Cap.12: Congelado

Conto de Misteryon McCormick como (Seguir)

Parte da série Paixão Secreta [2ª Temporada]

Acordei primeiro do que Vincent. Sentei-me na cama e depois de dar uma esticada no corpo me levantei e fui para o banheiro. Lavei meu rosto e usei um enxaguante para melhor o hálito já que não tinha nenhuma escova de dentes. Sai do banheiro e fui até o frigobar. Peguei uma garrafa de água bem gelada e abri tomando quase toda a garrafa de uma vez. Estava com muita sede. Minha cabeça doía um pouco, mas infelizmente não tinha remédios.

- que horas são? – perguntou Vincent se mexendo na cama e limpando a baba do rosto.

- quase onze.

- já? – falou ele procurando o celular.

- deve estar na sua calça – falei me levantando e pegando o celular no bolso da frente e entregando a ele.

Ele apertou os olhos tentando ver algo.

- Vanessa me ligou várias vezes – falou ele jogando o celular para o lado – ela deve estar preocupada – falou ele bocejando.

- olha Vincent, eu não sei o que seu em mim ontem… Eu bebi muito, o que não costumo fazer e…

- Não se preocupe – falou ele me encarando – Eu não fiz nada que não queria.

- eu devo confessar que a noite de ontem… foi maravilhosa.

- vem aqui – falou ele batendo a mão na cama e se deitando de lado. Eu me deitei olhando para o teto.

- me sinto tão estranho.

- deve ser a ressaca… – falou ele virando meu rosto para ver se ele já não carregava mais a marca – …você foi maravilhoso também.

Eu suspirei.

- Não quero te decepcionar, mas você sabe que não podemos ficar juntos não é? Minha irmã é casada com seu pai, isso é errado de tantas maneiras. É melhor evitarmos brigas.

- eu sei. A verdade é que você me tratou tão bem ontem a noite que eu acabei de me lembrando de uma outra época da minha vida. Quando conhecia alguém que me tratava como você me tratou ontem.

- porque diabos você deixou essa pessoa escapar? – perguntou Vincent beijando meu rosto.

- Eu não deixei. Ele simplesmente se foi. Foi obrigado a se distanciar de mim, mas esse ano ele teve a chance de voltar, mas parece que não significava muito para ele.

- não se preocupe com isso – falou ele vindo para cima de mim – eu vou soar meio canalha agora, mas sempre que se sentir sozinho pode vir até mim. Não é que você não seja bom o bastante para ser algo a mais é que as circunstâncias não permitem.

- eu entendo – falei beijando a boca dele – fica tranquilo quanto a isso.

- que bom – falou ele me beijando, dessa vez um beijo bem mais demorado – vou vestir minha roupa e nós vamos para a casa do seu pai.

- eu não vou. Pode ir você – falei enquanto ele se levantou.

- Mike, você precisa se acertar com seu velho. Não importa o que ele fez ou disse, ele é seu pai. É papel dele te proteger. Se você não quiser volta para lá, tudo bem, mas você precisa pelo menos ir almoçar. Tenta fazer as pazes com seu velho.

- ok, você me convenceu. Talvez ele tenha se arrependido do que fez. Eu realmente não sei o que deu nele para agir daquela maneira, mas espero que ele tenha voltado a ser o pai que amo e admiro.

Depois que nós dois estávamos prontos para partir deixamos o quarto e descemos até o térreo para fazermos o check-out. Vincent pagou por tudo já que minha carteira havia ficado dentro da mala.

Ao chegarmos na casa do meu pai o carro foi estacionado ao lado do carro do meu pai.

- bom dia – falou Vanessa vindo ao nosso encontro quando saímos do carro.

- bom dia – respondemos juntos.

- você está bem Mike?

- estou sim Vanessa.

- que bom.

- e meu pai? Como ele está? Ainda irritado?

- por favor Mike, não vá embora outra vez. Fique aqui.

- porque eu iria embora?

Antes que ela respondesse eu vi Adam ao longe fumando e ele estava com quem? Isso mesmo. Meu pai. Os dois conversavam e riam.

- quer saber? Já deu. Vou voltar para o hotel.

- eu não sei o que dizer – falou Vanessa olhando para Vincent.

- conversa com ele Mike – falou Vincent – mesmo que você não esteja interessado, talvez seja bom vocês terem um encerramento.

- não é com Adam que estou com raiva… no momento. É do meu pai. Porque ele fica insistindo nisso?

- eu não sei. Sinceramente, mas faz o que meu irmão disse. Converse com eles.

- ok falei indo em direção ao porta de entrada. Atravessei a sala e cheguei a cozinha como se não os tivesse visto lá de fora. Respirei fundo antes de chegar com um sorriso falso.

- olá – falei finalmente indo de encontro aos dois.

- bom dia – falou meu pai sorrindo e esticando-se para um abraço, mas eu me afastei.

- bom dia – falou Adam.

- o que você está fazendo aqui.

- Mike! – falou meu pai me repreendendo.

- tudo bem – falou Adam – eu só queria conversar com você.

- ok – falei me afastando – venha conversar.

- ok – falou Adam apagando o cigarro e vindo em minha direção.

- e então? Quer falar sobre o que?

- você está bem?

- ótimo.

- eu queria conversar sobre nosso relacionamento.

- não temos mais um relacionamento, agora… se você quer falar sobre o fim dele, tipo: divórcio. Tudo bem.

- espera, você quer mesmo se divorciar? Estamos brigados a pouco mais de três dias. Além do mais hoje é meu aniversário.

- nós não estamos brigados. Nosso relacionamento acabou Adam. Foi bom enquanto durou, mas não vai mais acontecer.

- eu sei que está chateado, mas precisa me dar outra chance.

- porque? Daqui a nove meses você vai ter outra ereção a qual eu não sou o motivo. Você vai outra vez me trair e engravidar outra.

- eu estou muito arrependido do que fiz.

- eu também. Não devia ter levado essa paixão por você a diante. Podia ter passado por isso sem todo esse sofrimento.

- sabe porque eu te contei a verdade? Porque eu achei mesmo que nosso relacionamento fosse forte o suficiente para passar por isso, mas parece que estava errado.

- você é realmente um babaca…

- você também me traiu.

- é, mas além de ter engravidado alguém você me colocou em risco. Você tranzou sem camisinha – nesse momento eu me lembrei da noite com Vincent. Teria uma conversa desagradável com ele depois.

- podemos fazer um exame.

- não se preocupe. Eu vou mesmo fazer. Vamos falar sobre o divórcio?

- eu não vou me divorciar.

- isso não vai me impedir de transar, não vai me impedir de namorar.

- Mike… eu… é impossível conversar com você. Está parecendo minha ex-mulher.

- agora eu vejo o quão sábia ela era. Agora eu entendo o quanto ela deve ter sofrido em sua mão. Meu deus, eu vi você tranzar com dezenas de mulheres na sua sala. Quantos vezes você não tranzou sem camisinha e depois foi para casa ficar com sua esposa. Eu estava cego de paixão.

- por favor. Tudo o que peço é uma segunda chance. Eu sei que você me ama. Eu sei que ainda fica arrepiado quanto te toco – falou ele tocando meu braço.

- você é hétero Adam. Você gosta de mulher, se você quiser tranzar com outro homem de novo vai ter que enganar outro trouxa. Ou pagar por um.

Olhei para meu pai e ele estava apreensivo. Eu sei porque ele balança sua garrafa de cerveja bem de leve. Ele só fazia isso quando estava muito ansioso. Ele deu um gole olhando para mim da cerveja.

- quer saber? Você vai almoçar aqui hoje não vai?

- vou sim.

- depois nos falamos mais sobre isso.

- ok – falou Adam indo até geladeira e pegando uma cerveja.

- e então? Perguntou meu pai – se reconciliaram?

- o senhor está bem pai? Eu te conheço o suficiente para saber que esse não é o seu normal. O senhor nunca faria comigo o que fez ontem se estivesse tudo bem.

- você não me conhece bem.

- como assim pai? Claro que te conheço.

- sabe Mike. Depois que a Rachel nasceu eu tenho pensado na vida. Tenho pensado no mundo em que ela vai crescer.

Nesse momento Vanessa e Vincent chegaram até nós.

- o que isso tem a ver com o senhor ter me batido ontem?

- você deixou o mundo um lugar mais difícil para sua irmã. Quando ela for para a escola você sabe muito bem o que os amigos dela vão dizer. Ela via descobrir tudo o que você fez, todos os seus vídeos.

- mas isso não é culpa minha.

- está tudo bem? – perguntou Vanessa.

- não está não – falou meu pai – estou apenas dizendo a verdade a ele.

- Larry por favor… - falou Adam.

- a culpa é sua também – falou meu pai para Adam – você não soube administrar seu casamento.

- pai, eu não estou entendendo – falei com o coração doendo.

- é o que você ouviu – falou meu pai – eu não posso mais ter você aqui. Já aconteceu antes, você se envolve e depois volta correndo. Puxa cara, você já é um homem. Se vire com seus problemas, eu não posso mais estar aqui sempre que precisar, eu tenho uma filha especial. O que vou dizer a ela quando ela ver um dos seus vídeos?

Não conseguia dizer nada. Nunca pensei passar por tal situação.

- tudo o que aconteceu de ruim nessa casa, comigo foi culpa sua. Tudo começou quando trouxe aquele Charley para dentro dessa casa. Você sabe o que aconteceu e você sabe o que veio depois. O estupro não foi culpa minha, foi sua. Se eu te estuprei aquela noite a culpa foi sua.

- Larry, pelo amor de deus o que está dizendo – falou Vanessa – você já bebeu demais.

- eu não estou bêbado. Volte daqui a dois dias e eu vou dizer a mesma coisa.

- o que a mamãe diria?

- você matou minha esposa – gritou meu pai – foi tudo culpa sua. Maldito foi o dia em que eu te adotei. o engraçado é que o problema não é sua sexualidade. É você. Você podia ser gay, assassino, pedófilo… tudo bem. Eu te amaria do mesmo jeito, mas parece que você foi amaldiçoado quando nasceu. Você só trouxe desgraça para minha vida. Você destruiu tudo o que eu amava. Não vou deixar fazer isso com minha família. Não vou deixar você destruir a esposa e a filha que eu consegui apesar de você.

- então não sou mais seu filho? – falei tremendo por dentro.

- você é um capítulo encerrado em minha vida. Você pode correr para os braços da sua nova família. Stephen me disse que você encontrou seu pai biológico né? Ótimo. Leve um pouco da sua maldição para longe da minha família.

- eu não faço mais parte dela?

- você é um capítulo encerrado da minha vida. Um capítulo longo e negro.

- não diga isso para seu filho – falou Vanessa com lágrimas nos olhos – Mike, por favor.

- tudo bem Vanessa – falei dando dois passos para trás – tudo bem, a culpa foi mesmo minha.

- Mike… - falou Adam me vendo passar por ele. Iria embora daquele lugar para nunca mais voltar. Meus olhos se encheram de lágrimas ao pensar em toda a minha vida. Você já parou para pensar se um dia a pessoa que você achou que mais amasse simplesmente virasse as costas para você?

Adam veio na minha direção para um abraço e quando passou os braços em mim eu consegui sair e continuar andando. Quando passei por Vincent ele fez o mesmo, eu tentei me livrar de seus braços, mas ele foi persistente e acabei por abraça-lo. Minhas lágrimas escorreram por seu ombro. O abraço durou um bom tempo.

- vai ficar tudo bem – falou Vincent cochichando.

- não aguento essa choradeira, é disso que estou falando – falou meu pai. Você é muito dependente Mike.

- chega Larry – gritou Vanessa – pelo amor de Deus, chega.

- o que é isso? – perguntou meu pai – cuidado Vincent, ele vai tentar te converter assim como fez com Adam.

Nesse instante Vincent me empurrou fazendo eu bater as costas na parede. Ele foi em direção ao meu pai com o punho levantado e acertou o lado esquerdo do rosto dele. Meu pai cambaleou deixando a garrafa de cerveja cair, mas ele logo se recompôs e foi para cima de Vincent acertando um soco no nariz dele. O sangue jorrou em sua camisa branca, mas isso não impediu que ele jogasse meu pai no chão.

Vanessa gritava desesperada. Adam não tentava separar os dois. Algo dentro de mim impedia que eu me movesse.

- Vincent foi por cima do meu pai e levantou o braço com a mão fechada pronto para acertar vários socos na cara dele, mas algo fez ele parar. Não sei bem o que foi, mas sua mão tremeu no alto, mas ele recolheu sem faze-lo. Ele saiu de cima do meu pai.

- quero você fora da minha casa – gritou meu pai.

Vincent estava nervoso e ofegante. Ele veio até mim tapando o nariz impedindo o que o sangue continuasse sair.

- você tá bem? – perguntou ele.

- estou.

- desculpa ter te empurrado, te machuquei?

- não – falei vendo a Vanessa cuidando do meu pai… Larry.

- não quero que volte mais a essa casa – gritou meu pai. Não sabia bem para quem ,mas tinha quase certeza que era para Vincent e eu.

- Depois eu pego minhas coisas Vanessa.

- não tem problema Vincent – falou Vanessa.

Nós entramos na casa e subimos as escadas indo até o banheiro. Vincent abriu a porta e abriu a torneira deixando o sangue sair. Fiquei na porta do banheiro vendo ele limpando o rosto.

- me deixa no aeroporto? – falei me aproximando – vou voltar para Nova Orleans.

- não. Eu vou para um hotel e você vai comigo.

- não precisa… - falei me aproximando mais e fazendo com que ele levantasse a cabeça – fica com a cabeça levantada – eu tapei o nariz dele enquanto ele olhava para o teto – …não precisa ser um herói. Eu me viro.

- não. Me deixe ser seu herói. Eu quase perdi a chance com você só porque não queria irritar seu pai.

- Você ouviu o que ele disse. Só vou trazer desgraça pra sua vida – falei começando a chorar. Nunca me senti tão mal em toda a minha vida.

- não chora.

- é difícil não chorar depois do que aconteceu.

Vincent abaixou o rosto e o sangue já não saia. Ele lavou o rosto outra vez e tirou a camisa. Ele foi até o quarto e colocou outra.

Nós descemos as escadas e fomos até o carro. Ele destravou e o alarme apitou. Vanessa saiu pela porta da frente.

- você está bem Mike?

- não – respondi limpando o rosto. Meus olhos estavam inchados. Adam veio logo atrás de Vanessa.

- Mike, vamos para casa – falou Adam – eu cuido bem de você.

- tudo bem, pode ir com ele – falou Vincent.

- Vou com você – falei entrando no carro de Vincent.

- tem certeza que quer vir comigo? – falou ele olhando para trás e dando ré com o carro.

- tenho – falei olhando para ele.

- você está bem mesmo?

- estou.

Ele virou a esquerda e seguiu por algum tempo e depois de virar a esquina ele parou.

- você quer que eu te leve ao aeroporto? Eu te levo.

- não, quero ficar com você.

- tudo bem – falou ele me abraçando – vai ficar tudo bem – falou ele me dando um selinho na boca – vai ficar tudo bem.

- ok – falei engolindo o choro e deitando minha cabeça no vidro do carro. Ele seguiu viagem. Quem dera eu pudesse acreditar que ficaria tudo bem.

Comentários

Há 1 comentários.

Por NewDoctor em 2014-09-03 04:58:55
Omg. Omg. Omg. O que tá acontecendo? Eu sempre gostei tanto do Larry, agora nem sei o que pensar. Se eu fosse o Mike, jamais perdoaria.