Capítulo VIII
Parte da série Vibrações
CAPITULO VIII
Meus olhos se abriram lentamente e me assustei ao perceber que não estava mais na minha casa, e sim em um quarto de hospital. Olhei ao redor e não achei ninguém, quem quer se seja que tenha me levado aquele lugar não estava mais lá, ao que parece eu estava completamente sozinho. Cerca de uma hora se passou até o medico aparecer e me fazer uma serie de perguntas.
-Olá!
-Oi...
-Qual o seu nome meu jovem?
-Peter, doutor.
-Peter, você teve uma infecção intestinal por conta do excesso de remédios que você tomou.
-Eu... Eu... Estava sentindo muita dor.
-Ainda sim, você ultrapassou o limite! Poderia ter sofrido uma overdose se tivesse tomado um a mais se quer...
-Eu sinto muito...
-Aliás, quem lhe deu todos esses medicamentos?
-Foi... Foi... Um amigo.
-E que amigo hein!
-Doutor, quem me trouxe pra cá?
-Um rapaz...
-Ele falou o nome?
-Não me recordo! Bem vou deixar você descansar... Você terá alta daqui a algumas horas.
-Hum... Obrigado!
-Matheus... Acho que esse era o nome dele!
-Matheus? OK... Obrigado doutor!
O doutor saiu e me deixou novamente sozinho. Por mais que eu tentasse buscar em minhas lembranças quem era esse tal Matheus que me trouxe para o hospital e aqui me deixou, minha mente não me mostrava nada. Procurei pelo meu celular que estava dentro do meu bolso e vi minha ultima chamada, o numero que eu disquei não estava salvo mas foi minha penúltima ligação recebida.
Estava vagando pelos meus pensamentos tentando lembrar do tal garoto, quando John entrou no quarto dizendo que havia vindo me buscar. Por um momento senti raiva dele por só agora ter se lembrado de mim, porém, percebi que ele estava com uma expressão de raiva. Não entendia o porquê, e como ele quase não falou nada antes de sairmos do hospital resolvi esperar pra conversar dentro do carro.
-O que houve John?
-O que você tem na cabeça? Tá se drogando agora?
-Ou, ou, ou... Relaxa ae! Com quem ce acha que tá falando?
-Droga Peter... Porque você tinha que estragar tudo?
-Estragar o quê? Do que você está falando? Que porra é essa?
-Nada... Desculpa! Eu não deveria ter falado assim com você...
-Não to entendendo mais nada...
-Desculpa! E que gosto muito de você, e tudo isso me deixou louco.
-Tudo o quê? Eu não estava me drogando, era só pra poder dormir. Pra quê tanto drama afinal? E como soube que eu estava no hospital?
-Seu primo me ligou.
-Que primo?
-Uai, seu primo! Ele me ligou e disse que você estava no hospital. Ai vim direto pra cá!
-Mas eu não tenho primos que moram aqui na cidade!
-Como não, se ele me ligou?!
-Eu não sei... Talvez algum deles veio nos visitar e eu não fiquei sabendo.
-É, deve ser... Escuta Peter, aconteça o que acontecer e o que você decidir eu vou te apoiar, ok?
-Blz! Mesmo ainda não entendendo nada.
Nossa conversa se encerrou ali, tudo foi muito estranho, pois não havia nenhum primo meu na cidade e não fazia ideia quem era aquele tal de Matheus, John estava estranho e falando umas coisas sem sentido. Mas como minha vida estava uma loucura aqueles dias e não dei muita importância. Nos despedimos com alguns beijos e ele me deixou na porta de casa, quando entrei percebi que meus pais ainda não haviam chego. Subi as escadas e fui para o meu quarto tomar um banho, quando abri a porta encontrei um buquê de rosas brancas em cima da minha cama, fiquei surpreso e corri para ler o cartãozinho que tinha nele.
“Vai de vagar com esses remédios! Estou feliz por você está bem... Desculpa te deixar sozinho no hospital, mas não deveria estar lá. Um beijo. Matheus”.
Depois dessa eu realmente fiquei curioso em saber quem era esse cara. De certa forma gostei da sua atitude e das flores, dei um sorrisinho discreto e fui para o banho. Como era gostoso sentir a água escorrendo pelo meu corpo e como aquele gesso maldito ainda me atrapalhava. Fiquei quase uma hora no banho, coloquei uma musica no computador e apenas de toalha me joguei na cama. Fiquei ouvindo minhas musicas e cantando em um tom um pouco elevado, era incrível a sensação de felicidade que eu estava, afinal quando se volta de uma quase overdose há alguma coisa que te mantém vivo e radiante. Ainda viajando nas letras da minha música preferida, quando meu celular piscou anunciando uma nova mensagem:
“Que tal um sorvete? Acho que esse gesso não te deixa tomar um Chopp?!”
O número era o do Matheus. Pensei um pouco e disse por que não? Já que sabe lá Deus como ele me respondeu ao meu pedido de socorro, e eu também estava louco para conhecê-lo.
“Engano seu! Um Chopp sempre é uma ótima pedida!”
“As sete passo ae pra te buscar então! Até mais...”
Aproveitei que estava de bom humor e fui me arrumar, coloquei uma roupa simples, mas bem legal já que não sabia aonde ele me levaria pra beber. Peguei minha carteira e fiquei o esperando na sala. Ás sete horas em ponto ele mandou uma mensagem avisando que havia chego, poucos segundo depois quando me levantei ouvi a campainha tocar. Fui até a porta e a abri, meus olhos não poderiam acreditar no que estavam vendo...
continua...