Um Sentido Na Vida - Capitulo 3
Parte da série Um Sentido Na Vida
Capítulo 3
Ás vezes eu acho que a vida vive testando meus limites, minha felicidade está sempre com hora marcada pra acabar. Não consigo me arrepender de ter beijado um cara, que acabei de conhecer num luau na beira da praia. Foi minha chance de viver algo especial, maravilhoso e eu não ia desperdiçar essa chance única na minha vida. Afinal, o que é a vida senão, um mar de experiências e Ilusões.
Eu não conseguia falar mais nada, meu celular tocava, o Heitor continuava me abraçando e me beijando o pescoço. Que ótimo! Ele estava querendo me dar o maior amasso e eu totalmente em choque vendo o Léo ao longe olhando pra mim. Desviei o olhar dele e me foquei no Heitor.
¬- Heitor, Eu preciso ir. – eu disse olhando pra ele, tentando me soltar de seu abraço, só que ele parecia estar querendo me devorar de tanto desejo. – É sério! Eu tenho que ir. Meus amigos tão me esperando. – eu disse.
- Fica mais um pouco vai! eu te levo em casa, eu te levo aonde você quiser... – ele falou aquilo me puxando ainda mais para o corpo dele e me beijando o pescoço.
-Não vai dar, meu pai vem me buscar e eu sou menor de idade ainda, esqueceu? – Falei e me soltei dele. Ele ficou meio estranho.
- Ah não! Eu não acredito cara! Eu sacrifiquei toda a minha noite pra ficar com você e agora você que quer se fazer de difícil pra cima de mim? Eu sei que você me quer. – ele falou me puxando e me beijando novamente, só que dessa vez era agressivo. Eu comecei a me assustar.
- Olha, Você é um cara bacana! Eu adorei te conhecer, e mais ainda, eu amei nosso beijo. Mas eu não posso ficar com você agora. Eu posso te ligar e a gente combina de sair, sei lá, tomar um sorvete, ir ao cinema, que tal? – eu disse calmamente. E me soltei dos braços dele. Ele de repente mudou completamente a expressão de interessado em mim.
- Programinha de casal? Você tá louco cara? Que papo é esse? Você acha mesmo que eu quero alguma coisa séria? Olha, em que mundo você vive? Eu quero sexo e só. Valeu! – ele disse e me segurou no braço. – Tu me fez de palhaço a noite inteira, pra me deixar no vácuo seu veado do caralho? – ele disse com uma fúria arrasadora.
- Me solta Heitor, para com isso cara... Eu não quis fazer você de palhaço, longe disso. Eu pensei que você quisesse me conhecer, só isso. – Eu disse e comecei a querer chorar.
- Veadinho sacana da porra! Vou te dar uma coça pra você deixar de ser um imbecil... – ele colocou o braço em volta do meu pescoço, tentando-me sufocar.
- Não! Para com isso! Socorro!! – eu gritei desesperado.
Eu comecei a ficar sem ar, não conseguia mais pedir ajuda. Ele me apertava com uma força assustadora. Até que senti alguém o empurrar, ele me soltou e eu caí na areia, sentindo uma dor forte no pescoço e na cabeça. Quando virei pra ver o que tinha acontecido, o vi. O Léo estava brigando com ele, e os dois estavam numa luta corpo á corpo. Ouvia vários socos e pontapés. Comecei a gritar pedindo ajuda.
- Socorro! Alguém me ajuda!!! – eu disse, lutando pra conseguir gritar por ajuda. Alguns caras viram e correram até nós. Eles separaram os dois.
- Trouxe o namoradinho foi? – falou o Heitor sangrando pelo nariz, olhando pra mim e pro Léo.
- Babaca idiota. Chega perto dele de novo pra você vê só! Eu te quebro todo seu pervertido dos infernos. – disse o Léo com a boca sangrando um pouco.
- Ele vai te dá hoje não vai? Aposto que pra você ele sabe dá esse cuzinho virgem. – Falou o Heitor, que estava totalmente irreconhecível. Falava como um psicopata louco, como eu pude me enganar tanto?
Os caras ainda o seguravam, eu não sabia o que fazer e comecei a pegar o Léo pela camisa, o levando dali. O Heitor ia indo embora, quando correu na nossa direção e cuspiu na minha cara.
- Vai ter volta!! – ele disse, com uma expressão furiosa olhando pra mim.
A galera o segurou e o levou pra longe da gente. Limpei meu rosto e estava me segurando muito pra não desabar naquele instante.
- Você tá bem Léo? Meu deus sua boca tá sangrando... – eu disse, olhando a boca dele. O Léo me olhou com uma indiferença arrasadora.
Pedro e Tati vieram correndo até nós e eu não sabia como explicar. Meu pai me ligou naquele momento. Eu atendi e mandei-o vim nos buscar.
- Gente o que aconteceu? – falou Tati.
- Você tá sangrando cara! – falou o Pedro, assustado.
- Não foi nada! Nada comparado ao que eu fiz no rosto daquele idiota lá. – disse Léo, apontando pro Heitor que ia sendo levado para o fundo lá na multidão.
- Meu pai tá vindo buscar a gente. Léo, eu queria te agradecer. Eu não sei o que teria acontecido se você não tivesse chegado naquela hora. – eu disse, quase implorando por sua atenção.
- Relaxa! Eu faria por qualquer um, que estivesse naquela situação. Só toma cuidado com quem você arruma pra ser seu amigo. Nem sempre todo mundo se salva. – ele disse frio a cada olhar e saiu indo em direção ao estacionamento, ele veio de carro.
Eu corri na sua direção me sentindo um verdadeiro idiota.
- Léo! Obrigado de verdade! – eu falei, olhando pra ele como nunca tinha olhado antes. Ele só acenou com a cabeça e foi embora.
Meu pai chegou e inventei uma mentira, que serviu pra todos os meus colegas. Um cara se fez de amigo e ia tentar me roubar, daí, o Léo apareceu e pronto, salvou-me como numa cena de filme. Aquilo podia convencer todo mundo. Quando cheguei a minha casa, minha mãe estava vendo televisão e eu fui pro meu quarto. Comecei a chorar. Tudo parecia desabar, as coisas começavam a tomar um rumo crucial na minha mente. Sentia-me culpado e ao mesmo tempo infeliz. O beijo, o meu primeiro beijo, esperava que fosse ser apenas o começo de uma era feliz, o rumo á minha felicidade que eu sempre sonhei.
Não conseguia acreditar em tudo que estava acontecendo comigo nos últimos meses. A morte do meu amigo, que só queria um ombro amigo e eu o abandonei. O Léo que eu estava gostando, a decepção de ser rejeitado, o amor não correspondido. A frieza que ele me passou hoje à noite. Agora a minha própria mãe me tratando como um nada apenas por causa da minha opção sexual. A tapa na cara. As palavras que ela disse pra mim. E mais agora uma decepção, o cuspe no rosto que eu recebi do cara que eu achei ser diferente. Desabei e chorei a madrugada inteira, sozinho e baixo pra ninguém escutar.
Acho que nunca vou ser feliz de verdade, comecei a perder as esperanças naquela noite.
As semanas passaram voando, final de ano sempre é assim. O Léo e eu não nos encarávamos mais na escola e nem em lugar nenhum. Ele viu o beijo e não disse nada a ninguém, pelo menos eu acho, e fiquei aliviado por isso. Comecei a pensar mais diferente a partir daqueles dias. Não acreditava mais em todas as pessoas, não seria beijado por outro estranho tão cedo, e quem sabe até nunca mais.
No final de outubro, a escola estava um alvoroço pelas provas do último semestre. Todo mundo decidiu estudar pra valer, e meus amigos estavam pendurados em várias matérias, assim como eu. Decidir estudar sozinho. Aproveitei que não tinha muita gente na biblioteca, e entrei de cabeça nos livros. Estava sentado numa mesa num local mais reservado, estudando pra química, quando alguém sentou numa cadeira próxima da minha. Estava completamente concentrado no livro.
Levantei a cabeça pra ver quem era e quase caí da cadeira. O Léo olhou pra mim serio e depois para o livro.
- Léo? – falei surpreso. Depois daquelas semanas sendo ignorado, aquilo era pra aplaudir de pé.
- Estudando muito? – ele disse. Olhando bem pra mim. Fazia tempo que não sentia aquele olhar em mim.
- Sim, provas finais! – falei olhando tímido pra ele e voltei a olhar para o livro, sendo que eu já não conseguia mais me concentrar em nada.
- É... Você me daria um minuto de conversa? Vou ser rápido! Eu prometo! – ele falou, devia ser uma coisa muito importante, pois vi nos seus olhos uma urgência verdadeira.
- Tá bem. – eu falei e fechei o livro. Olhei pra ele e senti algo diferente. O que ele queria falar comigo? A gente nem se conhecia direito, nunca tínhamos tido nenhum papo, só olhares e esbarros.
- Eu nem sei por onde começar, mas eu vou tentar ser o mais breve possível. – ele disse meio tímido. Ok! O que estava acontecendo com ele? Nunca o tinha visto tão meigo. – No começo do ano, eu estava saindo da sala do laboratório de Biologia no intervalo, e peguei você me olhando, eu pensei que fosse impressão minha. Até que a gente se esbarrou, e cara, quando você olhou pra mim ali, eu tive que concordar que isso era muito estranho. Você me assustou no começo, eu não sabia o que pensar. – ele disse, sorrindo com aqueles lábios rosados e dentes brancos perfeitos.
Eu queria me enfiar num buraco naquele exato momento. Como ele podia ter percebido tudo? Eu fiquei em choque, de tão paralisado e chocado com aquelas palavras.
- A gente se via e você ia me encarando, mas você nunca segurou o olhar pra mim. Eu te olhava e você não me encarava de volta. Foi aí que eu deduzi que você tinha certo medo de mim, estou certo? Naquele dia na escada, que eu te segurei e você ficou vermelho. Você tremia, e não por quase ter caído, mas por eu te encarar. Quando de te vi na praia, beijando aquele cara, eu só iluminei as ideias. Eu estava certo o tempo todo não é? – ele disse tudo numa confissão mais que verdadeira. Pois á cada palavra que ele dizia, era uma expressão minha que me entregava. Não ia mentir pra ele, eu não podia mais mentir nem pra mim mesmo.
- Léo, eu nem sei o que dizer. Eu nunca senti uma sensação tão intensa assim sabe? Nunca foi com essa intensidade antes, eu sei é ridículo, mas é como eu sinto. – falei de cabeça baixa, não tinha forças pra dizer aquilo olhando pra ele, era demais pra mim naquele momento.
- Não precisa ter vergonha... Você não está sozinho nessa cara... – ele disse com um tom suave. Comecei a olhar nos olhos dele e nesse momento, meu coração bateu num ritmo recorde.
- Por que você beijou aquele filho da puta? Você não parece ser do tipo que beija, qualquer surfista tarado né? – ele disse, rindo um pouco e olhando-me fundo dessa vez.
Olhando pra ele, uma sensação diferente tomou conta de mim e me fez ficar seguro de mim mesmo como nunca visto antes.
- Não é fácil viver de expectativas sabia? Eu só não queria ficar sozinho, mas do que eu já fico. Ele chegou e me conquistou naquele papo de querer saber mais sobre mim, e eu caí na dele. Eu pensava que ele queria mesmo me conhecer e no final das contas, era eu que queria que ele me conhecesse e não o contrário. Ele me agarrou e mais uma vez fui enganado pelos encantos e toques dele. Ele sabe muito bem como enganar uma pessoa. Mas uma coisa eu te digo. Eu te procurei naquela multidão, achei que você não tinha ido e acabei sendo coagido por aquele louco. – Falei me sentido um livro aberto. Seus olhos mudaram, ele ficou radiante.
Não sei como, mas, ele me acalmou. O Léo que sempre me fazia delirar e sair do meu estado normal, me aterrissou no planeta terra e me deu uma paz, que nunca pensei sentir na vida junto dele. Era tranquilo e relaxante, eu me sentia eu mesmo, normal, ele era a minha tranquilidade, minha segurança no final das contas. Só o coração que ainda continuava descontrolado.
- Eu não podia sair da escola sem antes te ouvir Daniel. E eu estava certo o tempo todo. – ele disse só que, sério dessa vez.
- Sobre o beijo, você não contou para ninguém né? – eu perguntei, esperando o pior.
- Não, eu não ia fazer fofoca de você, como fizeram com o Artur no começo do ano. Pode ficar tranquilo, seu segredo está salvo comigo. – ele disse rindo e me senti protegido.
- Obrigado mesmo! Eu ainda não contei pra ninguém, não ainda. É difícil pra mim entende? – eu disse aliviado. Ele fez que sim com a cabeça, e eu sentia que ele estava à vontade com aquilo.
– Eu posso ser seu amigo? – ele perguntou, e eu fiquei sem saber o que dizer.
- Nossa, eu vou adorar ser seu amigo... Mas por que você quer ser meu amigo? Por que só agora?– falei e meu estado de decepção foi visível.
- Porque diferente daquele babaca, EU QUERO TE CONHECER! – disse ele. Não deixando de me olhar nem por um segundo.
Ele queria me conhecer? Como assim? Aí meu deus, isso não podia ser real, podia? E se ele me machucar? E se der tudo errado de novo? Que ótimo! Minha mente está indecisa sobre essa amizade inesperada. Descontrolo-me e me protejo de outra furada. Levanto-me da cadeira e começo a arrumar minhas coisas apressado.
- Olha Léo, eu não quero sua amizade, aliás, eu não quero nada de você. – falo tudo àquilo sem olhar pra ele. Ainda não acredito no que eu acabei de dizer. Saio da biblioteca quase correndo, e ele me segue.
- Ei, espera! Por que você não quer minha amizade? Eu pensei que... – ele diz e eu o interrompo.
- Para! Tá legal! Eu não vou mais me machucar com ninguém. Você já vai sair da escola mesmo, então pra quê querer uma amizade com uma pessoa que além de gay, é completamente apaixonado por você? Ou você acha que aqueles olhares todos esses meses foram apenas um flerte? Não, não foram nem no primeiro dia. Chega disso cara! Eu não quero mais viver de encenação e ilusão. Eu quero algo de verdade, algo real. Não quero me decepcionar com mais ninguém. – eu disse, descarregando tudo e me arrependendo. Ainda bem que ninguém ouviu, eu acho. Saí correndo para minha sala. Ele ficou sem reação, parado me olhando correr.
A última aula passou voando, fui pra casa me sentindo a pior pessoa do mundo. O Léo só queria minha amizade, e eu queria também. Só que eu não ia repetir o mesmo replay, de decepções anteriores e ilusões fora do comum. Aquilo nunca ia dar certo, eu iria viver o famoso monologo do amigo gay que é apaixonado por seu amigo hétero. Não! Foi melhor assim, cada um seguir o seu próprio caminho é a melhor escolha. Passei aquela noite chorando, me arrependia e depois achava certo. Sempre quando acho que vou ficar bem, algo sempre acontece pra me deixar infeliz de novo. É como construir um muro sobre os problemas e achar que ele vai ficar firme pra sempre. Minha vida sempre desaba.
...
Depois daquele dia fatídico na biblioteca, o Léo não veio mais falar comigo, e não o vi mais também. Ele devia estar se preparando para o vestibular, no final do terceiro ano sempre é assim. Ás últimas semanas de aula foram mais rápidas do que um piscar de olhos.
Estava estudando para as últimas provas no meu quarto, quando minha mãe entrou e fechou á porta. Sua frieza era escancarada nas suas expressões. Em pé, olhando pra mim, como que por obrigação.
- Eu e seu pai conversamos e decidimos que você vai morar uns meses com a sua avó, no Ceará. Ela está muito sozinha, precisa de uma companhia, está doente. E não tem ninguém da família por perto que, possa auxilia-la. Então pensamos em você, tá na hora de você fazer algo mais útil nessa sua vidinha de bom moço. – ela disse secamente.
- Morar? Tipo sair do Rio? Como assim? A vovó não pode vim pra cá? – eu disse me desesperando.
- Você não discuta comigo. Ela não vai vim pra cá nem amarrada. Você sabe muito bem como o seu pai já implorou pra trazer ela pra cá. Ela não gosta daqui, gosta da sua casa, dos cachorros dela... Eu não vou discutir isso com você, só de vim aqui falar com você e me lembrar daquela noite, eu tenho vontade de te esganar. – ela disse agressivamente.
- Eu vou falar com o papai... Eu não posso largar toda minha vida assim, de uma hora pra outra. Eu amo minha avó e nunca a deixaria sozinha, mas deve ter outra solução, um jeito de ela ficar aqui, sem precisar... – eu disse e ela aumentou o tom de voz e me interrompeu aos gritos.
- Não tem mais nem meio mais garoto. Você não tem idade pra escolher o que você vai fazer. Só por que vai completar 17 anos, já se acha dono de você mesmo? Não! Você vai fazer o que eu e sei pai mandar. E nem pense em esquentar o juízo dele com esse assunto de novo, você tá me ouvindo? – ela segurou meu braço com força. - Se você não for eu conto toda a sujeira do que você escreveu, naquele caderno. É isso que você quer? O que teu pai vai achar quando souber de tu hein? O que nossos familiares vão dizer, e nossos amigos? Seu pai é um advogado respeitado, não devia e nem vai passar por essa vergonha. Porque eu não vou deixar. Você vai! Logo depois das festas, em janeiro, por causa do colégio. Quem sabe até você não fica logo lá, só que de vez. – ela me soltou e saiu abrindo á porta.
Eu comecei á chorar. Minha mãe me odiava, era evidente, ela não me suportava. Eu era o inimigo dela agora. Pronto! E de novo a vida me faz chorar. Ela agora quer me chantagear, me mandar pra longe de casa, só pra não humilhar os amigos e familiares com a minha abominável opção sexual. Tudo parecia um verdadeiro inferno, não sabia o que fazer, ou que atitude tomar. Por mais difícil que fosse ouvir cada palavra da boca dela, ela ainda era minha mãe, e há alguns meses atrás me amava como um filho normal cuidava de mim, de cada coisa que eu fazia. Só que nos últimos meses, ela só me trata como um nada. Vejo que se ela um dia me perdoar, possa ser que eu não queira mais o seu perdão.
Saí do meu quarto, e fui ao do meu irmão. Precisava de ajuda urgente, e só ele podia me ajudar. Não gosto de mentir pro Diego, mas tinha que esconder isso dele. Não aguentaria ver meu irmão, sentir nojo e ódio por mim também. Entrei batendo e ele estava deitado na cama, vendo um filme na tv dele.
- Diego, eu preciso da sua ajuda cara. Eu não sei o que fazer. A mamãe quer me mandar pra casa da vovó e eu... – eu disse, ele me interrompeu.
- Daniel, a vovó está mal mesmo cara... Papai disse que ela foi para o hospital duas vezes só essa semana, ela já está bem. Ele está muito preocupado com ela sozinha naquela casona, com aqueles cachorros. Sem ninguém da família por perto pra ajuda-la. Ele me disse que você ia ficar por uns meses e eu concordei com eles. Pensa só em como vai ser bom pra você ficar um pouco fora desse caos do Rio. Vai ser difícil no começo, mas você se acostuma. Não vai ser pra sempre.
Eu olhei e me convenci de que eu tinha mesmo que ir. Era o melhor a se fazer naquele momento. Minha vida ia dar mais algumas viradas, eu conseguia sentir isso só pela intuição.
No começo de Novembro, completei 17 anos. Nesse dia estava totalmente desanimado, como sempre. Os Presentes foram os mesmos, livros, roupas, sapatos novos já pra minha viagem. E um bolo, que eu comemorei com meus familiares e amigos na minha casa. Minha mãe me abraçou rapidamente, aquilo nunca ia mudar. Estava ficando mais velho, e ainda não tinha uma Barba nem imitando.
As provas finais chegaram, eu me dei bem. Passei direto. No começo de dezembro o grêmio estudantil, resolveu fazer um grande encerramento num clube fechado, para finalizar o ano letivo. A festa aconteceria numa sexta, e iria começar pela manhã. Um churrasco dos alunos, pra ser mais sincero. Juro que não queria ir mais, algo me dizia que aquele dia seria diferente. Pois eu veria o Léo pela última vez.
O dia estava lindo, ensolarado, e fresco até demais. Cheguei ao clube ás 08h45min da manhã, e toda a galera da escola já estava lá. Meus amigos e eu nos acomodamos num lugar perto da piscina, numa sombra. Muitos alunos começaram a entrar na piscina. Eu definitivamente não ia entrar tão cedo. Comecei a conversar com a Bia, que não parava de passar protetor nela e no Tarso. E o assunto só era ele também. Juliana e Jonatas só ficavam discutindo, tudo porque o Jonatas não parava de olhar pra outras garotas de biquíni. A Juliana resolveu dar o troco, só que olhando bem para os meninos do terceiro ano. Eles brigavam e se amavam, era uma coisa só.
Eu me divertia com esses casais, não vi o Léo. Vi a namorada dele com algumas meninas. Imaginei se ela não estava sentindo a falta dele, pois eu estava e muito. Até que ela puxou um moreno pela camisa e o beijou na frente de todos. Ok! Eles deviam ter terminado. Que ótimo! Minha lembrança da conversa na biblioteca voltava, e me deixava em depressão psicológica de novo.
Eram 10:30min da manhã, quando eu estava saindo do banheiro e o vi sem camisa no outro lado da piscina. De bermuda, cabelo perfeito e penteado (Não sei como ele fazia aquilo no cabelo), peitoral atlético e com alguns pelos pela barriga e no peito. Quase me escondi dele. Eu tremi e tudo se desestruturou outra vez. Ele estava lindo, maravilhoso, espetacular, arrancando suspiro de todos, inclusive de mim. Controlei-me e avancei para o meu lugar, enquanto o olhava de canto de olho, ele conversava com alguns outros bonitões, nenhum que chegasse aos pés dele.
Cheguei onde estavam meus amigos e me sentei no lugar de sempre. Quando virei pra dar uma espiada nele de novo, ele estava me olhando. Meu coração deu um pulo, eu estava em choque de novo. Virei meu rosto rapidamente, meus amigos foram dar uma volta, e eu fiquei sozinho. Que ótimo! Meu dia estava mudando de tom e eu nem sabia se isso seria bom ou ruim. Resolvi pegar algo para beber, quando estou chegando à mesa de bebidas, vejo o Léo vindo em minha direção. Corto caminho e vou para o primeiro lugar que encontro, o vestiário. Não chego a entrar, pois ele pega meu braço e eu tenho uma parada cardíaca.
- Você tá fugindo de mim de novo né? Eu quero te dizer uma coisa, e quero que você preste bem atenção ao que eu vou dizer, pois só vai ser uma vez. – ele disse, me olhando com uma fúria que me deixou zonzo.
- Alguém vai ver a gente. Me solta! – eu disse e ele me soltou. Fiquei parado, olhando pra ele.
- Quando eu disse que queria te conhecer e, ser o seu amigo, você correu de mim, pensando que eu ia ser um babaca idiota. Na real mesmo, eu estou sentido algo por você cara, algo de verdade, algo real beleza? Era isso que você queria ouvir? Pois é isso mesmo, desde aquele dia, eu não te tiro da minha cabeça um só segundo, tudo o que eu faço, o meu pensamento sempre se volta pra você. O que você fez comigo eu não sei, mas cada olhar que você e eu trocamos nesses últimos meses, cara, mudou algo em mim, você me olha diferente de todos que eu já gostei e amei, e foi isso que me fez... Sentir um sentimento por você que eu nem sabia que tinha aqui dentro. Daniel, se eu te disser que eu quero ficar com você de todos os sentidos possíveis, o que você me diria? – ele disse esperando ansioso minha resposta.
Se eu tinha ficado chocado? Chocado era pouco pro meu estado naquele momento. Eu estava em transe, não conseguia respirar, não conseguia sentir o chão, me sentia caindo. Aquela confissão acabou com minha sanidade mental, sentimental e Psicológica. Era um sonho que finalmente estava acontecendo na vida real. Se eu estava bem? Não! Eu estava em um estado que não era bem, era mais do que isso.
Nota do Autor: Espero que gostem desse capitulo! Comentem!! Deixem suas opiniões, os que vocês estão achando, como tá o desenvolvimento dos personagens pra vocês?! O comentário dos leitores é importante para o progresso da história!! Capítulo 4 em breve, aguardem fortes emoções. Desde já um abraço á todos.