S01E02

Conto de Misteryon McCormick como (Seguir)

Parte da série Torniquete

CAPÍTULO DOIS

Medo do Desconhecido

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Depois que eu guardei o envelope cheio de dinheiro dentro da mochila e ao sair do elevador eu atravessei o saguão e logo cheguei do lado de fora da empresa. Eu atravessei a rua e fui para o bar e restaurante que se chamava “HEAVEN ON EARTH”. Eu entrei e algumas pessoas já estavam tomando suas geladas. Eu fui até o balcão e pedi uma cerveja bem gelada. Assim que chegou eu dei um gole. Como era gostoso tomar um gole de cerveja depois de um dia cheio de trabalho.

A televisão estava ligada e tinha um homem sentado ao meu lado. Passava uma reportagem sobre as prostitutas que tinham sido presas na noite anterior e esse homem começou a puxar conversa comigo.

- é engraçado né? Um monte de garotas bonitas usando o corpo para ganhar dinheiro.

- pois é.

- se eu descobrisse que minha filha trabalhasse disso…

- eu daria uma surra na minha filha – falei tomando um gole da cerveja.

- uma surra? – perguntou o homem olhando para mim – eu a tiraria dessa vida. Sabe, eu não sei o que leva a pessoa a vender seu corpo, mas com certeza existem pessoas bem piores por ai. Eu não bateira em minha filha por vender seu corpo. Existem pessoas por ai que vendem a alma. Pessoas que fazem coisas horríveis por dinheiros, matam, estupram, roubam, mentem. Essas pessoas sim merecem uma surra.

Eu comecei a refletir sobre o que ele tinha dito. Eu não era diferente daquelas garotas. Eu era pior do que elas. Eu tinha vendido minha alma como disse aquele homem sentado ao meu lado que estava apreciando sua cerveja. Percy tinha passado a perna em mim. Ele tinha virado o jogo, se por acaso acontecesse algo ele poderia jogar aquele dinheiro na minha cara e eu estaria sendo chantageado toda a minha vida.

- sinto muito – falei arrependido do que tinha dito.

- sem problemas – falou ele tomando um gole

Eu bebi duas garrafinhas de cerveja e na hora de pagar eu usei meu próprio dinheiro. No dia seguinte eu devolveria o dinheiro para Percy porque eu não estava me sentindo bem por aceitar aquele dinheiro. Eu tinha um pacote pesado de dinheiro e o peso que eu sentia não era na mochila e sim na consciência.

Eu peguei um taxi em frente ao bar para ir até a faculdade. Ao chegar lá eu entrei pelos portões e atravessei o estacionamento até chegar nos blocos e logo cheguei na minha sala. Estava no sétimo período de administração e tinha acabado de voltar das férias de verão. Estava ansioso por mais um ano letivo.

Ao entrar na sala reconheci alguns rostos e cumprimentei algumas pessoas. Minha namorada estava sentada no meio da sala de aula e eu me sentei ao lado dela.

- oi Brian – falou ela com um sorriso.

- oi Lucy – falei me sentando ao lado dela e dando um beijo na boca dela

- Brian eu quero pedir desculpas pelo fim de semana – falou ela segurando minha mão.

- pelo o que?

- eu devia ter te respeitado, eu não queria ter tentado sabe…

- sem problemas.

- eu respeito sua religião e se você acha que devíamos esperar até o casamento… é isso que vai acontecer.

- obrigado por respeitar – falei para ela.

Lucy e eu namorávamos a mais de três anos. Ela é uma garota bonita, pele morena, cabelos negros e um corpo de dar inveja, só que eu não conseguia ficar excitado com ela. O problema era esse: eu achava ela bonita, mas não achava ela gostosa. Na verdade eu ficava desconfortável quando ela me tocava. Eu não me sentia seguro sobre isso, eu não queria forçar o sexo e na hora “h” não conseguir e ser taxado como viado e ser mal falado na faculdade. Então inventei uma história sobre minha religião e que eu tinha muito respeito por ela e que só faria sexo depois do casamento.

- nossa turma de administração vai se juntar com outra que está terminando também.

- sério? – perguntei encabulado.

- sim. Parece que ouve muitas desistências e eles irão juntar todas em uma sala só.

- é sempre assim. No começo do curso eram duas salas cheias, agora mal conseguem encher uma.

- muita gente desiste – falou ela virada para mim com as pernas cruzadas.

- verdade, tem horas que eu mesmo sinto vontade de desistir.

- deixa de ser bobo. Falta só um ano e logo estaremos formados.

- eu sei.

As vezes eu sentia vontade de desistir por causa do meu pai. As vezes eu tinha vontade de morar na rua porque não aguentava ficar na mesma casa que ele. Apenas o olhar de reprovação dele me machucava, mas apenas disso ele é meu pai. Ele pode ser carrasco, mas é meu pai.

Meu irmão mais velho, Brian sempre aparecia lá em casa de vez em quando. George tinha puxado mais a minha mãe. Ele tem cabelos loiros e olhos claros. Eu por outro lado puxei meu pai com meus olhos castanhos e cabelos pretos. Meu irmão se preocupava comigo e nós sempre conversávamos sobre garotas e ele perguntava sobre meu pai e como ele me tratava e dizia que se um dia quisesse sair de casa eu poderia viver com ele, mas eu não me atreveria a isso porque a esposa dele é uma vadia sem coração e eu não suportava ficar no mesmo ambiente que ela por mais de dois minutos.

As vezes eu cogitava mesmo aceitar essa oferta, mas a esposa de Brian não ia com a minha cara então não faria diferença, eu sairia de uma armadilha para cair em outra.

Nossa sala estava praticamente vazia. Eu contei apenas dezessete alunos. Algumas caras novas e outra que eu já conhecia. O meu professor de calculo Sr. Morris era nossa primeira aula.

- boa noite – falou ele colocando algumas coisas que ele tinha trazido consigo em cima da mesa.

- boa noite – respondemos em coro.

- eu sou o seu professor de calculo e vou estar com vocês nesse semestre, alguns já me conhecem, mas para aqueles que não tiveram aulas minhas eu me apresento: meu nome é Logan Chrystie Morris, mas podem me chamar apenas de Logan.

Logan tinha me dado algumas aulas extracurriculares no semestre passado quando estava com dificuldade em outras matérias. E ele era uma das pessoas que despertavam esse desejo sexual em mim. Ele aparentava ter uns quarenta e cinco anos, cabelo e barba grisalhos. Eu tinha ficado feliz e triste ao mesmo tempo quando recebi o e-mail da faculdade dizendo o nome dos nossos professores do sétimo período. Eu já estava confuso o bastante sobre esses sentimentos e tinha medo de não conseguir me segurar e meu pai acabaria descobrindo. Eu estaria jogando meu futuro no ralo e eu não deixaria isso acontecer.

- com licença – falou um garoto entrando pela porta.

- pode entrar Oliver – falou professor Logan para o garoto.

Ninguém deu muita atenção a esse garoto que entrou e eu não fui diferente. Talvez eu nem o tivesse notado se ele não tivesse se sentado na fileira ao lado da minha, duas cadeiras a frente.

Minha intenção era de apenas olhar para ele rapidamente e olhar para o professor de volta, mas quando eu olhei para ele eu tive que continuar olhando. Esse garoto era alto. Tinha mais ou menos 1 metro e 90 de altura. Ele era branco e tinha uma barba rala no rosto, suas bochechas rosadas eram acinzentadas pela barba que começava a nascer. Ele tinha um corpo definido e suas mãos eram grandes. Um corpo normal de um rapaz de vinte e poucos anos ou talvez mais. Sua boca era grande e seus cabelos negros eram arrepiados e tinha um volume razoável. Professor Logan disse alguma coisa engraçada e todos deram risada e esse garoto de uma risada de lado mostrando seu sorriso. Ele estava largado na cadeira escrevendo algo no celular e colocou em cima da mesa.

- hey você – falou o professor Logan para mim.

Eu levei um susto.

- o que você acha do que eu acabei de dizer?

- o que o…

- eu sei que você não me ouviu, parece que está mais interessado em algo do lado de fora dessa sala – falou ele olhando para fora. Nesse momento o garoto de nome Oliver olhou para mim e deu um meio sorriso e em seguida voltou a olhar para o professor.

- seja lá o que for tente prestar atenção em mim, eu posso ser um colírio também.

Todos riram, inclusive eu. Eu geralmente não ficava hipnotizado assim por um homem. Não sei se foi o jeitão de garoto largado com barba mal feita ou o sorriso de lado que me encantou, mas algo me chamou a atenção e quase que eu fui pego.

Mais uma vez aqueles sentimentos explodiam dentro da minha calça e eu tentei esquecer aquilo e prestar atenção na aula.

Ás 20:30 nós tínhamos um intervalo de trinta minutos e eu estava morto de fome e fui junto com Lucy para a lanchonete dentro da faculdade para comer algo.

Nós escolhemos algo para comer e nos sentamos. Eu estava pensativo. Eu estava pensando em várias coisas que tinham acontecido naquele dia: O homem no banheiro, Finn, Lilith traindo Leon, Percy me dando dinheiro, o garoto na sala de aula… enfim. Eu pensava em uma infinidade de coisas. Acho que Lucy percebeu que eu estava pensativo e ela me despertou desse transe com um beijo no rosto e segurando minha mão em cima da mesa.

- está pensando no que?

- em nada – falei forçando um sorriso.

- você conhece aquele garoto?

- que garoto?

- aquele que você ficou encarando na sala. Eu percebi que você ficou meio hipnotizado olhando para ele.

- não é nada… é que… eu achei que conhecia ele.

- a bom. Eu tive a impressão mesmo que você o conhecia porque você olhou ele por tanto tempo. Os outros cara da faculdade já acham que você é gay porque nós nunca transamos se eles verem você encarando outro homem desse jeito os boatos só vão aumentar.

- como eles sabe quem não transamos?

- eu posso ter comentado com minhas amigas e elas podem ter contado para os namorados.

- que coisa Lucy, eu pedi para não contar para ninguém sobre isso – falei nervoso.

- me desculpa, eu sei que você não é gay só estou avisando para o seu bem. Não quero que sofra preconceito por uma coisa que você não é.

- ok – falei forçando um sorriso e dando um selinho na boca dela.

Logo a garçonete nos entregou nossos lanches e nós comemos tomando Coca-Cola.

Para meu azar o tal garoto chamado Oliver resolveu se sentar uma mesa na nossa frente. Mais uma vez ele deu uma olhada para mim com o canto do olho, mas dessa vez sem sorriso. Ele estava sério.

Eu realmente precisava parar com isso porque podia apanhar por ficar encarando os outros homens. Eu sempre achei que o colegial era o término dos dias de cão, mas a verdade é que a faculdade é exatamente do mesmo jeito. As panelinhas existem, os grupos divididos e até uma “hierarquia babaca” criada por aqueles que pegavam as mais gostosas e eram mais ricos. Eu então parei de olhar para ele e olhei para Lucy e tentei olhar só para ela. As vezes era difícil controlar para quem eu olhava.

Depois do intervalo nós voltamos para a sala de aula e tivemos aula com a psicóloga Marsha Wallace que era minha professora.

Nós assistimos a cenas de vários filmes durante a aula dela. Cenas de “Tempos Modernos” e “Diabo veste Prada”. O bom da faculdade é que você não escrevia muito a maioria do material de estudo era fotocópias. Apenas algumas anotações eram feitas de vez em quando. Em três anos de faculdade eu estava usando o mesmo caderno.

A faculdade acabava ás 22:45, mas eu costumava sair ás 22:30 para pegar um ônibus que passava nesse horário para conseguir chegar em casa. No começo foi difícil me acostumar a acordar cedo e ir dormir tarde. Nas primeiras semanas eu dormia na sala de aula.

- amor você espera meu pai comigo hoje? ele pode te dar uma carona.

- tudo bem – falei forçando um sorriso.

Nós continuamos a aula e eu não via a hora de ir embora.

- vejo vocês amanhã – falou a professora se despedindo dos alunos ás 22:40. Eu me levantei da cadeira e me espreguicei antes de pegar minha mochila.

Nós saímos da sala e fomos para o estacionamento da faculdade. Nós nos sentamos abraçados e ficamos esperando o pai dela chegar. Depois de um tempo ele finalmente chegou.

O pai dela se chama Jeffrey e ele sempre busca ela depois da faculdade.

- boa noite Sr. Hayes – falei me levantando e abrindo a porta do carro para Lucy.

- bom dia Brian, tudo bom com você? – falou ele apertando minha mão.

- tudo ótimo.

- quer uma carona até em casa?

- não obrigado, é muito contra mão.

- vem Brian ele não se importa não é pai? – perguntou ela olhando para ele.

- eu vou pegar um taxi, podem ir para a casa descansar tenho certeza que o senhor trabalhou o dia todo.

- você é um bom rapaz Brian, espero algum dia poder conhecer seu pai.

- o senhor sabe… vida de policial – falei tentando desviar o assunto.

- como é o nome do seu pai Brian?

- Murphy.

- qual o sobrenome dele?

- Knox, Bedford Knox.

- onde ele trabalha?

- no departamento de policia de Los Angeles na Rua 67, Nº19.

- Murphy Bedford Knox – falou ele com um sorriso – eu vou procura-lo no departamento de policia, quem sabe não o convenço a sairmos para nos conhecermos. Afinal vocês namoram a mais de três anos.

- talvez o senhor tenha mais argumentos do que eu – falei forçando um sorriso. A verdade é que eu não queria que eles se conhecessem porque o próximo passo seria os dois ficarem nos pressionando para casar e eu não sabia se queria isso.

- até mais Brian.

- até – falei me despedindo.

Eu não tinha dinheiro para pegar taxi e eu não gastaria o dinheiro que Percy me deu. Eu nem abriria o pacote. O jeito era ir até onde desce e se não tivesse opção ligar para meu pai me buscar o que o deixaria rabugento afinal ele trabalhou o dia inteiro.

Eu estava pronto para ir ao ponto de ônibus, mas antes precisava ir ao banheiro mijar. Eu estava apertado. A faculdade não estava completamente deserta porque algumas pessoas aguardavam os pais, namorados ou amigos virem os buscar.

Eu entrei no banheiro e assim que comecei a mijar eu gemi sentindo um alivio. Parecia que eu ia estourar. Depois que mijei fui até a pia para lavar minhas mãos e enquanto secava com os papéis toalhas dois caras entraram no banheiro. Eram os namorados das amigas de Lucy. O maior e mais forte se chamava Ely, era branco e tinha o corpo bem musculoso o outro era mais baixo, mas era invocado e metido a fodedor e seu nome era Trevor.

- e ai Brian? – falou Ely estendo a mão para que eu apertasse, mas quando eu segurei a mão dele Ely torceu meu braço virou meu braço e me imobilizou.

- está me machucando – falei com medo de me mover e quebrar meu braço.

- relaxa irmão é só brincadeira – falou Trevor tirando o pênis para fora e começando a urinar.

- então? Ainda não comeu a Lucy é? – perguntou Ely.

- minha religião…

- a Lucy é muito gata e se ela me der mole eu traço ela de jeito – falou Ely rindo – esse papo de religião é coisa de viado.

Trevor gargalhou.

Em seguida Ely me soltou. Eu fiquei massageando meu braço pois tinha dado um mal jeito. Eu tinha que sair de lá de algum jeito.

Ely foi mijar e Trevor veio até mim.

- o que tem nessa mochila? Revista pornô gay? – falou ele rindo.

- só meu material – falei olhando para fora do banheiro – eu já vou se não perco o ônibus.

- relaxa ferinha, pra que a pressa? – falou Trevor passando a o braço por trás de mim – me mostra o que tem nessa mochila.

- deixa eu ver – falou Ely lavando a mão e eu tirei a mochila das costas e entreguei para ele.

Ele abriu e para meu azar viu o pacote.

- puta merda o que é isso aqui? – perguntou Ely jogando a mochila no chão com o pacote na mão – cara você assaltou um banco?

- esse dinheiro não é meu. É do meu chefe – falei estendendo a mão. Eu estava tremendo, eu não podia perder aquele dinheiro ou ficaria devendo uma para Percy até o fim dos meus dias.

- cara você não pode andar com tanto dinheiro assim, nós vamos guardar pra você.

- por favor, me devolve – falei dando um passo tentando pegar, mas Trevor me empurrou.

- calma ai Brian, vai fazer o que com tanto dinheiro assim? – perguntou Trevor pegando o pacote na mão –vai fazer o que? Pagar um monte de caras pra transar com você?

- como eu disse, nós vamos guardar para você – falou Ely pegando a mochila dele para colocar o dinheiro dentro.

- por favor me devolve – falei com raiva.

Nesse momento Oliver entrou no banheiro.

- o que é isso? – perguntou ele.

- não é nada – falou Ely – só estamos conversando com nosso amigo aqui.

- mentira, ele roubaram meu dinheiro, por favor me devolve não é meu.

- devolve o dinheiro dele – falou Oliver.

- vai fazer o que grandão? Vai me obrigar?

- cara na boa, devolve o dinheiro dele.

- não estou a fim.

- se não devolverem eu derrubo os dois e chamo a policia. Eu posso apanhar, mas seguro os dois tempo suficiente para que a policia chegue. Vocês que escolhem.

Ely olhou para Trevor e jogou o pacote no chão.

- ok – falou Ely colocando a mochila nas costas – valeu por dedurar a gente boiola.

Trevor e Ely saíram do banheiro e eu me abaixei e peguei o pacote e coloquei dentro da mochila.

- obrigado – falei fechando a mochila e colocando nas costas.

- está tudo bem?

- estou sim – falei me virando para sair do banheiro.

- me espera, eu vou com você caso aqueles dois palhaços estejam lá fora te esperando.

- não precisa.

- deixa eu só tirar uma água do joelho – falou ele se virando para o mictório e em seguida eu ouvi o barulho da urina caindo.

Eu cocei a garganta e olhei para outro lado, ficando de costas pra ele. Eu ouvi o barulho da fivela dele batendo quando ele sacudiu o “amiguinho” antes de guardar na calça.

Eu sai do banheiro e esperei ele lavar a mão e em seguida ele saiu do banheiro com um caderno na mão. Isso é tudo o que ele tinha levado para a faculdade. Um caderno e duas canetas.

Nós então começamos a andar em silêncio pelo corredor da faculdade.

- onde você mora?

- no lado Oeste da cidade, próximo a estação da rua Flynt.

- nossa, você está longe.

- pois é.

- você vai de que?

- ônibus.

- se quiser eu te dou uma carona.

- não precisa, eu vou até onde der e meu pai pode me buscar no resto do caminho.

- tudo bem, mas eu vou te levar até o ponto e vou esperar você ir.

- não precisa…

- você não deveria andar com tanto dinheiro assim sabia? É perigoso.

- eu sei, eu fui um idiota.

Nós atravessamos o estacionamento da faculdade e logo chegamos a entrada. O ponto de ônibus ficava do lado direito a mais ou menos dez metros. Nós andamos em silêncio até lá.

- pode ir embora, daqui eu pego o ônibus e vou pra casa.

- você está com esse monte de dinheiro e quer ficar aqui sozinho? Olha em volta cara, está deserto. Se quiser eu vou embora, mas eu aconselho a aceitar minha companhia.

- tudo bem, me desculpe. Pode ficar se quiser é só que eu não quero incomodar.

- não está incomodando.

- nós ficamos em silêncio por mais um tempo. Passavam apenas alguns carros na rua e os que passavam deixava um rastro de vento congelante. Eu queria conversar com Oliver, mas eu tinha medo de dizer alguma coisa errada e eu estava travado. Eu não queria que ficássemos só em silêncio, mas não conseguia dizer nada. Eu pensava em dizer, mas eu sentia um frio na barriga e nada saia.

Oliver então enfiou a mão no bolso e tirou uma carteira de cigarros.

- aceita?

- não obrigado, eu não fumo.

Ele colocou um cigarro na boca, guardou a carteira e acendeu com o isqueiro e deu a primeira tragada e assoprou a fumaça de lado.

- ainda bem que a minha namorada não estava aqui. Se ela me visse daquele jeito ia me acha um idiota – falei logo na minha namorada que era para ele perceber que eu não queria nada com ele. A última coisa que eu queria era ganhar fama de bicha na faculdade.

- que isso – falou ele coçando a barba – nem todos somos selvagens. Ela não pode te culpar por não ser um babaca como eles – falou ele colocando o cigarro na boca dando uma tragada e em seguida assoprando a fumaça.

- eu sei, mas é que eu não quero ter má fama na escola sabe.

- má fama?

- sim.

- entendo. Nem parece que é a faculdade né? Se fecharmos os olhos não vamos ver a diferença entre isso daqui e o colegial.

- é o que eu sempre digo – falei rindo – não importa o local é sempre uma selva.

Nós ficamos mais um pouco em silêncio e já que ele tinha conversado comigo não tinha problema conversar com ele e perguntar sobre ele.

- seu nome é Oliver?

- sim, o seu é…

- Brian – falei estendendo a mão e ele apertou.

- muito prazer Brian.

- você fez o curso todo aqui nessa faculdade?

- sim.

- engraçado eu nunca tinha te visto.

- eu também não. A faculdade é muito grande, talvez até tenhamos, mas não gravamos o rosto um do outro afinal são muitas pessoas para guardarmos na memória.

- verdade – falei bocejando – quantos anos você tem?

- tenho vinte e sete.

- mentira, sério?

- sério. porque?

- você tem cara de ser mais novo. Eu te daria no máximo vinte e cinco anos.

- você tem quantos anos?

- tenho vinte e um.

- eu já tive vinte e um anos a muito tempo atrás – falou ele assoprando a fumaça e coçando o rosto – sou bem mais velho que você.

- não muito. Só oito anos de diferença e se pensar bem somos quase da mesma idade.

- verdade.

Oliver Jogou o cigarro no chão e pisou em cima assoprando a última fumaça para o alto.

- está demorando – falou ele.

- pois é – falei cruzando os braços – o pior é que está muito frio.

- muito – falou ele colocando as mãos no bolso da calça jeans preta que ele usava. Ele estava com camisa branca de manga curta. Ele estava na pior. Eu pelo menos estava com uma camisa social de manga longa.

- é sério pode ir embora eu vou ficar aqui quietinho. Eu estou te atrapalhando e te fazendo passar frio.

- Até mais – falou ele se virando e começando a voltar para a faculdade.

- ok – falei olhando para o outro lado.

- você achou mesmo que eu fosse? – perguntou ele rindo e voltando para o lugar onde estava.

- achei – falei sério.

- você não costuma rir muito né?

- já deu pra perceber? – falei forçando um sorriso.

- sim. Você vive rindo, mas seu sorrisos são falsos. Sem querer ofender, mas você força muito seus sorrisos.

- não ofendeu, é a verdade. Eu não costumo sorrir.

- procure sorrir mais.

- vou sim, vou tentar ser como você.

- como eu? – perguntou ele com uma cara séria levantando a sobrancelha direita.

- sim, você sorri bastante e além do mais tem um sorriso bonito.

- obrigado – falou ele sarcástico e em seguida ele rui da minha cara.

Só depois que percebi o sarcasmo na voz dele é que eu percebi que tinha acabado de elogiar o sorriso de outro homem.

Eu sabia. Eu não perdia nada por ficar calado, toda vez que abria minha boca só saia merda e eu fazia burrada.

- cara, eu posso te perguntar uma coisa? – perguntou ele com um sorriso no rosto olhando pelo canto do olho.

- pode – falei sentindo um frio na barriga. Será que ele faria pergunta que eu tanto temia?

- você é gay?

- eu… - dei uma risada sem graça e cocei o rosto olhando para a rua. Eu acompanhei um carro que passou com os olhos – eu não sou gay – falei dando um soco de leve no braço dele tentando disfarçar – foi mal falar do seu sorriso, eu sei que isso é viadagem… - Oliver me interrompeu com um beijo na boca. Ele me deu um selinho e segurou minha nuca com sua mão esquerda enquanto a mão direita alisava meu braço.

Ele olhou no meu rosto e senti seu bafo quente no meu rosto. Eu pensei que ele fosse me soltar, mas dessa vez ele me deu outro selinho e em seguida um beijo de língua. Minhas mãos tremiam. Eu não sabia o que fazer. Não sabia se ficava parado, se o empurrava ou o abraçava. Eu só sei que correspondi o beijo e pela primeira vez na vida estava beijando um homem.

Eu tinha sonhado com esse momento toda a minha vida, mas tenho que admitir que beijar um de verdade era melhor do que meus travesseiros.

Mais uma vez ele parou de me beijar e ficou me olhando e eu senti seu bafo no meu rosto.

- você é gay? – perguntou ele.

- não – respondi.

Ele então me deu um selinho na boca.

- você é gay?

- não – respondi de novo.

Dessa vez ele me beijou de língua e usou suas mãos para levar as minhas até a ele. Ele levou as minhas duas mãos até o ombro dele e deixou lá. Ele segurou na minha cintura com as duas mãos e ficamos nos beijando. Minhas mãos tremiam. Eu levei a mão esquerda até o pescoço dele, mas senti uma aflição e levei de volta ao ombro.

Oliver parou de me beijar e olhou pra mim outra vez.

- tem certeza que você não é gay? – perguntou ele em um tom brincalhão – ele agora tinha um meio sorriso no rosto.

Eu não disse nada.

- é sério, eu estou te perguntando, você tem certeza que não é gay? Você beija tão gostoso – falou ele me dando um selinho.

- eu beijo gostoso? – perguntei ignorando a pergunta anterior.

- beija – falou ele lambendo os lábios, pode melhorar um pouco, mas pra começar está ótimo. Eu posso ser sue professor se quiser.

Eu então lembrei do meu pai e dei um passo para trás.

- o que foi?

- é uma longe história…

- me conta.

- é que meu pai é policial e ele disse que colocou os amigos na minha cola pra saber se eu sou gay.

- e você é gay?

- o que você acha? – falei olhando para ele.

Eu coloquei a mão no meu coração e senti ele batendo forte igual a hoje cedo quando corri na chuva. Minhas pernas tremiam e eu estava sentindo algo dentro de mim. Acho que é isso que se sente quando você finalmente realiza um sonho.

- você está bem? – perguntou ele.

- estou – falei respirando fundo.

- será que eu posso te levar em casa? Pelo que me parece não vai passar ônibus aqui tão cedo e se passar tenho certeza que vai ficar preso no meio do caminho.

- ok.

- vamos então – falou ele indo em direção a faculdade e eu o segui. Nós entramos e atravessamos o estacionamento. Eu estava com vergonha e animado. Eu não sabia se olhava para a cara dele e puxava assunto ou Saia correndo. Essa era minha primeira experiência homossexual, a primeira vez que eu beijo um homem e eu senti algo que eu nunca senti beijando Lucy durante três anos. Tudo o que eu queria fazer era continuar beijando. Espero que eu não tenha aberto uma porta que não possa mais ser fechada porque apesar do beijo ter sido ótimo, meu pai ainda me mataria se descobrisse.

Comentários

Há 1 comentários.

Por Ryan Benson em 2014-06-07 22:36:40
mto bom!! Esperando o próximo capítulo :)