Um Sentido Na Vida - Capítulo 4

Conto de Sonhador Viajante como (Seguir)

Parte da série Um Sentido Na Vida

Capítulo 4

Imaginei tantos finais felizes nas minhas ilusões, que ao virar realidade só consegui temer que fosse, outro dos meus sonhos em que iria acordar. O amor correspondido que eu tanto achei impossível na minha vida real estava acontecendo, numa naturalidade espantosa, bem diante dos meus olhos. Tudo que eu imaginei nos meus sonhos mais loucos de amor, não se comparava nem de longe aquele momento.

Léo me olhava com uma cara ansiosa e esperançosa, pois eu não conseguia falar nada, só olhava pra ele, congelado pelo choque da minha nova realidade.

- Você vai ficar me olhando e não vai dizer nada? Eu acabei de me declarar pra você. – ele disse impaciente, chegando mais perto de mim. – me diz qualquer coisa, eu já esperei demais por esse momento.

Minhas palavras saíram como uma cachoeira em cima dele.

- Léo, eu te amo! Eu quero ficar com você de todos os sentidos que você quiser, eu quero ser seu amigo sim, sempre quis ser, aliás, eu quero mais que isso se você quiser. Eu quero ser o seu namorado, eu quero ser o seu tudo. Meu coração não aguenta mais esse vazio que é não ter você comigo, eu morro toda vez que eu te vejo e não posso te tocar, te abraçar, falar com você. E tô apaixonado por você desde o primeiro dia que eu te vi. – eu disse. Meus olhos se enchiam de lágrimas. - Eu penso em você á cada minuto do meu dia. Eu preciso de você... – eu falei quase explodindo de tanto amor.

Ele não esperou nem um segundo e me puxou para o vestiário, que por sinal estava vazio. Me envolveu-me com seus braços e me encostou a uma parede. Nós ficamos com nossos rostos a poucos centímetros de nos beijar. Eu tremia, morria e vivia de novo.

- Eu também preciso de você... – ele disse. Chegando mais perto de mim, ele percebeu meu nervosismo, e acariciou meu rosto. Sentia seu hálito quente vindo em minha direção. Era doce e frio, e seus lábios estavam molhados. – Não fica com medo, eu não vou te soltar. – ele disse sorrindo só pra mim, me acalmando com seu toque.

Eu sentia tudo a minha volta girar, em câmera lenta. Nossas bocas foram se aproximando e ele foi encostando seus lábios perfeitamente nos meus. Era como quebra-cabeças, tudo se encaixava como as peças que faltavam. Ele invadia não só minha boca, mas meu coração, num calor resplandecente. Coloquei as mãos em volta de seu corpo e acariciei seu cabelo. Entreguei-me por inteiro pra ele naquele instante. Um calor saia do meu coração e ia se espalhando por todo meu coração, eu me sentia sendo queimado vivo, e não me importava. Estava virando cinzas, sendo incinerado de amor e só queria mais e mais. Era prazeroso ter aquele calor, tomando conta de mim. Cada célula do meu corpo estava em ebulição.

O Léo me beijava com vontade, era surreal aquele beijo, que não conseguíamos mais respirar. Ele foi parando aos poucos mordendo de leve meu queixo e meus lábios.

- Eu queria ficar assim com você o resto do dia sabia? Sentindo tua boca na minha, teu cheiro, teu corpo... – ele ia falando aquilo, beijando minha boca num selinho rápido e ao mesmo tempo demorado.

- A minha ficha ainda não caiu, é como um sonho esse momento sabe? Você tá mesmo aqui e me correspondendo. Eu não quero acordar nunca mais desse sonho. – eu disse ainda mais encantado com ele.

- Mesmo se isso for um sonho, ficará ainda melhor porque eu vou acordar e ainda vou ter você comigo. – ele disse e me beijou.

- Eu quero ficar com você aqui pra sempre... – eu disse, olhando bem fundo pra ele.

Não sei quantas horas ficamos ali naquele vestiário vazio. Mas foram as horas mais felizes e apaixonantes de toda a minha vida. Ninguém entrou lá e quando alguém vinha no banheiro, nos escondíamos num banheiro fechado. Era como viver uma grande aventura amorosa. A gente não se soltava um só minuto. Tudo eram beijos, risos, e conversas apaixonadas de dois amantes.

Eram 12h30min da tarde quando eu saí do vestiário, eu primeiro e depois ele. Quando meus amigos me viram, era como se eu tivesse sido encontrado.

- Daniel, o que aconteceu com você? A gente estava te procurando há horas. Onde você se enfiou? – Bianca me perguntou, preocupada até demais. Todos me olhavam curiosos.

- Eu... Eu fui a... Ajudar o pessoal do almoço na cozinha. Estavam precisando aí eu quis ajuda-los. – eu disse, sem nem me preparar pra fingir bem. Ok! Meus amigos caíram nessa, e eu quase inventei outra mentira pior.

Juliana me olhou com aquela visão de (Você está mentindo, e eu sei). Não dei bola, fomos almoçar. No espaço reservado ao almoço, nos servimos e fomos nos sentar numa mesa. Todo mundo ia chegando da piscina, do campo de futebol, e de outras atividades. Léo chegou com um grupo do terceiro e sentaram numa mesa bem perto da minha. Olhamo-nos e foi automático, era calor, frio, medo, tudo de uma vez só. Desviamos nossos olhares e ele se sentou. Eu nem conseguia mais tocar direito no meu prato, de tanta ansiedade, apenas pelo fato dele estar tão perto de mim.

Quando acabei, saí da mesa quase que em disparada. Passei por ele e o vi comendo, daria tudo para estar do seu lado agora. A Tarde foi passando mais devagar, eu fiquei deitado numa espreguiçadeira olhando pra piscina, e ele descansando em outra do outro lado da piscina. Ficamos nos paquerando muitos e muitos intervalos de tempo, cada olhada, uma chama se reascendia. Resolvi entrar na piscina, as 15h00min da tarde, a água estava um pouco gelada, e ele também entrou. Virei-me de frente pra ele, e fui a sua direção, só que mergulhando. Nas profundezas da piscina o encontrei vindo ao meu encontro, nos tocamos com as mãos e submergimos. Olhávamo-nos com uma tensão vista de longe. Ele segurou minha mão.

- Eu não aguento mais ficar longe de você... Eu quero te beijar, te abraçar... – ele disse bem baixinho fixando o olhar pra mim.

A piscina estava menos movimentada, e mais vazia onde estávamos. Bianca e Tarso que também estavam na piscina, começaram a olhar na minha direção. Soltei minha mão que estava segurando a dele debaixo d’ agua e sussurrei de volta pra ele.

- Então não fique... – eu disse e olhei pra ele. Ele quase me beijou, pois quando ele vinha na minha direção, me virei e fui até a saída da piscina.

Bianca veio atrás de mim. Ela estava desconfiada de alguma coisa, eu sabia disso.

- Dani, você conhecia o Léo? Eu não sabia que vocês se conheciam. – ela disse surpresa.

-Ah... A gente se fala, ele é um cara bacana. – eu disse me enxugando pra não ter que olhar pra Bia.

- Sei... É impressão minha ou ele não para de olhar pra cá, digo, pra você? – ela falou ainda mais desconfiada.

- Impressão sua... Espera aí, você já tá com ciúme do meu novo amigo Bianca? – eu falei de brincadeira pra ela, torcendo pra ela mudar de foco.

- Meu amigo ninguém vai roubar não tá... – ela disse rindo e me abraçando.

Que ótimo! Minha cota de mentiras passava dos limites a cada ato. O restante da tarde passou rápido, e no mesmo monologo. A maioria ia indo embora, e eu fui dar uma última volta pelo espaço gramado de um campinho afastado dos grupos de alunos. Uma linda vista com o sol de fim de tarde estava marcando traços no céu. Parei junto de um coqueiro e fechei os olhos, esperei ele me encontrar. Eu queria vê-lo, queria senti-lo uma última vez, antes de ir. Os últimos raios de sol passaram por meu rosto, e senti suas mãos se entrelaçarem na minha, abri os olhos.

- E agora? Quando eu vou te vê de novo? – eu disse tristemente e com uma saudade infinita dele.

- Logo, eu prometo, eu vou te vê o mais rápido possível... Eu falei sério quando disse que não queria ficar mais longe de você, e eu não vou ficar. – ele disse e me abraçou.

Seu abraço era a melhor sensação do mundo, me sentia protegido e amado como nunca antes. Ele me beijou a testa e vi que a tristeza não era só minha. Ele me deu o numero de telefone dele, eu anotei no celular e dei o meu a ele.

- Eu te ligo... E não fica assim, a gente vai se encontrar mais cedo do que você imagina. – ele disse indo embora, quase não soltei sua mão.

- Te espero... – eu disse olhando bem pra ele.

- Te encontro... – ele disse em resposta.

Ele foi embora e eu fiquei ali, triste de novo. O sol desapareceu, e eu entendi o meu estado. O Léo era meu sol, sem ele eu vivia numa noite sem fim. Ele era a luz na minha escuridão.

...

Começamos a nos falar pela internet, assim que cheguei em casa naquele dia maravilhoso no clube. Eram horas e mais horas por telefone, pelo skype, pelo facebook, por sms. Eu não conseguia dormir cedo, do tipo, 02:00 horas da manhã, pra mim ainda era cedo. Não nos desgrudávamos um só minuto. Minha vida finalmente tinha encontrado a verdadeira felicidade, pois eu era feliz todos os dias. O Léo era minha felicidade. Nas várias conversas que tivemos, falávamos sobre tudo, nossas vidas, nossos planos, nossos anseios, nossos sentimentos um pelo outro. Ele perguntava tudo sobre mim, meus gostos, manias, meus Hobbies, tipo tudo mesmo, até a medida do meu dedo. Tudo já se tornava “Nosso”, em poucos dias. Cada dia um fazia declaração pro outro. O amor só crescia ainda mais com a distância.

Ele tinha 18 anos e iria completar 19 já em janeiro, gostava de cachorros da raça pastor alemão, curtia games, jogava basquete e amava vôlei de praia. Daí o físico atlético, pois ele nem fazia academia com muita frequência, e nem precisava ele era perfeito. Ia fazer faculdade de medicina veterinária, quase pirei, pois eu também faria medicina. Ele gostava de escutar musicas de rock, pop, mpb, tudo internacional, falava inglês e espanhol, ele é muito mais incrível do que eu imaginava. Tudo me completava, ele era um encaixe que faltava pra mim. Seu maior medo era de altura. Eu estava a cada dia mais admirado com tudo, o que ele me dizia sobre si. O Léo era um mistério que eu ia desvendando todos os dias.

Os problemas que me fizeram ficar triste e chorando nos últimos meses sumiram, pois eu estava sendo feliz, e queria mais era que tudo se explodisse, pois eu estava vivendo algo belo e bonito e não ia ficar numa depressão eterna. Abri finalmente a janela da minha ascensão amorosa e não deixaria ninguém fecha-la.

Estava assaltando a geladeira numa madrugada, na segunda semana de dezembro, quando meu pai chega à cozinha me pegando no flagra.

- Daniel, eu queria mesmo falar com você. – ele disse, sentando-se à mesa da cozinha.

- Pai, aconteceu alguma coisa? – falei e pensei logo no pior. Sentei-me e olhei com medo pra ele.

- Você lembra que eu ia te mandar pra ficar um tempo com sua avó? – ele disse.

- Olha pai, se você pensa que eu vou obrigado, nunca que eu faria uma desconsideração dessas com a vovó, eu vou de boa sim... – eu disse me convencendo que agora, não ia ser tão fácil assim.

- Meu filho, eu sei disso. Só que você não vai mais precisar ir. Sua avó vai vim pra cá, depois de muito insistir, ela vem passar um tempo com a gente, você não vai mais precisar deixar seus amigos, seu colégio, seu quarto, sua família. Minha mãe vai vim ficar com a gente. – ele disse feliz e ansioso.

- Obrigado pai. Eu estou feliz pela vovó vim ficar perto da gente. Assim o senhor não vai precisar ficar preocupado com ela todos os dias. Ela é teimosa, assim como o senhor, mas sempre faz o que é certo. – eu disse e ele sorriu.

- Agradeça á ela, levando-a todos os dias pra praia. – ele disse sorrindo.

- Pode deixar comigo, vou levar sim. – eu disse. Ele se levantou e foi embora.

Minha felicidade esborrava por dentro e por fora de mim, pois eu não precisaria deixar o Léo, eu ia ficar. Teria um ano perfeito, último ano do ensino médio com meus amigos e agora com meu futuro namorado. A gente ainda não tinha oficializado, não pessoalmente. Tudo começou a dar certo, o meu destino tinha finalmente encontrado o caminho certo. Eu ia ser muito feliz nos próximos meses e nos anos seguintes, eu sentia isso. Realmente tudo tem seu tempo, e o meu tinha acabado de chegar.

Alguns dias antes do Natal, O Léo marcou de me encontrar pela primeira vez. Inventei mais uma mentira para meus pais, dizendo que ia vê meus amigos. E eles não se importaram. Não nos víamos pessoalmente desde o clube, eu e ele não aguentávamos mais aquela distância que no momento era a grande vilã da história. Numa tarde de sábado, marcamos num shopping próximo. Esperei por ele numa livraria, e enquanto ele não chegava ia procurando alguns livros que eu pretendia comprar. Para minha surpresa, duas mãos tamparam meus olhos. E eu sabia que era o Léo.

- Léo! – Falei me iluminando completamente. Ele tirou a mão dos meus olhos e eu me virei para abraça-lo e quase tive um ataque.

- Oi Daniel, não é o Léo, Artur Lembra? – ele disse meio desapontado.

- Meu Deus! Desculpa! Eu não sabia que era você, Artur. Nossa! O que você faz por aqui? – eu disse. Minha frustração era plausível.

- Eu vim comprar alguns filmes e um livro. Sabe como é nas férias... Nada pra fazer a não ser ficar em casa. Minha família não viaja muito... – ele disse com ar ainda meio triste.

- Sei sim cara, e você como tá? – eu perguntei, já sabendo da resposta. A tristeza ainda era visível no seu olhar. Depois de tudo que ele passou esse ano, não é pra menos né.

- Eu estou levando, a gente tem que seguir em frente mesmo né... Mas e você? Afinal, quem é Léo? – ele perguntou curioso.

- Eu estou bem também! O Léo é um amigo que eu combinei de me encontrar hoje aqui. – eu disse me sentindo mal, pela palavra “Amigo”.

- Bacana! Bom, eu tenho mesmo que ir, a gente se vê, quem sabe até combina outro dia de sair, eu e você. – ele disse esperançoso. Seu olhar era estranho.

- Claro Artur! Vamos sim! – eu disse sorrindo pra ele. E nesse momento vi o Léo chegando. O Artur viu meu olhar e olhou para o léo.

- Ele é o seu amigo? – Perguntou Artur, avaliando-o.

- Olha Artur, eu não queria te contar, porque eu sei que vocês estudavam na mesma sala no começo do ano, eu só não... – eu disse e ele me interrompeu.

- Não precisa explicar nada, eu te entendo, só não imaginei que ele fosse... Eu tenho que ir! Tchau amigo! – ele disse e saiu da livraria. Ok! Isso foi estranho!

Quando vi o Léo, meu coração parece que descongelou. Tudo a minha volta saia do preto e do branco. Ele veio na minha direção, nossos olhos brilharam e ele me abraçou. O Léo estava perfeitamente lindo, de calça jeans, blusa preta e seu cabelo mais que lindo. Que ótimo! O cabelo dele era agora meu fetiche.

- Não consegui dormir desde que marquei de te vê, só fazia pensar em você sabia?... – ele disse me olhando nos olhos, era hipnótico seu olhar.

- Somos dois então! Eu senti muito sua falta, todos esses dias. Eu não via a hora de te vê, te abraçar, sentir teu calor, teu olhar. – eu disse todo derretido. – Teu beijo. – falei baixinho só pra ele.

- A gente vai matar toda essa saudades agora! Só que antes vamos comer algo? – ele perguntou. E eu balancei a cabeça, pois iria pra qualquer lugar com ele.

Fomos ao McDonald's e enquanto comíamos, conversávamos sobre tudo, e ele sempre piscava o olho pra mim e pegava na minha mão. Ia me sentia eu mesmo com ele, não era aquele garoto tímido e sem assunto. Eu era fluído e ao mesmo tempo natural. Ele era meu normal, está com ele era ser eu mesmo em todos os sentidos.

Terminamos e ele pagou a conta, eu ainda tentei convencê-lo a dividir, mas a palavra dele foi unânime. Léo pegou minha mão e fomos andando pelo shopping como um casal apaixonado, só que como “amigos”.

- Vêm comigo... Eu quero te levar á um lugar. – ele disse me puxando pela cintura pra fora do shopping.

- Eu pensei que a gente fosse ficar aqui... – eu disse surpreso.

- Não, eu tenho uma coisa pra te dar, e não dá pra ser aqui num shopping, tem muita gente. E é muito importante pra mim. – ele disse me segurando a mão, como eu sempre imaginei.

A sensação de estar sendo observado me pegou, pois senti como se tivesse alguém me olhando de longe. Não me importei.

Nós chegamos ao estacionamento e ele estava de carro. Quando entramos no carro, ele avançou em mim me deu o maior beijão. Ficamo-nos beijando por alguns minutos infinitos, e eu não conseguia larga-lo mais. Seu cheiro, sua boca, sua pegada eram a minha droga.

- Cara, você me deixa louco... – ele disse me beijando o pescoço.

- Eu não consigo respirar com seus beijos, ficar sem ar é prazeroso com você. – eu disse, ainda sem fôlego pelos seus beijos.

- Calma aí, o melhor ainda está por vir... – ele disse, ligando o carro e dando partida.

- Ainda tem mais? Eu pensei... – eu disse, achando que aquela seria a minha tarde feliz, com ele num carro no estacionamento de um shopping. Eu não poderia estar mais enganado.

O Léo era ainda mais gato dirigindo, tinha uma autoconfiança, um estilo. Era coisa de astro de cinema. Ele me levou a uma praia, só que mais deserta, sem muitas pessoas. Já era quase o final da tarde, o céu estava com muitas nuvens, mas o sol deixava aquele tom amarelo avermelhado naquela imensidão de céu aberto. O Mar estava agitado e negro. Depois que ele estacionou numa vaga no calçadão, saímos do carro e ele pegou minha mão. Íamos andando em direção a areia da praia, quando ele segurou meu rosto e me beijou de repente, era suave a cada toque.

- Eu te amo cara! Serio mesmo. – ele disse me olhando com uma ternura mágica, era lindo a cada gesto. Ele acariciou minha boca e meu queixo.

- Eu também te amo Léo, é tanto amor que dói. Se isso é bom eu não sei, mas é como se eu estivesse doente sabe? Você é minha cura e minha doença ao mesmo tempo. – eu disse rindo e tocando seu cabelo. Andamos abraçados mais alguns metros, até que paramos junto de algumas pedras. Ele olhou pra mim e seus olhos eram brilhantes.

- Você é perfeito pra mim sabia?... Eu tenho muita sorte de ter me apaixonado por você, tudo aconteceu na hora que tinha que acontecer. Na minha vida toda, eu sabia que sentia atração por outros caras, só que isso foi ficando bloqueado. Ninguém me fazia ser corajoso, como você me fez ser. Cada garota que ficava comigo, era apenas pra preencher lacunas no meu coração, só que nunca foram preenchidas de verdade, pois ninguém nunca me tocou igual á você. Você me completa, cara! Eu vivia uma vida onde me contentava com apenas aquilo e pronto, a minha felicidade não era verdadeira. Daniel, você me desbloqueou, foi você que me fez achar a luz no final do túnel da minha vida. Você é minha luz no final do túnel. – ele disse olhando para cada expressão minha, seus olhos brilhavam.

- Você é minha paz então. – eu disse ainda desconcertado. – Eu esperei muito por você, desde sempre eu imaginava encontrar um cara que me visse de verdade sabe. Ninguém nunca me via, eu invisível á todos. Olhava para os caras, e nenhum me encontrava. Mas você me encontrou. Eu não sei quantas vezes eu perdi as esperanças, mas algo sempre acontecia e me fazia acreditar novamente. Eu sou um sonhador amoroso, minhas relações sempre aconteceram na minha cabeça. Você mudou meu destino e eu sou muito feliz por isso. Se eu morresse agora, eu morreria feliz. Sabe por quê? Porque eu vivi um amor lindo e mágico, e só isso, já fez valer minha vida. Você faz minha vida valer a pena. – falei olhando pra ele, meus olhos iam saindo mais lágrimas do que eu queria.

Ele não esperou mais nada, me beijou com uma força avassaladora. Sentamo-nos na areia e ficamos nos beijando por muitos minutos. Brincávamos na areia fazendo corações junto com nossos nomes. Beijávamo-nos sentindo as pequenas ondas rebentando na areia sobre nossos pés. Molhávamo-nos, corríamos pela areia e pela água como duas crianças. Sorrindo, felizes e sendo livres. A liberdade nunca foi tão real e verdadeira naquela tarde. Aquelas declarações só fizeram crescer ainda mais nosso amor. Qual o tamanho do meu amor por ele? Com toda certeza é infinito, e sem fim. Até que ele parou de me beijar e segurou minhas mãos. Sentamos na areia.

- Daniel, lembra quando eu disse que queria você de todos os sentidos? – ele perguntou.

- Sim, eu nunca vou esquecer esse dia. – eu disse sorrindo pra ele.

- Eu nunca estive tão certo disso na minha vida, por isso mesmo, eu não quero esperar mais nada. – ele disse mexendo agora no bolso da calça. Eu fiquei em pânico, pois não sabia o que ele iria tirar daquele bolso.

- Meu amor por você é muito maior a cada dia, e eu quero ter você comigo em todos os momentos da minha vida de agora em diante. – ele disse, tirando uma caixinha preta e abrindo um pouco trêmulo. – Você aceita ser meu namorado? Namorar comigo? – ele disse nervoso.

Eu estava vivendo um sonho, que ficava perfeito a cada momento. Olhei para as alianças e para ele, estava em choque. Eu não acreditava naquela realidade, como eu podia ser tão sortudo? Ele me queria como namorado, agora oficialmente. Não esperei e nem fiquei mudo.

- Sim... Sim... Sim... – eu disse cada “Sim” com um tom. - É tudo que eu mais quero meu amor! – eu falei e chorei de vez agora. Era um choro de felicidade, misturado com (Eu mereço tudo isso?).

Ele me beijou rapidamente e colocou a aliança no meu dedo. Eu também coloquei no dele, chorando como uma torneira. Abraçamo-nos e nos beijamos. Ficamos o resto da tarde na praia, agora como dois namorados, curtindo e se amando como nunca. As horas foram passando, já era noite quando saímos de lá e ele me levou em casa. Ele parou o carro alguns metros de distância da minha casa.

- Eu vou dar um jeito de a gente se encontrar mais vezes... Eu juro pra você, ainda mais agora que eu tenho um namorado. Meu namorado não pode ficar longe de mim, muito tempo não... – ele disse rindo e me beijando.

- É apenas o começo, meu amor. Se eu pudesse fugiria com você por todas as férias.

- Não dá ideias, olha que eu penso sobre isso hein... – ele disse pensativo.

- Meus pais me matariam... Eu tenho que ir agora. Te espero... – eu disse, o beijando por uma última vez. Saindo do carro, ele pega minha mão.

- Te encontro... – ele disse e me soltou.

Nossas mãos se soltaram e senti um vazio quando ele foi embora. Minha vida tinha ficado cinza de novo, só que por algum tempo, pois eu iria vê-lo de novo. Fui pra casa voando, leve e feliz como nunca. Quando entrei em casa, minha mãe estava assistindo TV. Eram 20h15min da noite, dei boa noite e fui pro meu quarto. Meu pai estava na cozinha jantando e falei rapidamente com ele. Aquele clima da minha mãe nunca ia mudar. Conformei-me com isso. Quando entro no quarto, começo a tirar minha blusa para tomar banho. Ia falar com o meu namorado as 23h00min pelo Skype, e precisava me organizar. Estava tão feliz que nada podia estragar aquela sensação. Olho para a aliança no meu dedo e a beijo, pensando nele. Minha mãe entra no quarto e fecha a porta.

- Onde você estava? Posso saber? – ela disse já irritada.

- Eu disse a vocês, eu fiquei a tarde toda com a galera da minha sala, só isso. – eu falei, mentindo bem dessa vez.

A tapa na cara foi certeira e forte no meu rosto. Ela tinha acabado de me bater de novo. Eu quase caí com a força dela. Não acreditei.

- Mentiroso. Eu vi você no shopping, eu te segui. Quem era ele? Quem era? – ela disse totalmente descontrolada. Fiquei surpreso.

- Você me seguiu? Você tá passando dos limites, você me bateu. Eu não vou aturar isso. Você falou que não me conhecia mais, mais eu é que não reconheço mais quem é você. - eu disse, já chorando.

- Eu tenho nojo de você! Eu vou contar tudo pro seu pai e pro seu irmão... Eu vou contar TUDO. – ela disse voando em cima de mim e me batendo.

Eu chorava e mandava-a parar, só que ela não estava sã, estava completamente louca. Meu pai de repente chegou e entrou no quarto, arrancando-a de cima de mim.

- Eu vou contar TUDOOO!! – ela gritou.

- O que está acontecendo aqui, Elisa? O que é isso meu filho? – ele disse nervoso e segurando ela nos braços.

Eu me sentia acabado. Aquela sensação feliz no meu coração tinha sido interrompida, de novo. Não conseguia parar de chorar. Minha mãe me fuzilou com aqueles olhos de (Vou te matar).

Nota do autor : Mais um capítulo! Espero que gostem e comentem! Opiniões são sempre bem vindas! Capítulo 5 em breve... Um Abraço á Todos!

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