Capítulo IX
Parte da série Vibrações
CAPITULO IX
Ao abrir a porta dei de cara um rapaz que aparentava ter mais ou menos a mesma idade que eu, tinha seus cabelos pretos encaracolados, uma pele branquinha, um olho cor de mel e uma boca pequena, mas linda. Fiquei o admirando por alguns instantes até voltar à realidade com ele chamando pelo meu nome.
-Peter? Tudo bem ai?
-Oi... Tô sim! Matheus?
-Eu mesmo!
-Hahaha... Prazer.
-O PRAZER é meu! Vamos?
-Claro.
Entramos em seu carro e fomos para o nosso “encontro?”. No carro Matheus conversava bastante, contava coisas engraçadas sobre a sua vida, sua família, seu cachorro, ele realmente era muito simpático e tinha doçura nas palavras. Era como se ele fosse uma criança presa em um corpo de um homem. Não fiz nenhuma das perguntas que eu gostaria de fazer, deixei para quando estivéssemos sentados bebendo.
Depois de alguns minutos chegamos um barzinho, o lugar era rustico e aconchegante. Matheus falou que sempre que ele podia dava uma passadinha lá para conversar, beber e passar o tempo, e ao que percebi ele realmente era bem conhecido naquele lugar. Nos sentamos em uma mesa um pouco afastada do restante do pessoal, devia haver apenas uma dez pessoas naquela noite. Eu já me sentia bem á vontade, e minha companhia me deixava menos tenso a cada risada que ele tirava do meu rosto.
- Sabe que quando eu era pequeno, eu queria ser o super-homem! E um dia, olha só, eu subi em cima da árvore que tinha em frente a minha casa e pulei de lá achando que estava voando... Hahahaha Quebrei meu braço nesse dia.
-Hahahaha coitado...
-Meu pai coitado, ficou louco e não sabia se brigava comigo ou se tentava conter o meu choro! Foi muito hilário...
-Nossa você tinha uma imaginação e tanto na infância hein! Hahaha
-Meu pai que o diga! Haha Mas então, você deve estar cheio de pergunta né?
-Sim... Muitas! Primeiro como eu tinha seu numero? Não me lembro de você ter me ligado...
-Então, eu te conheço já há algum tempo. Estudamos na mesma sala no colegial e faço enfermagem na sala ao lado da sua na faculdade...
-Nossa! Sério? Não me lembro de você no colegial!
-De como eu era antes, nem deveria! Tenho uma foto aqui, vê se você se recorda? !
-Ai meu Deus! Você era aquele garoto gordinho que usava óculos e vivia no fundo com os outros estanhos da turma.
-Haha valeu pelo estranho, mas sim! Eu mesmo...
-Meu Deus... Como você está diferente!
-Tô mais magro, mais forte, sem óculos e aparelho.
-E como consegui meu número?
-Eu sou amigo do Fábio que estuda na sua sala, e sempre fui super afim de você desde o colegial, e enfim criei coragem e iria te chamar pra sair. Pedi seu numero e ele passou, ai fui ligar pra você e no segundo toque desliguei. O medo voltou novamente.
-Sério isso?
-Sim...
-Por isso seu numero ficou registrado! E quando apertei pra ligar, o seu era o que aparecia em primeiro. Por isso te liguei achando que era o...
- O John!
-Isso! Mas...
-Você falou o nome dele enquanto estava desacordado... Devia estar sonhado. Peguei o numero dele no seu celular e telefonei, menti que era seu primo e avisei a qual hospital estava te levando.
-Você mexeu no meu celular?
-Desculpa, mas não podia ficar lá... Meu pai não gosta que eu vá no seu trabalho. E sobre como entrei na sua casa? Bem, eu já sabia onde você morava e quando cheguei lá a porta estava aberta. Gritei você pela casa e como vi que não tinha ninguém saí procurando e te encontrei desacordado no chão do seu quarto com um vidro de remédio na mão. Te peguei no colo, te coloquei no meu carro e levei você pro hospital. Fim. Ufa!
-Meu Deus! Você fez tudo isso? Você deve ser no mínimo louco... Hahaha mas e as flores?
-Bem, depois voltei lá e deixei em cima da sua cama. Isso foi fácil!
-Vou ter que trocar as fechaduras da minha casa Hahaha É sério, obrigado por tudo! Você foi quase como um herói!
-Herói eu? Hahaha Pode ser...
-Só mais uma coisa, seu pai trabalho do quê lá no hospital?
-Ele é o médico que te atendeu.
-Mas ele nem se quer lembrava seu nome...
-Eu tenho certeza que ás vezes ele deseja que eu nem tivesse nascido... É complicado!
-Entendo...
Depois de tudo esclarecido, ficamos mais algum tempo bebendo e pude perceber o quanto Matheus era carente, seu pai ao que parece lhe odiava pela sua opção sexual, ele perdeu a mãe muito cedo e não tinha irmãos. Mas apesar disso tudo ele ainda conseguia ser a pessoa mais extrovertida e simpática que eu já tinha conhecido. Eu realmente senti um enorme carinho por ele desde o momento que o vi, ignorei completamente o fato de ele ser apaixonado por mim e tentei manter o máximo possível a intenção de uma amizade futuramente. Mas quem eu queria enganar? Aqueles olhos mostravam o desejo que ele sentia por mim e aquilo se comprovou quando chegamos em frente a minha casa, ambos já um pouco altos pelo álcool, Matheus parou o carro e começou a me encarar. Falou o quanto eu era bonito e o quanto ele esperava por um beijo meu, eu ia desconversar, mas ele segurou meu rosto com as duas mãos, com uma delicadeza que me desconcertou. Olhou dentro dos meus olhos e aproximou sua boca lentamente pra junto da minha e me beijou.
continua...