S01E01

Conto de Misteryon McCormick como (Seguir)

Parte da série Torniquete

CAPÍTULO UM

Apenas Mais Um Dia de Sol

________________________________________

O dia mal tinha começado e eu já estava suando como se estivesse caminhando sob o sol do meio dia. Parecia que eu era a única pessoa a caminho do trabalho porque o restante passava por mim fazendo caminhada e exercícios.

Eu não moro no centro de Los Angeles, na verdade, eu moro bem longe. É praticamente uma viagem quando se pega o ônibus e como eu tenho costume de ir de ônibus eu sempre descia propositadamente longe da empresa para fazer um pouco de caminhada. Eu não tinha muito tempo durante a semana.

Eu olhei para o lado esquerdo e vi as ondas quebrando no mar. Eu quase fiquei cego tentando olhar direto para o sol.

- que merda – falei pegando meus óculos escuros e colocando no rosto. Eu sempre me esquecia de coloca-los quando descia do ônibus.

Eu levantei o rosto bem devagar sentindo o sol na minha pele e a brisa no meu rosto. Confesso que esse clima tropical não era o meu preferido. Eu sempre tive uma quedinha por chuvas e o clima frio e meu sonho era poder sentir a neve um dia. Talvez eu goste de chuva porque quando está chovendo eu posso ficar trancado o dia todo no meu quarto lendo, escrevendo ou assistindo televisão. Eu sempre me esforçava ao máximo para evitar meu pai e sua “maravilhosa” companhia. Eu sentia a falta dele com toda a certeza. Sentia falta daqueles dias em que éramos tão próximos e mesmo quando não dizíamos nenhuma palavra, estar perto um do outro era o suficiente. Esses dias tinham se acabado e quanto mais rápido eu aceitasse melhor. Eu sentia falta da minha mãe de tempos em tempos. Eu sempre achei injusto o que ela fez comigo. Ter me abandonado me machucou muito.

Hoje começa o meu último ano na faculdade e eu estava feliz por finalmente terminar o meu curso. Eu ainda não tinha ideia do tipo de empresa eu gostaria de ter, mas eu estava sempre analisando as opções. Eu tinha prometido a mim mesmo que quando terminasse o curso eu já teria um plano que eu gostaria de seguir. Já havia se passado três anos e eu ainda não tinha nenhum plano, nem uma meta, nem uma luz no fim do túnel. Eu estava completamente sem inspiração.

Eu venho juntando dinheiro desde que comecei a trabalhar para poder ter um lugar para morar. Não é o suficiente para comprar algo, mas eu posso alugar por um tempo.

No caminho do trabalho tem uma panificadora e é lá que eu gosto de tomar meu café da manhã. Eu entrei tirando os óculos escuros e fui para a fila. Eu olhava para o painel a minha frente escolhendo o que pediria.

- bom dia – falou a atendente.

- bom dia, eu gostaria de…

- deixa eu adivinhar, o senhor quer um pão doce e um copo de cappuccino.

- exato – falei rindo – eu sou assim tão previsível?

- muitos clientes vem aqui diariamente e eu acabo decorando o que cada um pede.

- então eu acho que nem preciso pedir.

- é pra já – falou ela preparando meu pedido.

Eu me dirigi a uma das mesas e me sentei. Eu olhei pelo vidro lá fora e apreciei a paisagem esperando meu pedido. A padaria estava cheia, aparentemente ela é muito popular, especialmente porque do outro lado ficava a praia.

Não demorou muito para que a atendente trouxesse o meu pedido.

- muito obrigado – falei agradecendo.

A atendente se virou para ir embora e acabou esbarrando em um homem.

- perdão – falou ela.

- sem problemas – falou o homem de terno com um sorriso para ela – você pode me trazer uma xícara de café?

- sim senhor – falou ela olhando para ele com uma cara de safada. Ele encarou a bunda dela e olhou para mim como se estivesse pedindo uma nota para aquele rabo gigantesco. Eu apenas dei um sorriso e acenei com a cabeça como se estivesse aprovando e em seguida dei uma mordida no meu pão doce e tomei um gole do cappuccino.

O homem de terno se sentou na mesa ao lado da minha e abriu um jornal. Eu dei outra mordida no pão doce e pelo canto do olho percebi que ele estava olhando para mim, como reflexo eu olhei para ele, mas seu olhar foi desviado rapidamente para o jornal. Eu achei aquilo estranho, mas logo eu parei de prestar atenção. Alguns poucos segundos depois mais uma vez eu o peguei me encarando e dessa vez eu olhei rapidamente, mas ele simplesmente desviou um olhar com o sorriso.

Eu fiquei intrigado com o que estava acontecendo, mas nesse instante o homem olhou para mim e ficou me encarando. Nós ficamos nos olhando por um certo tempo até que a atendente trouxe uma xícara de café para ele. Nesse momento paramos de nos olhar.

- muito obrigado – falou ele para a atendente.

- por nada, se precisar eu estou aqui.

- talvez eu precise mais tarde.

- esse é meu número – falou ela anotando em um guardanapo – eu saio ás 17:00. É só me ligar.

- pode esperar – falou ele com um sorriso guardando no bolso da camisa.

Ela se foi e ele olhou para mim.

- gostosa, não?

- muito – falei dando outra mordida no saboroso pão doce – você tem sorte.

- porque? Você não tem sorte?

- muito – falei mostrando uma aliança no meu dedo – namorada, faz três anos.

- que bom – falou ele tomando um gole da xícara – ela é gostosa?

Eu achei a pergunta dele um pouco desapropriada, mas levei numa boa.

- muito, morena e tem um corpão.

- que bom pra você – falou ele tomando outro gole.

- obrigado.

Eu voltei a me concentrar no que comia e em seguida ele tomou o último gole da xicara e chamou a atendente. Ele jogou uma nota em cima da mesa e a atendente apareceu.

- vocês tem banheiro? – perguntou ele para ela.

- temos sim, é no fim do corredor – falou ela apontando para a esquerda.

- obrigado – falou ele se levantando - tenha um bom dia – falou ele olhando para mim.

- pra você também.

O homem desapareceu e eu terminei o pão doce e aproveitei para pedir o segundo afinal segundo meu relógio ainda faltava vinte minutos para meu expediente. Eu não conseguia resistir a todo o açúcar daquela iguaria. Depois que comi eu deixei o dinheiro em cima da mesa e peguei a mochila que eu carregava comigo e coloquei nas costas. Antes que eu pudesse sair pela porta eu senti uma vontade enorme de ir ao banheiro e como eu ainda tinha uma longa caminhada até o meu trabalho eu decidi ir de uma vez.

Eu voltei e segui pelo corredor e fui até o banheiro. Ele estava deserto e as luzes brancas iluminavam os azulejos azuis. Eu fui até um dos mictórios e retirei meu pau para fora e dei uma mijada. Eu até suspirei de alivio. Eu o sacudi e em seguida fui até a pia para lavar as mãos.

- pensei que você não fosse vir – falou alguém atrás de mim. Eu olhei pelo reflexo do espelho e o homem abriu a porta de um dos boxes.

- o que? – perguntei intrigado.

- eu quase desisti de te esperar.

- você o que? – falei me virando e foi quando eu vi que ele estava com as calças e a cueca abaixada.

- o que você está fazendo?

- por favor, não de uma de que não sabe de nada. Eu vi seus olhares.

- espere – falei rindo – você entendeu errado. Eu não sou gay.

- para de frescura e vem logo. Eu já vou chegar atrasado para o meu compromisso o mínimo que eu quero é uma chupada.

- cara, me respeita eu já disse que não sou gay – eu me virei para o espelho e lavei meu rosto.

- quer saber? – falou ele levantando a roupa e se vestindo – você não merece chupar meu pau de vinte e três centímetros – ele começou a fechar o cinto e vir em minha direção – Eu só fiquei imaginando que essa boca bonitinha ficaria linda com meu pau enfiado nela, mas agora que eu estou vendo de perto você realmente não deve ser gay – ele ficou ao meu lado e arrumou a gravata – muitos gays gostam de gordinhos, mas não é minha praia – ele falou isso olhando meu corpo de cima em baixo e depois ou olhou no meu rosto com um sorriso sarcástico e saiu do banheiro.

Eu olhei para meu reflexo no espelho e coloquei a mão na barriga e respirei fundo. Eu me virei para o box com a porta aberta e pensei nos dois pães doces que eu tinha comido naquela manhã.

Eu entrei no box, fechei a porta e abri a tampa da privada. Eu respirei fundo antes de enfiar o dedo na garganta. Eu dei vômito, mas não saiu nada e eu senti uma dor no estomago. Eu tentei mais uma vez e mesmo tendo um mal estar eu aguentei e só tirei o dedo quando senti a comida subindo por minha traqueia. Em seguida eu me ajoelhei e vomitei dentro da privada todo o meu café da manhã. Eu tossi algumas vezes antes de sentir meu estomago se contraindo e outra porção saindo pela minha boca e meu nariz.

Eu sentia meu coração acelerado e tentei controlar minha respiração antes de me levantar. Eu abaixei a tampa e dei descarga. Em seguida eu sai do box e lavei meu rosto e minha boca. Nesse momento dois homens entraram no banheiro. Eu tratei de me recompor e peguei a mochila em cima do balcão de mármore e coloquei nas costas.

Eu sai da panificadora e segui meu caminho até o trabalho. Pode parecer bobagem, mas depois de alguns minutos caminhando eu me senti melhor. Algumas pessoas olhavam para mim. Talvez eu ter vomitado tenha feito algum resultado imediato. Espero que minha namorada também note quando eu a encontrar.

Logo eu avistei um bar que fica em frente a empresa onde trabalho. Eu costumo ir a esse bar algumas vezes para tomar algumas cervejas antes de ir para a faculdade porque tem dias que é difícil de aguentar o dia de trabalho e em seguida a faculdade. Tomar algumas cervejas me deixavam mais esperto.

Eu atravessei a rua e entrei pelas portas da empresa cumprimentando a recepcionista da McFARLAN.DELIVERY.fast. uma das dez melhores empresas de entrega de Los Angeles.

- bom dia – falei para Carol que trabalha na recepção. Eu atravessei o saguão e virei o corredor entrando na primeira porta a esquerda com uma placa branca escrita em alaranjado: RECURSOS HUMANOS. Eu liguei as luzes e abri a janela de vidro do guichê. O guichê ficava do lado direito da recepção ficando virado para a entrada da empresa.

Eu liguei o meu computador e organizei minha mesa me preparando para o expediente. Eu fui até a maquina de bater ponto e coloquei meu polegar até que ouvi dois bipes. Eu olhei para a mesa do meu chefe e o computador estava ligado, eu automaticamente olhei para o relógio na parede e percebi que tinha chegado trinta minutos atrasado.

- que droga – falei olhando para o meu relógio de pulso. Ele tinha parado ás 07:38 e eu nem tinha percebido.

- bom dia Brian – falou Jeffrey entrando pela porta. Jeffrey é meu chefe e responsável pelo departamento.

- bom dia – falei me sentando e colocando minha senha no computador.

- você já bateu o ponto?

- sim senhor.

- você deu sorte. Se você não tivesse batido eu mandaria você pra casa.

- desculpe pelo atraso, o meu relógio…

- eu não quero saber.

- sim senhor.

- a próxima vez que chegar atrasado e não me avisar vai ganhar uma advertência.

- não vai mais acontecer.

Jeffrey pegou o celular, ligou para alguém e iniciou uma conversa.

- bom dia Brian – falou um dos funcionário chegando ao guichê.

- bom dia Finn – falei me levantando e indo até ele. Finn é um dos entregadores da empresa – no que posso te ajudar.

- eu quero saber se o novo uniforme já chegou.

- chegou sim – falei me levantando e indo em direção a um monte de caixas no chão – qual o seu tamanho?

- o maior que. houver

- ok – falei pegando duas camisas e duas calças que integravam o novo uniforme e levei até o guichê junto com a planilha – assine aqui por favor – falei mostrando o nome Finnley Vanderbilt na planilha.

- tudo bem – falou ele pegando a caneta e assinando.

- obrigado - falei colocando as calças e o uniformes na mão dele.

- Brian – falou Jeffrey me chamando.

- sim senhor.

- ele tem que fazer a prova do uniforme antes de assinar que recebeu, e se não for o tamanho dele?

- sim senhor – eu disse isso olhando para Finn – a terceira porta a direita está desocupada, pode provar lá.

- ok – falou Finn.

Eu fui para o corredor e assim que ele apareceu nós seguimos para a sala que estava desocupada.

- espero que não se importe com a bagunça – falei abrindo a porta – nós usamos essa sala para deixar algumas caixas cheias de tralhas.

- sem problemas – Finn colocou a mochila em cima de uma das caixas e em seguida ele arrancou a roupa ficando só de cueca. Eu tentei não encarar ou reparar no corpo dele, mas foi meio que impossível. Ele tinha o corpo branco todo musculoso, inclusive reparei em uma tatuagem em sue braço direito.

Ele vestiu a calça e em seguida a camisa.

- como ficou? apertado? Precisa de um tamanho maior? – perguntei.

- não, ficou perfeito.

- pode tirar e vestir o uniforme antigo.

- não preciso usar hoje?

- você pode levar pra casa e lavá-lo. A partir da próxima semana esse uniforme novo será obrigatório.

- sim senhor – falou ele arrancando a roupa. Nesse momento a única coisa que ele vestia era sua cueca preta.

- gostou do que viu? – perguntou ele olhando para mim e rindo.

- não é isso…

- o que é então? – ele vestiu a calça e a camisa.

- posso te perguntar uma coisa pessoal?

- pode.

- como você fez pra ficou com o corpo assim? Quer dizer, a mulheres devem ficar aos seus pés.

- eu faço academia desde adolescente e tenho uma alimentação saudável e só como o que eu odeio.

- sério?

- puta merda cara estou curtindo com sua cara – falou ele rindo – você quer saber a verdade? Sim, as gatinhas caem aos meus pés e eu devo tudo isso as drogas.

- drogas?

- sim, um cara na academia me receitou essas injeções por um preço bacana e em pouco tempo eu fiquei com esse corpo.

- não é perigoso?

- o único perigo é eu ficar sem energia pra meter na mulherada.

Nós demos uma risada.

- o que está te incomodando? Sua namorada está te pressionando por um corpo melhor?

- está. na verdade eu não preciso de um corpo igual ao seu, mas eu queria perder algum peso.

- eu posso conseguir pra você uns comprimidos mágicos, eles vão fazer você perder peso rapidamente.

- mentira, sério?

- sério, é difícil de consegui-los porque eles são vendidos apenas com receita, mas eu conheço um cara que pode me conseguir alguns no mercado clandestino.

- é muito caro?

- duzentos paus.

- é muito.

Ele pegou a mochila e em seguida nós saímos da sala e fomos andamos

- vai valer a pena. Você já viu o tanto que eu como? Eu sou entregador e vivo de fastfood e olha só o corpo que eu tenho.

- é verdade, mas eu não tenho certeza.

- quer saber? Eu tenho alguns comprimidos aqui – ele abriu a mochila e pegou um frasco alaranjado com comprimidos dentro – fica com esses.

- não posso aceitar.

- pega Brian, eu estou te dando – falou ele jogando o frasco para o alto e eu peguei - dessa forma você experimenta por alguns dias e se você tiver resultado você compra , Pode ser?

- valeu mesmo Finn

- por nada, se precisar é só pedir – nós paramos em frente a porta do RH.

- e se precisar de algo é só me pedir, fico te devendo uma.

- combinado – falou ele indo embora – até mais.

Eu entrei na sala e fui direto para minha mesa e assim que me sentei peguei minha mochila e coloquei o frasco dentro. Nesse momento Jeff me chamou.

- Brian, leva esses papéis para o Percy – falou Jeff separando alguns papéis.

- sim senhor

- e vê se não demora o tanto que demorou para a prova de roupa do Finn se não boatos vão começar a se espalhar.

- sim senhor – falei pegando os papéis.

Eu sai da sala e subi de escadas em direção a sala de Percy. A sede da empresa que é onde trabalho tem três andares e é lá que fica a sala dos três diretores: Leonard McFarlan, Percy Savage e Rex Sullivan. Leonard mais conhecido como Leon é o dono majoritário e é por isso que a empresa leva o seu sobrenome.

Eu fui até a sala de Percy e bati na porta, mas ninguém respondeu. Eu bati outra vez e como ninguém respondeu eu abri.

- com licença – eu olhei em volta, mas não tinha ninguém dentro da sala. Eu fechei a porta e decidi voltar em outro momento. Eu levei minha mão até a porta da escadaria, mas alguém chamou minha atenção.

- garoto – falou uma voz masculina atrás de mim.

- pois não? – falei olhando para trás. Era Leon me chamando. Eu senti um arrepio quando olhei para ele. Leon era um quarentão muito bonito, careca, barba rala no rosto e sua voz grossa me vez ter uma ereção. Além do mais ele nunca tinha falado comigo.

- será que você pode vir aqui um momento? – ele estava do lado de fora da sala respirando profundamente.

- sim senhor – falei indo até ele respirando fundo para que a ereção fosse embora. As vezes era difícil evitar ficar excitado com outros homens, mas pelo que pesquisei na internet heterossexuais também ficam excitados com outros homens e isso não faz de você gay. Antes que eu pudesse dizer algo mais eu vi que a sala estava toda vomitada.

- será que você pode limpar pra mim?

- o senhor está bem?

- sim, eu estou me sentindo um pouco enjoado, mas estou bem. Acho que o café da manhã me caiu mal.

- posso limpar sim senhor.

- será que você podia chamar minha esposa por favor? Eu estou ligando para ela, mas parece que ela não está na sala.

- posso sim senhor.

Eu fui até a escadaria e desci até o segundo andar. Eu atravessei o corredor e bati na porta do jurídico. Lilith, a esposa de Leon, é uma das advogadas da empresa. Eu bati na porta e em seguia eu abri.

- com licença, eu gostaria de conversar com Lilith.

Havia três homens dentro da sala concentrado em seus afazeres, mas uma deles olhou para mim.

- ela saiu, foi visitar um cliente nosso. É só com ela?

- é sim, obrigado – falei fechando a porta.

Em seguida eu segui o corredor em direção ao depósito onde era guardado o material de limpeza. Eu andei pelo corredor e virei a esquerda e vi a porta lá no final. Eu fui em direção a ela e assim que abri eu levei um susto. Percy e Lilith estavam se pegando. Eu assustei e fui assustado.

- fecha a porta – gritou Lilith.

Eu fechei a porta e comecei a andar de volta pelo corredor. Meus olhos estavam queimando. Eu não podia ter visto aquilo. Eu estava fodido. Eu comecei a ficar um pouco paranoico por causa disso. Eu parei no fim do corredor e esperei durante dez minutos eles saírem da sala. Lilith saiu primeiro e passou direto por mim sem ao menos olhar na minha cara.

- Lilith? – falei chamando a atenção dela.

- Sra. McFarlan – falou ela parando e olhando para mim.

- sim senhora, me desculpa é que o seu marido passou mal e está chamando pela senhora.

- ok – ela disse isso indo até as escadas.

Não demorou muito para que Percy saísse da sala e logo eu o vi andando em minha direção. Ele estava colocando a camisa por dentro calça e parou na minha frente.

- qual o seu nome? – perguntou Percy.

- Brian Knox.

- trabalha em qual departamento?

- recursos humanos.

- ok – falou ele lambendo os lábios e olhando em volta – se você gosta do seu emprego é melhor ficar de boca fechada. Se contar para alguém o que viu aqui eu faço você ir pra rua e garanto para que nunca mais encontre emprego nessa cidade.

Eu não respondi nada e apenas olhei em outra direção

- você entendeu?

- sim senhor.

Ele apertou o botão do elevador e eu segui para o deposito. De todas as pessoas que poderiam flagrar o chefe pegando a esposa do melhor amigo tinha que ser logo eu? Eu abri a porta do deposito e a primeira coisa que vi no chão foi uma gosma branca.

- meu deus – falei entrando e tentando não pisar nela. Eu peguei um pano qualquer e joguei em cima. Eles fizeram sexo lá e ainda deixaram o resultado para que eu limpasse. Eu estava feito mesmo. Limpando vômito e porra dos outros.

Eu peguei o que precisava e subi as escadas para o terceiro andar. Ao abri a porta vi que Leon e Lilith estavam conversando. Quando me viu Leon me encarou.

- pelo amor de deus garoto, que demora é essa? Qual o seu nome? – perguntou ele irritado.

- é Brian senhor – falei gaguejando.

- Leon, não dê bronca nele, a culpa foi minha.

- o que? – perguntou ele olhando para ela.

- ele apareceu lá e eu acabei pedindo um favor, foi por isso que ele demorou. Se precisar dar bronca em alguém, dê bronca em mim.

- ok – falou Leon apertando o botão do elevador. Nesse momento Lilith olhou para mim.

- eu não devia ter te atrasado, por causa de mim você levou bronca, sem ressentimentos?

Eu olhei para Leon e olhei para ela.

- sim senhora, sem problemas.

- ótimo – falou ela dando um selinho na boca de Leon. Assim que o elevador se foi eu me preparei para exercer minha nova função na empresa como “higienizador de fluidos corporais”.

Eu não entendia muito bem a lógica. A vida inteira eu aprendi que ser gay é errado porque ser gay é ser promíscuo. Eu reprimi meus sentimentos por causa de um pai preconceituoso e eles ficavam traindo os melhores amigos. Tudo o que eu queria as vezes era a chance de poder amar alguém sem ser chamado de aberração pelo meu próprio pai. Parece que ninguém mais liga para essa coisa que fica entre dois pulmões.

Meu último ano na faculdade se inicia hoje e eu não tinha quebrado a promessa que fiz ao meu pai a três anos atrás. Eu não tinha me relacionado com homens. Eu esperei por muito tempo essa fase passar, eu realmente achei que meu pai estava certo, eu fiquei tão deprimido que o preconceito dele acabou grudando em mim.

Até hoje eu espero esses desejos que sinto desapareçam. Eu fico até alguns dias sem ter fantasias, mas em alguns momentos se torna inevitável e elas acabam inundando minha mente. Minha cabeça fica confusa e sinceramente não entendo esses sentimentos. Será que se eu me casasse com uma mulher esses sentimentos desapareceriam de uma vez?

Eu não sei, talvez eu esteja jugando Lilith e Percy demais porque eu também não escuto muito bem o que diz meu coração.

A tarde o trabalho seguia tranquilamente. Cheguei até a pensar que apesar da manhã turbulenta minha tarde terminaria sem problemas. Foi ai que me enganei. Quando eu penso que o dia não pode ficar pior uma loira entra na sala. Wendy, a irmã de Jeffrey é a pessoa mais folgada do universo, ela nem trabalha na empresa e toda vez se intrometia na sala.

- onde está o Jeff? – perguntou ela olhando para a mesa vazia dele.

- ele deu uma saída

- que droga – falou ela parando e olhando para mim com um sorriso – você me faz um favor? Pode ligar pra ele e pedir que venha até aqui?

Antes que eu pudesse responder alguma coisa Jeffrey entrou pela porta.

- oi Wendy – falou ele dando um beijo no rosto dela – esse daqui te tratou mal?

- não, ele foi bem atencioso – falou Wendy olhando para mim.

- ele deu em cima de você?

- não, não – falei respondendo a pergunta que tinha sido feita para Wendy.

- ok, eu não perguntei para você, mas tudo bem.

- perdão.

- não precisa tanto desespero pra responder se não você fica parecendo até um baitola.

- eu tenho namorada.

- bom pra você – falou ele abrindo a porta e saindo da sala junto com Wendy.

Assim que terminou meu expediente ás dezoito horas eu desliguei meu computador e coloquei meu dedo na máquina de ponto. Eu peguei minha mochila, coloquei nas costas e em seguida tranquei a sala. Eu estava cansado. Acho que passaria no bar antes de ir para a faculdade. Eu tinha uma hora antes do horário de aula. Eu atravessei o corredor até a saída e passei em frente ao elevador.

Eu provavelmente passaria sem dar muita atenção se não fosse por alguém de lá de dentro chamando meu nome.

- Brian?

- oi? – falei me virando.

Era Percy e ele estava acompanhado de Leon, Lilith e Rex. Eles saíram do elevador e passaram por mim, com exceção de Percy que parou na minha frente.

- você está com pressa?

- não.

- pode vir até minha sala para me ajudar com algo?

- posso – falei seguindo ele para dentro do elevador. Percy apertou o botão do terceiro andar e o elevador fechou as portas e assim que ele começou a se locomover ele apertou o botão vermelho do elevador que fazia ele parar.

Ouve um estalo e o elevador parou em um estrondo e eu tive que me segurar nas paredes para não cair.

- aconteceu alguma coisa? – perguntei.

- não, é que eu queria te dar isso – falou ele tirando um pacote pardo de dentro de sua maleta. Estava recheado com algo e logo eu percebi que estava cheio de dinheiro. Ele levou a mão até mim, mas eu não peguei.

- não precisa, eu não vou contar para ninguém o que eu vi.

- não veja isso como um suborno, mas sim como um investimento. Eu busquei sua ficha no arquivo e por acaso eu li que você faz faculdade. Esse dinheiro pode ser de grande ajuda e a única coisa que precisa fazer é ficar de boca fechada.

Eu olhei para o pacote na mão dele que estava cheio de dinheiro. Eu não sei o quanto tinha mais parecia ser muito porque estava bem gordo. Eu levei a mão para pegar, mas ele levantou o pacote.

- você tem que me prometer não contar o que viu para ninguém.

A minha vida toda eu guardei um grande segredo e assim que resolvi contar esse segredo o tiro saiu pela culatra. A partir desse dia eu aprendi o valor de um segredo. Eu não revelava mais segredos porque uma hora ou outra os segredos que eu revelava se viravam contra mim e quem tomava na cara era eu. Eu não contaria de qualquer jeito, que mal faria aceitar esse dinheiro?

- eu prometo.

Ele então colocou o pacote na minha mão e eu coloquei dentro da minha mochila.

- acabamos que fechar um contrato verbal se você quebrar esse contrato eu te quebro. Até o último osso do seu corpo.

- sim senhor – falei um pouco assustado.

- ótimo – falou ele apertando o botão vermelho fazendo o elevador voltar a subir. O elevador parou no terceiro andar e a porta se abriu. Percy deu um passo para fora do elevador e segurou a porta com a mão.

- lembra-se do que eu te disse: se você foder comigo, eu fodo com você e pode ter certeza que você vai sair bem machucado.

- sim senhor.

Percy saiu de vez e eu apertei o botão do térreo ofegante. Eu apalpei o envelope e senti meu coração acelerar. Eu senti muito dinheiro dentro daquele envelope.

Comentários

Há 2 comentários.

Por Ryan Benson em 2014-06-07 15:01:55
Incrível essa história, tenta postar dois capítulos por semana... ;)
Por mls.emliiehs em 2014-06-07 14:42:15
poxa mano, tua série tá super da hora.. adorei.. :D