Amor em Guerra - Capítulo 5
Com esse turbilhão de pensamentos eu acabei adormecendo.
Acordei com uma certa falação, desci pra ver o que era, olhei no relógio e eram 19:40. Porra Rick, você dorme demais, pensei comigo mesmo. Chegando lá em baixo vi que era hora da janta, na mesa estavam: meu pai, os três moços que estavam aqui mais cedo e o desagradável do Rafael. Sentei a mesa ao lado de justo quem?
Dele.
Affs... vai ser esse inferno todo dia?
Pensei comigo, mas logo meu pai quebrou os meus pensamentos...
ㅡ filhão, deixa eu te aprensentar o resto da família ㅡ ele disse animado.
ㅡ esses gêmeos são meus irmãos: Hugo e Lúcio. E aquele é o nosso primo Thalysson.
Cumprimente-os ㅡ dei um sorriso e Hugo olhou pra mim.
ㅡ pode me chamar de Guinho ou tio Guinho.
ㅡ e quanto à mim, pode me chamar de tio Lu.
ㅡ já que não sou seu tio, pode me chamar de Thalyn.
Rimos.
ㅡ já que geral tem apelido, podem me chamar de Rick ㅡ rimos novamente e começamos a jantar.
Lúcio e Hugo era gêmeos, mas tinham suas diferenças: Hugo tinha o cabelo espetado, braço direito tatoado com uma tribal e era um pouco mais magro que o irmão.
Já Lúcio era mais forte, usava óculos e tinha um corte de cabelo degradê.Ambos eram brancos dos olhos e cabelos castanhos.
Thalysson era loiro dos olhos diferentões: um azul e outro verde. Ele tinha heterocromia. Tinha o mesmo porte físico dos meus tios gêmeos.
Meu pai olhou para Rafael.
ㅡ você não vai se apresentar rapaz?
Eu cortei ele na hora e com a cara bem seria eu disse.
ㅡ já nos conhecemos pai.
Cara sério, a presença dele era intimidadora, o ar ficava até mais dificil de respirar. Acabei de jantar primeiro que todo mundo, ficar nessa mesa estava me deixando muito constrangido.
ㅡ pai, eu vou dar uma volta pela vizinhança, fiquei o dia todo aqui dentro.
Ele disse que eu podia ir e falou pro Rafael me acompanhar, mas eu logo disse que eu não precisava de babá. Principalmente alguém como esse cara, Rafael me lançou um olhar que me deu arrepio, mas nem liguei, abri a porta e sai.
Peguei meu fone de ouvido e tava tocando Never Gonna Be Alone. Acendi um cigarro (sim eu fumava escondido). Fiquei andando destraidamente, quando esbarrei numa garota que também estava distraída. Ela quase caiu para trás, mas eu segurei ela a tempo, ela tinha um sorriso muito lindo.
ㅡ Ei rapaz, não se destraia muito. A vizinhança daqui nao é muito amigavel.
ㅡ Er... me desculpe, eu tava destraido e...
ㅡ Você esbarrou em mim né? ㅡ disse ela toda sorridente.
Ela olhou pra minha mão e viu o cigarro.
ㅡ fumar faz mal pra saúde não sabia?ㅡ em seguida ela pegou o meu cigarro e deu um trago.
Rimos disso e sentamos na beira da calçada e começamos a conversar.
ㅡ meu nome é Amélia, pelo jeito você é novo aqui não é?
ㅡ me chamo Ricardo e sim, eu cheguei aqui hoje cedo. Acabei dormindo o dia todo.
ㅡ um novato. Você mora nessa casa logo a frente né?
ㅡ sim, mas e você? O que faz sozinha essa hora da noite? ㅡ perguntei preoucupado e logo notei a feição dela mudar, parecia nervosa com alguma coisa.
ㅡ bom... eer.. eu tava vindo.. da casa dela, quer dizer da minha amiga... olha Ricardo tá tarde, é melhor eu ir embora. Amanhã a gente se esbarra.
ㅡ tudo bem Amélia,você vai chegar bem em casa?
ㅡ vou sim, obrigada pelo papo rapaz distraído, amei te conhecer.
Ela me deu um abraço e um beijo no rosto e se foi.
Bom já estava tarde mesmo, resolvi entrar. O pessoal todo estava na sala e tinha alguém no banheiro. Notei que o Rafael não tava em casa, que alívio.
Subi pro meu quarto, coloquei uma roupa pra dormir e fiquei pensando na Amélia. "Uuou ooou ooou! Que garota linda". Ainda pudia sentir seu perfume no meu corpo. Passou um tempo e eu já estava com fome e vi meu pai na cozinha, peguei um café.
ㅡ pai o insupor... quer dizer, o Rafael já foi embora?
Ele me olhou e deu uma risada.
ㅡ embora? ㅡ ele parecia confuso ㅡ o Rafael mora aqui com a gente!
Meu mundo caiu, aquela praga iria conviver comigo?
Era judiação demais. Escuto a porta do banheiro abrir e lá estava ele: Rafael enrolado na toalha e logo disse em num tom sinistro...
ㅡ achou que iria se livrar de mim... Carrie a estranha?
Ele deu um riso tão diabólico que eu achei que ele era a personificação do capeta.
Porque ele não gostou de mim?
Eu não sabia, encarei ele e subi pro meu quarto. Tranquei a porta e deitei na cama, procurei esquecer por um momento que ele existia, peguei meu diário, escrevi algumas coisas...
Querido diário,
Hoje foi um dia estranho, cansativo e confuso.
Acordei na casa nova tentando acreditar que as coisas iam ser diferentes. Meu pai parecia tão feliz… falando do Rafael como se ele fosse alguém em quem eu pudesse confiar. Eu tentei enxergar o mesmo. Juro que tentei.
Na minha cabeça, ele seria só fechado. Sério... do tipo que demora pra se soltar.
Mas não foi isso que eu encontrei.
Desde o jantar, a presença dele me incomodou. Não foi nada que desse pra explicar em palavras, foi mais uma sensação. Como se o ar ficasse pesado quando ele chegava perto. Ele quase não falou comigo, mas quando olhou… eu senti, não foi um olhar bom.
Quando meu pai pediu pra ele se apresentar, eu cortei. Talvez tenha sido defesa... talvez eu já soubesse, lá no fundo, que algo estava errado.
Eu queria tanto que ele fosse como meu pai descreveu. Forte, confiável, alguém do bem. Eu criei essa imagem sem nem conhecer de verdade, agora parece ridículo. Mais tarde, ele disse que morava aqui. Aqui, comigo.
Naquele momento, alguma coisa em mim gelou.
E então ele saiu do banheiro, me olhando como se soubesse exatamente o efeito que causava. Aquele sorriso… não era normal. Não era brincadeira, me senti invadido. Pequeno. Como se eu estivesse em perigo, mesmo sem motivo claro.
Talvez eu esteja exagerando. Talvez seja coisa da minha cabeça. Mas por que então meu corpo reage assim perto dele?
Eu reli o que já escrevi antes, só elogios. Só tentativa de justificar.
Que vergonha.
Hoje eu vi que o Rafael que eu imaginei nunca existiu. Ou nunca existiu pra mim. Engraçado… a única coisa boa do meu dia foi conhecer a Amélia. Com ela foi diferente. Leve e natural.
Nenhuma sensação ruim, nenhum medo. Só um sorriso que ficou comigo até agora.
Talvez seja isso que eu precise aprender: parar de tentar ver bondade onde só existe silêncio e desconforto.
Eu só queria me sentir seguro.
Boa noite, diário.
"AI QUE TROXA QUE EU ERAAAA!"
Logo a Amélia me veio a mente. Fechei o meu diário, e guardei bem escondido pra ninguém mexer, meu diário era minha zona de desabafo.
Amélia. Essa garota mexeu mesmo comigo, foi pensando nela que eu acabei adormecendo....