O Grande Dia

Conto de Andrew como (Seguir)

Parte da série I Was Here

Estava quase chegando no meu carro, abri porta do porta-malas para guardar minhas coisas, quando ouço alguém me chamando, quando olho uma interrogação paira sobre mim.

- Dr Lucas, em que posso ajuda-lo?

- Andrew, você poderia me passar o seu número de celular? Caso eu precise discutir algum caso de algum paciente seu.

- Claro, Dr. Desculpe! Sai sem deixar meus contatos, ato falho.

- Tranquilo. Poderia me passar?

- Sim, é esse número aqui. O whatsapp é mesmo, é só me adicionar que trocamos mensagens por lá.

- Obrigado, Andrew. Aproveite seu descanso merecido, e festeje bastante na próxima semana, será mais do que merecido!

- Obrigado, Dr. Aliás, você não quer ir à minha colação de grau? O baile de formatura será logo após. A colação será na próxima sexta-feira, nesse endereço aqui. Caso não esteja de plantão, ficaria muito feliz em vê-lo por lá.

- Poxa Andrew, farei o possível para estar lá partilhando deste momento contigo. Vem cá, deixa eu te dar um abraço.

Aquele abraço parecia interminável, era caloroso, confortável, sincero... ai Deus, será que estou apaixonado por esse R3? Mas porque ele tinha que aparecer só agora que eu vou me formar, não irei vê-lo com frequência, com essa rotina louca que temos. Talvez eu esteja carente, e fantasiando coisas irreais.

Nos despedimos, e segui para casa com uma sensação boa, inexplicável eu diria. Chegando no apartamento, arrumei todas as minhas coisas, tomei uma ducha, e fui para o shopping em busca de algo para comer.

Como fazia tempo que eu não comia um lanche, resolvi pedir um Subway. Terminei de comer, fui dá uma volta pelo Shopping, me despedindo de tudo aquilo, afinal em alguns dias eu iria voltar para casa dos meus pais, e curtiria um pouco a minha família que em muito me fez falta nessa jornada pela medicina.

Como eu estava de bobeira, resolvi passar em uma agência de viagem e sondar um pacote para Londres, meus amigos estavam fazendo intercâmbio por lá, poderia visita-los. Falei com o agente de viagem, e acabei fechando. Embarcaria na segunda-feira após a formatura.

Fui para casa, e quando estava pegando no sono, o alerta de uma nova mensagem apitou, era um número estranho, não conhecia, o conteúdo da mesma dizia: “Espero que não tenha te acordado, mas é que eu não paro de pensar em você. Seu perfume impregnou no meu jaleco, mal te conheço e já sinto sua falta. Até sexta.” Ao ler isso meu coração pulsou ainda mais forte, me arrancando um sorriso e um suspiro apaixonado. Devo estar ficando louco mesmo!

A semana praticamente voou, e o tão sonhado dia chegou. As mensagens do Dr Lucas cessaram, foi uma única mensagem para nunca mais. Como eu sou desapegado, deixei de lado, não iria correr atrás de ninguém, estava traumatizado ainda, só queria permanecer em paz.

Meus pais e a minha irmã chegaram antes de mim no local da colação de grau, eu estava no meu apartamento em uma crise existencial, o que eu iria fazer depois de formado? Submerso em meus pensamentos, fui despertado pelo som da buzina do carro do meu irmão Fábio.

Peguei minha beca, desci e entrei no carro dele, quando ele só me olhou e disse:

- Chegou o grande dia, meu irmãozinho! Vamos lá fechar mais um ciclo?

Antes dele terminar de falar, eu desabei em lágrimas. Eu não sabia o que estava acontecendo, era um misto de felicidade, com angústia, com medo do desconhecido, do novo... tantas coisas estavam se passando pela minha mente que me vi sufocado com tudo aquilo. E fiquei assim, abraçado ao Fabio por um bom tempo, quando ele resmungou:

- Você vai me amassar todo, vamos logo! Eu sei o que você está sentindo, mas vai ficar tudo bem, eu prometo!

Eu eu o Fabio temos uma ligação que ninguém sabe explicar, só ele soube do real motivo que eu terminei meu namoro com o Henrique, ninguém mais.

Chegando na colação, meus pais estavam aflitos, minha mãe quando me viu desabou a chorar.

- Meu menininho, chegou a tua hora! Sua estrela vai brilhar, esse é apenas o começo dessa grande jornada que você escolheu trilhar. Que Deus te abençoe, e guarde teus caminhos. Que você seja instrumento Dele para operar milagres nessa vida. Te amo muito!

- Mãe, não tenho palavras para agradecer todo o teu empenho, carinho, amor e cuidado que sempre teve para comigo. E mesmo quando eu achei que o mundo estava desabando sobre mim, você me carregou no colo e me trouxe até aqui. O que eu sou hoje, devo inteiramente a vocês. Te amo!

A essa altura, meu pai já não conseguia mais proferir uma palavra, só chorava. Despedi-me deles, e subi para o palco a procura do meu lugar.

Passada as solenidades que compõe a colação, eis que sou surpreendido pelo coordenador do curso convocando-me para realizar o juramento que selaria aquele momento.

Levantei sob os aplausos dos meus colegas, e me dirigi até a púlpito para realizar o juramento:

“Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade. Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão. Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade. A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação. Respeitarei os segredos a mim confiados. Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão médica. Meus colegas serão meus irmãos. Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes. Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza.”

Ao terminar de proferir o juramento, tomado pela emoção, avistei de longe um rosto familiar, era o Dr Lucas que estava descendo às escadas vindo ao meu encontro. O que eu não esperava era receber um buquê de rosas dele.

- Dr Lucas, que rosas lindas! Obrigado.

- Hoje eu não sou Dr, Andrew. Me chame de Lucas apenas.

- Ok! Lucas “Apenas”, obrigado pelas rosas.

- Mas você é piadista mesmo, né Andrew? Vem cá, deixa eu te dar um abraço! Que saudades eu estava de você, seu moleque. Seus pacientes não param de perguntar sobre você, fico enciumado às vezes.

- Hahahaha, é sério? Que legal! Irei visita-los depois que eu chegar de viagem

- Viagem? Para onde você vai?

- Na segunda eu viajo para Londres, preciso de umas férias. Mas não vou ficar muito, preciso voltar e me preparar para o exame da residência o quanto antes.

- E quanto tempo pretende ficar?

- Acho que uns dois anos...

- Nossa, tudo isso?!

- É brincadeira, Lucas. Nem vai dá tempo de você sentir minha falta.

- Impossível....

- Como?

- Não, nada! Bom, eu vou ver ter voltar para o Hospital. Pego o plantão às 00h, já viu né?

- Poxa, que pena! Mas de qualquer forma, obrigado por ter vindo.

- Imagina, foi um prazer!

Sem hesitar, Lucas me deu um abraço caloroso e fixou o olhar nos meus olhos, e o clima já estava instalado. Num rompante, ele me deu um selinho e falou ao meu ouvido:

- Eu estou completamente apaixonado por você, lhe escrevi uma carta, esta no meio do buquê. Leia quando tiver tempo, até mais.

- Até mais, Dr... quer dizer, Lucas!

Eu fiquei tão surpreso com o selinho, que não soube nem me despedir dele. No final, não era coisa da minha cabeça. Mas porque ele sumiu então? Bom, veremos depois o que ele escreveu na carta.

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