S01E05

Conto de Misteryon McCormick como (Seguir)

Parte da série Torniquete

CAPÍTULO CINCO

A Chegada do Herói

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Tic tac, tic tac… Esse é o barulho que ouvi quando abri meus olhos. O relógio do meu quarto marcava ás nove da noite. O quarto estava tão silencioso que o barulho dos ponteiros quase me incomodava. Estava cansado e tinha acabado de acordar. Jeffrey e eu fomos levados para o hospital logo depois de sermos socorridos no estacionamento. Olhei para os lados e a enfermeira veio até meu quarto para trocar o soro.

Tentei me sentar na cama, mas estava um pouco fraco. Continuei deitado e a enfermeira trocou o soro e em seguida saiu. Lembrei-me do que tinha acontecido aos poucos e percebi que estava bem. Estava preocupado com Jeffrey. Sei que ele é um bastardo sem coração, mas com certeza merecia morrer afinal seu único mal era insultar as pessoas.

- com licença – falou Sidney batendo na porta aberta e entrando.

- não devia estar socorrendo pessoas?

- desculpa, fiz algo que te irritou? – perguntei enquanto caminhava até mim.

- me desculpa – falei respirando fundo – estou um pouco irritado.

- tudo bem, também ficaria se tivesse passado pelo o que você passou e além do mais já acabou meu turno. Só passei aqui para saber como você está.

- obrigado. Geralmente não sou tão mal educado.

- fica tranquilo.

- obrigado pela visita.

- quer que eu chame seu pai? Ele está lá na entrada fumando.

- não precisa. Estou cansado e vou voltar a dormir.

- Brian? – falou meu pai entrando no quarto quase que imediatamente.

- pai?

- como você está filho? – perguntou meu pai vindo até mim.

- estou bem – falei olhando para o outro lado. Não estava nem um pouco a fim de disfarçar meu amor por ele.

- o que é isso no seu pescoço? – perguntou ele vindo até mim.

Não respondi e olhei para ele com raiva. Como ele tinha coragem de me machucar daquele jeito e ainda perguntar o que era aqui?

- é sério filho, de onde vieram essas marcas? Você machucou quando caiu?

Foi quando percebi que ele realmente não sabia de onde tinham vindo essas marcas. Olhei para Sidney e depois olhei para ele novamente.

- Provavelmente são hematomas de quando o senhor me enforcou ontem a noite.

Sidney e meu pai se entreolharam e os dois olharam para mim. Meu pai tinha um olhar amedrontador e surpreso ao mesmo tempo. Nem sabia mais diferenciar os dois.

- deixa de bobeira. você ainda está delirando com os analgésicos é? – perguntou meu pai rindo.

- provavelmente – falou Sidney – já vou indo, espero que fique bem Brian.

- obrigado – falei levantando a mão me despedindo.

Sidney saiu e meu pai olhou para mim.

- que diabos aconteceu com você filho?

- e porque quer saber?

- veja como fala comigo – falou ele se aproximando e colocando a mão em meu braço.

- não acredito – falei puxando o braço. Realmente queria acreditar no que ele dizia, mas não conseguia engolir. Não mais.

Em seguida o médico entrou no quarto.

- com licença – falou ele entrando.

- boa noite.

- o senhor é? – perguntou ele apertando a mão no meu pai.

- Murphy Knox. Brian é meu filho.

- sou Dr. Henry Gray.

- muito prazer Dr. Gray.

- Brian, está se sentindo bem?

- um pouco cansado, mas estou bem.

- nós fizemos uma bateria de exames e…

- pai o senhor pode sair do quarto por favor?

- não vou sair. Quero saber o que houve com você.

- Não dou autorização para que diga mais nada enquanto ele estiver aqui dentro.

- Já disse que não vou sair.

- Infelizmente não posso dizer mais nada se o paciente não quiser.

Meu pai olhou para mim e depois olhou para Dr. Gray. Em seguida saiu do quarto batendo a porta e praguejando.

- e então doutor? O que vocês descobriram?

- fizemos os exames toxicológicos e os resultados mostraram que você ingeriu ricina.

- o que é ricina?

- um dos mais poderosos venenos vegetais. Eles são extraídos da mamona.

- meu deus…

- geralmente o efeito do veneno age no organismo por semanas, mas você ingeriu uma pequena quantidade, diferente de Jeffrey.

- Jeffrey está bem?

- ele está em coma induzido, respirando com ajuda de aparelhos. Estamos administrando líquidos de forma intravenosa. Diferente de você , Jeffrey adquiriu uma enorme quantidade do veneno. Ele ainda está muito inchado, mas ele está fora de perigo.

- e eu? Corro algum risco?

- não. Felizmente já não existe indícios do veneno em seu corpo.

- que bom – falei respirando aliviado.

- você vai ficar em observação esta noite e se tudo correr bem te dou alta amanhã.

- muito obrigado doutor.

- por nada – falou ele apertando minha mão – se precisar de algo as enfermeiras estão aqui para te ajudar.

- muito obrigado doutor.

- por nada – falou ele indo em direção a porta.

- doutor se não for incomodar muito será que podia…

- tudo bem – falou ele olhando para mim – vou dizer que está cansado e precisa repousar.

- obrigado.

Dr. Gray abriu a porta e esbarrou em um homem que estava parado do lado de fora.

- com licença – falou ele entrando.

- o senhor não pode entrar aqui. O paciente precisa repousar.

- se me impedir de entrar você estará impedindo uma investigação federal.

- você é?

- Detetive Vincent Holloway do Departamento de Policia de Los Angeles. Acabei de ser transferido de Nova Iorque. Estou investigando uma tentativa de homicídio por envenenamento – o detetive mostrou o distintivo para Dr. Gray.

- tentativa de homicidio? – falei intrigado.

- tudo bem, pode entrar – falou Dr. Gray saindo da frente.

- muito obrigado doutor – falou o detetive apertando a mão do médico que desapareceu no corredor.

- boa noite – falou o Detetive apertando minha mão.

- que história é essa de homicidio?

- bom, já que você quer ir direto ao assunto…

- por favor.

- o médico da patologia nos ligou quando disse que você e Jeffrey Lippincott haviam sido envenenados. Nós fomos até a empresa de entrega e fizemos algumas perguntas e encontramos isso – falou ele mostrando um saquinho transparente com três bolinhos.

- eles estão envenenados?

- a análise confirmou.

- e vocês já descobriram quem os envenenou?

- infelizmente não. Ironicamente os bolinhos foram enviados por outra empresa de entregas e não havia remetente e não foram encontradas digitais. A pessoa que os envenenou usou luvas. O veneno foi ingerido através de uma seringa.

- o que você quer de mim? pelo o que parece vocês não serviram de nada.

- gostaria de saber se por acaso você tem inimigos? Ou se lembre de alguém que queira te fazer mal?

- não, mas de qualquer jeito não sei onde me encaixo nisso tudo. A caixa de doces estava em cima da mesa de Jeffrey.

- sim, mas eles eram para você.

- pra mim? como sabem? A caixa não estava sem destinatário?

- tinha um cartão no fundo da embalagem – falou ele mostrando um outro saquinho de evidencias.

Fiquei surpreso com essa revelação. Não conseguia lembrar de ninguém que quisesse me fazer mal, a não ser Finn, mas ele não escondia isso de mim. Fora ele não tinha inimigos.

- realmente não tenho nem ideia, mas não deve ser difícil imaginar isso não é?

- você quer dizer o fato de você ser filho de um policial?

- claro. Alguém pode querer se vingar do meu pai através de mim.

- também estamos investigando isso. Todas as pessoas que já foram presas e estão atualmente soltas serão interrogadas.

- parabéns detetive parece que alguém fez a lição de casa.

Detetive Holloway respirou fundo e mais uma vez olhou para mim.

- tem certeza que não se lembra de ninguém que queira te fazer mal? Não tem nenhum nome que possa nos fornecer?

Realmente pensei em dizer o nome de Finn e contar tudo o que tinha acontecido, mas como sempre, esse tiro sairia pela culatra. Pensei em Percy, mas não seria possível que ele tentaria me matar apenas para que não contasse seu segredo.

- não senhor – falei saindo do transe.

- se lembrar de algo me ligue – ele enfiou a mão no bolso e me entregou um cartão – ainda não fiz os cartões novos, o endereço é o de Nova Iorque, mas o telefone é o certo.

- tudo bem detetive – falei pegando o cartão branco com a identificação dele.

- obrigado pelo seu tempo – falou ele estendendo a mão e eu apertei.

- por nada.

Ele olhou fixamente para mim e percebi que ele hesitou um pouco, mas acabou perguntando.

- posso te perguntar uma coisa?

- pode.

- como você conseguiu esses hematomas no pescoço?

- esses hematomas? – falei passando a mão – deve ter sido uma reação alérgica ao veneno.

- tem certeza? Se eu não soubesse o que aconteceu com você nas últimas horas eu poderia jurar que você foi vitima de estrangulamento.

- pois é… - falei sem graça – deve ter sido o veneno mesmo.

- ok, qualquer coisa me ligue.

- deixa comigo – falei sorrindo e assim que ele saiu do quarto eu parei de fingir.

Não consegui ficar nem cinco minutos sozinho no quarto e meu pai bateu na porta entrando e com ele vieram visitas.

- Lucy? Ariel?

- Brian? Você está bem? – falou Lucy vindo em minha direção e me dando um beijo na boca.

- estou sim.

- fico feliz que tenha vindo – falou meu pai apertando a mão de Ariel.

- obrigado por ter nos avisado – falou ele vindo até mim – está tudo bem com você Brian? Fiquei preocupado.

- estou sim. Obrigado por terem vindo.

- estava na universidade quando meu pai me ligou dizendo o que tinha acontecido. Sai na hora – falou Lucy ao meu lado. Forcei um sorriso, mas logo me lembrei de Oliver. Ele estava na faculdade e provavelmente nem sabia pelo o que tinha passado.

Lucy e Ariel passaram a noite toda no hospital conversando com meu pai e me fazendo companhia. Minha cabeça estava me outro lugar. Em Oliver para ser mais exato. Ele é meu único amigo e não sabia o que tinha acontecido comigo.

No dia seguinte Dr. Gray veio cedo. Ao me examinar logo me deu alto. Enquanto a enfermeira retirava o soro alguém apareceu.

- bom dia.

Olhei em direção a porta, mas não o reconheci imediatamente. Só quando ele entrou foi que reconheci Leonard.

- bom dia.

- você está bem?

- sim senhor – falei me sentando na cama enquanto a enfermeira aplicava uma injeção no meu braço.

- fico feliz em saber que está melhor.

- Jeffrey não teve a mesma sorte que eu, mas vai conseguir pelo o que ouvi dizer.

- Brian, gostaria que soubesse que vamos fazer de tudo para descobrir quem enviou aquela encomenda. O Detetive Holloway pediu permissão para interrogar todos os funcionários e eu lhe dei passe livre. A investigação foi aberta e ele pode contar comigo e com a colaboração de todos para descobrir quem fez isso.

- é bom saber que se importa.

- só passei para avisar que não precisa ter pressa para voltar ao trabalho, já colocamos um estagiário para substituir você e Bart já assumiu o lugar de Jeffrey.

- tudo bem.

- agora eu já vou indo – falou ele se aproximando e apertando minha mão – melhoras Brian.

- obrigado senhor. até mais.

- até.

Depois que estava pronto para ir embora me despedi de Ariel e Lucy ainda no hospital. Ao chegar em casa fui para meu quarto e me deitei na cama. Meu pai não brigou comigo ou foi mal educado. Ele estava sendo agradável, talvez por saber que alguém tinha tentado matar o seu filho. A primeira coisa que ele deve ter pensado quando soube que fui envenenado é que provavelmente era alguém querendo se vingar. Meu pai fez muitas prisões e muitas pessoas guardavam rancor.

Fiquei assistindo a TV e antes de ir para o trabalho meu pai veio até meu quarto.

- filho, vou trabalhar. Volto a noite.

- bom trabalho.

- não precisa se preocupar, o detetive Holloway colocou uma viatura em frente a nossa casa. Um policial vai ficar vigiando vinte e quatro horas por dia.

- tudo bem pai, até a noite.

Ele saiu do quarto e alguns minutos depois ouvi o som da porta da garagem se abrindo. Coloquei a televisão no mudo, me levantei da cama e olhei pela a janela e vi o carro da viatura parado em frente a casa. Em seguida o carro do meu pai deu ré e desapareceu do lado esquerdo da rua. Agora que tinha certeza que meu pai tinha ido embora podia ligar para Oliver e avisar o que tinha acontecido.

Deitei-me na cama outra vez e peguei meu celular procurando o nome de Oliver na agenda. Logo que encontrei apertei o botão colocando em chamada. O telefone chamou algumas vezes e logo ouvi a de Oliver do outro lado da linha.

- bom dia Brian.

- Oliver? Tudo bem com você?

- o que aconteceu com você Brian? Não foi para a faculdade ontem e a Lucy saiu no meio da aula…

- alguém tentou me envenenar.

- não acredito… - falou ele dando uma pausa - sério?

- sério! – falei rindo – ser filho de policial não é moleza.

- poxa cara. Sinto muito mesmo, mas você está bem?

- digamos que dei sorte.

- você está bem agora? Quer que vá ficar ai com você?

- estou bem. Não precisa vir.

- Puxa agora não vou ficar tranquilo quando estiver longe de você. Já pensou se tivesse acontecido alguma coisa com você?

- é como dizem: “a vida é uma vadia e depois você morre”.

Nesse instante ouvi a porta lá em baixo batendo. Oliver ficou chamando meu nome no telefone, mas fiquei atento ao barulho que eu ouvia lá em baixo. Esperei alguns segundos e ouvi passos na escada.

- Oliver, preciso desligar. Meu pai voltou para casa.

- tudo bem. Me liga depois.

- um abraço.

Desliguei o celular e coloquei em cima da cabeceira e tirei a televisão do mudo e me deitei fechando os olhos. A maçaneta da porta girou se abriu.

- Brian? – falou meu irmão entrando no quarto.

- George? O que está fazendo aqui? – falei me sentando na cama. Não esperava sua visita.

- vim te visitar – falou ele entrando – não posso?

- pode sim.

- você está aqui sozinho?

- meu pai acabou de sair.

- Brian me perdoa por não ter te visitado ontem no hospital, queria muito ter tido tempo de te visitar mas…

- já disse que não teve tempo e eu entendo. Parece que não anda tendo muito tempo nos últimos meses.

- porque está falando assim comigo? Fiz algo com você?

- estou bem George, se quiser voltar para sua clínica fique a vontade.

- não seja tão mal educado Brian! Eu me importo com você.

- olha George, estou muito cansado.

- o que a policia falou? Já sabem quem fez isso com você?

- não.

- o que é isso no seu pescoço? – falou ele se aproximando.

- me deixa em paz George – falei me levantando da cama pelo outro lado.

- o que há com você Brian? Porque está tão chato? Eu sou seu irmão, só quero saber o que aconteceu com você.

- se gosta mesmo de mim me deixa em paz, vá embora como sempre fez e só apareça quando for atacado outra vez ou no meu velório.

- vai se foder Brian – falou ele nervoso – deixa de ser tão babaca e me deixa ver o que é isso no seu pescoço

- já disse que não.

- que droga – falou ele batendo a mão forte na minha cômoda. Minha mochila estava jogada em cima dela e o baque fez com que o saquinho com a metanfetamina caísse no chão.

- o que é isso? – falou ele se abaixando.

- não é nada – falei indo rápido na direção dele, mas infelizmente não cheguei a tempo ele pegou e levou para perto do rosto fazendo a identificação..

- Brian… o que é isso? – falou ele levantando no ar e olhando para mim.

- é só…

- está usando drogas? Pelo amor de deus Brian você não sabe o que isso faz em você? O que isso faz com seu cérebro?

- George elas não são minhas.

- não me faça de idiota Brian. Não nasci ontem.

- por favor não conta pro papai.

- estou decepcionado Brian. Nunca pensei que você fosse esse tipo de pessoa, sempre pensei que você fosse o tipo de homem que falasse sobre seus problemas e não guardava tudo dentro de você afundando cada vez mais com as drogas.

- não se intrometa George. Eu já disse que não são minhas você pode até levar em bora.

- quem fez isso no seu pescoço? Seu fornecedor? Está sem dinheiro.

- já disse pra não se intrometer.

- vou ligar para meu pai agora mesmo – falou ele pegando o celular.

- não vai não – falei avançando na mão dele e arrancando o celular. Dei alguns passos para trás com o celular dele na mão.

Ele se assustou e ficou me olhando espantado.

- o que aconteceu com você Brian?

- por favor George, eu imploro, não conte para meu pai. Ele vai me matar se souber que estou com drogas.

- então você admite que as drogas são suas?

- não coloque palavras na minha boca.

George olhou para o outro lado nervoso e fechou os olhos coçando a testa. Ele sempre fazia isso quando estava tendo uma ideia.

- ok, não falo nada para o papai a menos que você concorde em entrar para uma clínica de reabilitação. Dez semanas devem resolver, não se preocupe, eu pago tudo e o papai não precisará ficar sabendo.

- eu não estou usando drogas George – gritei – porque não confia em mim. Já disse que não são minhas.

- viciados dizem de tudo para esconder e manter seu vício.

- não aguento quando você se faz de intelectual e superior. Você diz isso para os viciados que vão até você?

- do que você está falando.

- estou dizendo que você não tem moral para falar nada comigo, especialmente com sua “profissão”.

- você nunca me desrespeitou desse jeito, você sempre foi compreensivo sobre meu trabalho.

- está na hora de parar de fingir e dizer o que sentimos de verdade – falei dando uma indireta sobre minha sexualidade.

- por favor Brian, não se humilhe. Admita que as drogas são suas. É o primeiro passo.

- Se você é mesmo meu irmão George você vai ter que confiar em mim e pelo menos me dar o beneficio da dúvida. Por favor – falei tentando me acalmar – acredite em mim. Já disse que essas drogas não são minhas. Se você quiser você pode leva-las.

Ele respirou fundo e olhou diretamente para mim parecendo decepcionado.

- tudo bem – falou ele colocando o saquinho com as drogas no bolso.

- obrigado George.

- Brian eu sou médico e apesar de você não concordar com o que faço te digo que também fiz o juramento e vou fazer de tudo para te proteger e te ajudar. Você é meu irmão e eu só quero o seu bem.

- e você está me fazendo o bem George. Esquecer isso é o melhor que você me faz.

- quer saber esquece – falou ele indo até a volta parecendo encabulado.

- se me der licença, estou muito cansado e gostaria de dormir.

- tudo bem, mas será que pode devolver meu celular?

- desculpa – falei entregando o celular de volta – você não vai se arrepender George. Obrigado por confiar em mim.

- sendo assim eu já vou indo – falou ele sem graça. Senti que ele não tinha acreditado em mim, mas torcia para que ele não fizesse nada contra mim e abrisse sua boca.

- obrigado pela visita.

- até mais – falou ele saindo do quarto.

Esperei George ir embora e desci as escadas para preparar algo para comer. Estava morto de fome e preparei um enorme e bem gorduroso sanduiche. Sentei-me a mesa e assim que dei minha primeira mordida a campainha tocou.

- inferno – falei de boca cheia. Coloquei o sanduiche de volta no prato e me levantei indo até a porta.

- quem é? – falei perguntando antes de abrir.

- meu nome é Ethan, sou o policial que está de guarda.

- vou abrir – ao abrir o portão levei um susto ao ver que junto do policial estava Finn.

- desculpa incomodar, mas é que esse homem estava nas redondezas e ele disse que te conhece.

Pela primeira vez senti realmente medo de Finn, mas eu sei que ele não faria nada comigo porque o policial o tinha visto entrar em minha casa. Seria burrice até para ele.

- conheço sim. Ele trabalha comigo.

- desculpa qualquer coisa – falou policial Ethan para Finn.

- não se preocupe policial, só está fazendo o seu trabalho.

- se precisar de mim estou aqui – falou o policial se afastando.

Finn entrou e em seguida fechei o portão e tranquei.

- o que está fazendo aqui?

- não vai me convidar para entrar? – perguntou ele sarcástico.

- mas é claro que não.

- tudo bem – falou se aproximando de mim – se prefere negociar aqui.

- negociar o que?

- não se faça de idiota Brian. Quero meu dinheiro

- você sabia que meu irmão encontrou aquelas drogas? Sabia que ele acabou de sair daqui com o saquinho de droga no bolso? Ele quase me coloca em uma clinica de reabilitação por sua culpa. Ele queria contar para meu pai e se ele tivesse feito isso você seria preso porque eu contaria a verdade.

- é melhor que ele não faça isso porque se isso acontecer você é um homem morto.

- está me ameaçando?

- o que você acha?

- você não pode entrar na minha casa e me ameaçar de morte.

- está muito corajoso pra quem quase morreu envenenado a menos de doze horas. Quem sabe não acontece um outro acidente. É melhor me dar esse dinheiro.

- Depois de ontem todos os policiais estarão na minha cola, você não conseguiria me matar nem se quisesse. Sae eu contasse sobre você para meu pai você acha que eu iria preso? Acorda! Sou filho de um policial. Nem se tivesse algo a ver com essas drogas eu iria preso.

- Você não pode imaginar o tanto de policiais corruptos que existem na policia.

- Incluindo o meu pai.

- desgraçado – falou Finn irritado.

- Não adianta Finn. Não existe nada que possa fazer e pensando bem acho que vou contar logo para meu pai sobre essas drogas.

- você vai se arrepender disso.

- parece que o jogo virou né? – falei abrindo o portão.

- você pode estar protegido – falou ele passando por mim – você tem sorte de ser filho de um, policial, mas seu amigo Oliver ou sua namorada Lucy não tem essa mesma sorte.

- como você conhece eles? fique longe deles.

- Quero meu dinheiro.

Pensei por um tempo e temi pela vida das pessoas com quem eu vivia. Não podia deixar elas correrem riscos.

- me dê alguns dias. Se eu pegar o dinheiro agora posso levantar suspeitas. Tem um detetive investigando toda essa história de envenenamento.

- tudo bem. Você tem três dias para me dar o dinheiro.

- ok.

Finn saiu sem dizer nada e me senti muito bem quando fechei o portão na cara dele. Depois de Finn ter vindo me chatear voltei para dentro e comi o restante do meu lanche. Depois que comi tudo e me senti satisfeito me arrependi, mas George estava certo, drogas fazem mal ao corpo então subi até meu quarto e joguei os comprimidos restantes dentro da privada e decidi parar de vomitar depois de comer. Aquilo estava ferindo a minha garganta.

Depois de ter ingerido venenos e ter quase morrido estava dando um pouco mais de valor ao que eu colocava no meu corpo. Tudo aquilo é tão passageiro.

Na parte da tarde recebi uma ligação inesperada do meu pai. Fiquei surpreso e confesso que fiquei até um pouco feliz por saber que ele estava preocupado com isso, só me perguntava até quando duraria todo esse amor. Era bom finalmente ver ele agindo como um pai e por pelo menos alguns dias esquecendo toda essa história sobre eu ser gay. É doentio o modo como ele se sentia incomodado com os gays. Decidi que pelo menos por essa semana esqueceria essa história toda de ser gay. Faria de tudo para ter uma semana agradável com meu velho.

Por volta dás cinco horas da tarde mais uma vez alguém chegou na porta de casa. Esbarrei no gato antes de chegar na porta de casa. Ele pulou para fora assim que abri a porta.

- quem é? – perguntei chegando no portão.

- detetive Holloway.

- desculpa detetive – falei destrancando o portão e ele entrando.

- sem problemas – falou ele jogando o cigarro no chão e pisando em cima antes de entrar.

- o que trás o senhor aqui? – perguntei enquanto adentrávamos em casa.

- o policial Ethan me informou que um tal de Finnley Vanderbilt veio te visitar hoje.

- veio sim senhor.

O detetive tirou o terno e pendurou no cabide. Detetive Holloway usava uma camisa social azul clara e uma calça social cinza com suspensórios.

- você sabia que ele já foi preso por tráfico? – falou ele atirando a bomba.

- o Finn? – falei fingindo a surpresa. Parece que Cory tinha dito a verdade.

- sim – falou ele olhando para mim – Você não sabia?

- não, eu nunca imaginaria que ele estaria envolvido com essas coisas.

- tem certeza? Pode confiar em mim.

Por alguns segundos eu hesitei e pensei em contar, mas logo pensei em Oliver, Lucy, Ariel e todas as pessoas que eu conhecia que podiam sofrer e se machucar por minha causa.

- tenho sim senhor.

- ok – falou ele olhando em volta e pegando um dos enfeites da cozinha e olhando.

- o senhor aceita algo para beber?

- água, por favor

- temos cerveja.

- não posso, estou em serviço.

- ok – falei indo em direção a geladeira.

Fui até a geladeira e o detetive me seguiu. Enquanto enchia o copo de água ele parou ao meu lado.

- o que aconteceu com seu pescoço? – perguntou ele cochichando.

- eu já disse. Deve ter sido alguma reação alérgica ao veneno – falei entregando copo de água para ele.

- pode confiar em mim – ele disse isso tomando todo o copo de uma vez – obrigado – falou ele colocando o copo em cima do balcão.

- eu confio. Estou dizendo a verdade.

- foi seu pai que fez isso?

- o que? – perguntei assustado – meu pai? Não.

- eu vi como ele olha pra você Brian. Todo o preconceito.

- preconceito? Do que está falando?

Ele colocou a mão direita nas minhas costas, se aproximou de mim e deu um selinho na minha boca.

- o que está fazendo? – perguntei surpreso.

- não precisa fingir comigo – falou ele me dando outro selinho. Dessa vez eu correspondi e coloquei minhas mãos em seu peito enquanto ele me abraçava. Nos beijamos por um bom tempo.

- não posso fazer isso – falei me afastando. Senti como se estivesse traindo Oliver e meu pai. Logo agora que tinha decidido esquecer toda essa “loucura gay” em minha vida.

- porque não? Você tem alguém?

- na verdade não.

- sei como seu pai é Brian, o pessoal do distrito falou bastante sobre como ele te trata.

- então você sabe que se eu fizer isso vou me arrepender certo? Minha vida depende dessa mentira. Se ele descobrir que fiz uma coisa dessas.

- tive um pai como o seu Brian. Exatamente como o seu. Toda a repressão e todo o preconceito.

- o que você fez? – perguntei sentindo o bafo dele no meu rosto – como se tornou esse homem que está aqui e agora me abraçando e me beijando?

- Decidi viver minha vida. Decidi que não valia a pena estragar minha única vida por causa daquele bastardo – falou ele se aproximando de mim – por favor, só me deixe tratar você bem. A tensão sexual é obvia entre nós dois. Porque negar? – ele apertou o corpo dele contra o meu e eu senti um calafrio percorrendo meu corpo.

Gemi sentindo a respiração dele em mim enquanto ele dava beijos no meu pescoço. Dessa vez não hesitei e apenas o abracei e o beijei na boca. Enquanto nos beijávamos passei a mão em seu corpo e ele alisou minhas costas e minha bunda.

Me virei de costas e o detetive me puxou fazendo eu sentir seu pau duro sob a calça. Ele me puxou para mais perto e deu um beijo na minha nuca. Fechei os olhos e gemi de prazer sentindo pela primeira vez um homem me tocar daquele jeito. Era como sentir o toque do próprio deus em meu corpo. Foi como sentir uma luz sendo acesa dentro de mim.

- você tem um corpo maravilhoso – falou ele tocando em minha cintura e subindo até meus ombros.

- sério? Você não acha que eu precise perder peso?

- claro que não – falou ele me virando – de onde você tirou essa ideia?

- eu não sei. Acho meu corpo tão imperfeito e se comparar com…

- para, para, não diz mais nada.

- o que?

- não se compare com modelos ou atores. Se você sente a necessidade de se espelhar e se comparar com alguém, compare sua mente e não seu corpo além do mais seu corpo é perfeito do jeito que é.

- mentira, está dizendo isso só para que me sinta bem.

- não estou mentido. Brian beleza é simetria, se eu quisesse algo perfeito estaria com um boneco de borracha.

- obrigado por fazer eu me sentir melhor.

- Brian, nunca deixe que ninguém tente mudar você ou fazer você se sentir algo que você não é.

Eu dei um sorriso e o abracei dando um beijo na boca dele.

- será que vai doer? – perguntei apreensivo.

- é sua primeira vez?

- sim – falei respirando fundo. Não tinha certeza se queria mesmo isso.

- o que foi? – perguntou ele colocando a mão no meu rosto e me olhando profundamente – não quer fazer isso?

- não sei… é que sempre sonhei com minha primeira vez. Sempre tive essa fantasia de que conheceria algum tipo de herói que me salvaria dessa vida triste e chata, um homem que seguraria minha mão e me diria que o mundo não é assim um lugar tão sombrio e perverso. Um homem que me amaria incondicionalmente e tentaria fazer eu me sentir melhor pelo o que sou. Sempre pensei que me entregaria para essa pessoa – dei uma risada quando disse isso – sei que é bobeira, parece até a sinopse de um filme infantil – falei rindo envergonhado.

- não se preocupe – falou ele dando um selinho na minha boca – não tenha vergonha de ser vulnerável. Isso não faz de você fraco, faz de você humano. Chorar não faz de você menos homem, faz de você mais humano.

- tudo bem – fale rindo tentando espantar a tristeza.

- Brian, meu trabalho é descobrir quem tentou te envenenar, meu trabalho é me encarregar que a pessoa que tentou te envenenar não tente fazer isso outra vez. Meu trabalho é fazer você se sentir seguro e protegido. Quando não se sentir dessa forma é meu trabalho aparecer e fazer você se sentir em uma fortaleza. Não sei se essa descrição se encaixa, mas eu sou meio que seu herói agora – falou ele rindo.

- é sim – falei olhando para a boca dele e depois para seus olhos.

- viu só? Nossos sonhos podem se realizar. Podem não ser tão bonitinhos como nos filmes infantis, mas se reparar bem não verá diferença entre um príncipe encantado e eu.

- acho um príncipe não faria eu me sentir como você está fazendo eu me sentir. Obrigado – falei fechando os olhos e abraçando-o.

Nós não dissemos mais nada um para o outro e deixamos que nosso corpo falasse por nós. Depois de mais abraços e beijos segurei em sua mão e o guiei até as escadas. Subimos em silêncio e ao chegar ao topo levei-o até meu quarto.

Comentários

Há 2 comentários.

Por em 2014-06-21 23:54:52
Posta outro capítulo logo estou ansioso
Por ThiagoAraújo em 2014-06-20 19:09:07
Eita Sera que o pai dele vai chegar