OBJETO DE PRAZER - PARTE 2

Conto de Gay Apaixonado como (Seguir)

Faz cinco anos que eu e o Caio estamos juntos; unidos naquela mesma rotina sem amor: da parte dele. Graças às novas amizades que conquistei na empresa onde trabalho, pude perceber que Caio não merece ter todo o meu tempo dedicado a ele, apesar de que ainda o amo.

Em um sábado saímos empolgadissimos da empresa às 19hs: Eu, Vanessa, Alexandre, Bruna e Paola. Tudo por que o nosso projeto apresentado ao diretor-presidente foi aprovado. Fomos diretamente para um bar com música ao vivo, foi demais: rimos, conversamos, contamos micos, enfim um papo descontraído e satisfatório. De repente um rapaz loiro, cabelos curtos bagunçados, 1m e 71, olhos azuis e talvez pesasse uns 78k distribuídos num corpo trabalhado na academia, se aproximou da nossa mesa e falou com Bruna. Devia ser algum ficante dela, pensei.

- Bom gente! Esse é o Danilo, um dos meus melhores amigos. – Bruna o apresentou, ele cumprimentou a todos com um aperto de mão e por último eu. Nossa! Ele é um gato, com a pele mais clara do que a de Caio e uma barba rala.

Danilo sentou-se perto de mim. Ele é bem simpático e extrovertido, tem um bom papo e sabe fazer críticas sem ofender.

Alexandre e Paola foram dançar no salão do bar, Bruna e Vanessa dirigiram-se ao toalete e eu fiquei na mesa com Danilo.

- Quantos anos você tem Danilo? – Perguntei querendo saber mais sobre ele, pois não tive a oportunidade de conhecer-lhe melhor na presença da galera.

- 23 e você Maurício? – Ele perguntou com um jeitinho doce e educado bebericando o uísque.

- 24. – Respondi observando seu comportamento: ele é tão altruísta, presta atenção ao que os outros estão falando, não interrompe a conversa, é gentil, calmo, educado e civilizado. – Você tem namorada Danilo? – Acho que bebi demais, é muito cedo para se fazer esse tipo de pergunta.

- Infelizmente não cara. Acabei com uma garota há três meses. – Apesar da minha maneira temerária, ele não se incomodou e respondeu tranquilamente bebericando o uísque.

- Desculpa pela minha indiscrição. – Falei atrapalhado.

- Bobagem Maurício, relaxa. E você? “tá” enrolado, apaixonado ou na solidão? – Ele perguntou com humor.

Uma amargura tomou conta de mim nesse momento e levei alguns instantes para responder.

- Enrolado e cansado de está apaixonado. – Falei triste circulando a borda do copo com o dedo.

- Já sei você está sofrendo por amor? – Ele indagou sensibilizado com a minha mudança de humor.

- Não é bem isso Danilo, só estou cansado de viver um romance que não está me fazendo feliz, e tenho medo de mudar isso e depois arrepender-me.

- É triste te dizer isso Maurício, mas você só está acostumado com uma rotina e não adianta querer prosseguir se ela não está te fazendo bem; se você não está feliz. E meu amigo uma coisa te digo: não há nada melhor do que uma felicidade verdadeira. Então acorda rapaz, põe um fim nesse drama, por que se você continuar vai está enganando a si mesmo.

- Por isso que você acabou com a sua namorada não foi? – Que petulância minha, querendo saber a fundo sobre a vida do garoto...

- Mais ou menos, ela me amava e infelizmente o sentimento que existe em mim por ela é nada mais do que amizade. Passamos um mês namorando, mas não deu e pra não está alimentando ainda mais os seus sentimentos, fui sincero. Ela ficou muito magoada e não queria saber de mim como amigo, foi duro eu sei, mas tomei a atitude certa, se não estaria na mesma situação sua.

De repente nosso papo foi interrompido por Vanessa e Bruna, e em seguida Alexandre e Paola voltam pra mesa. Ficamos mais um pouco no bar, nos despedimos e cada um foi para suas respectivas residências.

Passei todo o domingo em casa pensando nas coisas que o Danilo dissera. Ele tem razão, eu estou perdendo tempo com alguém que não pensa em mim com sentimento. O amor é “foda”, quando não se tem parceria ele nos deixa perdido, iludido e sozinho no nosso próprio mundo, que ao contrário deveria ser formado por dois ser.

A semana não foi diferente do domingo, Danilo mexeu comigo, ele abriu meus olhos para que eu entendesse se aquilo valeria à pena. Na sexta-feira encontrei com Caio no motel, por incrível que pareça, ele quis pernoitar comigo, já que há cinco anos transamos e vamos embora. Percebi que eu estava sendo fingindo em alguma coisa, só que não conseguir descobrir.

Na terça-feira da semana seguinte, perguntei a Bruna por Danilo, ela respondeu que o não vê desde aquele sábado. Eu não sei oque deu em mim, pedi o número do celular dele e inventei uma desculpa: que ele iria emprestar um livro. Assim que cheguei em casa, liguei pra ele.

- Alô! – Uma voz delicada atendeu, era ele lógico.

- Oi Danilo tudo bem? Sou eu o Maurício, nunca mais te vi cara, cadê você pra gente bater um papo? – Perguntei eufórico.

- “Eaê” Maurício, beleza? Pois é cara, naquele dia esqueci-me de trocar nossos contatos, desculpa aí velho.

- Nada, que isso, pode ficar de boa. Mas que tal a gente ir pra o mesmo bar amanhã às 20hs, topa?

- Massa. Adorei aquele lugar.

- Então “tá” marcado não é?

- Com certeza, abraço velho!

- Igualmente, tchau! – Desliguei o celular contente, aliviando um espaço vazio dentro de mim.

No dia seguinte nos encontramos no lugar marcado, por coincidência nós dois chegamos pontualmente, sem ter que um esperar o outro. Eu pedi uma caipirosca e ele o tradicional chope. Enquanto uma cantora amadora cantava os grandes sucessos dos anos 90, a gente conversava animadamente.

- Que lugar bacana esse não é? – Disse Danilo apreciando o bar.

- É. A primeira vez que vim aqui foi naquele dia. Onde você mora Danilo? – Perguntei dando o meu primeiro gole na caipirosca.

- Em Casa amarela.

- Você mora sozinho?

- Infelizmente não, moro com meus pais e um irmão de 16 anos. Assim que eu terminar a faculdade e claro exercer minha profissão, aí sim estarei preparado pra morar sozinho.

- Qual o curso que você está fazendo?

- Medicina na UFPE.

- Que legal, estou diante de um futuro médico brilhante.

Ele deu uma risada gostosa: - Que isso Maurício, ainda estou no segundo período, tenho muito oque aprender.

- Pelo pouco que te conheço Danilo, percebi que você vai ser um profissional de sucesso: você é carismático; humilde; sabe conversar e respeitar as pessoas. Hoje em dia é raro encontrar pessoas assim como você, por que só cruzamos com gente materialista, pernóstica e que tem orgulho de abrir a boca pra dizer que são superiores. Lá onde trabalho, está cheio de pessoas assim, exceto a Bruna, Paola, Alexandre e Vanessa. Pessoas essências que há um ano que trabalhamos juntos, respeitamos uns aos outros e graças a Deus somos do mesmo grupo.

- Obrigado Maurício por ser tão gentil, dá pra ver no brilho dos teus olhos que você foi sincero. Muitas pessoas discriminam-me só porque moro na periferia e estudo numa universidade pública, mas isso nunca me abalou, sou oque sou e tenho orgulho da minha origem e peço sempre a Deus pra nunca mudar essa minha atitude, por mais que a vida ofereça-me outros valores daqui pra frente.

Do mesmo jeito que ele viu um brilho nos meus olhos, eu vi também reluzir o azul piscina dos seus.

Daqui por diante é assim: Eu e Danilo passamos a ser ótimos e verdadeiros amigos, às vezes saíamos com a galera para o bar e baladas, e outras, só nós dois. A relação entre eu e Caio começou a esfriar, em algumas sextas-feiras não nos encontrávamos, então ele partiu para a cobrança, quis dialogar mais comigo e passou a pagar a conta do motel. Uma vez eu estava no trabalho, ele ligou para mim, convidando-me para almoçarmos juntos no restaurante. Friamente e também por que eu estava ocupado, falei que não sentia fome naquele momento.

Um mês está fazendo que eu e Danilo somos amigos. Eu aprendi tantas coisas com ele, nós dois temos tudo a ver, até de bregas românticos gostamos.

Em uma tarde de domingo, por volta das 14hs, Danilo foi ao meu apartamento, eu nem esperava a sua visita, pois no sábado fomos juntos para um show no CHEVROLET HALL. Eu estava na sala assistindo televisão, o porteiro avisou que Danilo estava subindo e depois de dois minutos a campainha tocou e eu fui abrir a porta.

- Oi Danilo, entra! – Falei afastando-me para ele passar, depois fechei a porta e seguimos para o sofá.

- Desculpa Maurício por não avisar que viria, você poderia está ocupado com a sua namorada. – Ele balbuciou atordoado.

- Que isso Danilo, pode ficar tranquilo você é de casa e sabe muito bem que eu só encontro com a Carolina nas sextas-feiras, e quando vou. – Dei uma risada sarcástica.

- Eu preciso te contar uma coisa, sei que você nunca mais vai querer olhar na minha cara, mas também eu não posso está perto de você escondendo isso, é torturante. – Ele falou arfando.

- Danilo, por favor, deixa de cerimônia, conta logo que eu estou ficando preocupado. – Esgueirei.

- Cara, desculpa, sei que vou perde sua amizade, mas... Eu estou apaixonado por você. – Ele falou com ambíguas.

Ficamos em silêncio por segundos, nos aproximamos e nos beijamos. O beijo de Danilo é macio, suave, delicado, faz-me sentir como se estivesse beijando uma boca virgem, comendo um algodão doce que na mesma hora desmancha em contato com a saliva. Foi um beijo único na minha vida, que eu não tive pressa de parar. Aos poucos fomos tirando cada peça de roupa e transamos ali na sala. Sentir-me como um virgem tocado pela primeira vez. E eu que achava que Caio tinha me feito realizado, tremendo engano.

Depois de Danilo ter mostrado como se ama um homem de verdade, levando-me proeminente ao ápice do prazer, descansamos agarradinhos deitados no tapete, foi então que eu abrir o jogo:

- Danilo, desde quando te vi sentir uma forte atração por ti e tenho certeza que você é à metade que me completa. Obrigado por me libertar de uma prisão de engano e ilusão, por mim eu quero viver contigo por resto da minha vida. – Sussurrei em seu ouvido estritamente.

- Por mim também quero envelhecer ao teu lado, que o nosso amor seja abençoado e que só a morte nos separe. Eu não ligo oque os outros irão falar, oque importa é que eu e você somos um só coração. Já me enganei e escondi demais quem eu sou, tentando até namorar uma mulher como você sabe, mas tudo isso foi á prova de que esse não era o meu destino e que um verdadeiro amor chegaria, e chegou. – Ele ciciou e umas lágrimas perdidas escorregavam sobre seu rosto.

- Eu tenho que ti dizer uma coisa Danilo: eu estava namorando um homem e o nome dele é Caio, e toda a história que eu te contei é ao contrário. – Falei alisando os seus cabelos.

- Sério? Por que você não contou?

- Por que eu não sabia a sua reação e nem desconfiava que você é “gay”. Você é tão másculo.

- Você também. Eu achava que sairia daqui totalmente decepcionado com um fora e talvez um soco na cara... – Ele riu. – Mas foi uma surpresa em cima de outra. E aí você vai acabar com o Caio?

- Claro “né” seu bobo. Essa palavra “acabar” só tem significado pra mim que o considerava como meu namorado. Mas só podemos ter uma conversa quando ele voltar de viagem. Vou falar com ele pessoalmente e botar pra fora todo esse sentimento desprezível dentro de mim, Caio foi uma peça na minha vida que eu preservava, apesar dos sacrifícios, para dizer pra mim mesmo que eu tinha um amor e não estava na solidão, como fui idiota enganando a mim. – Falei intrínseco e pensativo.

- E quando ele volta? – Danilo perguntou uníssono.

- No início do próximo mês, mas não se preocupa meu rei, ele vai soltar fogos de artifícios e se não soltar, problema é dele.

Beijamo-nos apaixonadamente deixando o assunto Caio pra lá... Bem pra lá.

Eu e Danilo assumimos nosso Romance aos nossos amigos, e até ficamos noivos firmando com uma aliança de ouro, em breve iremos casar na presença de um juiz e vamos morar juntos. Caio está com a família dele em Florianópolis – SC, próximo mês ele estará de volta e iremos ter uma conversa prolixa. Tive que mudar de chip e trocar o número do telefone residencial da minha casa, por que eu não estou aguentando mais as suas ligações apelativas, e bloqueei o recebimento de seus e-mails.

Continua...

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