Um Sentido Na Vida - Capítulo 10
Parte da série Um Sentido Na Vida
Capítulo 10
Acordar muitas vezes pode ser a coisa mais difícil que alguém pode fazer. Acho que os objetivos dos sonhos são na verdade nos preparar para a verdadeira realidade que tanto criamos. E no meio de tantas Ilusões podemos encontramos o verdadeiro significado para nossas expectativas. Perder-se num labirinto, e ainda assim encontrar uma saída foi o que eu fiz durante toda a minha vida. Agora, o que fazer quando nos perdemos dentro de si mesmos?
...
Eu corria com um cavalo preto por uma vasta extensão de dunas de areia, atrás dele. Léo ia à minha frente com outro cavalo branco. A velocidade do animal era assustadora, e eu não tinha medo de cair, muito pelo contrário. Quanto mais rápido ele corria, mais eu me animava. Pois estava chegando perto do meu amado, que não olhava pra trás, mas sabia que eu ia á seu encontro. O vento e a poeira começaram a fazer uma grande tempestade no meio daquela imensidão de areia, e perdi-o de vista. O cavalo relinchou e eu caí de costas, só que em vez de cair na areia, caí na água. Eu ia me afogando e descendo cada vez mais para aquele fundo mar negro. A escuridão tomou conta de mim e eu desisti de lutar contra ela. Até que senti uma mão me puxando, me empurrando em uma direção que eu não via naquele inferno negro. Só que de repente vi uma luz bem pequena ao alto, e ansiei por ela. Comecei a lutar com as mãos, querendo pegar aquela luz. Quando dei por mim, estava subindo e saindo daquela profunda escuridão. Ainda estava no mar, mas estava nadando em direção á superfície com um alívio que eu nunca tive em toda a minha vida. Emergir finalmente e respirei.
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Abri os olhos e um forte clarão me cegou por vários minutos. Senti algo na minha boca, trazendo um ar puro e sereno. Comecei a me debater pra tirar aquilo da boca. Algumas pessoas falavam e até gritavam me pegando, tocando em mim, me puxando. Apaguei de novo. Acordei e não tinha mais aquela coisa na boca. Pisquei e senti uma forte dor nos olhos, na cabeça e no corpo inteiro. Meus braços estavam totalmente ligados com alguns fios, agulhas e aparelhos que eu desconhecia. O que tinham feito comigo? Quando enfim abri de verdade meus olhos, vi que estava num quarto branco, com uma grande quantidade de aparelhos do meu lado. Deitado numa cama sem roupa, apenas vestido com um camisão longo branco. Olhei de lado e vi um homem, que logo lembrei que era meu pai dormindo, pegando na minha mão.
O que tinha acontecido? O que eu estava fazendo ali? Cadê minha mãe? Meu Irmão? Minha cabeça deu um giro e quase caí no sono novamente. Apertei a mão do meu pai e ele acordou.
- Filho... Você acordou... Graças á deus você está bem. Eu pensei que fosse te perder também... – disse meu pai chorando litros na minha frente.
Alguns médicos entraram por uma porta e começaram a me perguntar uma sequência de coisas e eu só dizia que estava bem e um pouco tonto. Eles me examinaram de diversas formas. Percebi que minha cabeça estava enfaixada com um curativo. Uma parte da minha cabeça estava sem cabelo algum e outra parte apenas com alguns fios, por sinal bem poucos. Não conseguia falar nada, nem me mexer direito. Minha memória era um grande buraco na minha mente, que eu não conseguia preencher de jeito nenhum.
Eu não entendia nada, estava muito confuso e perdido nas minhas próprias lembranças dos últimos acontecimentos. Encontrei a saída daquele labirinto aos poucos e preferia não ter achado, pra ser bem sincero.
O que me contaram foi que eu tinha sofrido um grave acidente e tinha ficado num estado de coma por 20 dias, onde sofri uma fratura na cabeça, que me deixou inconsciente e me fez perder a memória quase que completamente. Minha família ficou desesperada. Meu pai e meu irmão ficaram no hospital, se revezando até o dia em que eu acordei. Passei por vários dias e semanas no hospital, recuperando meus movimentos e minha real consciência. Soube da morte da minha mãe algumas semanas depois, de tanto perguntar dela. Chorei e tentei me conformar. Ela também tinha estado num acidente. Eu não conseguia ficar triste, pois nada fazia sentido na minha cabeça. Nada!
...
Quando voltei pra casa muitas semanas depois. Fizeram-me uma festa surpresa com todos os familiares e amigos. Eu não tinha ideia de quem eram aquelas pessoas, que me abraçavam e me perguntavam coisas que eu não lembrava. Eu só fazia rir e concordar com tudo que diziam, não falava quase nada ainda. E nem falaria.
- Que bom que você tá bem amigo... Eu chorei muito quando você ficou em coma. – disse uma garota meio loirinha me abraçando e ainda chorando.
- Que bom que você está aqui cara. A gente torceu muito pela sua saída do hospital viu. – falou um garoto pegando na mão da garota que me abraçou.
- A Letícia e o Jonatas se separaram e ela não pôde vim hoje, mas ela vai vim te vê assim que puder tá. Espero que sua memória volte logo... – disse ela.
Eu só fazia assentir. Aqueles eram meus amigos de escola e eu também não conseguia me lembrar deles. Algo já começava a me incomodar, e não eram cumprimentos e pessoas estranhas, mas sim, olhares de todos os tipos. Tinha um cara que não saia do meu pé um só minuto. Eu andava para um lado e ele vinha atrás. Olhava-me de um jeito do tipo (Eu estou aqui pra te ajudar no que você precisar, é só você pedir).
Ele parecia um anjinho com aqueles cachinhos castanhos no cabelo. Era mais alto do que eu e tinha um corpo normal, mais ainda sim bonito e másculo. Tinha uma pele tão limpa e sem nenhum pelo no rosto, ele pelo visto não gostava de barba. Era um daqueles caras, que não precisava disso, ficava bonito mesmo assim. De aparência e vestimentas joviais, ele parecia ter uma idade á mais que a minha. Já seu olhar verde escuro, doce e culto, conquistaram-me no mesmo momento em que olhei nos seus olhos. Ainda assim, todos eram desconhecidos pra mim. Resolvi ir ao banheiro para tentar me situar daquele pequeno fogo aceso no meu peito. E assim que saí, meu irmão estava na porta me esperando.
- Tá tudo bem Daniel? – ele perguntou já assustado.
Fiz que sim de novo com a cabeça. Voltei pra sala e me sentei no sofá. Conversa vai e conversa vêm. Alguém toca a campainha e minha vó foi vê quem era. O cara com olhar doce olhou para á porta meio diferente para o cara que entrava. Será que ele o conhecia? E eu o conhecia também?
Ele entrou e cumprimentou meu pai. Acenou pra mim e veio na minha direção. Esse era mais elegante, tinha uma pose de autoridade. Seus olhos azuis escuros, e seus cabelos curtos penteados de lado bem arrumados, o tornava o homem mais atraente daquelas pessoas. Alto até demais, forte e com uma barba bem feita. Deu-me calafrios ainda mais, com o cheiro forte e suave de um perfume cheiroso demais pra meu estado de recuperação. Levantei-me e fui até ele.
- Tomás... Meu filho... Esse é um grande amigo meu. Um verdadeiro filho pra mim. – disse meu pai o colocando como da família agora.
- Boa noite, Daniel! – ele disse me abraçando e sussurrou algo no meu ouvido que só eu ouvi pelo visto. – Eu corri as pressas quando seu pai me ligou e disse que você estava voltando. – ele completou.
- Graças á deus ele agora vai ficar muito bem. A recuperação ainda é um longo caminho á percorrer, mas o pior já passou. – disse meu pai.
- Claro, tenho certeza que ele vai ficar novinho em folha muito antes do que imaginamos. – disse o tal Tomás. Com um olhar fixo em mim.
Eu desviei o olhar e não sabia nem como entender tudo aquilo. Ou até que atitude tomar.
- Ele não lembra muita coisa ainda... – disse meu pai mudando o tom.
Eles ficaram conversando e eu saí de mansinho para a cozinha. Eu estava mesmo com defeito de fábrica. Mais um que eu não conheço, e não faço ideia de quem é. Se as coisas continuassem desse jeito eu não saberia o que ia fazer comigo mesmo nos próximos meses. Tudo se tornava tão confuso e nada se encaixava nesse quebra-cabeça que tinha se tornado minha vida. Senti uma tontura quase que repentina e quando ia caindo com a vertigem, alguém me segurou.
- Ei você não está bem... Calma! Eu vou te levar pro seu quarto. – ele disse me pegando nos braços.
- Meu Deus... O que aconteceu? Ele tá sentindo alguma coisa? – perguntou meu irmão.
- Sim... Ele ia desmaiar e eu o segurei. Acho melhor leva-lo pro quarto dele. O dia hoje foi muito cheio. – ele disse me levando pelo corredor.
- Claro! Pai! Vêm aqui. O Daniel está um pouco cansando e precisa deitar. – gritou Diego.
Meus olhos iam fechando e eu ia me entregando ao sono nos braços daquele estranho. Fui levado pra cama e deitado com todo cuidado. Eu era tratado como um cristal, que ao mínimo toque podia quebrar.
- Eu posso ficar um instante aqui com ele? Juro que vai ser poucos minutos cara. – ele disse.
- Tá Samuel. Só uns minutos. E eu espero na porta beleza? – disse Diego.
Ele saiu e fechou á porta. Quando olhei para o cara de anjo, fiquei mais lúcido dessa vez, e ele me tocou a mão. Tudo era estranho pra mim, sem nexo algum. Algo faltava e eu não sabia o que.
- Você não se lembra de mim né? Eu entendo. Você acabou de passar por muitas coisas e até se recuperar de verdade, vai demorar um pouco, mas você vai conseguir. – ele disse.
Respondi com a cabeça. Aqueles olhos verdes não me pareciam estranhos, já os tinha visto em algum lugar, só não lembrava onde.
- Espero que algum dia você lembre... Eu fiquei muito preocupado com você quando me disseram do acidente. Eu rezei muito pra você, todos os dias. Um dia eu te conto o que você representa pra mim, e o que você fez por mim. Posso te dizer que você me deu uma chance, uma segunda e diferente chance na vida. Fica bem, eu posso vim te visitar, sempre que puder? – ele disse com algumas lágrimas nos olhos.
Eu estranhei e não entendi. Apenas concordei e ele saiu do meu quarto ainda olhando pra minha reação. Não tinha noção alguma de quem era ele, mas eu não gostei nem um pouco da reação que ele provocou em mim. Meu coração começou a bater forte.
Perguntei ao meu irmão se ele era algum enfermeiro e ele disse que era um amigo meu, e que eu o tinha salvado de um afogamento. Achei aquilo muito engraçado, pois eu não sabia nadar. Mas ele parecia ser muito legal, e eu já gostava dele.
Naquela noite quando fui dormir, sentia-me bem e feliz por estar vivo. Sair do hospital era á melhor coisa do mundo. Tinha muitas coisas que eu não sabia sobre aquele acidente e escondiam algo que eu percebia ser muito importante na junção dessas peças. Algo faltava, e eu não conseguia lembrar o quê de fato.
...
Passei três meses me recuperando fisicamente e mentalmente. Meu pai ia me ajudando, juntamente com minha avó e meu irmão. Todos muito cuidadosos comigo em casa, sem me deixar fazer nada sozinho. Eu não podia sair pra lugar algum sem a ajuda deles. Minhas idas ao hospital eram bem frequentes. Meus cabelos começaram a crescer e minha cicatriz foi desaparecendo e cicatrizando. Voltei a andar sem ajuda, minha mente ia clareando quase que por completo. Falava agora mais normal e entendia melhor o que dizia e ouvia. Não pude frequentar á escola nesse meu último ano e teria que ficar em casa o ano inteiro.
Mais dias foram passando, e eu já estava bem estruturalmente quando começou a minha ruína destruidora. Estava numa tarde qualquer de julho de 2013, sentado no sofá, assistindo á um filme na TV. Com meu irmão e sua namorada. Que agora faziam programas juntos e me convidavam á participar já que nem sempre meus amigos podiam vim ficar comigo aqui em casa. Minha cabeça teve uma forte descarga de dor. E eu comecei a gritar por ajuda. De repente uma enxurrada de lembranças veio á tona numa velocidade fora do normal.
Tudo voltou como um abrir de olhos. A morte da minha mãe, meu romance com o Léo e principalmente o acidente. As vozes eram assustadoras e sem freios. Mas o mais importante não tinham me dito. O que aconteceu com meu Léo? O cara que agora eu percebia completava aquele quebra-cabeça. Ele era minha vida, minha força. E eu precisava dele agora.
- Diego... Eu lembro... O que aconteceu com o Léo? Cadê ele? Eu sei que ele estava no carro também... O que aconteceu com ele? – eu gritei já chorando muito.
- Daniel... Calma! Fica calmo tá bem... O que aconteceu? Você lembrou-se de algo? – ele perguntou.
- É claro que sim... Eu me lembrei de tudo... Não sei... Acho que quase tudo, na verdade. Você precisa me contar me contar a verdade... – eu perguntei desesperado e chorando muito.
Ele olhou pra mim meio que sem saber como começar e chamou minha vó que já estava atrás de mim. Os dois se olharam estranhos.
- O que vocês estão escondendo de mim? Fala! Eu não aguento mais essa droga desse vazio na minha mente. Onde ele está? – eu perguntei me levantando nervoso.
- Ele... Não resistiu aos ferimentos Daniel! Eu sinto muito meu filho. – ela disse chorando.
- Não! Ele não... É mais uma mentira de vocês não é? Por que vocês querem tanto me afastar dele. Já sei! Vou ligar pra ele. Cadê meu telefone? – eu disse procurando meu celular apressado.
- Daniel! Me escuta... – ele disse pegando meus braços com força. – Ele não estava com o cinto de segurança. Não teve como salva-lo. Os médicos fizeram tudo que puderam... Ele morreu no local do acidente. – ele falou e me soltou.
Comecei a ficar em choque. Andei de um lado á outro da sala e quebrei á primeira coisa que vi pela frente. Quebrei outra e mais outra, até me segurarem com força. Chorei pesado dessa vez.
- Não... O meu Léo não! – eu disse e desabei num choro eterno.
Aquele choro durou dias, meses e mais meses. Até que eu não tinha mais lágrimas pra chorar e fiquei seco e ainda mais vazio por dentro. Foi ali que começou de verdade meu caminho obscuro para um desfecho nada agradável. Tudo que eu podia fazer era deixar o tempo passar e levar com ele minhas esperanças, minha fé, minha autoestima, meu coração e tudo que ele representava. Minhas últimas partes que restaram foram levadas aos poucos, não sobrou nada no final. Minha depressão tinha apenas começado.
...
A dor no meu peito era atordoante e não tinha fim...
...
Julho
Tinha chegado ao meu limite e sabia que podia ficar pior...
...
Agosto
Eu já não acreditava em mais nada e nem em ninguém... Sentia-me perdido... Sozinho... No fundo do poço pra sempre...
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Setembro
Não conseguia achar o retorno para a minha sanidade... Não conseguia recomeçar e nem queria... O vazio tinha tomado conta de mim... Completamente...
...
Outubro
Os dias, horas, minutos, e segundos passavam... Não me importava com mais nada... Eu morri por dentro definitivamente...
...
Isolado de tudo. Perdi e fui abandonado por todos os meus amigos. Era visto como um doente sem causa e sem vida. Não falava com mais ninguém. Todo mundo se tornou um grande estranho pra mim, mesmo tendo recuperado minha memória. Eu deveria ter morrido também. Qualquer fim era melhor do que aquilo que eu sentia. Meu luto eterno nunca teria fim, assim como meu estado que ia ficando cada dia pior. Eu estava acabado.
Minha avó agora chorava toda vez que me encontrava fora do quarto. Meu irmão já tinha desistido de tentar me animar. Meu pai vivia me perguntando se eu não queria viajar, me oferecia dinheiro e outras coisas materiais. Eu ignorava tudo que eles faziam por mim. Se fosse assim tão fácil.
Minha cara estava mais pra vivo – morto do que pra vivo mesmo. Meu cabelo tinha crescido bastante e nem o penteava mais. Se eu estava magro antes, agora era um perfeito esqueleto vivo. Que se dane minha aparência, não estou mais preocupado com minha beleza exterior.
Meu quarto estava cheio de lixo, bagunçado e totalmente sem vida. Meus livros espalhados e cheios de poeira, roupas sujas, papéis e fotos que eu tinha imprimido do Léo, e tinha pregado em todas as paredes do quarto. Minha vó tentava tira-las da parede, mas eu sempre ficava trancado no quarto. Desde a súbita notícia, eu estava isolado naquele quarto e raras vezes, saía dele. Eu não levava sol á meses, e não lembro qual foi á última vez que vi a luz do dia. Minha janela do quarto tinha sido tapada com um lençol preto meu e não tinha intenção de tira-lo dali nunca mais.
Meu pai tentou me levar num psiquiatra nos primeiros meses, mas eu não fui e nem ia. Ele tentou e me obrigou até. Mas daquela casa eu não sairia. Se algum dia eu fui um garoto diferente, cheio de esperanças e sonhos, ele com toda certeza tinha morrido naquele acidente. Eu nem me conhecia mais e na verdade nem queria. O que eu fui antes, não seria nem em outra vida.
No começo de novembro completei dezoito anos. Estava no quarto escutando minhas músicas, quando meu irmão bate na porta com força.
- Daniel! Abre essa porta... Eu tenho uma coisa pra você... Abre Agora! – ele disse ordenando.
- Eu não quero nada Diego! Vai embora! – falei e me surpreendi com minha voz que nunca mais tinha saído da minha boca.
Ele bateu novamente e novamente. Ignorei-o e coloquei meus fones de ouvidos, deixando no último volume. Não tinha comemoração pra celebrar. Um instante depois, escuto um estrondo e minha porta se abre. Meu pai, meu irmão e minha vó entraram catando parabéns com um bolo na mão com duas velinhas de um e oito. Só fiquei parado olhando pra cara deles. Sem reação alguma ou qualquer gosto. Quando eles terminaram, eu me levantei da cama e abracei todos eles, e não quis nem olhar para aquele bolo.
- Você não vai nem experimentar? Tá uma delícia... Do jeito que você gosta. Corta pelo menos o primeiro pedaço. – disse minha vó toda solidária.
- Não! Eu não quero! Vocês sabem que eu não estou no clima pra isso... Pra quê ficar insistindo. Vão embora, por favor. Deixem-me sozinho. – eu disse mostrando o caminho de saída.
- Você não pode ficar triste pra sempre. Já chega disso, Daniel. Hoje você está fazendo dezoito anos, não 11. Para de se amargurar. Já deu isso cara. – disse meu irmão.
- Eu vou ser obrigado á tomar uma providência drástica meu filho. Você não está se comportando como uma pessoa normal. Isso não é certo. Você precisa de ajuda e amanhã mesmo eu vou te tirar desse quarto. – disse meu pai brusco.
Ele começou a arrancar todas as fotos na parede. Tirou o lençol da janela. Quebrou meus fones de ouvidos.
- Isso vai mudar á partir de hoje! Já chega! Você vai crescer de uma vez por todas. – ele disse furioso.
- Você acha que isso é fácil pra mim? Eu não tenho mais nada... Não me restou nada! – eu disse estourando.
- Tudo se supera nessa vida. Tudo! – ele disse.
Explodi de raiva.
- Que se danem todos vocês... Eu não quero ajuda de ninguém. Eu nunca vou superar isso... Vocês não entendem... A gente nunca supera as dores, só nos acostumamos com ela... – eu disse chorando e jogando o bolo pela janela, que se espatifou na hora.
Meu pai correu atrás de mim com muita raiva e resmungando muitas coisas. Corri e entrei rapidamente no banheiro. Tranquei-me lá! Chorando de novo, eu estava enlouquecendo completamente. Ninguém nunca entenderia minha dor. Pensei rapidamente nas minhas opções e cheguei á uma conclusão. Não teria fim, mas eu teria. Abri a farmácia do banheiro e procurei algo afiado, foi aí que eu vi algumas lâminas. Não pensei nem dois segundos.
Cortei o pulso esquerdo e em seguida o direito. O sangue escorreu pela minha mão e comecei a tremer. Aquele era meu fim, eu só podia esperar pela minha morte. A porta do banheiro era sacudida e eu me sentei perto do vaso sanitário, desmaiando ao vê á cor de todo aquele sangue pelo piso do banheiro. Estava nadando em sangue e não chorava mais. Minha visão ficou embaçada e eu desmaiei deixando meu rosto naquela poça vermelha.
Nota do Autor: Desculpa á demora! Mais três capítulos para o Final! Fatos que aconteceram no capítulo passado dos caras que ficaram insultando e perseguindo o casal já aconteceram e ainda acontecem na vida real gente. Preconceito e espancamentos nas ruas é bem real, infelizmente. Até á próxima! Galera que comenta e todos que acompanham um forte abraço! Bjs!