CAPITULO XVI

Conto de Puckerman como (Seguir)

Parte da série Vibrações

CAPITULO XVI

“Deveria ser por volta de umas dez horas da noite quando após brigar com meu pai mais uma vez eu resolvi sair para relaxar, minha cabeça doía muito e eu estava cansado de toda aquela pressão que ele colocava em cima de mim. Desde que minha mãe morreu que meu pai começou a ficar diferente comigo, acho que de certa forma ele me culpava pela morte dela, e quando eu finalmente me assumi gay a ele minha vida virou um verdadeiro inferno! Já não estava mais aguentando aquela situação, eu queria sair daquela cidade, gostaria de conhecer novos lugares, pessoas, conhecer um mundo diferente de tudo aquilo que eu imaginava. Quando finalmente pensei em fazer isso, a ironia do destino interferiu, o garoto que eu amava desde quase sempre resolveu perceber que eu existia. Peter era seu nome, eu consegui me aproximar dele e nos tornamos amigos, na verdade eu consegui mais que isso, consegui que ele fosse meu pelo menos uma vez, e isso me impediu de largar tudo e partir. Minha vontade de ficar com ele só aumentava a cada dia, mas eu sabia que era algo impossível já que ele estava apaixonado pelo irmão de sua namorada. Enfim, saí daquela casa chorando e irado com as palavras de desgosto que vieram da boca do meu pai, ele realmente me odiava. Peguei meu carro e fui para o meu cantinho que tanto gostava, aquelas pedras altas próximo a praia me acalmavam de uma maneira impressionante, mas o destino novamente interferiu. Quando eu estava na avenida que me levaria ao meu destino não percebi que uma menina acabava de se soltar da mão de sua mãe e ir atrás do balão que havia escapado, estava no meio da rua e como eu estava em uma velocidade muito alta por pouco não consegui desviar. Fiz uma manobra bem arriscada, mas necessário para salvar a vida da garotinha, e como em um passe de mágica sua mãe lhe agarrou aos prantos e observou meu carro capotar um pouco mais a frente que elas. Eu me vi dentro daquele carro que dava voltas no ar e aos poucos ameaçava a explodir. Tentei escapar do cinto de segurança que havia emperrado e estava me obrigando a ficar ali, a morrer bem seguro pode se dizer, com muito esforço e ignorando o sangue que saia de mim consegui fugir, mas não o suficiente pois antes que pudesse pegar uma boa distancia o carro explodiu e a porta voou em minha direção acertando em cheio minha cabeça. Comecei a sentir uma dor imensa, era como se tivessem amassando meus miolos e me perfurando com varias facas. Eu estava estirado na rua, olhando para o mar e desejando mais que tudo nesse mundo ver o Peter, tinha certeza que ele conseguiria me salvar, ele era tudo pra mim. Eu sabia que não conseguiria mais aguentar por muito tempo, aquilo realmente ferrou comigo. Ainda pude ver os enfermeiros me colocando dentro de uma ambulância e me levando para o hospital, meu pai chegou e entrou desesperado na sala de cirurgia. E tiveram que dopá-lo para poder retirar ele dali, afinal ele naquele estado não conseguiria me operar, seria algo muito duro. Tentaram fazer o máximo para tirar aquele maldito pedaço de ferro que havia perfurado minha cabeça, e a todo instante eu pedia para ver o Peter, meu inconsciente me permitiu ficar acordado. Naquela sala abandonada por Deus eu estava esperando o meu fim, os médicos retiraram qualquer esperança de que eu sobrevivesse, não me falaram isso é claro, mas eu vi em seus olhos. Minha vista começava a pesar, os sedativos já não faziam efeito e a dor voltou mais forte que nunca, o sangue voltou a correr de minha cabeça e eu não conseguia falar mais nada. Eu vi um anjo vindo em minha direção, enfim havia chego minha hora, meu coração se encheu de alegria ao ver que o anjo era Peter e por uma fração de segundos toda a dor que eu sentia desapareceu. Ele entrou correndo no quarto e pude perceber que havia chorado muito e não conseguia parar, seu namorado apenas observou tudo pela porta e mostrava uma cara de tristeza, como um sinto muito. Peter me agarrou e chorou ao meu lado, meu pai que estava sentado ao lado também voltou a chorar e foi em nossa direção. Ele me pediu desculpas por como havia sido um péssimo pai, por todas as vezes que ele me humilhou, ele disse que não sabia como agir com a morte da mamãe e se entregou completamente ao trabalho. Eu vi em seu olhar que ele realmente estava arrependido e vi meu velho pai que eu tanto amei de novo. Novamente voltou as dores e eu gritei, gritei muito e nem por um segundo Peter soltou a minha mão. Eu olhei bem pra ele, queria guardar aquele rosto em minha mente para sempre, e sorrindo lhe pedi um beijo. Ele não olhou para seu namorado para pedir permissão ou algo assim, ele simplesmente se abaixou e disse que eu havia sido o melhor amigo que ele já teve e que me amava de todo o coração, então me beijou. Ainda consegui dizer um EU TE AMO antes departir.”

Quando recebi a ligação do pai de Matheus fiquei em choque e pedi rapidamente a John que voltássemos, meu coração estava apertado e eu tinha um mau pressentimento. Corri até o hospital em que meu amigo foi atendido, quando cheguei seu pai estava sentado na frente desabando em lágrimas. Corri até ele.

-Foi tudo culpa minha! Eu... Não deveria ter o tratado daquele jeito...

-Fica calmo, por favor! Onde ele está?

-Vão operá-lo, mas o doutor já avisou que as chances são mínimas!

-Vamos rezar! Matheus é muito forte e vai superar isso você vai ver...

-Meu pequeno... Como vou viver sem ele? Tudo culpa minha... Tudo culpa minha...

-Não faça isso, não se culpe! Não jogue esse peso pra cima de você! Tenha fé!

Tentei falar o possível para acalmar o João, mas lá no fundo eu sabia que ele estava certo. Aquele não seria um bom dia. A cirurgia demorou umas cinco horas e em momento algum eu, John ou o João saímos do hospital. Quando ela finalmente terminou o médico responsável veio até nos e nos contou que haviam removido o ferro que estava dentro da cabeça de Matheus, mas que o mesmo havia causado muitos danos e que ele não sobreviveria mais que algumas horas. Não aguentei e comecei a chorar, João correu para dentro do quarto, queria ver o filho e estar com ele até o fim, já eu e John fomos para a entrada do hospital. Eu não sabia como reagir com aquela noticia Matheus desde que eu o conheci se tornou alguém muito importante para mim e eu não queria perde-lo. Ele era tão jovem e tinha uma vida inteira pela frente, não deveria acabar assim. Me sentei em um dos bancos que tinha e comecei a rezar, com toda a minha fé, com todo o meu coração. John me abraçou. Reuni todas as minhas forças e fui ver meu amigo antes que o pior acontecesse, ele estava todo enfaixado e algum sangue escorria de sua cabeça. Não aguentei e chorei novamente, corri ao seu encontro e lhe abracei. Independente do acontecesse eu estaria ao seu lado, João levantou-se e veio até o filho.

-Matheus me perdoa meu filho! Eu sei que fui um péssimo pai, descarreguei a morte de sua mãe em suas costas e me tranquei em meu sofrimento. Jamais deveria ter te tratado daquela maneira, eu te amo muito meu filho e sempre quis o seu bem. Me perdoa por não ter te aceitado da maneira que você é! Eu só quero que saiba que papai sempre vai estar aqui com você!

A voz de Matheus saiu fraca e quase inaudível, percebi o sofrimento que ele estava passando e o abracei mais forte ainda. Ele conseguiu ainda me pedir um beijo, e eu nem ao menos pensei no que John pensaria, eu só o fiz. Acariciei aquele rostinho de bebê que Matheus tinha e lhe dei um beijo suave, um beijo de despedida que foi agradecido pela ultima frase que saiu de sua boca, um eu te amo. Após ele falar isso, aquela maquina que mede os batimentos cardíacos apitou e uma linha reta surgiu na tela, rapidamente os enfermeiros seguidos pelo doutor entraram em ação e aplicaram choques para ver se reanimava o coração de Matheus, mas o mesmo não quis voltar e nos deixou.

Perder alguém é muito difícil, principalmente quando ele é importante para nós. John veio em minha direção e me abraçou, um abraço forte e acolhedor, eu realmente precisava daquilo. Depois de um tempo eu fui até João e também o abracei, ele estava em choque, não consegui conter as lágrimas e me agradeceu pelo que fiz ao seu filho. Não respondi, apenas o abracei novamente. Aquele seria um dia que ficaria marcado em nossas vidas, um dia triste, um dia de luto.

CONTINUA...

Comentários

Há 1 comentários.

Por Bruno Rocker em 2014-08-03 19:28:44
Suando pelo olhos! Droga! Ñ faça mais isso :"|