A inesquecível férias na Bahia - III

Conto de mattheus como (Seguir)

Parte da série A inesquecível férias na Bahia

Ainda estávamos no final de tarde do dia 18 de Dezembro.

Após ter quase certeza da sexualidade do Renan, naquele instante eu só queria que a noite chegasse o mais rápido possível. Ficamos ali na varanda do quarto conversando sobre as coisas da vida, da nossa vida. Eu falava sobre o meu trabalho, ele falava sobre o dele e o quanto era realizado com o mesmo. Não cansava de admirar o quanto ele conseguia ser uma companhia agradável.

A tarde ia findando-se com o pôr-do-sol, que era visível da varanda onde estávamos. Aquela era uma visão que eu nunca tive em Curitiba, o céu laranja refletindo no mar, barcos de pesca pela costa e uma agradável brisa. Ao lado estava o primo também apreciando e falando da beleza que o mar representava na vida dele, ele era realmente um cara único. Assim ficamos por algumas horas.

Era noite, algo próximo das 19h30, havíamos nos arrumado para explorarmos a noite em Morro de São Paulo, povoado em que estávamos. Sempre fui bastante vaidoso e não seria diferente daquela vez, me vesti muito bem, jeans, camisa confortável, estava bastante arrumado, modéstia à parte. Com o primo não era diferente, o cara estava sensacional, ele vestia uma camisa cinza slim fit, com as mangas dobradas até os cotovelos, com alguns botões abertos o que deixava visível parte do seu peitoral e seu pequeno cristal preso em um cordão, ele vestia uma calça que desenhava bem suas pernas, estava impecável. Em muitos momentos evitava olhar demais para ele, porque era quase que uma ereção imediata, eu não havia me masturbado como queria ter feito a tarde e o cara me “quebrava” de tesão.

O quanto aquele garotão podia me surpreender? Eu não sabia, mas estava próximo de descobrir. Saímos com rumo ao bar, ele estava empolgado para me levar a um lugar que ele sempre frequentava quando estava na ilha.

Minutos depois estávamos no local, era uma mistura de simplicidade com capricho, o lugar era bonito, estava situado numa parte alta da Ilha e onde estávamos sentados dava para ver todo o mar, apesar de ser noite e a única visão possível naquele momento ter sido a do reflexo da lua sobre a água. Haviam algumas árvores que faziam parte da área externa do bar, nelas luminárias de estilo oriental em cores diversificadas faziam a agradável iluminação ambiente. Para uma segunda-feira à noite o lugar estava muito movimentado e um som ao vivo, voz e violão, também acontecia naquele momento. Renan pediu para que eu aguardasse ali sentado que ele iria até o balcão e já retornava, compreendendo o pedido apenas aceitei movendo a cabeça positivamente, foi quando ele se levantou e saiu. O acompanhei com os olhos e mesmo com a baixa iluminação do ambiente percebi que ele conversava com uma garota e posteriormente com um rapaz e pareciam que se conheciam. Ele olhou para direção da mesa em que estávamos e apontou, logo depois retornou com aquele largo e agradável sorriso.

- Pronto, estou de volta! – Ele afirmava enquanto sentava-se.

Começamos a desenrolar alguns assuntos aleatórios, falávamos da beleza do local e ele dizia que era o ambiente preferido dele em todas as vezes que ia a ilha. O papo não durou muito tempo, logo fomos educadamente interrompidos por uma jovem e bela mulher que depositava em nossa mesa um pequeno balde de alumínio recheado com gelo e algumas cervejas Long Neck. De imediato Renan já iniciava a nossa apresentação, afinal era a mesma mulher com quem ele estava conversando minutos atrás.

- Matheus, essa é a Laila. Minha amiga da faculdade, a responsável por me fazer conhecer essa maravilha chamada Morro de São Paulo. – Ele dizia. – Laila, esse é o Matheus, o primo que eu havia dito que eu nunca vi pessoalmente e que temia ser chato e sem graça. – Me apresentou sorridente.

Levantei-me da cadeira e a cumprimentei com um breve abraço e beijo no rosto, era realmente uma maravilhosa baiana. Não tivemos tempo de sequer trocar formalidades porque logo um rapaz aproximou-se da mesa, ele foi educado, nos cumprimentou, me deu as boas-vindas e mais uma vez o primo prontificou-se a realizar as formalidades de apresentação.

- Matheus, esse é o Guilherme, é meu amigo também, namorado da Laila, cursamos na mesma turma. – Afirmou. – Gui, esse é o Matheus, meu primo do “continente gelado”, um baiano que abandonou o calor e foi viver em Curitiba, no frio. – Citou.

Como já estava de pé, trocamos cumprimentos, um forte aperto de mãos. O rapaz, Guilherme era bastante atraente. Parecia ter minha altura, com um belo porte físico, tinha um jeito militar, parecia ser um bom rapaz. Não tivemos tempo para conversar, na verdade eles eram os responsáveis por aquele estabelecimento, o Guilherme era filho dos donos e junto com a namorada ajudavam os pais dele no período de férias e finais de semana com o gerenciamento do estabelecimento, pois quando o ano letivo iniciava na universidade eles passavam a semana em um apartamento que possuíam em Salvador para facilitar o trajeto para faculdade. Coisas que o Renan me contou depois. Todos eles cursam Oceanografia, provavelmente os dois eram tão apaixonados por mares e oceanos como Renan.

- E aí, mergulhador, vai cantar hoje de novo? – Foi o questionamento do Guilherme para o Renan, que me deixou sem reação no momento, acho que na minha face estava estampada o rosto de um cara que só queria falar “como é? ”

- Cantar, Renan? – Questionei. Naquele momento eu notei que o mesmo estava envergonhado com o questionamento, parecia ter ficado constrangido, mas isso não impediu que o outro rapaz respondesse minha pergunta.

- Ué, você não sabe? O talento aí não tá só no mergulho não, esse homem canta pra caramba. Hoje ainda eu quero ele ali cantando pelo menos duas músicas, antes do Vagner terminar. – Ele dizia.

Vagner era o rapaz que naquele momento estava fazendo um agradável som acústico na voz e violão.

A informação dada pelo amigo do meu primo me deixou intrigado, eu não sabia se era alguma brincadeira pessoal deles ou se realmente o Renan possuía talento com o instrumento ou voz.

Laila ria de toda a situação e o Renan só conseguia expressar um riso bem desconsertado, não conseguindo esconder, pelo menos para mim, que havia ficado sem jeito. O casal despediu-se de nós, deixando-se a disposição para qualquer coisa que precisássemos, eles realmente pareciam se dar muito bem.

- Então, me conta essa história direito... você, cantando? Como assim? – Questionei. – Ah, é que... deixa isso de lado, tem um tempinho, não vale a pena. – Me respondeu. – Ué, mas eu quero saber, me conta. Fale mais sobre seus talentos. – Insisti, rindo para deixa-lo relaxado com o assunto.

Insisti por um pouco mais de tempo, até que ele acabou cedendo e contando a história. O relato dele foi de que há meses atrás quando o mesmo tinha ido com um grupo de amigos da faculdade para uma comemoração de festa junina ele acabou bebendo um pouco além da conta e ficou bastante animado, então foi até o músico que tocava no dia e pediu permissão para tocar e cantar algumas músicas.

- Ah, ele só cantava músicas bem antigas, estava entediante, era uma comemoração de São João, o pessoal pedia e ele não sabia tocar, diferente desse rapaz que está tocando agora, que tem um repertório maravilhoso. – Ele contando o motivo que o levou a fazer tal pedido ao músico. – Eu estava bêbado, eu não costumo beber e quando faço, bebo bem pouco, mas era um dia legal, eu não costumo me divertir tanto, então acabei fazendo isso, mas não destratei o cara jamais, apenas perguntei se ele deixava, ele me questionou se eu sabia tocar, eu disse que tentaria e ele deixou. – Continuou.

Eu ri com o relato e com a maneira que ele contava, parecia um garotinho emburrado, que tinha acabado de levar bronca e estava tentando se explicar. Eu não escondi o quanto achei cômica a situação, ele me pedia para parar de rir e isso me fazia rir ainda mais.

- Mas então, você toca violão e canta? Caramba, você é completo, Renan. Como está solteiro? – Questionei. Não foi um questionamento intencional, saiu por impulso em meio a conversa.

- Eu tenho muita coisa para focar, eu não penso em me relacionar com alguém agora, primeiro quero garantir meus estudos, ter foco no trabalho, depois eu penso nisso. Na verdade, eu nunca encontrei alguém que me fizesse pensar o contrário. – Respondeu em um tom de desabafo.

Aos poucos as horas passavam, ali estávamos eu e o primo baiano. Como a vida é estranha, não é mesmo? Nunca conversei com ele, mas nas minhas férias na Bahia eu não estava nem reunido com toda família, mas sim com o Renan, em uma ilha distante de Salvador. O melhor de tudo é que aquilo estava bom demais!

Bebíamos que nem fazíamos a conta, entre cervejas, whisky, drinks e aperitivos de frutos do mar, conversávamos sobre diversas coisas. Dessa vez eu falava um pouco mais sobre mim, como eu era em Curitiba, o que fazia para passar meu tempo, minha forma de me relacionar.

- Você fala de mim, mas você é um cara bonitão, é alto, forte. Aqui eu te vejo como alguém muito legal também, às vezes fica com uma cara meio que “de poucos amigos”, mas quando conversa fica claro que é uma ótima companhia. Por que está solteiro? – Indagou.

Para qualquer outro eu daria a resposta: porque não gosto de me apegar a ninguém. O que era uma realidade, eu já tive alguns relacionamentos com mulheres, mas não duravam, eu aprecio demais minha liberdade tanto pessoal quanto financeira. Sinceramente, eu só queria pegar, sem me apegar. Não pensem que sou um vagabundo, sem metas na vida. Eu trabalho, estudo, tenho minha estabilidade financeira e tudo mais, apenas não me sentia com vontade alguma de ter alguém perto, de ter um relacionamento.

- Pelos mesmos motivos que você, meu objetivo é focar em mim primeiramente. Depois que tudo tiver do jeito que quero, talvez eu pense em dar chance a um relacionamento. – Respondi.

Estávamos sendo muito bem atendidos, sempre que possível o casal Laila e Guilherme compareciam a nossa mesa e trocavam rápidos papos. Eu já conseguia sentir que meu nível alcóolico estava ficando alto, sempre consegui beber bastante e por longo tempo, mas no momento eu começava a me preocupar mais com o Renan, ele era mais novo, apesar de ter maioridade, por instinto eu sempre me resguardava mais com a bebida quando estava bebendo com alguém. Ele estava contente, falava dos mergulhos, lugares que gostaria de conhecer, metas após a conclusão da faculdade de Oceanografia. Eram momentos dos quais eu não esperava ter quando decidi passar as férias na Bahia.

Em meio ao assunto, Guilherme veio até nossa mesa.

- Renan, vai lá... pega aquele violão e toca para a galera, quero liberar o Vagner para beber uma água, comer algo. Quebra esse galho, sustenta o som para mim, na moral? – Pediu.

Em meio a todo assunto que foi decorrendo entre nós, eu já até havia esquecido desse do violão. O primo estava bem relutante, negando, dizia estar com vergonha. Eu o pressionei, pedi para que fosse, que gostaria muito de vê-lo tocando e cantando, usei até chantagem emocional, algo do tipo: “faz isso pelo seu primo que veio de Curitiba para passar as férias com você. ”

Depois de muito insistir, ele aceitou, era notável o quanto ele já tinha bebido, estava mais agitado do que o que eu costumava ver naqueles curtos dias que eu o conheci. Guilherme o agradeceu e foi em direção ao musico que se apresentava no momento, acredito que para informá-lo sobre o Renan. Não demorou muito até o Vagner, que se apresentava, finalizasse sua canção e de longe convidasse o Renan. Além do sinal de mão o mesmo dizia no microfone: - Pessoal, irei beber uma água, dar um descanso a garganta, mas vou deixar vocês com o nosso convidado especial, Renan. – Informava.

De imediato olhei para o primo, que na face estampava a expressão da timidez, mas ainda assim sorria. Eu não conseguia evitar o riso, até porque na saída do músico e apresentação do “convidado especial” o pessoal aplaudia e quando o mesmo fez um sinal com a mão o chamando, tive a sensação de todo o bar olhando para a nossa mesa.

- Ei, fala uma música que você gosta! – Ele me pedia. Surpreso com o pedido não tive tempo de pensar muito. – Por você, Barão Vermelho. – Respondi. – Cacete, essa eu não sei. Gosta de forró? Gosta da Ivete? Escolhe uma música dela. – Ele dizia. – Não tenho nada contra forró, só não toca em Curitiba. Ivete todo mundo conhece, eu gosto das românticas dela. – Respondi. – Pronto, vou tocar uma para você. – Falou enquanto levantava-se da mesa.

Eu estava curioso, por que não dizer ansioso? Sim, eu estava muito ansioso. Aquela sensação de quando você não sabe o que estar por vir.

Lá estava ele, cumprimentando o músico junto ao Guilherme. O rapaz lhe entregava o violão e ficava ali ao lado dele por alguns minutos, acredito que o Renan estava testando cordas, afinação, ele parecia mesmo entender bem. Foram aproximadamente três minutos, até que o primo se sentou no banco disponível no espaço onde a apresentação era realizada, bateu com o dedo no microfone, o que foi provavelmente foi para saber se estava ligado e falou: - Boa noite, gente! Olha, eu quero deixar claro que não sou músico, não sou cantor e estou aqui forçado. – Dizia sorrindo. – Por favor, não me vaiem, nem me joguem seus copos com bebidas. – Finalizava.

O pessoal parecia ter gostado da apresentação, alguns riam e eu continuava ansioso. Após alguns testes de volume, lá estava o Renan, tocando. Eu não conhecia o toque que ele realizava no violão, até ouvir:

“Posso te falar dos sonhos, das flores, do quanto a cidade mudou... Posso te falar do medo, dos meus desejoso, do meu amor...”

Ele tocava “A lua que eu te dei” da Ivete Sangalo, mas que a música era da baiana pouco me importava naquele instante, eu estava embasbacado com o cara que a interpretava e os aplausos dados por pessoas do ambiente provava que não era só eu. Aquele cara não podia ser real, honestamente, são muitas qualidades para um homem só. O jeito de falar do Renan é bem sereno, mas firme e o seu jeito de cantar era dessa mesma forma, ele cantava com uma suavidade tão gostosa de se ouvir que era difícil não gostar do que ele estava cantando. Na música haviam notas altas e ele as reproduzia com maestria.

Naquele momento eu estava sem companhia na mesa, apenas bebendo e admirando aquele cara que só fazia meu desejo por ele aumentar cada vez mais. Ele cantou algo em torno de seis a sete músicas e era sempre aplaudido pelo pessoal, por mim também, claro. Houve o momento em que ele finalizou e se despediu, explicou que só tinha ido ali para deixar o Vagner descansar um pouco, mas que já voltaria para mesa onde estava. Antes de finalizar seu agradecimento, uma voz ecoava pelo bar, era o pedido de uma música, feito por uma mulher.

- Ei, meu lindo, toca “deixo” antes de ir, por favor, só mais essa? – Pedia. – “Deixo” da Ivete? – Perguntava. – Sim! – Respondia a mulher fazendo um sinal de positivo com a mão.

Eu observava e via que na mesa dela haviam outras mulheres e alguns homens, mais mulheres e essas aplaudiam o pedido dela. Enquanto eu via a cena, me questionava “que música é essa? ”

Ele iniciava mais uma música e quando começou a tocar o violão as pessoas já davam gritos e assobiavam, até que ele começou: - Eu me lembro sempre onde quer que eu vá, só um pensamento em qualquer lugar...

Sim, eu conhecia a música, não conhecia a letra, mas parece que as pessoas ali conheciam muito bem, acredito que todos cantavam com ele.

Que voz, meus amigos. Ele concluiu a música recebendo os aplausos e dessa vez conseguiu se despedir do pessoal e retornar até a mesa onde estávamos. No caminho ele foi parado algumas vezes para receber alguns elogios, mas logo estava ali sentado à minha frente. Sorridente, mas aparentemente envergonhado.

- Caralho, Renan... já pensou em se inscrever nesses programas de músicas que tem na TV? The Voice e tal... cara, você canta muito bem, muito bem mesmo. – Falei. – Ah, para... eu não acho que seja tudo isso, era só um passa tempo que eu tinha antigamente. – Ele me respondia meio desconcertado.

Por um tempo conversamos sobre os dons musicais que ele possuía, até que repentinamente chegava em nossa mesa mais um balde de cervejas e uma poção de ostras cozidas.

- Essas são cortesias da casa para vocês! – Dizia o Guilherme, deixando o que trouxe sobre a mesa. – Mas por que isso? – Questionou Renan. – Pelo show que você deu, rapaz! Se você tocasse um pouco mais eu teria que te contratar porque eu ia perder meu músico. – Respondia rindo. – Que é isso, Gui... eu vou pagar por isso, faço questão! – Insistia Renan. – Desiste, Renan. É cortesia, você merece, curte com seu primo aí. Ah, outra coisa... Tem uma mulherada de olho em vocês, tá? Perguntaram a Laila se vocês eram um casal gay. – Guilherme dizia.

O primo ficou aparentemente constrangido com o que Guilherme havia dito, mas mantinha um sorriso ignorando o assunto. Agradeci a cortesia ao rapaz que se mostrava bastante atencioso conosco, até que ele se retirou e mais uma vez voltávamos a “ficar a sós”.

- Viu só, foi cantar e agora temos mulheres nos admirando, vai curtir com alguma pretendente? – Eu o questionava rindo. – Não, não, eu te disse que não tenho cabeça para essas coisas. Mas ele disse que estavam interessadas em nós dois, você não está afim de ficar com uma baiana? – Me respondia e questionava. Não esperava que a resposta fosse vir com um questionamento desses. Realmente, eu não teria problema nenhum em dar corda para uma mulher e ficar com a mesma, mas eu não queria aquilo no momento, quem eu queria estava bem ali a minha frente, ele só não sabia disso. Eu já havia aprendido a admirar diversos aspectos do Renan, não só desejá-lo sexualmente, mas a vontade de pegá-lo para uma transa com força não me saía da mente.

- Eu até que gostaria, sabe? Talvez isso mudasse muitas coisas em minha vida... que só aparenta ser muito boa, mas cada um sabe o que passa. – Ele dizia em um desabafo.

Aquilo foi repentino, eu não entendi o que ele queria dizer, naquele momento já havíamos bebido bastante, mas o nível alcoólico dele era visível estar bem alto. Fui até o balcão do estabelecimento e pedi uma água mineral retornando em seguida para a mesa onde o entreguei.

- Beba, é sempre bom beber água em alguns intervalos entre as cervejas ou qualquer outra bebida alcoólica, te manterá melhor hidratado. – Disse.

Ele aceitou e bebeu toda água. Naquele instante eu decidi parar de beber por aquela noite, mas ele, apesar de ter ingerido a água, continuava a beber as cervejas.

- Renan, o que você quis dizer com aquilo de “talvez isso mudasse muitas coisas em minha vida”? - O questionei.

Ficou um silêncio por alguns segundos, incômodo até. Eu o encarava, ele abaixava a cabeça e respirava fundo.

- Nada, só pensei alto. – Respondeu.

Não quis pressioná-lo, desfiz a promessa de não beber mais aquela noite e retornei as cervejas. Ele se manteve em silêncio por alguns minutos. O primo bebia, eu não sabia como animar aquela situação, foi quando ele disse repentinamente:

- É difícil, cara... viver de um jeito diferente do que gostaria, é difícil, sabe? Tem dias que eu não paro de pensar e isso acaba comigo. – Desabafava. – Renan, não temos contato, convivência, nem intimidade o suficiente, mas você pode conversar qualquer coisa comigo, pode confiar em mim. – Eu dizia a ele.

Havia ficado um clima sério com aquela situação, ele bebia e entre goles contava algumas coisas da vida, sobre não ser sinceramente feliz, sobre ter medo do futuro. Eu percebi que por trás do cara de sorriso largo e encantador havia realmente um garoto perdido, confuso, mas eu não sabia ou entendia o porquê. Ele é um cara que tinha praticamente de tudo, vivia muito bem, era independente financeiramente e tem apenas 20 anos, muitos gostariam de estar no lugar dele, eu pensava. Foi um assunto duradouro, ali eu era apenas seu ouvinte, eu não sabia aconselhar sobre algo que ainda não tinha o entendimento.

Foi o momento onde tudo tomou outro rumo, quando olhei para o rosto do primo e o vi chorando, aquilo me assustou. Questionei o que estava acontecendo e ele me falou que doía nele saber que nunca conseguiria corresponder às expectativas de seus pais, foi naquele instante que eu pensei que poderia ser sobre sua possível sexualidade, talvez ele tivesse algum problema com isso. Era cedo demais para deduzir, eu o questionava sobre o que ele falava e o mesmo apenas conversava sem deixar concreto o que havia.

O pedi para aguardar ali, sentado, ele já estava bêbado, era notável em sua fragilidade. O deixei e fui rapidamente até o balcão para pedir a nossa conta a Laila, que prontamente me atendeu. Expliquei que o Renan já estava alcoolizado demais e que estávamos cansados, pois tínhamos chegado na ilha naquele mesmo dia, eu não queria que ela ou seu namorado fossem até lá despedirem-se e o visse naquele estado. Por sorte o estabelecimento estava cheio e eles estavam bastante focados. Paguei a conta, agradeci por todo atendimento e deixei confirmado o meu retorno com o Renan.

Voltando à mesa, lá estava o primo sentado em sua cadeira. O chamei para levantar e irmos embora, ele obedeceu mas questionou o pagamento da conta, ficando meio irritado quando eu disse que havia pago tudo, ele queria ter dividido. Não dei muita atenção a reclamação, apenas fomos saindo do bar. Com o olhar ele procurava o casal de amigos, mas acredito não ter encontrado.

Fora do estabelecimento, caminhávamos. Era engraçado vê-lo se esforçando para manter uma pose de que estava bem, sã e no fim dava alguns passos tortos. Fui até ele e o abracei de lado, para guiá-lo melhor.

- Fica tranquilo, não é nada anormal beber demais e ficar tonto. Lembra do que me disse no barco? O mesmo digo a você: fica tranquilo, está comigo e eu não deixaria nada acontecer com você. Só vamos para pousada... – Falei.

Era uma sensação agradável abraçá-lo mesmo que fosse apenas para guiá-lo. Em nossa caminhada eu ia pensando em tudo que ele havia dito, não foi um retorno de muita conversa, estava tarde, estávamos cansados, eu só queria chegar ao nosso quarto e deitar e também ver aquele garoto descansar.

Estávamos próximo da pousada, quando repentinamente o Renan para em minha frente e me abraça. Fiquei congelado na hora, eu apenas levei uma das mãos até as costas dele e o retribuí.

- Obrigado por ter vindo comigo, você é muito legal, está sendo um prazer te conhecer, eu te daria um beijo. – Disse enquanto me abraçava rindo, afastando-se em seguida.

Eu estava sem reação, odiava ser pego de surpresa e eu não sabia se havia seriedade no que ele havia dito.

Sendo sincero, eu nunca havia beijado um homem, gostava apenas do sexo, mas nunca carinhos mais íntimos. Era chegar, acontecer e sair, sempre. Então aquilo que o Renan havia dito tinha me incomodado mais do que causado desejo. Eu nem sequer consegui responder.

Chegamos no quarto, entramos e trancamos a porta. Eu estava exausto e também alcoolizado, tirei a camisa e joguei sobre a minha cama. Renan, já deitado na dele, ainda vestido, comentou: - Você tem um corpo bonito, Matheus... – Disse. – Obrigado, você também tem uma ótima forma. Tira essa roupa e toma um banho, você precisa descansar. – Falei. Eu realmente não tinha pensamento nenhum sobre o primo naquele momento, achava que o melhor para ele seria um bom descanso.

Após minhas palavras, Renan levantou-se e tirou sua camisa. O corpo do cara era sensacional, não havia como não admirar.

Eu estava distraído, sem muitos pensamentos, ele apenas aproximou-se de mim e...

[To be continue...]

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