Capítulo 12 - Déjà vu

Conto de Sonhador Viajante como (Seguir)

Parte da série Um Sentido Na Vida

“Não importa o que você faça, vem com um preço.”— Once Upon a Time.

[...] Eu corria desesperado por ruas e mais avenidas desconhecidas, sem saber qual caminho seguir. Os caras ainda estavam me seguindo e eu ouvia os disparos do revólver na minha direção. A morte dessa vez queria me pegar e eu fugia dela. Só pensava em sair daquele local o mais rápido possível. Minha vida dava voltas e mais voltas e eu não entendia aonde ela queria chegar. Num rompante senti um empurrão por trás e caí, batendo a cabeça no asfalto. Senti o sangue escorrer pela minha testa e uma dor perfurar meu crânio. Levantei-me rapidamente meio zonzo e quando olhei para minha frente, tive uma síncope. Vejo um revólver apontado na minha cabeça. Era meu fim, definitivamente. Quem procura, sempre acha! Olhei para o cara que me encarava furioso e pela primeira vez em muito tempo, senti medo de morrer. Ele apertou o gatilho e eu vi o Léo. [...].

...

Algumas Horas atrás...

Tínhamos acabado de chegar a São Paulo de ônibus. Eram 16h35min da tarde e o céu tinha um tom escuro, carregado de nuvens. Choveria á qualquer momento. Passamos a viagem inteira dormindo, fazia tanto tempo que eu não tinha um sono tão pesado. Dormir tanto que meu corpo ficou meio dolorido. Meus pulsos ainda latejavam, mas não tinham sido magoados. Aquele curativo me fez lembrar-me do meu passado. Minha família devia louca estar atrás de mim, espero que ELES sigam em frente e me deixem em paz. Eu fiz minha escolha, desisti e é isso, aceitem.

- Seu irmão mora longe daqui? – eu perguntei, enquanto íamos para a saída da rodoviária.

- Não muito! Relaxa aí mano, a gente logo chega! – ele disse me dando um empurrão de leve no ombro.

Pegamos outro ônibus e fomos para um bairro bem distante do centro da cidade. No caminho até lá o Alê ficava mexendo na bolsa conferindo alguma coisa, quase toda hora. Eu me sentia livre, apenas pelo fato de já ser maior de idade e já está por conta própria. Era contagiante e ao mesmo tempo perigoso. Não me importava com o perigo, apenas com a sensação. Algumas minutos depois descemos numa rua.

Já era noite e estava chovendo levemente. Pra ser mais sincero o lugar onde estávamos era bem esquisito. Numa avenida movimentada de carros, fomos para debaixo de um viaduto, onde tinha uma corja de caras fumando e de mendigos e até mulheres cheirando algo.

- Seu irmão tá por aqui? – perguntei cautelosamente.

- Quando eu estiver falando com aqueles caras, fica calado! A turma daqui não é nada amigável... Beleza? – ele disse e eu apenas concordei com a cabeça.

Não queria arrumar problemas com ninguém, pois minha cota de loucuras já tinha bastante percentual. O Alê foi chamar um deles e um cara de mais ou menos 40 anos, veio até nós. O cara carregava uma arma na cintura, e só pelo andar dele, já dava pra perceber que ele não era nada bom. Alê ficou meio apreensivo e eu notei sua cara de (Fodeu tudo agora)! Ele olhou pra mim e era como se ele tivesse querendo me dizer alguma coisa e não pudesse mais falar.

- Ora! Ora! Se não é o traíra! TÁ FAZENDO O QUE AQUI? – disse o cara totalmente com raiva do Alê. Eu me assustei e não entendi nada.

- Eu trouxe tua grana cara, fica tranquilo aí! E eu vim buscar meu irmão também... E sei que você sabe onde ele está. – Disse o Alê totalmente preocupado.

- Você acha que pode sumir e depois aparecer, como se nada tivesse acontecido malandro? – disse o homem, atirando o Alê no chão e pisando seu rosto no asfalto. – Gosta de usar minhas porras e não me pagar bacana, cadê minha grana? CADÊ? – Ele disse ainda mais furioso.

- Tá aqui! Eu vou te dar... – disse Alê se soltando dele e abrindo á mochila.

Ok! Minha expectativa de antes tinha sido soprada como um balão murchando pelos ares.

Ele abriu a sacola preta, tirou um pacote e entregou ao homem das drogas. Aquilo era dívida de drogas, com toda certeza. Eu fiquei chocado, surpreso e com raiva por ter vindo me meter nessa roubada. Preferia mil vezes tá no meu quarto me martirizando. Que ótimo! Eu era um ímã que atraía coisas ruins, estava na cara isso, desde o dia em que nasci.

- Eu juro cara! Eu não queria ter fugido naquele dia... Mas eu ia voltar, eu não ia deixar meu irmão nessa fria, mano. É sério! Não foi ele quem matou o filho do Aranha naquela noite, e eu posso provar... – disse Alê.

- Teu x-9 tá vivo ainda, e o Aranha tá com muita paciência com vocês dois. O que você disse pra ele? – disse o traficante.

- Eu tenho o que ele estava procurando... Tenho o assassino... Sei que ele vai livrar meu irmão depois disso... – disse o Alê, olhando pra mim.

Comecei a ligar muita coisa na minha mente, defeituosa. Primeiro o irmão do Alê estava numa fria, e ele como irmão, não deixaria ele na mão. Ele se preocupava e muito com seu mano. Segundo, ele estava em dívidas com traficantes e como na maioria dos casos, ele decidiu fugir, e só agora voltar. Tinha um cara chamado (Aranha), que pelo que eu entendi tinha perdido o filho. Quem era o assassino que o Alê, sabia quem era? Aquilo estava ficando cada vez pior, e aonde ia chegar tudo isso, eu não sabia. Nem qual era meu papel nisso tudo. Será que ele tinha me trazido aqui para não vim sozinho? Ou era o que eu estava tentando não acreditar que ele tinha feito? Me fodi de vez agora!

- Quem é esse aí hein? – disse o homem vindo à minha direção, e eu recuei.

- Ele é o cara... Do assassinato... Meu irmão é inocente... Eu vim fazer a troca. Eu sei que meu irmão tá vivo ainda. O verdadeiro assassino está bem na sua frente... – disse Alê com uma cara maldosa que eu nunca prestei atenção antes.

- Que cara?... Do que você está falando. Alê? – eu disse assustado. Onde eu me meti, afinal de contas?

- Bom saber... – disse o traficante me pegando pelo braço e me levando á força até um carro meio velho, parado numa esquina.

- O que é isso cara?! Me solta! Alê o que você está fazendo cara? – eu disse assustado.

O alê me empurrou á força e entrou no carro também me segurando. O safado do traficante colocou algo no meu nariz tão forte que desmaiei na mesma hora.

...

Acordei meio zonzo, amarrado numa cadeira, com minhas pernas e mãos atadas num só nó. Parecia ser um galpão abandonado, ou seria uma fábrica abandonada, pois tinha um grande salão cheio de escadas, pra cima e pra baixo. Pouco iluminado com um calor que me fazia suar litros. Na minha frente tinha outro cara, só que esse estava parado e meio que dormindo com um capuz preto na cabeça. Algumas moscas zuniam perto dele. Ele pelo visto não tomava banho á séculos, só podia ser isso. Um mau cheiro insuportável tomava conta do lugar. Ouvi alguns passos e senti meu coração acelerar.

- Acordou bacana? – perguntou um cara meio velho e barbudo.

- Quem é você? O que eu estou fazendo aqui? Cadê o Alê? – eu perguntei apressadamente pra ele.

- Aqui quem faz as perguntas sou eu... – ele disse e me bateu forte na cara. Senti o gosto do sangue na boca.

- Cara! Eu não sei o que você quer comigo, mas eu não te conheço e nem te devo nada. Por favor, eu nem sou daqui. – eu disse desesperado.

- Como não é daqui? De onde você é garoto? – perguntou o velho magrelo.

- Sou do Paraná! – menti. – Eu nunca morei em São Paulo! Conheci o Alê e ele me trouxe, eu só pensei que fosse pra buscar o irmão dele. Mas pelo visto não era só isso... – eu disse decepcionado.

- Eu conheço aquele safado rapaz... Você acha que ele está aqui por quê? – ele perguntou.

- Não sei... O irmão dele tá com você? – eu perguntei cauteloso.

- Claro que está? Bem aqui na sua frente! Diga olá pra ele! – ele disse tirando o capuz da cabeça do outro cara. Fiquei sem saber o que dizer, quando vi o que tinham feito com o irmão do Alê. O Cara estava morto, bem na minha frente.

- Por que você fez isso cara? – perguntei perplexo com a frieza daquele homem.

- O seu amiguinho matou meu filho, e ele achou que ia me enganar. Mas eu fui mais esperto e sequestrei o irmãozinho dele. No começo eu acreditei que ele era inocente, até ia soltar o moleque. Mas só depois, recebi uma ligação dos meus caras que disseram toda a verdade. Aquele canalha, filho da puta fugiu e só tinha um jeito de atraí-lo. Foi isso que eu fiz, me vinguei da forma mais justa. – ele disse com um olhar venenoso.

- Cara! Eu não sei o que dizer... – eu disse sentindo certo receio pelo que vinha a seguir.

- Ele vai ter o que merece... – ele disse saindo do salão.

Alguns segundos depois ele veio trazendo o Alê, com dois caras o segurando dos dois lados. Jogou ele no chão e ele correu até seu irmão. Começou á chorar e abraçou –o.

- Cara! Você prometeu! Você disse que não ia fazer isso! Eu trouxe o cara, a correntinha estava com ele. – ele disse desesperado.

O velho barbudo pegou a correntinha na minha mochila e balançou-a de um lado para o outro.

- Você não me engana mais seu bosta... Já me contaram tudo! – gritou o velho.

- Eu só tinha ele... E você me tirou ele cara! Monstro! – gritou Alê, partindo pra cima dele.

Eu sentia por ele, mesmo tendo sido traído. Ele tinha perdido alguém que amava muito e eu me lembrei de que comigo, era a mesma coisa. O que a gente não faz por amor não é? No caso dele, foi tarde demais para tentar salvar seu irmão. No final das contas, ele mesmo o tinha matado. Mesmo sem querer. Caramba! Eu tinha sido enganado, novamente. Que ótimo! Eu nunca aprendo mesmo!

Foi rápido. O tiro o apagou em questão de segundos. Eu fiquei em transe com tudo aquilo que estava diante dos meus olhos. Traumatizado era pouco pra mim. O que foi que eu tinha feito pra merecer tantas desgraças e perdas na minha vida. Poxa! Quando eu achava que tinha me livrado de tudo aquilo, a dor no meu coração voltou com força total.

- Você já pode ir... – ele disse e me soltaram. Eu peguei minha mochila ainda em choque e corri dali.

Não sabia nem como correr ou andar direito numa cidade como aquela, tão grande e cheia de ruas. Sentia-me completamente perdido. E eu já estava perdido. Saí do galpão e senti uma forte rajada de vento e um frio intenso me invadirem. Quando de repente uma forte explosão dentro do galpão abandonado, que estava pegando fogo me fez saí aos prantos correndo feito um louco. Foi aí que eu senti os disparos na minha direção. Eram os caras, e o pior é que eles vinham atrás de mim. Corri feito um condenado e tentava ao máximo me esconder em qualquer brecha de rua.

...

Finalmente encontrei um lugar embaixo de um viaduto onde pude me esconder deles. O frio e o medo faziam um ótimo papel juntos, nunca esqueceria essa parceria, feita exatamente pra mim naquela noite. Imagino como que esses moradores de rua devem sofrer no dia a dia. Eu tinha todo o conforto da minha casa, do meu quarto e das minhas coisas. Perdi tudo aquilo, á partir do momento em que desisti da minha vida.

Olhei para o céu vermelho daquela cidade grande e comecei a derramar ás lágrimas que eu pensei que nunca mais iam cair. Por mais que eu fugisse da minha dor, ela sempre dava um jeito de voltar e me arrasar. Nem sabia mais como controlar ou amenizar, pois sempre vinha com mais intensidade. Saí daquele lugar e fui direto para algum lugar onde pudesse encontrar a rodoviária. Meu dinheiro ainda estava comigo e eu tinha que voltar pro Rio, ainda hoje se possível. Aquele lugar estava muito perigoso, ainda mais com esses loucos me seguindo. Tinha perdido meu relógio. Que ótimo! Não tinha ideia de que horas eram. Virando uma esquina, encontro um grupo de jovens, que ao me vê começaram a andar bem rápido. Pelo visto minha caricatura atual, não era lá as mais apresentáveis com aquele capuz escondendo parte do meu rosto.

Sentia falta dos meus amigos, que tinham se afastado devido meu surto de isolamento dos últimos meses. Se a minha vida tivesse dado certo, eu estaria terminando o ensino médio. Preparando-me para fazer uma boa faculdade de medicina, namorando o Léo. Seguindo em frente feliz e amado. Só que as coisas tomaram outro rumo, infelizmente. Chorei de novo ao me imaginar nesse futuro que deveria ter acontecido. Nunca teria meu final feliz. Não seria feliz! Meu destino já estava traçado mesmo. Tudo que eu tinha planejado, imaginado e sonhado foi levado pela corrente de um rio. Assim como eu, que não tinha nada em que eu pudesse me segurar, e era levado por essa correnteza sem destino.

...

Foi numa dessas ruas movimentadas de pessoas e carros em São Paulo, que eu o vi pela primeira vez. O sinal tinha fechado e o carro tinha parado. Atravessei a rua, completamente hipnotizado com o que via. Assim que olhei para o vidro do carro aberto, tive um susto. Não podia ser! Era o Léo, dirigindo. Andei bem devagarzinho, e não tirava o olho dele um só segundo, sem nem piscar. Fiquei em frente ao carro dele e as lágrimas começaram á cair. Meu Deus! Era ele? Ou eu já estava louco mesmo? Não! Aquilo era real! Ele estava olhando pra mim. O Léo não tinha morrido, no final foi apenas um sonho. Eu não acreditava no que estava vendo. Era mágico. Coisa de outro mundo. Foi o olhar mais renovador que eu recebi, como uma luz na minha escuridão. As buzinas gritavam no meio da rua, eu estava congelado e ria e chorava ao mesmo tempo. Ele de repente virou o carro e foi passando bem devagar, do meu lado com o vidro aberto. Eu o via agora, bem de perto. Ele estava diferente, tinha o cabelo que eu tanto gostava, cortado bem curto e não mais com o topete. Os nossos olhares se cruzaram e foi como se eu me apaixonasse por ele de novo. Seu olhar era diferente e não estavam brilhando, como de costume.

- Léo... ! – falei emocionado.

- É ele? Não é possível... Não para! Vamo embora! – disse uma mulher aos gritos no lado do carona.

Algo no seu olhar me dizia que ele queria falar comigo. Seu carro acelerou e ele foi embora passando por mim como um furacão. Corri na direção do carro dele, mas fui impedido por causa dos outros carros que vinham atrás e quase me atropelaram. Ainda estava em choque, pois não sabia mais se ele era real, ou coisa da minha cabeça. Não! Eu tinha certeza absoluta que ele estava vivo. Mas por que ele fez isso comigo? Deixou-me sofrer todos esses meses por ele, me destruiu e vive como se nada tivesse acontecido? Não! Esse não era o Léo que eu conheço, ou melhor, que eu achei que conhecia.

Eu tinha que saber a verdade. Tinha que falar com ele, e perguntar por quê.

...

O dia amanheceu rapidamente. Eu passei a noite na rua. Não iria embora enquanto não soubesse onde o Léo morava e falasse com ele. Não tinha celular, e queria muito falar com alguém, que poderia me explicar isso direitinho. Resolvi perguntar á alguém que passava numa rua, onde ficava a rodoviária, teria meios melhor de ligar lá. Eu estava tão longe dessa rodoviária que tive que pegar um ônibus para chegar lá.

...

Disquei o número num telefone público e esperei a chamada ser atendida. Parecia que ninguém estava em casa. Depois de várias tentativas, o telefone finalmente foi atendido.

- Alô. – falou uma voz.

- Artur? – falei.

- Quem está falando? – ele perguntou.

- Daniel. Escuta, eu preciso muito... – eu disse e ele me interrompeu rapidamente.

- Daniel! Cara! Graças á deus! Você tá bem? Sua família tá desesperada atrás de você... Tipo seu pai colocou o exército atrás de você cara! Onde você está? – ele perguntou ansioso.

- Calma! Tá tudo bem e não precisa se preocupar. Só me ouve. Ok? – eu disse ordenando.

- Beleza... – ele falou.

- Eu vi o Léo, dirigindo numa rua aqui em São Paulo... Ele não morreu não é? – eu perguntei.

- Daniel! Como assim? Você está em São Paulo? Por quê? Como você foi parar aí? – perguntou meu amigo todo exagerado.

- Só me responde Artur... Você foi ao enterro. Você me disse... O que você não está me contando? – perguntei.

- Desculpa, mas eu acho que você está maluco cara! O Léo morreu sim! Me diz onde você está e eu vou mandar seu irmão te pegar, vai. Eles estão quase loucos por sua causa. Você tem noção... – ele disse querendo mudar o assunto.

- Você está me enganando Artur... Eu juro que pensei que você era meu amigo. Eu vi o Léo frente á frente. Não tinha como não ser real... Cara! Eu estou desesperado. Só me diz verdade, por favor? – implorei.

- E você falou com ele? – ele perguntou e se entregou na mesma hora.

- Não! Mas eu quero falar com ele... Eu preciso falar com ele. Só precisava saber a verdade e você já deixou bem claro agora. – eu disse, me convencendo que não estava louco, como achei que tinha ficado.

- Se você acha que foi fácil eu esconder isso de você... Não foi tá legal! Sua família acha que é melhor você não saber de tudo... E só agora entendo mesmo o porquê. Quando eu o vi também achei que estava vendo um fantasma cara! – ele disse. E pelo tom de voz dele, a surpresa era evidente pra ele também.

- Eu sabia... Eu nunca vou perdoar vocês por isso. Nunca! Mas por que ele fez isso comigo, Artur? Você falou com ele? – eu perguntei.

- Você ainda não entendeu né? O Léo escondia muita coisa de você pelo visto. – ele disse.

- Não entendeu o que? Como assim, Artur? O que ele não me contou? – eu perguntei angustiado.

- Ele tin... – o telefone parou de funcionar e quando olhei pra trás vi dois caras me encarando.

Gelei. Eles pegaram meu braço e me apontaram uma arma me direcionando por uma saída.

- O que vocês querem de mim? – eu perguntei assustado enquanto eles me levavam.

- Você achou mesmo que ia sair dessa vendo o que você viu... Vendo a cara do Aranha. Não! Você viu demais e quem vê demais, fala demais... – disse um deles.

Agora que eu tinha um motivo pra não querer morrer, a vida vai e faz isso comigo? Não! Agora eu quero viver. Tenho pendências pra resolver urgentemente e não vou deixar o jogo acabar pra mim agora. Quando já estávamos lá fora, vi dois policiais passando e vi ali minha chance. Dei um soco na barriga de um dos caras e corri gritando socorro. Era tiro pra todo lado, só conseguia ouvir os disparos na minha direção. Saí da rodoviária correndo feito muito. As pessoas olhavam pra mim, como se eu fosse um ladrão correndo da polícia.

Mais uma vez eu ia me perdendo por ruas e avenidas sem saber onde estava ou como me achar. Era bem cedo de manhã e eu já estava vivendo uma adrenalina sem fim. Entrei numa rua cheia de prédios comerciais, e fui me perdendo no meio das pessoas que iam passando. O sinal fechou e eu atravessei a rua quase sem olhar se tinha mesmo fechado. Parecia até uma armadilha, pois vi um carro vim na minha direção e corri ainda mais. Ouvi mais tiros e de repente tinham me derrubado no chão, deixando minha cabeça ensanguentada, olhei diretamente para o cano do revólver apontado pra minha cabeça de novo. Lembrei-me da noite em que tinha sido expulso de casa. E lá estava eu de novo, de frente pra morte. Tudo se repetia. Só que dessa vez, as circunstâncias me obrigarão a ter esse encontro.

O cara puxou o gatilho e a arma travou. Fechei os olhos e quando abri estava vivo e respirando. Eu não tinha morrido. Aquilo era um sinal. Foi aí que o vi, saindo do carro e vindo à minha direção. Chutei a mão do perseguidor e a arma dele caiu no chão e entrou num esgoto. Corri para o outro lado da rua em direção ao Léo.

Era como um sonho. Eu estava mesmo correndo para os braços do meu amado? O abracei tão forte que foi como se eu tivesse sugando seu corpo. Meus pedaços começaram a se unir, como nunca antes. Foi como acordar de um pesadelo. Mesmo sabendo que tinha sido enganado. Eu o tinha agora. Ali comigo. O cara vinha vindo até mim de novo, quando a polícia o pegou na mesma hora e o prendeu.

- Era você... Eu te vi ontem á noite. Eu sei quem é você. – disse o Léo, todo estranho. Chorei litros.

- Como você me encontrou? – perguntei extasiado de alegria.

- Eu te vi por acaso atravessando um sinal e vim atrás de você. Você tá sangrando muito... Vêm eu vou te levar num pronto socorro. – ele disse preocupado.

- Léo! Por que... – eu falei e ele me interrompeu rapidamente me soltando do meu abraço.

- Ei! Eu não sou o Léo... – ele disse.

- Não é o Léo? – eu indaguei confuso.

- Não sou! Ele era meu irmão. Nós éramos gêmeos. Ele não te falou isso? Vocês... Namoravam não é? – ele perguntou constrangido.

- Sim... Isso não está fazendo sentido algum... Eu não entendo. O que você é? – eu disse assustado com o óbvio.

- Te entendo perfeitamente cara! Mas quem disse que tudo pode fazer sentido? Tem coisas não dá pra entender... Eu pensei que ele tinha te contado... – ele disse todo pragmático.

Como assim? O que? Gêmeos? Não podia ser... podia? Eles eram idênticos. Meu Deus! Então era isso, ninguém tinha me contado o outro lado da história. Nos dois meses que passei com o Léo, achei que sabia tudo sobre ele. Mas eu não poderia estar mais enganado. O mais incrível era que ele se parecia em exatamente tudo do Léo. Cabelo não, mas corpo, cor da pele, olhar penetrante e sorriso eram iguais. No final a viagem tinha me acordado do meu surto e clareado minha mente sobre muita coisa. E serviu-me exatamente pra isso, me mostrar que a perda de memória não era nada comparada aquilo.

Nota do Autor: Gente, o Daniel se mete em cada roubada que eu vou te contar, salvar ele disso tudo é complicado. No próximo capítulo (O Final) vai ser dividido em duas partes e ainda tem um pequeno Epílogo. Bom então é isso! O que acharam? esclarecendo que o Léo MORREU SIM gente! Quem é esse irmão do Léo? Lembrando que ele foi citado no capítulo 2, no luau lembram? Com quem o Daniel termina? Será que ele fica sozinho? E a cena louca do prólogo? e a recuperação? Tudo isso e mais um pouco nos próximos dois capítulos. Tomás? Samuel? ou o agora fantasma do Léo? Por quem vocês torcem? um abraço á todos! :) Posto a parte 1 do final no final de semana. Bjs!

Comentários

Há 5 comentários.

Por rego em 2014-10-02 18:30:03
. bom comeco dizendo que esse conto foi e otimo. ebora eu fiquei triste pelo leo ter morrido. e quero que o daniel fique com o samuel.
Por simon em 2014-10-02 13:02:13
OMG por um momento achei que o Leo tava vivo!!!Esse capítulo foi surpreendente.Ansiosissimo para o final....E que o Daniel tenha um final feliz ele ja sofreu de mais.
Por Anderson P em 2014-10-02 08:25:20
Concordo com GatoPEBR.
Por Sonhador Viajante em 2014-10-01 22:34:00
Olá GatoPEBR! Estou muito feliz que esteja curtindo esses capítulos finais, assim como toda a história! O final do Dani vai ser perfeito e tenho certeza que você vai amar! Projetos para o futuro, sim eu tenho, assim que acabar esse conto vou construir outro, bem mais legal e romântico rsrs. Um grande abraço! ;) #FinalFelizParaODani
Por GatoPEBR em 2014-10-01 22:00:34
Ah não! Eu pensei que o Léo tivesse vivo, que ele tivesse perdido a memória também e a irmã dele estava armando tudo isso para livrar ele do Dani, mas estou amando cara! Eu espero que o Dani termine com o Samuca, já que o Léo está morto, não tem ninguém melhor pra curar o Dani da depressão, e por favor, eu não quero que aconteça nada de ruim com o Dani, ele passou o conto inteiro sofrendo para morrer no final? Quero um final feliz e emocionante, com direito a cerimônia de União Estável e muita comemoração, já que o conto é uma ficção, queremos um final feliz. Te adoro! Assim que acabar o conto já pense em fazer outro e não demore. Tô esperando o Último Capítulo! notta 1000 (Aguardando ansiosamente)