OBJETO DE PRAZER - PARTE 3

Conto de Gay Apaixonado como (Seguir)

Como é bom saber o que é felicidade, e é isso o que estou vivendo agora. Eu e Danilo estamos aproveitando tantas coisas boas, nossa sincronia é perfeita, até parece que somos irmãos. Neste final de semana fomos para Caruaru, a maior cidade do interior de Pernambuco, até o final deste mês ocorre à maior festa de São João do mundo. Eu e Danilo dançamos bastante, aproveitamos também para visitar uma boate que é aberta durante esse período junino. Os gays afeminados de Caruaru são assanhadinhos, mal entramos na boate e eles já azararam a gente. Mas não demos importância, beijamo-nos na frente deles para mostrar que somos comprometidos e 100% apaixonados.

Além de Caruaru, durante esse mês viajamos pra conhecer outras cidades do estado de Pernambuco como: Garanhuns, Brejo da Madre de Deus, Gravatá, Salgueiro, Belo Jardim, Exu, Toritama, Lagoa dos Gatos e Petrolina na divisa da Bahia. Que sorte nós tivemos, gozamos nossas férias ao mesmo tempo.

Assim que cheguei de viagem marquei com Caio para nos encontrarmos em um restaurante em Boa viagem. Liguei pra ele ocultando meu número para que não me incomodasse ligando pra mim a qualquer hora. Ainda bem que ele não sabe onde moro, por que senão ele viria até aqui pra importunar.

Às 20hs fui para o restaurante em frente ao Shopping Recife, por milagre Caio já estava lá esperando. Não vou mentir que ao ver ele meu coração descompassou. Esse seu novo visual me chamou muito a atenção; ele está mais forte, obviamente entrou pra academia. Seus cabelos estão longos a altura do ombro, e sem esquecer-se do bom gosto de sua roupa, fazendo lembrar-me os elegantes e cultos rapazes da França. Quando entrei, ele ficou em pé, me recebendo como um cavalheiro. Pra falar a verdade; eu achei isso ridículo e fora do tempo, até puxar a cadeira para eu sentar ele quis, mas falei que não era necessário. As pessoas já estavam nos observando, e eu claro morrendo de vergonha.

- Boa noite meu amor, que saudade. – Ele falou gentilmente assim que se sentou colocando o guardanapo no colo.

- Boa noite Caio! – Eu disse friamente e desconfiado dessa sua atitude cortês.

- Oque aconteceu Maurício com o seu celular e o telefone residencial? Eu ligo pra você e dá fora de área ou na caixa postal? E os meus e-mails, por que não responde? – Ele falou inquisitivo.

- Por que eu mudei de chip e de linha, bloqueei o recebimento de seus e-mails, ou seja, eles são enviados diretamente para a lixeira e depois de doze horas são excluídos automaticamente. – Falei hostilizante.

- Por que você fez isso? Pode explicar? – Ele exasperou.

- Caio eu achava que você fosse mais inteligente para perceber oque está acontecendo. Para pra pensar um pouquinho e me diz há quanto tempo nós não nos encontramos? – Seu semblante era de tristeza. - Pensou? Caio cai na real, nosso caso acabou; eu não te amo mais. Caiu a ficha pra mim que eu estava perdendo tempo com você. Eu achava que você era a minha vida, e que se eu não aceitasse a condição de estar com você apenas por sexo, não conseguiria viver. Mas felizmente eu estava enganado, passei cinco anos sendo objeto de prazer, sem diálogo, a não ser sussurros picantes e papos de baixo calão. Meus sonhos e os desejos de uma pessoa feliz ficaram presos no meu pensamento, quantas noites fiquei deitado na cama sem sono, imaginando nós dois viajando, conhecendo e desfrutando tudo oque é simples e bom. Tudo isso foi ilusão, eu mesmo me enganei, me certificando que eu era feliz, mas isso é oque dá quando se é sentimental e romântico como eu. Não vou mentir que nossas noites de prazer não foram boas, sei que sempre tivemos um sexo gostoso, mas eu sentia um vazio, uma falta de ternura, porém escondia isso de mim mesmo. Uma coisa eu te digo Caio: nunca nessa vida você vai encontrar alguém como eu te amei; alguém que vai te amar quando você disser que não ama; alguém que vai te amar quando você disser que é casado e sua vida é ao lado de sua mulher e que essa pessoa é apenas um amante; alguém que vai te amar quando você disser que vai ter um filho e comemorar na maior cara de pau com essa pessoa; alguém que vai te amar quando você humilhar a moradia dessa pessoa e coagi-la a pagar o motel mais caro e luxuoso da cidade de segunda a sexta-feira; alguém que vai te amar quando você estabelecer um horário para receber mensagens e ai dele ligar pra você; alguém que vai te amar quando você estiver passeando com a sua mulher e por acaso encontrar essa pessoa e fingir que a não conhece; alguém que vai te amar quando você insisti-la a se vestir com sua marca preferida e do jeito que você gosta, banalizando o estilo do cara. Isso é só a metade Caio, por que se eu for contar tudo oque passei só pra estar com você, vai levar a noite inteira.

- Desculpa Maurício, depois dessa sua mudança comigo, eu pude perceber que você me ama de verdade, e que nunca vou encontrar alguém assim como você. Você não imagina o quanto eu estou péssimo, por tudo oque te fiz, e por não estar com você. Eu te peço uma chance Maurício, pra eu ser tudo oque você sonhou, eu concordo que fui um imbecil, me achava 100% hétero e só ficava contigo pra mostrar minha masculinidade e agora sofro porque estou completamente apaixonado por você, perdoa-me. – Ele esgueirou chorando, pude notar que realmente ele estava arrependido.

- Masculinidade? – Ironizei. – Não se esqueça de que você também serviu de moça pra mim, ok? Agora é tarde Caio, nunca mais quero o meu coração por um fio, sentindo que amando você é dar um salto no vazio, precisando ouvir desses teus lábios que sempre admirei: um “eu te amo”. Como um passe de mágica você entrou na minha vida, mas não deu nenhuma atenção, agora percebo que você nunca me mereceu, e quem perdeu nesse jogo foi você e não eu. Sabe oque é isso? – Mostrei a aliança no meu dedo. – Eu estou noivo, com uma pessoa que com certeza é minha outra metade, que abriu os meus olhos e me fez ter absoluta confiança, que nós seremos muito felizes por resto de nossas vidas. E eu não estou louco e nem drogado de jogar tudo isso fora por alguém que foi um atraso na minha vida. É por isso que eu marquei esse encontro pra definitivamente te dizer que entre nós não resta nem mais amizade, e peço, por favor, que não me procure. Você agora não passa de um desconhecido pra mim. – Falei aliviado, foi como tirar da cabeça um fardo de 500 quilos.

- Maurício você não pode fazer isso comigo, eu te amo... – Ele falou tremendo e chorando, eu nunca o vi assim e admirei, mas não me comovi. -... Eu me separei da minha mulher, estou disposto a casar com você e morar onde você quiser, até debaixo de um viaduto, mas, por favor, não me deixe... – Ele estava vermelho e desesperado.

- Sinto muito Caio, mas está na hora de você passar por tudo oque passei, se isso que você sente por mim é verdade. Não sentirei nenhum remorso, caso você venha chorar pelos cantos, pedindo pra voltar. Não adianta, agora sou eu que não te quero mais. Você teve a chance de me ter pra sempre, mas jogou fora, adeus Caio. Ah! Esqueci-me, paga essa água que eu pedi, por favor, é o mínimo que você pode retribuir de toda despesa que você me deu. – Falei ironicamente e levantei.

Quando me aproximei da porta do restaurante, Caio gritou e todos ficaram em silêncio abismados para ouvir: - Gente, eu amo esse loiro que está saindo, separei da minha mulher pra casar com ele, sei que o magoei demais, fui um tolo, confesso, mas volta pra mim Maurício, senão eu me mato. – Ele pegou uma faca ameaçando contra seu peito. Dois seguranças do restaurante o seguraram para bota-lo pra fora, enquanto isso eu já me aproximava do meu carro no estacionamento.

Entrei no carro e dei partida, olhei pelo retrovisor, Caio correu para me alcançar, vencido ele parou. Fui direto para a UFPE pegar Danilo para dormir no meu “apê”. Chegando lá fiquei o esperando, meia hora depois ele apareceu sorridente com aquele jeitinho doce que só ele tem; abraçou-me, olhou para os dois lados e me deu um selinho.

De repente fomos surpreendidos por Caio (o desgraçado me seguiu):

- Ah! Então foi por causa dele que você me deixou não foi Maurício? – Ele veio caminhando lentamente em nossa direção, com os braços cruzados e antagônico.

- Caio! – Espantei-me – Oque você está fazendo aqui? Eu não tenho nada para conversar com você, tudo oque eu tinha pra dizer foi disponibilizado. Deixa-me em paz. – Falei atravessando na frente de Danilo, suas atitudes julgavam suspeitas.

- Realmente, com você eu não tenho nada pra falar, mas com esse frangote que está atrais de você temos algumas coisinhas pra acertar. – Ele aproximou-se erguendo as mangas da camiseta.

- Vai embora Caio, o Danilo não te conhece e não tem nada a ver do que rolou entre nós. – Eu não estava com medo só evitando para que o pior não ocorresse.

- Deixa de ser mentiroso Maurício, você mesmo falou que ele abriu seus olhos, e eu vou abrir os dele para não se intrometer com um cara comprometido.

Ele me empurrou para o lado e deu um soco na cara de Danilo. Danilo deu-lhe uma voadora na barriga e ele caiu no chão, ele se levantou e empurrou Danilo que lhe deu um soco no nariz, iniciando-se um sangramento. Eu tentei apartar e Caio voou a mão na minha cara, então eu e Danilo começamos a lhe encher de “porradas”, uma multidão se formou e três policiais veio nos separar e nos levaram para a delegacia. Todos nós estávamos machucados e sangrando.

Na delegacia, o delegado tentava entender o motivo de nossa briga:

- Qual a razão de três marmanjos está brigando? Já sei, por causa de mulher? – O delegado olhava-nos inquisitivo.

- Não senhor. Eu fui buscar meu noivo na faculdade e esse delinquente que é meu ex, não conformado com nosso fim, veio agredir o Danilo. Eu fui apartar e acabei levando um tapa dele, aí foram dois contra um. – Falei enfurecido.

- Entendo. – Disse o delegado boquiaberto (tentei segurar pra não rir da cara do delegado e dos dois policiais que estavam na sala neste momento, eles ficaram abismados).

- Esse idiota nem me conhece. “Se liga” bobão, perdesse. O Maurício é meu, e eu dou a minha vida para fazê-lo feliz. – Danilo falou limpando o sangue do nariz com um guardanapo.

Nossa! Isso oque o Danilo falou foi como um hino para os meus ouvidos. Enquanto Caio chorava de ódio.

Não ficamos presos, apenas o delegado nos deu uns conselhos acompanhados de bronca e nos liberou. Danilo foi comigo pra casa e pra onde Caio foi, eu não sei, depois desse dia nunca mais eu o vi, aleluia.

Fazendo oito meses desse ocorrido, finalmente eu e Danilo nos casamos no cartório, fizemos uma festinha para os nossos amigos mais próximos e depois viajamos para Salvador em época de carnaval. Pela primeira vez conhecemos o axé contagiante da Bahia. Quando voltamos, Danilo mudou-se para o meu apartamento que não é mais meu, é nosso.

Agora sim estou vivendo um amor absolutamente total e não platônico, tenho orgulho de dizer que meu nome tem o sobrenome de Danilo, assim como o dele tem o meu.

Um dia nossa história vai virar cinema e a gente vai passar em Hollywood, e se ninguém gostar não tem problema, pois um grande amor não há quem mude.

FIM

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