.

- Quem perdeu o juízo foi ele... Conta pra ele Daniel, conta agora... – ela disse se alterando mais ainda.

- Contar o que? Daniel se recomponha e me explique o que está acontecendo. AGORA! – ele disse me olhando furioso agora.

- Pai! Eu juro que posso explicar tudo pro senhor, só fica calmo. – eu disse quase aos prantos.

- Conta logo Daniel, eu tô esperando. – ele ordenou.

- Eu... Eu saí com... Uns amigos e eles me levaram até um bar, mas eu juro que não toquei em nenhuma bebida pai, eu juro. – falei na maior cara de pau. Se ela continuo com esse jogo até agora, eu iria até o fim, ele não podia saber da verdade, não agora. Olhei pra ela e ela não acreditou balançando a cabeça.

- E que nunca toque até completar seus dezoito. Não quero filho meu envolvido com álcool. Vou ficar de olho em você. – ele disse cauteloso olhando pra mim. – Satisfeita agora Elisa, não precisa espancar nosso filho por isso. – ele falou segurando ela.

- Daniel! Você ainda vai quebrar á cara e quando esse dia chegar, você aprende. As coisas não se escondem por muito tempo. – ela disse com um olhar frio.

- Que coisas? Tem mais alguma coisa Elisa? Vocês tão me escondendo alguma coisa ainda? – meu pai perguntou desconfiado, olhando pra mim e minha mãe.

- Não! Ele que fica saindo com esses amigos até tarde, Fábio. Sabe-se lá o que eles fazem por aí uma hora dessas. – ela disse se soltando dele.

- Elisa, o Daniel sabe muito bem o que é certo e o que é errado. Nosso filho não é influenciável, tem cabeça boa. Não é Daniel? Ele acabou de fazer 17 anos, e não 15. Deixa de ser cismada. Ele não vai fazer nada de errado certo? – ele disse olhando pra mim.

Eu só balancei a cabeça e me recompus. Minha mãe saiu do quarto fervendo.

- Ela só está preocupada com você meu filho, você sabe muito bem como sua mãe é né? Eu vou falar com ela. – ele disse. Me abraçou e saiu do quarto.

Assim que ele fechou á porta, eu desabei no chão chorando. Tremia e chorava, chegando a soluçar. Meu irmão chegou da casa da namorada e ouviu meu choro. Ele entrou no quarto, e me viu aos prantos.

- Eu não aguento mais isso Diego, não dá mais... – eu caí no choro nos braços dele. Meu irmão era meu melhor amigo, desde sempre. Era uma pena não poder contar tudo logo de uma vez pra ele. Não podia perdê-lo também. O abracei forte.

- Ei calma! O que aconteceu? Fala comigo... Não chora! Eu tô aqui agora... – ele disse. Eu não sabia nem o que inventar mais. Apenas me soltei do seu abraço e fui pegar minha toalha.

- Eu tenho que tomar banho... Desculpa! Eu não quero te encher com minhas babaquices... – eu disse e saí do quarto.

- Você vai me explicar essa história direitinho, hein seu Daniel... – ele disse, me intimando.

Eu apenas fiz que sim com a cabeça e corri para o banheiro. Liguei o chuveiro e fiquei lá mais de meia hora sentindo a água na minha cabeça, chorando tudo e mais um pouco. Entendo que tem momentos bons e ruins na vida, mas a minha parecia nunca estar em ordem. Eram mais coisas ruins do que boa. Saí do banheiro e me enxuguei. Depois fui à cozinha, comer algo para me refazer por dentro. Liguei para o Léo e disse tudo, chorando e escondido dos meus pais. Ele disse que me encontraria no dia seguinte sem falta. Não dormir bem naquela noite, minha mente estava me torturando.

O dia amanheceu e eu saí logo cedo de casa, disse a meu pai que ia caminhar um pouco pela orla. Chego á praia e já o encontro a minha espera. O Léo logo me abraçou e foi como se ele juntasse todos os meus pedaços. A gente sentou na areia, e ele me envolveu com seus braços. O sol já estava bem quente, e iluminando o mar calmo.

- Minha vontade é de colocar essa tua mãe num hospício sabia? Essa mulher é louca, desculpa se ela é a tua mãe, mas isso que ela vem fazendo com você não é atitude de mãe. – ele disse, sua franqueza me acordava para o óbvio, ele tinha toda razão.

- Ela não aceita e nunca vai aceitar eu ser gay, ela me odeia Léo... Eu não sei mais o que fazer ou como agir. Não posso dizer a meu pai e nem á meu irmão... Pelo menos não ainda, entende? – eu disse e ele me abraçou.

- Você não está sozinho nessa, tá legal, eu vou te ajudar. A gente vai passar por isso junto, beleza? – ele disse e me beijou a testa.

Ficamos ali sentados, até que eu resolvi voltar logo pra casa. Ele entendeu e disse que me ligaria 24 horas por dia. Ele era agora meu porto seguro, e minha calmaria. Sem ele, eu vivia numa completa desolação.

...

O Natal finalmente chegou! E na minha casa era mais velório do que comemoração. Os meus pais sempre chamam alguns amigos e familiares na ceia de natal. Pra mim, aquele natal se resumia a minha decadência com a falta do Léo, e a frieza da minha mãe, que não me via como filho há um bom tempo.

Encontrei-me com o Léo um dia depois do natal, pois ele viajou. No mesmo lugar, a praia deserta, o mesmo esquema. Trocamos presentes, ele me deu um pingente com a letra L, e eu dei um pingente com a letra D. Nós combinamos, pra ser bem sincero.

- Pra você sempre me ter com você aonde você for, onde você estiver eu estou lá bem pertinho de você. – ele disse, colocando no meu pescoço. Eu o abracei e nos beijamos. Nada podia me confortar mais do que seus braços e seu toque suave.

- Eu te amo! Você me fortalece a cada dia Léo, não me vejo sendo forte sem você do meu lado. – eu disse olhando bem nos seus olhos. Encostamos nossas cabeças uma na outra e fechamos os olhos.

- Você nunca vai me perder... Eu prometo! – ele disse e me deu um beijo longo e demorado.

Peguei o pingente com a letra do meu nome e coloquei no pescoço dele. Nos abraçamos e ficamos o dia inteiro namorando, ali, sem nenhum infortúnio.

Os últimos dias do ano foram passando, e eu e o Léo íamos nos encontrar quase todos os dias. Era muito apego, muita saudade, nos amávamos até demais, para um começo de relação. Mas o amor é isso, um fogo que esquenta conforme a quantidade da lenha, e a nossa lenha nunca acabava.

No dia 28 de dezembro de 2012, minha avó Dona Inês, finalmente chegou. Ela veio de avião, morrendo de medo. Eu e o Diego fomos busca-la no aeroporto. Quando ela nos viu, veio logo nos abraçando e nos beijando. Ela era uma senhora de idade, de mais ou menos 65 anos, tinha cabelos curtos, pintados, pois ela detestava fios brancos. Era uma mulher ativa, sempre saindo e fazendo o que bem quisesse, só tinha um problema, ela sofria do coração. Quando entramos no carro do meu pai, ela fez questão de perguntar logo sobre a minha vida.

- Daniel, Já arrumou uma namorada? – ela perguntou de olho na minha mão.

- Ah não vó, é só um anel, imitando um anel de compromisso. Só isso. – eu disse envergonhado, escondendo a mão. Minhas mentiras eram mesmo hilárias e sem nenhum nexo.

- Não mente pra vovó não Daniel. Você agora só fica no quarto, falando com alguém pelo telefone pelas madrugadas, que eu sei. Qual o nome dela, fala aí? – perguntou o Diego, rindo da minha cara.

- Diego você anda me espionando agora? Isso é falta de privacidade tá legal... Olha vó, é mentira dele. Eu não tenho namorada nenhuma. – Eu disse, mentindo bem até demais. Que ótimo!

-Meu lindo, não precisa ficar bravo com seu irmão. Tudo bem, você não quer me dizer agora, depois você me conta. Tá legal? – ela disse toda compreensiva.

Sério! Se eu soubesse que minha avó era cabeça aberta, eu contaria tudo pra ela, mas eu não tenho tanta certeza disso. Então é melhor deixar ela fora disso.

Do aeroporto até em casa, minha avó ia perguntando sobre tudo. Meu pai e minha mãe nos esperavam, estavam na cozinha quando chegamos. Foi àquela festa. Ela se acomodou no quarto de hóspedes, conversou bastante com meus pais, matando toda a saudade. Enfim, eu estava muito feliz pela sua chegada, pois não iria viajar e ficar longe do Léo. Á noite naquele mesmo dia, o Léo me ligou.

- Boa noite meu amor! Estava com saudade de ouvir a sua voz. Você não me ligou hoje ao dia, sua avó te prendeu né? – ele perguntou meio brincalhão e triste pela minha ausência o dia todo.

- É pode-se dizer que sim, eu não via a hora de falar com você... E aí como foi o seu dia? – eu disse querendo saber cada detalhe.

- Foi péssimo, pois não te vi e nem falei com você. Mas eu tenho uma novidade que vai compensar e muito nosso dia separado. – ele disse enigmático.

- O que é? Agora fiquei curioso mesmo. Fala amor... – eu disse me empolgando.

- Logo depois da virada do ano, eu estava pensando em a gente acampar na praia, que tal... Tipo eu já estou com tudo certo aqui, já consegui convencer meus pais, a barraca e a comida também, só falta agora saber de você. Que tal uma noite só nos dois? – ele perguntou com um tom meio misterioso e convidativo.

Eu nem acreditava que ele tinha programado uma noite só pra gente. Cara! Esse homem é muito mais perfeito do que eu sonhei, ele fazia tudo pra ficar perto de mim. Eu não perderia essa, nem que eu tivesse que fugir de casa, eu iria com ele.

- Eu vou pra qualquer lugar com você, é claro que eu vou meu amor. – eu disse determinado e mais apaixonado a cada segundo.

Naquela noite só falamos da nossa futura noite juntos. Eu me sentia um pouco com medo, pois tinha a sensação de que essa noite seria marcada por mais do que só alguns beijos e abraços. O Léo sempre avançava o sinal, não adiantava nosso fogo era grande demais. Mas eu sempre recuava, não queria transar com ele, sem estar preparado. Ele era o mais compreensivo possível, e nunca forçava a barra. Não era como o canalha do Heitor que só queria sexo, o Léo era a prova de que relacionamentos sérios podiam sim existir e dar certo. Ele me fazia acreditar no amor verdadeiro.

...

A virada do ano foi marcada por uma festa na minha casa, com direito a visita de parentes afastados e amigos dos meus pais, e alguns primos e primas. Todos estavam de brancos. Já minha avó quebrou essa tradição, ela não seguia protocolo, era nordestina e era arretada. Eu amava isso nela. Vestindo um vestido vermelho, ela estava querendo um próximo ano cheio de muito amor. Eu só queria mais paz e sorte, amor eu já tinha, e era de transbordar. As 23h00min, eu estava no meu quarto sozinho falando com o Léo, que iria pra praia com a família, quando uma prima minha chamada Letícia entrou de mansinho no meu quarto e me assustou pra caramba. Desliguei e disse a ele que ligava á meia noite.

- Falando com seu amor Daniel? – ela perguntou e eu senti a ironia na voz dela.

- É... Por quê? Faz tempo que você está aí? Não sabe bater na porta Letícia? – eu disse já estressado.

- Calminha aí, eu só estava andando pela casa quando ouvi algo estranho... Você estava falando com um cara Daniel? – ela disse, me interrogando cinicamente.

Ela era aquela prima que vivia julgando todos os primos, como se ela tivesse detector que dissesse exatamente tudo das outras pessoas á ela. Ela já tinha brigado comigo, me chamando de gay enrustido na frente dos meus pais, era de praxe ela querer me azucrinar com isso novamente. Eu e o Léo nunca pronunciamos nossos nomes no telefone, era um modo de segurança nosso. A Letícia adora jogar e quem é idiota sempre caí na dela. Não eu!

- Olha aqui Letícia, eu não tenho que tá falando da minha vida pra você... Saí do meu quarto, por favor? – eu disse apontando pra saída.

- Nossa desculpa aê primo! Não precisa ser grosso. – ela disse abrindo a porta e saindo, só que parando na porta. – Seus pais já sabem? Porque tá na cara né? Você tem um jeitinho que não engana mais ninguém priminho. – ela disse fechando á porta.

Que ótimo! Tudo que eu queria era mandar ela pra um lugarzinho bem longe dali. Meus primos já começaram a desconfiar, minha mãe já sabe. Parece que todo mundo já sabe, Minha máscara definitivamente está caindo. Só vejo uma saída, me assumi logo de vez e acabar com essa farsa. Não vou aguentar esses insultos por muito tempo, esse tormento parece nunca ter fim. Se eu chutar o pau da barraca agora, perco tudo e todos. Não posso me assumir nesse momento, não agora.

Coloquei a mão na cabeça já querendo chorar. Queria o Léo ali comigo agora, ele me daria uma força que só ele sabia dar. Ouço um toque na porta e abro-a.

- Meu lindo o que você está fazendo aí sozinho? Todo mundo conversando lá na sala e no terraço e você aqui meu doce! – disse minha avó entrando e fechando a porta. – Que carinha é essa? Você não estava assim... Me conta vai, o que te desanimou? – ela sentou na minha cama.

Eu sentei e coloquei a cabeça no seu colo. Ela começou a alisar minha testa. Estava precisando de alguém que não me julgasse nesse momento, e nada melhor do que minha avó.

- Não é nada vó, eu estou numa fase complicada. – eu disse me sentindo sensível até demais.

- Oh meu lindo! Essa mudança de adolescente para adulto é assim mesmo, não fica triste por qualquer coisa, nenhum sofrimento é eterno... Temos nossos dias ruins, mas, tudo sempre passa. Vamos nos animar pra receber esse novo ano? Com muita alegria e paz. – ela disse me confortando. Eu a abracei.

Minha avó estava sendo a mãe que eu tanto queria ter comigo. Saímos do quarto e fomos para sala. A Passagem para o novo ano foi rápida e tranquila. Queria que aquele fosse o ano das grande viradas na minha vida, só que pra melhor, muito melhor.

...

Nos primeiros dias de 2013, eu estava completamente ansioso para meu encontro com o Léo. Inventei mais uma mentira pra meu pai, e ele concordou com minha ida á suposta festa do pijama na casa do Tarso. O que eles não sabiam era que meus amigos estavam viajando, todos eles. Minha mãe não queria deixar de jeito nenhum.

- Você não vai... Seu pai pode ter concordado, mas eu não e você não vai. –ela disse, decidida a acabar com meus planos.

- Pai! Vó... – eu insisti até pra minha avó. E foi ela quem me ajudou.

- Elisa, eu entendo sua posição de mãe protetora. Mas o Daniel precisa sair! Conviver com seus amigos, namorar, viver. Ele está crescendo e tem que curtir a vida, não ficar sempre seguindo regras. Deixa o garoto se divertir. Por favor, por mim? – ela disse lançando um olhar, que toda nora teme da sogra.

- Tudo bem! Só não venha chorar nos meus pés, quando precisar de colo, por ter feito alguma besteira, Daniel. – ela disse saindo da sala.

- Não seja fria Elisa! Você tem sorte de ter um filho bom e amável como o Daniel. – disse minha avó séria.

- Mamãe, você sabe que a Elisa não gosta quando você se mete nas nossas conversas. – disse meu pai, saindo atrás dela.

- Obrigada vovó, só a senhora mesmo pra me ajudar nesse momento. – eu disse a abraçando.

- Estou aqui pra isso meu lindo! - ela disse animada.

Eram tantas mentiras, uma atrás da outra, envolvendo pessoas que não tinham nada a ver. Minha mãe só me fazia ficar mais apreensivo, pois estava a cada dia, mais fria e distante. Arrumei minha mochila, com roupas e coisas pessoais e deixei tudo pronto. À tarde o Léo me ligou e disse que estava a caminho. Estava penteando meu cabelo, quando minha mãe entra no meu quarto.

- Festa do pijama... Você acha mesmo que eu vou cair nessa? Sei muito bem que você vai se encontrar com ele não é? Reza pra eu não me esbarrar com ele um dia, pois se isso acontecer e vocês estiverem juntos, eu juro que eu mato os dois. – ela disse me olhando seriamente.

- Faça isso, e eu nunca vou perdoa-la, Nunca! Você não vai estragar a minha felicidade. – eu disse e peguei minhas coisas saindo do quarto às pressas.

Despedi-me da minha avó e do meu irmão que estava no quarto com a namorada. Meu pai estava na sala e quando me viu, me olhou com um ar de (Não faça besteiras).

- Juízo em garoto. Não me faça me arrepender de ter concordado de te liberar pra essa festinha de amigos. – ele disse me olhando bem.

- Pode deixar pai! Eu não vou fazer nada de imprudente. – eu disse. E sinceramente, não tenho tanta certeza se disse aquilo com convicção. Pois o Imprudente naquele dia estava liberado na minha mente.

O Abracei e senti uma sensação de tristeza me invadir. Não sei se era pela mentira, ou pelo fato de estar o enganando outra vez. Ele era meu pai e eu o amava mais que tudo, e não podia machuca-lo de jeito nenhum. Saí e fechei a porta, o Léo já estava me esperando.

- Oi meu amor... – eu disse o beijando assim que fechei a porta do carro.

- Pronto para a noite mais inesquecível da sua vida? – ele disse no meu ouvido, seu calor me invadia já ali.

- Sim, com você tudo se torna inesquecível, então esse vai ser mais um deles. – eu disse olhando bem pra ele. Ele sorriu e deu partida no carro.

- Esse é especial... A gente vai poder dormir de conchinha, abraçadinho. – ele disse me alisando o rosto todo carinhoso. Fomos conversando a viagem inteira até a praia, era diferente e mais longe dessa vez.

O dia estava meio nublado e com algumas brechas de sol. Mas quando eu estava com o Léo, o dia parecia estar sempre radiante e ensolarado. Chegamos à praia, e me maravilhei ainda mais com a beleza do lugar. Era incrível estar ali com ele, parecia mais sonho do que realidade. Via ilhas e matas a todo lugar, o mar era calmo e sereno. Ele começou a armar a barraca num lugar mais afastado e eu o ajudei. Depois que terminamos fomos tomar um banho de mar, era mesmo um sonho, estava tudo perfeito. Mergulhávamos e nos beijávamos apaixonadamente. Ele me pegou nos braços e me fez boiar, olhava para o céu cinzento e sentia um êxtase fora do normal. Léo era um refúgio que me protegia de tudo. Ele preenchia todos os espaços vazios da minha vida.

- Quando a gente ainda não tinha se conhecido, eu sempre imaginava olhar para o céu com alguém que amasse, bem juntinho de mim sabe? Sou estranho eu sei... – eu disse me sentindo sendo levado pelas ondas.

Até que senti nossas cabeças se encontrarem, enquanto boiávamos. Ficamos ali parados.

- Pois é isso que estamos fazendo agora, o seu desejo se realizou meu sonhador. E não você não é estranho. Eu sou... E sabe o que mais? Eu sempre imaginei boiar junto com meu amor, e isso está se realizando agora também – ele disse. E nós saímos do nosso estado de inércia e começamos a nos abraçar. Coloquei os braços no seu pescoço, enquanto ele me abraçava pela cintura. Estávamos muito mais no sinal avançado agora do que já estivemos muitas vezes, pois nossos corpos tinham reações anormais.

- Eu tenho medo de te perder Léo. Tenho medo de que isso acabe e seja apenas um sonho. – eu disse olhando bem fundo nos seus olhos negros. Um medo repentino de perder aquele sorriso, aquele corpo, aquela paixão, tomou conta de mim. Mas ele me apertou ainda mais seu corpo contra o meu.

- Você não vai perder... Eu nunca vou deixar você. Nunca! – ele disse me beijando com muita ferocidade. Eu só queria que ele me devorasse ali mesmo. As ondas ia nos levando e nos balançando enquanto nos beijávamos.

...

Foi anoitecendo rapidamente, e o Léo fez uma pequena fogueira próxima a nossa barraca. Comemos alguns lanches que ele e eu trouxemos, e ficamos namorando na frente da fogueira improvisada. Depois de algumas horas ali conversando e se beijando, o Léo entrou na barraca e eu fiquei sentado na areia pensando o que ele tanto fazia sozinho ali dentro, até que ele saiu e veio ao meu encontro.

- Você já está sono? Eu preparei toda nossa cama, e tá bem confortável. – ele disse me beijando o pescoço.

- Eu estou louco pra dormir sentindo teu calor... – eu disse mordendo de leve sua orelha.

As coisas começaram a esquentar ali mesmo. O Léo mordeu de leve em todos os cantos, do meu pescoço e do meu ombro. E ia me puxando mais pra si.

- Eu te quero tanto... Eu te desejo muito cara... É difícil me controlar... – ele disse sussurrando bem no meu ouvido e me beijando bem ali.

Ok! Eu não conseguia esperar por mais nada. Já fazia um mês que nós estávamos juntos e ele sempre respeitou meu lado, que ainda dizia não estar pronto. Mas agora, eu me sentia mais preparado do nunca para aquilo. Não demorei nem um segundo para pensar e fui logo me levantando e o puxando para a nossa barraca. Eu tinha que tomar a iniciativa dessa vez, era tudo ou nada definitivamente. Entramos na barraca e comecei a sentir meu coração palpitar bem mais acelerado do que o normal. Fechei o zíper da barraca e ele me beijava por trás na nuca, eu ia gemendo bem baixinho. Seus beijos foram se tornando mais molhados, eu me virei de frente pra ele. Comecei a tirar sua camisa bem devagar, até que ele a arrancou e vi seus músculos e seu peitoral, perfeitos e com alguns pelos que o deixavam mais atraente e masculino. Olhei pra ele e tremi.

- Eu quero que você agora Léo... Eu estou pronto pra você. – eu disse e o puxei pra mim, abraçando-o.

Eu beijava todo seu peitoral e sua barriga peluda, e me sentia a pessoa mais sortuda do mundo. Seu cheiro era forte e doce. Ele estava frio e gelado, já eu estava numa temperatura fervente. Ele me derretia e eu o incendiava. Ele tirou minha camisa e eu me deitei o puxando ainda mais pra mim. Ele tirou minha bermuda e eu fiquei de cueca. Fiquei um pouco envergonhado, mas depois que comecei a tirar a dele, não via porque me sentir com vergonha dele. Nossos beijos se tornaram mais fortes, ele começou a beijar minha barriga e foi de leve tirando minha cueca Box, eu avancei nele e também tirei a dele.

Ficamos nus, nos abraçando e nos beijando. Até que senti seu pênis mais ereto e duro. Era grande e eu fiquei nervoso. Ele olhou bem pra mim, eu balancei a minha cabeça e mandei-o continuar, eu queria aquilo mais do que nunca agora. Estava tão excitado que o tamanho nem importava, e sim meu desejo por ele. Ele começou a me chupar, eu sentia que ia explodir a qualquer momento, era muito prazer numa só hora. Eu gemia e não queria que aquela sensação acabasse nunca mais. Depois de alguns minutos, eu fui em direção ao seu pênis. Nem sabia como se fazia aquilo, mas foi rápido entender, que ele só queria sentir o prazer de ser chupado por mim. Ele era bem depilado e seus pelos eram bem poucos perto do pênis. Dei todo prazer com a minha boca a ele, que gemia alto. Não demorou muito e ele me puxou pra si numa ferocidade impressionante.

- Você trouxe camisinha? – eu perguntei ainda sem fôlego.

- Claro, eu não podia deixar de ter uma esperança que isso pudesse acontecer. – ele disse e pegou uma bolsa pequena do lado, onde tinha algumas camisinhas e outro que eu li como um lubrificante.

Ele colocou a camisinha e me preparei para o momento em que sentiria ele dentro de mim. Ele passou lubrificante no pênis dele e quando ia em direção ao meu ânus, senti seu dedo tentar forçar.

- Não assim não... Eu quero sentir você, agora. – eu disse ordenando, e nem me reconhecendo mais.

Ele começou a me penetrar bem devagar, eu estava deitado de costas e ele me fazendo massagens, sussurrando coisas no meu ouvido. Tudo para me relaxar, me fazer ficar a vontade. A dor ia ficando mais leve a cada movimento dele. Fizemos várias posições, eu sempre querendo que ele fosse mais rápido, mais forte. Mas o Léo era muito controlado e não queria que eu sentisse mais dor, se ele aumentasse o ritmo. Ele gemia muito e eu explodia de tanto desejo. Eu estava mais quente que o normal, estava em chamas, fervendo, ele me incendiava completamente. Depois que ele gozou, foi a minha vez, ele ainda me penetrava e eu só queria mais, não demorei muito e soltei todo aquele prazer sobre minha barriga. O único, porém, foi que na hora foi tanto prazer e desejo que eu segurei a estrutura da barraca com tanta força que ela desabou sobre mim e o Léo.

Que ótimo! Eu definitivamente tinha derrubado a barraca. Minha primeira vez foi perfeita demais, tinha que acontecer algo pra estragar. Não! Nada podia ter estragado aquele momento, foi perfeito. Começamos a rir a madrugada quase toda, ele e eu fomos arrumar a barraca e depois fomos dormir. Era um sonho, eu e ele abraçadinhos dormindo bem pertinho um do outro. Deitei a cabeça no seu peito e alisei seu peitoral, enquanto ele mexia no meu cabelo.

- Fui muito ruim? – ele disse meio sem graça.

- Ruim? Você foi perfeito... Eu nunca senti tanto prazer na vida. O desabamento da barraca confirma bem isso. – eu disse rindo pra ele. – E eu fui bem?

- Você foi mais que bem, eu não te reconheci! Você tem um leão aí dentro... Felino na cama! Eu até fiquei com medo de você. – ele disse rindo da minha expressão.

- Serio? Eu nem sei o que dizer... – eu disse envergonhado.

- Daniel, se um dia eu tive prazer, foi só com você... Você me deixou acabado garoto. – ele disse me beijando e nos sorrimos muito a madrugada quase toda.

Depois de um tempo, dormimos conversando.

Amanheceu e eu acordei com ele bem coladinho em mim. Era bom demais, não queria sair dali nunca mais. A noite anterior foi mágica, sem precedentes, e totalmente prazerosa em todos os sentidos. Dormi mais um pouco nos seus braços protetores e acordei com ele me beijando a bochecha.

- Acorda dorminhoco... Já são 10h30min da manhã. A gente tem que ir... – ele disse me acariciando o cabelo.

- Aí eu podia ficar aqui pra sempre com você. Acordar com você é tudo de bom sabia? – eu disse me levantando.

Escovei bem meus dentes, e eu ele fomos embora. Paramos no meio do caminho num restaurante e comemos algo. Era meio dia quando ele estacionou bem perto á frente da minha casa.

- Eu não quero ficar longe de você... – eu disse todo manhoso.

- Eu também não... Eu prometo que a gente vai fazer isso mais vezes. Estou louco para uma segunda rodada. – ele disse me beijando.

- Quando você quiser... – eu disse e dei um último beijo nele. – Te espero...

- Te Encontro... – ele disse me olhando bem fundo.

Assim que saio do carro e fecho a porta. Vejo um objeto ser arremessado no vidro de trás do carro do Léo. É tão forte que deixa tudo aos estilhaços. Vejo minha mãe, me olhando furiosa.

- Eu avisei pra você, não avisei seu imundo? – ela disse e no mesmo instante o Léo saiu do carro assustado.

- O que é isso? Quem é essa mulher? – ele perguntou furioso agora.

- Léo, entra no carro e vai embora... É minha mãe, ela está descontrolada. Eu juro que ela vai pagar por isso. Mas vai embora agora. – eu disse com medo de que ela quisesse bater nele.

- Olha aí seu namoradinho não é Daniel? Que papel você fez pro seu pai e pra mim hein? Mas aqui fora é bastante diferente não é? Aqui fora você mostra bem que tipo de filho você é. – ela disse bem alto, olhando bem pro Léo e pra mim.

- Você tá louca, você é insana, não tem mais escrúpulos. Léo por favor! Vai embora! Eu te ligo depois. – eu disse querendo que ele fosse embora logo.

- Vai assumir de vez? Parabéns meu filho prodígio, você agora merece meu respeito pela sua capacidade de se mostrar verdadeiramente pra todos. – ela disse totalmente descontrolada.

- Eu não vou te deixar sozinho, com essa louca, Daniel. – disse Léo meio indeciso.

- Vai apresentar ele a seu pai Daniel, o que é que você está esperando... Toda a sua imundície já foi revelada muito antes de você dizer a ele. Todo mundo já sabe de você. – ela disse e começou a chorar.

- O que? Não! Você disse que não ia dizer a ninguém... Você contou pro meu pai? – eu perguntei nervoso.

- Ele viu tudo no seu caderninho nojento... Lembra que eu te disse que ia queimar, mas não deu! Eu tinha que guardar aquela porcaria pra me fazer lembrar, tudo que você se tornou, tudo que você é agora. Aí ele pegou meio que sem querer. Mas já estava na hora né? Você achava mesmo que ia continuar com essa mentira por quanto mais tempo? Você mesmo se condenou. – ela disse irônica do começo ao fim.

- Não! Não! Não! – eu disse me desesperando e derramando lágrimas e mais lágrimas. Caí na calçada e me vi perdido. Coloquei a mão na cabeça e queria explodir naquele instante.

- Sua bruxa! Você não é mãe, é um monstro! – disse o Léo revoltado, avançando em cima dela.

- Léo, vai embora agora, eu não quero você envolvido nisso, vai embora. – eu disse chorando muito agora.

Ouço um bater de portão sendo aberto. Meu pai aparece com uma cara muito séria. Olha-me bem furioso e avança na minha direção, me pegando pelos cabelos com uma força arrasadora. Sou arrastado por ele e começo a gritar chorando muito.

- Para Pai! Pai! Não faz isso... – ele me puxa, com uma força que parece que vai arrancar meus cabelos até a porta de casa.

O Léo o impede, empurrando ele e meu pai me solta.

- Ele é o garoto do caderninho dele sabia Fábio? Foi com ele que ele estava ontem a noite, na festa de mentira que eles nos disse. – falou minha mãe chorando e rindo, louca da vida.

- Seu desgraçado... Maldito... – disse meu pai, avançando em cima do Léo, dando vários socos nele.

Corri pra cima dele, tentando o impedir, minha mãe me puxou pelos cabelos e me jogou no chão. O meu irmão saiu correndo de casa e veio tirar meu pai de cima do Léo que estava sangrando de tantos socos. Meu pai parou de socar o Léo e veio na minha direção. Eu corri pra pedir sua compreensão e ele me chutou a boca. Senti o sangue na mesma hora na minha boca.

- Você é um lixo... Eu acreditei em você... Eu confiei em você Daniel... Eu fui seu pai, agora não sou mais... Você não é nada meu mais de agora em diante. Nada! – ele disse gritando.

Ele entrou em casa, minha avó me olhava pela janela da sala chorando muito.

Eu só chorava e me sentia definhar pelas palavras dele. O Léo ia sendo empurrado pelo meu irmão pro seu carro e de repente ele foi embora numa velocidade assustadora.

- Pai! Me perdoa, por favor! Eu posso explicar tudo... Só me ouve... – eu disse gritando para que ele escutasse.

Ele saiu de dentro de casa, com uma mala na mão. Jogou na minha perna e cuspiu na minha cara. Olhei pra mala e não acreditei no ele estava fazendo.

- Você não mora mais aqui... Você não pertence mais a essa família... Acabou, sua vidinha boa as nossas custas. Some daqui e não pisa mais nessa rua seu ingrato. Você manchou o nome da minha família... – ele disse chorando.

Todo mundo chorava agora. Minha mãe entrou em casa correndo e minha avó gritava para ele não fazer isso. Meu irmão me olhava de cabeça baixa e não dizia nada. Eu ainda tentei falar com meu pai, fui a sua direção e recebi um soco que me jogou no chão, só que de vez.

- Seu sujo... Você ia me contar que era algum dia que saía com homens? Enganando a mim? A mim Daniel? Você não presta... – ele disse e me cuspiu de novo.

- Não faz isso comigo pai, eu não queria te machucar, eu juro que não queria... – eu disse aos prantos.

- Mentiroso! Você não presta... Você só veio a esse mundo pra dar desgosto a mim e a sua mãe. Some daqui. – ele gritou.

Ele entrou puxando o meu irmão pra dentro de casa. Fechou a porta com uma força que parecia que tinha me batido de novo. Fiquei lá no chão, estatelado. Ensanguentado e chorando muito. Acabou pra mim, tudo tinha desabado sobre a minha cabeça. Eu estava sozinho agora. Os vizinhos da rua só olhavam e não faziam nada.

Levantei-me, sem forças e peguei a mala que ele tinha deixado nos meus pés. Fui caminhando sem destino... Ia andando sem rumo... Apenas por andar mesmo... Humilhado e acabado por dentro e por fora. Parei de chorar por um momento. Fiquei sem reação, andando sem expressão nenhuma no rosto, parecia que todas as minhas lágrimas tinham secado. Um forte trovão soou no céu. Começou a chover forte, e eu ia me molhando e andando sem rumo, com aquela mala, e a mochila da viagem. Fiquei totalmente ensopado. Olhei para o céu e Perguntei Por quê? Chorei de novo, a chuva batia no meu rosto como uma surra. O pior de tudo é que não chovia só aqui fora, mas dentro de mim também.

Nota do Autor: Ufa! Esse Capítulo foi tenso em pessoal! Quem estiver acompanhando, comenta aí e me diz suas impressões, please! Espero que tenham gostado e continuem acompanhando. Próximos capítulos serão bem mais tensos. Demorarei uma semana pra postar o próximo, Mas vou voltar sim, blz? Abraço a todos! COMENTEM!

Comentários

Há 7 comentários.

Por Babo em 2014-10-30 14:16:00
Daria um ótimo filme!
Por Sonhador Viajante em 2014-09-05 22:20:46
Obrigado simon!! Espero que continue gostando e acompanhando!! O Dani, vai passar por uns bocados ainda, prepare pois vc ainda vai sentir muitas emoções!! :) Abração!
Por simon em 2014-09-05 20:27:19
Criei uma conta aqui so pra comentar o quanto esse conto é perfeito..Eu consigo sentir as emoções do Daniel,espero que tudo se resolva na vida dele..Parabéns pelo conto.
Por Sonhador Viajante em 2014-09-05 01:03:14
Bom pessoal vocês devem ter sentido o que o Daniel passou nesse capítulo né? Pois é! Muita coisa muda nos próximos capítulos, uma nova fase se inicia a partir do cap 6 ao 10, tudo muda. Vai ser mais uma direção para o que vai levar o Daniel a cometer suicídio.. Lembram da cena do Prólogo? pois é, estamos agora mais do que nunca caminhando naquela direção. Valeu pelos comentários May.santos e Anderson P que estão sempre acompanhando e comentando. Uma pausa e logo logo novo capítulo, vai demorar, mas vai valer a pena! Abração!
Por may.santos em 2014-09-05 00:22:52
Eu to sem palavras essa história e tipo demais, senti as dores e isso e verdade serio coitado do Daniel tomare que ele melhore acho que vai ser dificil ele se recuperar depois dessa confusão na vida dele. Mas e incrivel e espero o proximo capitulo beijinhos.
Por may.santos em 2014-09-05 00:21:33
Eu to sem palavras essa história e tipo demais, senti as dores em issoe serio coitado do Daniel tomare que ele melhore acho que vai ser dificil ele se recuperar depois dessa confusão na vida dele. Mas e incrivel e espero o proximo capitulo beijinhos.
Por Anderson P em 2014-09-04 22:12:32
Muito bom, to doido para, ler o próximo.