Capítulo 2 : Isto Não Pode Ser Um Adeus
Parte da série Hunger Eyes
Sabe quando tudo começa a desabar. Tudo ao seu redor começa a cair. E não tem como você juntar os pedaços. Tudo o que te resta a fazer é se render. Eu preferia mil vezes estar se afogando, me afundando em algum dos piores oceanos do que estar passando por isto. Eu não tinha escolha. Era como se eu estivesse em um filme dramático aonde o personagem principal estar destinado à morrer. Eu não queria ser este personagem. Eu não quero morrer. Mas eu não tenho chances de vencer estes jogos sangrentos. Se eu comseguir sobreviver ao primeiro dia será um grande ganho para mim.
Eu não tinha noção do que acontecia ao meu redor. Por um momento eu acreditei que estava vendo o fantasma de Brandon. Não isto não seria possível. Penso. Sim. Eu estava vendo o fantasma de Brandon, se aproxiamando de mim. Minha mente estava lúcida. A cada passo que seu fantasma dava em minha direção, mais eu me sentia confuso. Seus olhos me miravam, como da primeira vez que eu o conheci. Seus olhos ansiavam conhecer os meus. Mas eu tinha medo de conhecer os dele.
Era uma tarde de inverno. Eu estava muito distraído com um livro que eu estava lendo. Tinha apenas 12 anos. Eu estava muito longe de casa, havia pegado um atalho pela floresta. Estava com frio mesmo estando bastante agasalhado. O céu estava escuro, uma grande tempestade estava se aproximando, então aperto meus passos para chegar mais rápido em casa. Quando eu escuto um barulho de galho sendo esmahado. Sinto uma espécie de calafrio por todo o meu corpo, olho para os lados para ver se alguém estava me seguindo, mas não havia ninguém. Como na época eu era muito medroso decidi ir correndo sem olhar para o que estava na minha frente. Então dou de cara em algo me fazendo tombar no chão. Foi aí que meus olhos encontraram os deles. Brandon só tinha 14 anos na época, mas seu corpo sempre foi bastante desenvolvido. Ele olha no fundo dos meus olhos, fazendo algo em mim se esquentar. Olho para a grama desviando de seu olhar.
–O que faz um jovem andar sozinho por aí? .- Ele me pergunta com seu tom de voz grave.
– E....eu..... eu...es...-Gaguejo.
– Você o que?.-Ele pergunta.
– Eu estava indo embora por um atalho. -Falo o mais rápido o que eu posso.
– Calma aí ligeirinho. -Diz ele me olhando de cima em baixo.-Não consigo compreender o que você diz.-Ele estende sua mão para me ajudar a levantar. De início fico meio desconfiado. Mas aceito sua ajuda.-Sou Brandon. -Ele sorri.-Brandon Acoolupa. E você? .
Meus pais sempre me falaram para não falar com estranhos na rua. Mas algo me dizia que eu poderia confiar nele. Foi aí que eu errei.
– Meu nome é Clain Walther. -O encaro. -Agora preciso ir embora. Meus pais me esperam.-Tento dizer de forma formal e rude, como se eu não quiser se falar com ele.
Passo diante dele sem encarar seus lindos olhos azuis. Sinto meu coração bater o mais rápido do que o de costume. Alguma coisa estava errado comigo. Acho que precisarei ir ao médico.
– Espera.-Brandon grita.
Me viro o olhando. Brandon estava com um lindo sorriso no rosto.
– Quantos anos você tem?.-Ele pergunta.
– Isto não é de seu interesse. -Grito e saio correndo de lá.
–Se não fosse eu não estaria perguntando.-Escuto ele dizer de longe.
O que deu em mim?. Porque eu sai correndo? . Isto não é de meu costume. Havia algo de muito errado em mim. Mas eu não sabia o que era. Eu precisava de uma resposta para isto tudo. O tempo passou e logo descobri que estava gostando daquele garoto. Ele sempre vinha e me persuadir aonde quer que eu estava de todas as maneiras. Até o dia que ele me pediu em namoro e eu aceitei.
Dou um pequeno sorriso convidativo ao fantasma de Brandon, mas sou levado novamente a realidade com o grito misturado com choro de Juh. O programa havia acabado. Todos estavam chorando. Eu estava ainda paralisado encarando aquela maldita televisão. Porque eu?. Porque logo eu?. Pego um vaso de flores que fica em cima da mesa de jantar e o atiro em direção ao telivisor. Não conseguia controlar as lágrimas que escorriam no meu rosto. Eu sabia que isto e este meu jesto que acabei de fazer fazeria Juh ficar mais desesperada ainda, mas isto não era minha culpa. Logo os guardas estarão aqui para buscar os escolhidos, que no caso aqui é : eu , Amable e Alex, tirando os outros dois garotos que não são daqui.
Subo as escadas rapidamente entro no meu quarto, batendo a porta com força na hora de fecha-la. Me jogo de bruços em cima da minha cama e começo a chorar e socar o travesseiro. Eu sabia que não tinha chances naqueles jogos. Logo irei me juntar aos meus pais e ao meu ex namorado.
– Minhas lentes.-Sussuro.
Abro a gaveta do criado mudo que tem ao lado esquerdo de minha cama e pego duas caixas de lentes de contatos que eu tenho, para esconder a verdadeira cor dos meus olhos. Uma era das que eu estava usando agora e a outra era reserva. No fundo da guaveta vejo um objeto com bordas prateadas que eu não me lembrava nem que eu tinha mais isto. Pego o pequeno objeto em formato de cruz de malta pintado de preto e suas bordas eram prateadas. Isto é um broche que eu havia ganhado um dia depois da morte de Brandon. Me lembro até hoje.
Eu estava sentado na cadeira de balanço que era de minha mãe, eu não queria sair, comer, falar e nem dormir, meu pai estava seriamente preocupado comigo. Eu sempre ficava encarando o nada. Era como se o nada houvesse algo interessante que chamava minha atenção. Quando eu não estava olhando para o nada eu estava deitado em minha cama chorando. Uma vez me forcei a acreditar se eu ficasse chorando sem parar eu começaria a chorar sangue, isto fazeria todo o sangue sair do meu organismo e me fazeria ter uma hemorragia, então eu morreria. Mas isto não aconteceu. Enquanto estava sentado me balançando, cantarolando uma música que eu mesmo não conhecia. Isto daria uma boa cena de filme de terror, aonde o asassassino pertubado fica mais pertubado ainda cantando e se balançando em uma cadeira de balanço velha, esperando, sua próxima vítima. Quando batem na porta lá de casa. Meu pai que atende. Logo após ele aparece com uma carta redirecionada a mim. Ele deixa a carta em cima de meu colo e sai de lá, sem falar nada. Abro a carta e nela continha este broche e uma folha com um texto escrito por Brandon, eu sempre reconheciria suas letras em qualquer lugar do mundo. Na carta dizia :
" Bom eu nem sei se isto um dia vai chegar em suas mãos. Pois nem eu mesmo sei se um dia eu vou para os Jogos Sangrentos, mas se um dia eu for quero que saiba que eu te amo muito. Não importa o que aconteça. Não importa o que eu faça. Quero que saiba que eu sempre vou te amar. Quero que nunca se esqueça disto. Sou eu quem irei te salvar nos dias mais escuro. No dia em que você mais precisar de mim eu estarei lá. Quero deixar este broche não como o símbolo de nosso amor, mas como o símbolo de nossa amizade. Espero que faça um bom uso deste. E quero que se lembre , enquanto fogo e gelo estiverem unidos nada poderá destruir está união. "
Estes últimos versos eu nunca entendi. Depois de ler a carta eu a joguei no chão junto com o broche e nunca voltei a procurar. Ver este broche agora é como receber um soco no estômago, pois eu joguei fora o símbolo de nosso amor e amizade, e depois de tanto tempo este simbolo volta, mas ele também jogou fora o nosso amor, beijando outra pessoa nos Jogos. Mas com isto tudo acontecendo eu precisava de algo próximo a mim para me agarrar, para depositar minjas últimas esperanças, e seria neste broche. Prendo o broche no lado esquerdo de minha blusa, ajeito minhas lentes. Eu estava pronto. Pronto para encarar a morte frente a frente.
Os guardas armados aparecem na porta do meu quarto. Eles vieram me buscar. Desço as escadas sendo seguido pelos guardas. Alex e Amble estavam lá com outros guardas. Juh se levanta da cadeira corre em minha direção me abraçando.
– Você vai voltar. -Ela diz desesperada.-Eu acredito em vocês. Vocês vão ganhar. -Ela não consgue evitaro choro.-Mesmo que eu não os veja mais, quero que fiquem vivos. Quero que protejam eles. Eu acredito em você Clain. Me promete que vai fazer de tudo para vencerem?.
O guarda afasta Juh de mim. Olho nos fundos dos seus olhos. E digo uma coisa que eu nem sei se sou capaz de fazer.
– Eu prometo.
A Senhora e a Senhorita Undless se despedem da gente, dizendo que somos como filhos, e que acredita em nossos potências. E que não importa o que aconteça sempre nos amará. Entramos dentro do carro da União dos 3 S. E somos levados até o avião que nós levará ao Solid Stade Survivor. Pelo trajeto até o aeroporto, penso em como o destino é cruel. Eles não só tirou nossos pais. Como também vai tirar as nossas vidas. Eu odeio o destino. Sempre pegando peças.
Na chegada ao aeroporto Amable e Alex estavam abraçados, apenas os encaro e vejo os outros dois garotos que irão enfrentar à morte junto com a gente. Um era magro, um pouco mais baixo que Amable, tinha a pele pálida, olhos cinzentos e cabelos castanhos. Ele se apresentou como Jordan Week. O outro já era mais monstruoso. Parecia ter um metro e noventa de altura. Corpo muito musculoso acho que só um de seus braços era capaz de dar conta de nós 4. Seus cabelos castanhos escuros, e olhos verdes. Seu nome é Crash Pain. Dor era o que eu ia sentir ao enfrentar este montro.
Entramos dentro do avião sem se quer trocarmos mais nenhuma palavra. Estava sentado sozinho, olhando o vasto céu pela janela. Crash estava encarando Jordan que estava encolhido em seu banco com sua cabeça entre as pernas. Alex e Amable estavam dormindo juntos. Como eu queria dormi, mesmo sabendo que teria pesadelos. Mesmo sabendo que quando eu acordar eu acordarei para morte.
Tudo o que me lembro e de ser acordado por um dos guardas. Não lembro nem como eu fui acabar dormindo, só lembro de estar observando a linda vistas dos céus e depois mais nada. O lado bom é que eu não tive nenhum sinal de pesadelo algum.
– Algum problema? .-Pergunto.
– Não. -Diz o guarde me olhando como uma cara estranha.-Só passei aqui para avisar que já estavamos em terra firme que a partir deste ponto vocês proseguiram de trem.
– Okay.-Digo dando a mínima importante para o que ele dizia.-Aomde é o banheiro? .-Pergunto. -Segunda porta a esquerda.-Diz ele. -Obrigado.
Me levanto e vejo Amable e Alex acordando sem saber o que estava acontecendo, acho que eles acharam que foi tudo um pesadelo. Ainda tenho falsas esperanças que seja tudo um terrível pesadelo. Me olho diante ao espelho, vejo que a lente do meu olho esquerdo estava meio fora do lugar, ajeito a lente e saio do banheiro.
–Tive um pesadelo muito estranho. -Diz Amable.
– Isto não é um pesadelo.-Falo.
– Não é isto.-Ela me encara.
– Então o que é? .-Alex pergunta.
– Eu sonhei que chegávamos a final dos Jogos Sangrentos. -Diz Ela.
–Então vencemos. -Digo sorrindo.-Mas isto pode ser o caso de vocês não o meu.
–Não. -Ela diz.-Quando cehgamos ao final. Falaram que só um poderia vencer. Então lutamos um contra o outro e você venceu Clain. Você nós matou.
– Eu não faria isto. -Falo. -Eu nem tenho chances de chegar à final. E aliás isto é contra as regras. Se 3 membros da mesma nação ficaram vivos no final eles são obrigados a nós declarar vencedores.
–Eu espero que sim.-Diz ela segurando a mão de Alex e o lavando para dentro do trem.
A viagem de trem é calma. Logo conheceremos as pessoas que cuidarão da gente enquanto os jogos Sangrentos não começa. Então o maquinista avisa que já estamos chegando ao Solid Stade Survivor. Vejo grandes prédios um do lado do outro, belas casas de dois e três andarem, lindas ruas enfeitadas , pessoas caminhando com um enorme sorriso no rosto ao ver o trem de nossa nação. A última nação a chegar. A Nação The Hope Fire. Agora estamos definitivamente no Jogo. E não tem como escapar.