Capítulo IV (BÔNUS)

Conto de Puckerman como (Seguir)

Parte da série Vibrações

CAPITULO IV

Estávamos os dois sentados dentro do meu carro, John era quem dirigia e o marcador já apontava que estávamos a uma velocidade muito acima do permitido. Nenhum de nós dois falava uma palavra se quer. O tempo era chuvoso e ao fundo tocava uma música cheia de melancolia e tristeza, as lágrimas caiam de nossos rostos e uma incrível vontade que tudo simplesmente não passasse de um pesadelo não saia da minha cabeça. A cada minuto que passávamos dentro daquele carro, era como se um pedaço de mim estivesse indo embora. Olhei para o vidro embaçado, olhei para o rosto de John e no segundo que eu fechei meus olhos, o mundo parou. Uma dor intensa e incessante tomou conta do meu corpo e de minha alma, ainda de olhos fechados senti meu sangue escorrer e algo muito pesado me pressionar. Lentamente comecei a despertar desse meu transe e perceber que tínhamos capotado, senti a mão dele procurando pelo meu corpo e me forçando a sair de dentro do carro que estava sendo consumido pelas chamas. John me pegou nos braços e me carregou por entre as árvores, estávamos sangrando e completamente acabados. Nossos olhares falavam o que nossa boca não ousaria pronunciar, e lentamente nossos lábios se encontraram e entre o sabor de suas lagrimas pude sentir o gosto do seu beijo pela última vez. Levante-me, segurei sua mão e fomos em direção ao nosso destino. Que cenário mais lindo era aquele! Várias árvores ao nosso redor, uma linda cachoeira à frente, o silêncio de nossos corações que eram atrapalhados apenas pelos trovoes que ecoavam do céu. Uma noite sem estrelas, várias nuvens cinza e carregadas, um vento forte e frio que traria algum resfriado para corpos frágeis e desprotegidos. Minha visão desse pequeno mundo onde estávamos foi completamente perdida quando John apertou mais uma vez minha mão, e dessa vez eu já sabia o que aconteceria, afinal seria tudo como o planejado, faríamos aquilo que nosso coração queria. Era o nosso destino, a eternidade seria nossa. Ninguém poderia nos separa, ninguém! Aquele era o nosso amor, era a nossa vida, era exatamente o queríamos para nos. Nada de filhos, nem família, nem casamento, nada de uma vida normal. Só queríamos um ao outro. O que havia de mal nisso?

-Eu te amo! E nada nesse mundo vai me separar de você... Me perdoe todas as minhas crises, mas é que a vontade de cuidar de você chega a ser maior que eu!

-Você é e sempre será tudo pra mim... Também te amo muito...

Dessa vez apenas nos abraçamos e sentimos um ao outro, o vento não sei se a favor ou contra, começou a soprar mais forte. O que era apenas trovoes se transformou em uma terrível tempestade, a força da queda d'água na cachoeira se multiplicou e eu apenas chorei. Nos olhamos fixamente e caminhamos com um sorriso no rosto para o que seria nossa liberdade de um mundo injusto e cruel. Que seja eterno enquanto dure. Pulamos. A queda. O frio. A dor. A escuridão. Ele não está aqui. Ainda consigo respirar, mas já não o vejo mais. Droga! Por que a morte foi tão cruel comigo e simplesmente não me levou pra junto de si? Vejo um corpo. Sim, é ele! É meu amado, me aproximo e vejo aquele que um dia foi meu. Ou pelo menos parte dele...

p.s esse capítulo pode ou não ser importante mais a frente, ele é um âncora...

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