Capítulo 13 - Destino

Conto de Sonhador Viajante como (Seguir)

Parte da série Um Sentido Na Vida

“O destino é engraçado, ele sempre dá um jeito de nós colocar aonde realmente deveríamos estar.”

— Grey’s Anatomy.

[...] Acelerei o carro numa velocidade, como se estivesse numa corrida. Dirigindo pelas ruas do Rio de Janeiro, numa madrugada frustrada á procura do Daniel. Não consigo me perdoar por deixado aquele garoto na mão. Porra! Eu me sentia tão culpado por não ter feito nada pra ajuda-lo antes. Mesmo depois de ter sido quase escorraçado da casa dele, na última noite em que o vi. Eu só conseguia pensar em ajuda-lo e justo quando acho um caminho, ele desaparece sem deixar rastros. Aquilo me deixou ainda mais inconformado e triste. Se acontecesse alguma coisa com ele. Eu não iria me perdoar nunca!

Era como se eu tivesse que protegê-lo, mesmo sem conhecê-lo direito. Como se fosse um dever que eu tivesse que cumprir. Eu apenas seguia meu coração conforme os seus planos. Começo a chorar, preocupado com o paradeiro do Daniel e o que ele pode estar tentando fazer nesse momento, sozinho. Será que ele pode ter fugido com alguém? Ou... Sei lá mais o que o pensar. Eu só queria encontrar aquele garoto e abraça-lo, confortá-lo e dá uma palavra e um ombro amigo pra ele. E não era com segundas intenções, quer dizer eu acho. Não! Eu não sentia nada por ele. Apesar de ficar sonhando com ele, por várias noites desde o dia do meu afogamento. Que isso? Não era nada. A necessidade de vê-lo bem, era pra salva-lo dos perigos da vida. Eu sou um babaca mesmo. A vida é dele e ele faz o que bem quer. Não tenho nada haver com suas escolhas. Droga! Mas por que aquilo me incomodava tanto? Eu tinha que fazer algo por ele, e não era algo como uma dívida, mas, mais do isso. Eu queria estar com ele, só não entendia por que.

Viro o carro em direção à avenida passando pelo calçadão da praia e diminuo um pouco a velocidade. Já o procurei por todos os lugares e nada. Isso está me corroendo por dentro. Nenhuma notícia dele pelas próximas vinte e quatro horas, e enlouqueço de vez. Minha cabeça começa á ficar zonza e pesada de pensamentos com ele e sinto uma vontade de relaxar. Abaixo a cabeça um pouco e troco à música do som. Tenho um susto ao sentir algo atingir meu para-brisa e se quebrar na mesma hora. Uma pessoa rola pela frente do meu carro e caí no chão. Caralho! Eu atropelei alguém! Tô fodido! Paro o carro no mesmo instante da batida e saio desesperado pra vê o que aconteceu.

Ao vê-lo esparramado no chão, totalmente inconsciente e machucado na cabeça. Vou à sua direção e quase choro ao ver o Daniel, olhando pra mim desnorteado quase desmaiando, sem vida. Só aí, passo a mão na sua cabeça e entendo o que eu fiz. Eu o encontrei e o atropelei. Boa forma de salva-lo Samuel. Eu tinha que inventar de beber logo naquela noite? Porra! Ligo para o pronto socorro e vou acalmando-o desesperado por ajuda. Começo á entender que aquele rapaz, pálido, cheio de olheiras, magro feito um esqueleto, sem sangue algum nos lábios, sem cor alguma de vida, machucado em depressão e ainda mais suicida representava pra mim muito mais do eu temia. O efeito que ele fez sobre mim naquele momento, ali perdido, estirado no chão, foi muito maior. Ele apagou e eu chorei. [...].

...

Alguns Dias Antes Do Atropelamento...

...

Porra! É foda! Ele precisava fazer isso? Caralho irmão! Se eu pelo menos tivesse conversado com ele antes, dado uns toques e até mesmo o chamado pra sair, poderia ter evitado isso. Que vacilo meu! Eu não devia ter deixado ele sozinho, mesmo ele não querendo ninguém por perto. Droga! Só de imaginar o que me contaram sobre o que o Daniel tinha feito. Porra! Sinto-me em falta com ele e até demais. Eu preciso fazer alguma coisa, por mais louco que possa parecer me sinto responsável por ele. De algum modo eu preciso ajudar esse cara. Nunca vou esquecer o que ele fez por mim. Mas o que fazer se ele não quer ser ajudado? Pensa Samuel! Tem que ter alguma coisa que o faça sair dessa. Eu só preciso saber como e por onde começar...

- CUIDADO! Olha o sinal Samuel... – gritou minha namorada Natália, totalmente histérica do meu lado.

Freei o carro saindo dos meus pensamentos. Aquela tinha sido por pouco. Natália era uma garota sofisticada e culta. Morena, baixinha e patricinha. Corpo de modelo, com olhar sedutor que eu tinha conhecido numa apresentação da banda que eu participo, numa noite dessas aí, num restaurante fino da cidade. Eu estava precisando conversar com alguém e ela veio chegando, rolou na mesma hora. No começo era só conversas e eu já estava até gostando dela. Só que depois de duas semanas conversando e se conhecendo, que ela foi mostrando ser bem diferente daquilo que ela aparentava ser. A gente transou uma só vez, e eu vou te dizer. Putaria não era bem á praia dela. A garota era cheia de frescura até com marca de camisinha. Comecei á ver que não são apenas aparências que enganam. Mas o fato de eu estar sozinho e um pouco carente, que me fez acreditar no papo dela. Nós estamos juntos á dois meses e eu já estou chegando ao meu limite com essa garota.

- Caramba Natália! Não precisava gritar tão alto no meu ouvido... ! – falei. Ainda assustado com o escândalo dela.

- Em que mundo você tá hein? Todo pensativo... Desde que a gente saiu da casa do seu amiguinho, que você ficou calado. O que aconteceu? Afinal o que ele tem é tão grave assim? – ela perguntou irritada.

- Um pouco... Ele vai melhorar. Eu vou ajudar ele com isso. – eu disse pensando no Daniel de novo.

- O que você pode fazer que a família dele não possa? Posso saber? – ela perguntou quase ordenando minha resposta.

- Nada! É pessoal tá legal! É melhor você não saber... Outro dia eu te conto. – eu disse tentando tranquiliza-la.

- Que segredo todo é esse? Pra quê isso Samuel? A gente namora e se brincar vamos nos casar no futuro. – ela disse presunçosa.

Nem pensar! Aquela garota já estava paranoica namorando, quem dera casando. Aí as coisas pioram de vez. O sinal abre e eu avanço rapidamente. É melhor levar a mandona logo pra casa, antes que ela resolva me levar pra escolher nosso anel de casamento.

- Bem menos tá Natália! A gente tem muito pouco tempo de namoro pra tá pensando em casamento uma hora dessas. – eu disse querendo mudar de assunto.

- Pensei que você tivesse pensado nisso. Meu pai já aprovou e minha mãe já tem planos pra nossa lua de mel. Ah! Quer saber! Todo mundo quando se ama casa, e não tem isso de ficar esperando não, é casar e pronto. Você já está terminando a faculdade, eu me viro na loja da minha mãe. Estrutura nós temos... E você me ama não é? – ela perguntou e eu me invoquei na hora com o pensamento chato dela.

Eu cheio de coisas na cabeça e essa garota pensando em casamento, união. Porra! Nunca senti tanto arrependimento por ter me interessado por ela. Se eu a amasse, como amei a Carolina. Beleza. Não pensaria duas vezes, só que ela não era a paixão da minha vida. Felizmente.

- Caramba Natália! Já chega! – eu disse.

- O que? Responde o que eu te perguntei... Com muita sinceridade, por favor!– ela disse.

Paramos em frente ao prédio onde ela morava. Perdi a paciência e joguei a verdade na cara dela.

- Eu não amo você... Tá satisfeita?– eu disse e depois me arrependi de ter machucado os sentimentos dela.

- Muito bem! E eu que achei que você era um cara bacana... Me enganei pelo visto. Bem típico mesmo desses músicos de barzinhos... Não me procura mais, idiota! – ela disse furiosa tirando o anel e jogando na minha cara. Antes que ela saísse, devolvi com um bom insulto contra ela.

- Boa! Agora você me mostrou que quem não merece você sou eu. Posso ser músico de barzinho, mas você não passa de uma patricinha que acha a tal. Eu desejo do fundo do meu coração que você encontre outro Mané! Sua perfeccionista. Vaza do meu carro! – eu disse com verdadeiro nojo de gente como ela.

- Imbecil! – ela disse.

Ela ia me bater forte na cara, mas segurei sua mão e ela saiu do carro descontrolada. Já estava na hora daquilo acabar antes que tomasse um rumo, que eu me arrependesse no futuro. Pisei fundo no acelerador e fui embora. Comecei a rir depois no caminho pra casa, me sentindo livre. Liguei o som do carro e fui escutando no último volume uma música pra esquecer de vez aquela garota.

♬ (Simple Plan – Your Love Is A Lie) ♪

Eram duas e meia da manhã de uma sexta-feira, quando acordei assustado com um pesadelo. E adivinha com quem eu estava sonhando? O Daniel começava á fazer mais parte da minha vida do que eu realmente queria, e isso não era nada bom. Meus sentimentos começaram á ficar confuso. No pesadelo ele estava se afogando e pedindo ajuda, e bem na hora que eu ia salva-lo ele desaparecia. Aquilo ficou na minha cabeça o resto da madrugada. Liguei pra ele, pra tentar saber se ele estava bem, logo cedo de manhã. Ninguém atendeu.

Ontem á noite, quando tinha ido visita-lo, depois que meu irmão Tomás me disse do ocorrido, ele me tratou com uma frieza evidente nos olhos. Não sei se ele ainda vai querer falar comigo, do jeito que está mais, se der hoje á noite vou lá novamente e ele vai me escutar.

...

Eram 17: 00 horas da tarde e eu saí do trabalho cansado pra caralho. Estava voltando pra casa de carro, quando meu celular toca e vejo que é o meu irmão. Atendo.

- Samuel? – disse Tomás.

- Você ligando essa hora... O que houve? – digo.

- O Daniel está com você? Fiquei sabendo que vocês conversaram ontem á noite... – ele disse.

- Não! É... A gente conversou ontem sim... Por quê? – perguntei.

- Ele não está com você? – ele perguntou assustado.

- Não! O que aconteceu Tomás? – perguntei começando á pirar só de lembrar o estado dele ontem.

- Aqui no escritório, o Fábio acabou de receber uma ligação de casa. Dizendo que ele tinha sumido. E eu pensei que você estivesse com ele... Ah não! Depois a gente se fala! – ele disse desligando.

- Espera... Droga! – eu disse tentando falar com ele sem sucesso.

O que estava acontecendo? Onde o Daniel tinha se metido? Voou pra casa dele na mesma hora.

...

Chegando lá todo mundo se encontrava as prantos e preocupados. O irmão dele não se conformava com as atitudes dele e a senhora que era vó deles, chorava sem parar. Logo o pai deles chegou e só faltava chamar á polícia do Rio inteiro pra procurar o Daniel. Eles ligaram pra várias pessoas e amigos dele. Só que ninguém sabia de nada. Era um grande mistério. Comecei a perder o controle, pois o sonho dessa madrugada não foi nada legal. Meu irmão que também era amigo do pai do Daniel me puxou pra um canto e me intimou descaradamente.

- O que você veio fazer aqui? – ele perguntou já bravo.

- Eu quero saber o que aconteceu com o Daniel, e se eu puder ajuda, eu vou ajudar... Por que você está tão bravo? Você também está aqui... – eu disse me defendendo.

- É diferente... Você não conhece á família... Eu conheço. Vai pra casa e assim que eu tiver algumas notícias eu te digo. – ele disse ordenando.

- Eu não vou... E vai tirando essa mão de mim... Temos idades suficientes para nos respeitar. Entendeu? – eu disse o enfrentando com um olhar bem ameaçador. Ele merecia essa.

- Para de se meter na vida dos outros... Ele nem te conhece direito. Deixa que eu fique por aqui. Você tem faculdade hoje á noite. Vai embora... Todo mundo aqui tá nervoso. – ele disse me puxando pra fora.

- Espera... Eu posso levar uma foto do Daniel? Eu posso perguntar pra pessoas se alguém o viu em algum lugar... – eu disse para a família, e pra minha surpresa meu irmão fez cara feia.

Ele podia ser mais um ano mais velho do que eu, mas não mandava em mim. A gente tinha uma relação complicada. Melhor nem comentar.

- Claro! – disse o Diego, irmão dele.

Ele pegou uma foto dele e me deu.

Fui pra casa com meus pensamentos totalmente nele. E a cada lugar que eu passava perguntava pra alguém se o tinham visto. Ninguém sabia nada. Eu o encontraria, não desistiria assim. Posso não o conhecê-lo bem, mas aquela foto dele sorrindo na minha mão, me fez acreditar que a gente já era muito mais amigos do que já tive antes. A foto dele era agora meu companheiro no banco ao lado do meu. Eu procuraria em todos os lugares, esquinas e avenidas. Aquele garoto precisava de ajuda, e quando o encontrasse o faria ser feliz de novo. Acharia um sentido pra ele e o faria caminhar e seguir em frente. Era o mínimo que eu podia fazer.

...

Dois dias depois...

...

O procurei em todos os lugares possíveis e nada. Não consigo me conformar com um sumiço assim tão repentino sem deixar rastros. Vou até um bar e bebo só um pouco dessa vez, com muito desgosto por não o ter encontrado. Dirigir bêbedo é perigoso e eu já tenho minhas experiências com bebidas e não são nada boas. Lembro-me do dia na praia em que ele me salvou e só me sinto mais triste. O dia do jantar em que toquei uma música no meu saxofone pra ele, o olhar puro e admirador que ele me deu. Poxa! Um cara tão legal, não podia acabar assim. Se eu tivesse pelo menos uma chance de encontrá-lo eu não o deixaria seguir mais esse caminho. Será que ele estava vivo? Não quero nem pensar no pior. Saio do bar e vou embora lá pelas madrugadas de uma segunda-feira, derrubado pelos últimos dias em busca do Daniel. Seja onde ele estiver, espero que esteja bem.

Ligo meu som no último volume e escuto uma música para espairecer um pouco á mente.

♬ (Bon Jovi- missunderstood). ♪

...

Mais Tarde... Naquele Mesmo Dia Do Atropelamento...

Quando o Daniel abriu os olhos, meus olhos se encheram de lágrimas e alívio por ele está bem. Eu o tinha atropelado, mas o tinha encontrado. Finalmente.

- Samuel... O que eu tô fazendo aqui? – ele perguntou assustado. Coloquei a mão na cabeça dele e o acalmei.

- É uma longa história... E eu vou te contar tudo. Só que agora é melhor você descansar. Você precisa se cuidar... E eu vou te ajudar. Tá! – eu disse querendo colocar ele numa caixa e leva-lo pra casa.

- Minha boca está seca... Eu quero algo pra beber. – ele disse.

- Fica aí... Eu vou buscar... – falei pegando sua mão e logo saindo em seguida.

Não demorei nem um minuto, assim que cheguei ao quarto de hospital, trazendo á água. Tomei um susto, pois a cama onde ele se encontrava deitado á um minuto atrás estava vazia. Justo quando o encontro, ele simplesmente escorre das minhas mãos feito água. Corro até a saída do hospital, na esperança de ainda encontra-lo e dessa vez o prender á mim, pra sempre. É... As coisas já estão muito mais confusas na minha cabeça. Agora!

Nota do Autor: Esse capítulo é o ponto de vista do Samuel que eu tinha deletado do final, mas achei injusto deixar de fora pra vocês, e decidi mostrar o outro lado da moeda. Esses momentos se passam antes do Dani fugir, depois que ele foge e no antes e depois do atropelamento. O que deve facilitar e complementar a história. Eu acho! Deixem nos comentários o que acharam. Beleza! Final parte 1 e 2 assim que der. Não se preocupem já está escrito, só falta revisar e cortar algumas coisinhas pequenas. Um abraço á todos que comentam. Bjs! Adoro vocês!Assim que tiver uma brecha posto de novo. tá corrido aqui gente rsrsr! Espero que entendam!;)até!!

Comentários

Há 6 comentários.

Por hugo em 2014-10-05 11:33:01
Nossaaaaa maravilhoso está de parabéns ótimo ótimo ótimo. Pena que está chegando ao fim.
Por Sonhador Viajante em 2014-10-04 00:52:13
Olá Pessoal!!! Valeu mesmo gente, também estou triste ao ter que me despedir de escrever essa história. Tudo foi tão rápido né, eu sei. rsrs Anderson P fico feliz por ter gostado e te digo que o Samuel vai narrar o Epílogo também :), GatoPEBR Rsrsrs o Dani é um caso ainda em ebulição, entendo! Vamos acompanhar quando ele se tocar... kkkk, Simon, essa semana posto, vou tentar ser o mais rápido e eu também estou triste mas pelo menos vamos ver um final pra ele. :) Bjs pra todos. Em breve retorno!
Por simon em 2014-10-03 22:39:42
Não demore pra postar please!!!Triste q ja ta chegando o final.....Tudo que é bom acaba logo:/
Por GatoPEBR em 2014-10-03 22:04:08
Ah, já que os capítulos finais já estão escritos e só faltam alguns detalhes, já quero você postando amanhã ou se brincar, ainda hoje. Obrigado, de nada. Não vote em Dilma.
Por GatoPEBR em 2014-10-03 22:02:00
Alguém mata esse Daniel de vez? Acho que vou enviar cordas via correio para amarra-lo. Sinceramente, já estou entrando na história pra dar uns tapas na cara do Daniel, eu sei que ele passou por fases difíceis, mas também ele tem que cooperar. Nota 10! Já estou quase me matando porque o conto tá no fim, já disse que quero um final lindíssimo. Obrigado! Beijos! Você é solteiro, autor? Brinks KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Por Anderson P em 2014-10-03 19:25:01
Gostei de ler o conto pelo ponto de vista do Samuel, mas é realmente uma pena o conto estar no final.