Recomeço

Conto de Andrew como (Seguir)

Parte da série I Was Here

Na manhã seguinte após ter acordado do coma passei por uma bateria de exames, onde foi constado que o edema cerebral já era inexistente e a vida já poderia recomeçar dentro de alguns dias.

O Lucas voltou para o HU para cumprir com as obrigações da semana, meus pais ficaram comigo durante à tarde e ao final da noite meu irmão Fábio chegou ao Hospital para ficar comigo durante aquela noite.

- Um passarinho, forte, cheiroso, e apaixonado me contou que um certo alguém resolveu acordar pra vida e me encher de alegria novamente. Será que ele estava certo?

- Acho que sim, mas esse passarinho por acaso seria o Dr. Lucas?

- E você tem alguma dúvida disso?

- Não não, nenhuma! Mas vem cá, essa barba imensa aí? E esse cabelo, está competindo com alguém para o papel do novo Rei Leão?

- Engraçadinho! Isso aqui é culpa sua, quem mandou querer me abandonar por 6 meses?! Deu nisso! Não sabe a falta que você me fez Andrew, sinceramente cheguei a pensar que você não voltaria mais para nós. Todos os dias era uma ansiedade que emanava em nós a sua espera, de qualquer movimento. Sentia falta do teu riso solto, do teu silêncio ensurdecedor, do teu abraço, do teu afago, do meu irmão e confidente. Tenho tantas coisas para te contar, tantos foram os acontecimentos nesses últimos 6 meses...

A voz dele se esvaiu com um choro engasgado, parecia que estava preso ali há anos quando veio a tona, e eu pude sentir o medo e a angústia que assombrava o meu irmão. Para ser sincero, eu não sabia o que fazer ou o que dizer, apenas assenti com a cabeça dizendo:

- Vai ficar tudo bem, eu prometo!

- Me perdoe não ter vindo muitas vezes aqui para te ver, você me conhece... sabe que eu e hospital não somos muitos amigos, não me sinto bem aqui dentro.

- Relaxa mano, eu sei muito bem disso. E obrigado por ter me defendido do Henrique.

- Como...? Como você sabe disso, Andrew?

- Eu escutei toda discussão de vocês, apesar de não conseguir expressar nada, eu ouvia tudo o que diziam, absolutamente tudo. Confesso que me surpreendi com a vinda dele aqui, mas a minha vontade era de expulsá-lo daqui. Ele voltou a vir aqui?

- Muitas outras vezes, até mais que o Lucas. Mas eu deixei avisado na recepção do Hospital que somente pessoas autorizadas poderiam subir até o seu quarto, ninguém mais!

- E o Henrique acatou isso?

- Claro que não! Brigou, esbravejou, chorou, a mãe até foi lá falar com ele no dia.

- E aí? Você contou a ela sobre o real motivo do término do meu namoro?

- Não maninho, apenas me resumi em dizer que esse era um pedido teu que me fizera na noite da sua formatura, que jamais era pra eu permitir que o Henrique chegasse perto de você.

- Você como sempre me livrando, te devo mais uma Fábio.

- Irei cobrar no momento certo! Rs

- Que medo!

Viramos a madrugada atualizando as novidades, chamei a atenção do Fábio mais uma vez sobre a aparência, fiz ele me prometer que assim que eu saísse do hospital nós iriamos ao salão dá uma repaginada.

O fato de meu acidente ter desestruturado toda a minha família me incomodava imensamente, sempre fui tão forte e zeloso acerca dos meus problemas, não deixa transparecer absolutamente nada a ninguém. Na dúvida, me limitava em sorrir e acenar, sempre funcionava!

Entretanto, não entendia porque da insistência do Henrique em me ver. Ele fui categórico ao dizer que não queria vê-lo nunca mais na vida, e devido a todo o desgaste que estávamos tendo devido à traição, às mentiras e às omissões, que ele também concordou com a minha decisão e a respeitou... até agora.

Era minha noite internado, finalmente a vida iria recomeçar, estava tão ansioso! Por incrível que pareça, ninguém foi dormir comigo no hospital nesse dia. Fiquei um pouco incomodado, carente talvez... mas o que eu poderia fazer? Todo mundo havia me esquecido mesmo!

A enfermeira havia acabado de trocar o meu soro e me deu a última medicação daquele dia, estava quase dormindo quando escutei a porta do quarto se abrir e uma pessoas desconhecida se aproximou de mim.

- Olá, Andrew! Quanto tempo, não é mesmo?

- Henrique? Mas como...?

- Eu implorei a recepcionista para me deixar subir, disse que ela poderia até enviar um segurança junto a mim, para testemunhar que não iria fazer nada contra você... eu só queria te ver mesmo. Como você está, meu amor?

- Não me chame assim, não existe mais nada seu aqui!

- Andrew, eu queria...

- Você não quer nada, Henrique! Saia daqui agora, ou vou chamar as enfermeiras.

- Andrew, me ouça por um momento apenas... por favor!

- O que você tem pra falar que não disse em todos esses anos? Ah claro, eu não poderia te ouvir porque não tinha tempo, não é mesmo?

- Andrew...

- E por eu “não ter tempo” você resolveu arrumar alguém que tinha tempo o suficiente para você, certo?

- Andrew..

- Andrew nada, Henrique! Não há como reverter toda essa situação, o amor e o respeito que sentia por você se findou no momento que você me traiu.

- Andrew, caramba! Me deixe falar, eu te amo! Não há nenhum dia que eu viva do qual eu não me arrependo de tudo que fiz com você. Se eu pudesse reparar meu erro, se eu pudesse voltar no tempo faria tudo diferente. Me perdoa?! Volta pra mim, sei que posso te fazer muito feliz ainda.

- Você só pode estar brincando né?

Ele veio se aproximando de mim, deu um sorriso de canto de boca e tentou me beijar quando alguém entrou no quarto:

- Estou atrapalhando alguma coisa?

- Quem é você mesmo?

- O nome dele é Lucas, Henrique! E ele é meu namorado! Como pode ver, a minha vida, apesar do pesares, tem seguido sempre em frente sem titubear.

- Prazer Lucas, me chamo Henrique... sou ex do...

- Eu sei quem é você, a pergunta é o que você está fazendo aqui?

- Eu precisava vê-lo, o Fábio estava marcando em cima e me proibiu de chegar perto do Andrew.

- Porque será né?

- Olha Lucas, eu...

- Não, olha aqui você. Não vou te expor nem nada, isso não aconteceu! Pegue suas coisas e retire-se daqui imediatamente, ou eu não respondo por mim.

- Tudo bem! Andrew, nós vemos por aí... fico feliz em te ver bem! Até mais.

- Adeus Henrique! E não me procure mais, por favor.

Henrique saiu do meu quarto, enquanto Lucas o fuzilava com os olhos... me sentia tão seguro ao lado do Dr “Apenas”.

- Pô Andrew, o que esse cara disse? O que ele quer com você ainda?

- Ele veio chorar as pitangas, palavras e mais palavras acerca de um possível arrependimento. Não se preocupe, logo ele some novamente.

- Sei...

- Ishi, já vi que a tromba já está formada.

- Não está não, seu moleque atrevido.

- Então vem cá e transforme essa tromba em um beijo de amor verdadeiro.

- Andou assistindo Malévola né?

- HAHAHA, o Fábio baixou esse filme no notebook e trouxe para eu ver.

- Entendi... Andrew, o que você disse ao Henrique é verdade?

- Depende, sobre o que estamos falando agora?

- Eu sou teu namorado?

- Achei que já eramos casados, Dr “Lucas Apenas”.

- Isso quer dizer que...

- Quer dizer que mesmo sabendo que você irá me pedir em namoro daqui alguns minutos, eu precocemente digo que aceito!

- E depois diz que não é atrevido, né?

- Sou realista, você ficou todo nervoso quando viu o Henrique aqui, que deixou a caixinha da aliança cair ali no chão.

- Eita, nem me toquei... mas vamos lá, Dr. Andrew, você aceita namorar comigo?

- Posso pensar por mais 6 meses?

- Não ouse....

- Calma, Dr Lucas “Apenas”. Eu aceito sem sombras de dúvida!

Lucas me havia me dado uma aliança fina, delicada, era incrível como ele me conhecia tão bem. Não gosto de nada chamativo, prefiro a simplicidade das coisas e das pessoas, isso que realmente me fascina. E aquela aliança era a tradução perfeita do amor pelo qual eu me rendi, um amor simples e delicado.

Comentários

Há 1 comentários.

Por Ryan Benson em 2014-07-07 03:11:03
Lindo!... :3