OBJETO DE PRAZER - PARTE 1

Conto de Gay Apaixonado como (Seguir)

Oi, meu nome é Maurício, tenho 24 anos e moro em Recife – Pernambuco. Na tarde da segunda-feira de 19 de abril de 2008 fui dar uma volta no SHOPPING RECIFE: comprei uma calça jeans da OPÇÃO e uma camisa da coleção outono inverno da FORUM, circulei por algumas lojas de sapatos e infelizmente não me agradei de nenhum que combinasse com meu novo look. Cansado, repousei na praça de alimentação em frente ao MC DONALD’S, pedi um combo e enquanto eu lanchava acessava a internet em meu notebook; lendo e respondendo todos os meus e-mails. De repente fui interrompido por um rapaz loiro de cabelos lisos, 1m e 70, olhos verdes e corpo atlético. Ele trajava uma camisa baby look azul escuro e uma calça cáqui, educadamente e com uma voz grossa e aveludada, ele perguntou: - Você saberia informa qual é a senha do shopping para acessar a internet?

- É... O próprio nome do shopping. – Respondi tenso e confuso, eu estava estupefato por ser surpreendido por uma beleza radiante como ele.

- Obrigado! – Ele agradeceu voltando para uma mesa ao lado.

Puxa, eu cheguei à praça tão esfomeado que nem reparei aquele príncipe ali tão perto de mim. Ele tirou minha concentração, e discretamente eu o olhava, enquanto ele estava entretido no notebook. Um cala frio surgiu em mim quando pensei em falar com ele; mas falar oquê? Pensei eufórico em alguma desculpa e... Fui até ele.

- Oi, é... Desculpa... É... Pelo oque eu vi você não é daqui não é? – Gaguejei, foi o jeito de iniciar uma conversa mais embaraçosa da minha vida, que vergonha.

- É acabei de mudar, sou de Florianópolis - Santa Catarina. – Ele olhou pra falar comigo sem tirar a atenção do notebook.

Nossa que situação constrangedora, ele é muito educado pra não me dar um fora, quem eu estou pensando que sou? Só porque ele pediu uma informação não quer dizer que ele está a fim de ser meu amigo, como sou idiota, fiquei uns trinta segundos parado ao seu lado sem dizer nada, ele me olhou e disse: - Ah, desculpa pela desatenção, é que eu estou fazendo uma pesquisa e tenho que entregar hoje na faculdade.

- Oh perdão, eu não quero atrapalhar... - Voltei pra minha mesa, vermelho de vergonha.

- Não, quer isso, pode ficar. Eu vou parar um pouco pra lanchar, não tem como fazer as duas coisas ao mesmo tempo, pode me fazer companhia? – Ele levantou-se e segurou meu braço. – Preciso fazer novas amizades, desde que cheguei aqui só conheço o pessoal da faculdade.

Fitamos-nos, enquanto meu coração se elevava nas batidas. Ele me convidou para sentar-se com ele na mesa, guardou o notebook na mochila e puxou a bandeja com um sanduíche e um copo com refrigerante para mais perto de si. Eu o olhava fascinado, mas disfarçando para que ele não percebesse minha segunda intenção.

- E aí, servido? – Ele me ofereceu o sanduíche segurando com as duas mãos como se fosse parti-lo caso eu aceitasse.

- Não, obrigado acabei de lanchar. – Esgueirei.

- Qual o seu nome? – Ele perguntou dando a primeira mordida no sanduíche.

- Maurício.

- Prazer, o meu é Caio, tenho 20 anos, sou velho não é? – Ele perguntou com humor.

- Nada que isso, só um ano mais velho do que eu. E aí está gostando do Recife? – Perguntei olhando em seus olhos, acho que ele percebeu, pois desviou os seus.

- Estou amando, vim aqui pela primeira vez no carnaval do ano passado e foi amor à primeira vista, então dei um jeito de encontrar um trabalho aqui e fazer a faculdade. A melhor coisa daqui é o clima, detesto aquele frio avassalador de Florianópolis. E você mora por aqui mesmo?

- Sim, moro ali perto do CARREFOUR em um apartamento alugado. – Respondi com uma voz trêmula. Eu estava nervoso, ele tinha abalado todas as estruturas do meu corpo.

- Você está bem? – Ele perguntou e eu fiquei mais nervoso ainda.

- Sim! – Respondi respirando fundo.

- Cara, você tem certeza que está passando bem? Você está vermelho e suando.

- Foi um prazer conhecer você, mas eu tenho que ir, tchau! – Levantei apressadamente e sair em direção à entrada da praça de alimentação que dava para o estacionamento.

Quando sair, respirei fundo e passei a mão no rosto, me livrando do atordoamento. Fui andando a passos lentos, com a cabeça afundada em emoções, incrível, eu nunca imaginei que fosse me apaixonar por alguém assim logo na primeira vista. Perto da saída do Shopping ouvir alguém me chamando, parei e olhei pra trás, era Caio que vinha correndo ao meu alcance.

- Cara eu estou preocupado com você, tem certeza que está bem? Você está parecendo tão histérico. – Ele falou franzindo a testa, seus olhos brilhavam com a luz do pôr do sol me deixando ainda mais tenso.

- Não é que... Deixa pra lá, você não vai entender. – Balbuciei.

- Que desabafar comigo? Pode ficar tranquilo, confie em mim eu quero muito ser seu amigo. – Ele falou amistosamente.

- É esse o problema, de você ser meu amigo. – Falei absorto.

- Entendo, por que sou um estranho e você nem me conhece, acho que eu no seu lugar faria o mesmo. Mas está legal, se você estiver a fim de bater um papo comigo estarei a sua disposição, desde que não seja pela manhã que eu estou no trabalho ou a noite que estou na faculdade. Bem esse é meu número. – Ele me entregou um pedaço de papel com o número do seu celular. – Foi um prazer te conhecer Maurício. – Ele foi franco e me abraçou se despedindo, fiquei imóvel sem dizer nada, apenas dei um meio sorriso e fiquei mórbido observando a sua partida.

Apesar de eu ser bonito: loiro de 1m e 72; 75k bem distribuído num corpo forte e malhado; olhos verdes e cabelos curtos sempre arrepiados pra cima com gel. Nessa época eu era virgem e nunca tinha namorado.

Aos 15 anos me apaixonei por um garoto da escola chamado Edson. Ele era um ano mais velho do que eu e achava que ele também estava apaixonado por mim, pois éramos amigos, mas foi a pior desilusão que eu não desejo pra ninguém. Quando me declarei, ele deu um soco na minha cara e espalhou pra toda a escola que eu era “gay”. Para contorna a situação e limpar a minha barra, disse a todos que quando eu falei pra ele que eu estava apaixonado por Jéssica (uma menina que era louca por mim); ele disse que me amava e queria casar comigo, então avancei em cima dele para quebrar a sua cara. Todos acreditaram na minha versão, pois eu era o gato popular da escola e ele ficou furioso, virando o centro de chacotas.

Nossa, eu virei à vida dele num inferno, fiquei feliz e ao mesmo tempo triste, pois ele era o garoto que eu amava, mas nunca iria ficar com ele. Todos os amigos dele se afastaram e ele ficou sozinho, sofrendo com as piadas e virando saco de pancadas no banheiro, depois de um mês ele saiu da escola e nunca mais eu o vi. Passei por um namoro disfarçado com Jéssica por três meses, enrolando-a quando queria perde sua virgindade comigo, depois arrumei um motivo e acabei (amém).

Sofri muito por aquele garoto e nunca esqueci oque ele falou no último dia que saiu da escola: “ Você está enganando a todos, e fez com que acreditassem que sou “gay”, mas uma coisa você nunca vai ter: eu, sua bichinha”. Isso foi verdade, ele até tentou ficar com algumas garotas, mas nenhuma delas queria ficar com alguém com fama de “gay”.

O tempo foi passando e eu não conseguir o esquecer, aos 18 anos entrei na faculdade, conheci novas pessoas e então ele foi se dissolvendo da minha mente. Desde esse tempo não amei ninguém como eu o amava. Mas na bela tarde de segunda-feira, na primeira vista, antes mesmo de saber seu nome, aquele rapaz loiro brotou uma nova emoção no meu coração (Caio).

À noite na faculdade não conseguia me concentrar, desde a tarde fiquei com o pensamento em Caio, tanto que quando cheguei em casa liguei pra ele.

- Alô! – Sua voz de locutor atendeu o celular.

- Oi, sou eu o Maurício, o rapaz louco que você conheceu hoje à tarde no shopping. – Falei com humor.

- Oi Maurício, e aí cara você está bem?

- Sim, desculpa pelo meu vexame, é que eu estava com mil dúvidas naquela hora circulando a minha cabeça.

- Sei. Meu irmão você acredita que eu nem me concentrei na faculdade? Eu não sei, mas parece intuição, fiquei muito preocupado e não conseguir parar de pensar que você estaria passando por alguma misantropia.

- Sério? – Um banho de alegria tomou conta de mim. – Cara, você tem razão, é isso mesmo que está acontecendo comigo; uma falta, um isolamento. Caio, eu não quero te atrapalhar, mas seria possível a gente se encontrar amanhã lá no Shopping? – Perguntei eufórico.

- Claro, de que horas?

- As duas. Pode ser?

- Sim, beleza.

- Então tá, obrigado e até amanhã, uma ótima noite pra você.

- Pra você também, tchau!

No dia seguinte, nos encontramos na praça de alimentação, no mesmo lugar que nos conhecemos. Quando cheguei Caio já estava lá a minha espera, nos cumprimentamos:

- E aí beleza? – Ele apertou a minha mão, tirei rapidamente para que ele não a sentisse suando, demonstrando como sua presença me abala.

- Você dormiu bem esta noite? – Perguntei tentando controlar a minha emoção.

- Sim e você? – Ele perguntou e eu pude perceber que não só eu estava nervoso.

- Também e muito feliz por tão pouco tempo conhecer uma pessoa que me entende. Sabe Caio, não adianta você está rodeado de amigos, ser o queridinho, o popular, mas sentir um vazio dentro de você e a noite no silêncio do quarto a solidão te sufoca, enganando-te com pensamentos ora bons, ora maus... Mas esquece, o pior é saber que só eu sinto essa dor.

- Não, não é só você, às vezes me sinto assim também... – Ele segurou as minhas mãos e olhou nos meus olhos, quatro olhos verdes se fitando, sentir minhas mãos geladas sendo aconchegadas por as dele macias e quentes. -... Precisando de um anjo amigo, compreendido e que sabe exatamente o pedaço que me falta.

Houve um silêncio entre nós nessa hora, e ficamos nos olhando seriamente e tentando captar tudo oque ambos sentia.

- Você aceitaria ir ao meu apartamento e tomar um drink que é a minha especialidade? – Caio perguntou estritamente.

- Claro, fica longe daqui? – Perguntei contente do convite.

- Só um pouquinho, eu moro no Pina, mas estou de carro. – Ele falava sem tirar os olhos de mim.

- Então vamos, quero ver que nota você merece nesta sutil bebida que é sua “especialidade”. – Falei com humor e ele deu uma risada gostosa que me deixou estonteado.

Saímos em direção ao estacionamento batendo um papo, chegamos ao seu carro, um GOL prata, estacionado próximo a um caixa eletrônico. Ele entrou desbloqueando a porta direita pra eu entrar, seu perfume exalava por dentro, deixando o ambiente voluptuoso.

Chegamos ao seu edifício, ele esperou um pouco para que o portão eletrônico se abrisse e entrou estacionando o carro na garagem. O prédio onde ele reside é um luxo, o lugar perfeito para um príncipe como ele morar. Seguimos no elevador para o seu apartamento.

Quando entramos, sentir um friozinho na barriga, ele me convidou para sentar no sofá enquanto preparava o drink que ele batizou de sua especialidade. Fiquei esperando e observando cada detalhe da decoração da sala, supostamente elaborada por um arquiteto conceituado na área. Assim que terminou o drink ele me ofereceu sentando ao meu lado.

- Hum... Bem que você falou, esse drink é uma especialidade que eu nunca provei. Parabéns!

- Obrigado Maurício! – Ele agradeceu sutilmente.

Ficamos conversando, trocando ideias e contando piadas, uma prosa deliciosa que aos poucos foi nos aproximando e de resultado: um molhado e irresistível beijo.

E a partir desse beijo, o clima entre nós esquentou e ele me levou para conhecer sua suíte, faltamos na faculdade e passamos a noite juntos, descobrindo cada ponto lascivo de nós. Foi uma noite nunca acontecida na minha vida (é obvio, se não eu não seria virgem) e então firmei que Caio é o homem que veio me completar, ele me desvirginou.

Depois desse dia eu considerei que Caio era o meu namorado, pra ele era só um caso e que ele me adorava e se sentia realizado por eu leva-lo ao topo máximo de excitação. Eu estava tão apaixonado que pra ficar com ele aceitaria tudo. De tudo... Tudo esse que depois de três meses ele contou que era casado e que a mulher dele iria vim morar com ele aqui no Recife. Foi um abalo pra mim, mas como eu o amava, aceitei numa boa, ciente de que eu seria o amante.

Com a vinda da mulher de Caio, se encontrar com ele em seu apartamento ficou no passado, então pela primeira vez fomos para o meu. Ele sempre gostou e se achou mais a vontade em seu território, meu apartamento não é tão luxuoso quanto o seu, mas é civilizado e localizado em Boa viagem (bairro nobre do Recife). Infelizmente Caio não gostou, e isso estava estampado na cara dele quando olhava cada canto do meu “apê”. Nossas transas sempre foram ardentes e ousadas, mas a deste dia foi um fracasso. Eu não perguntei, mas sentir que Caio ficou muito decepcionado por meu apartamento não ter suíte e varanda gourmet. Sei que isso é uma bobagem, mas Caio é muito mimado e perfeccionista, essa diferença inferior o incomoda, eu compreendia, era o jeito dele e eu o amava.

Fiquei muito mal com isso, até pensei em alugar um apartamento á altura do dele, para que se sentisse melhor, mas eu não tinha condições até terminar a faculdade.

Caio me evitou por uma semana e eu fiquei péssimo, não estava me alimentando bem e tive duas faltas na faculdade. Eu tinha que encontrar uma solução rapidamente se não eu perderia o amor da minha vida. Foi então que tive uma ideia: de nos encontrarmos no melhor motel do Recife, e eu pagaria é claro. Pensei: como fui tão idiota de não ter elaborado isso antes, perdi uma semana longe do meu gato, e esse tempo foi arruinador pra mim porque quem aproveitou foi a nojenta da mulher dele, que raiva.

No dia seguinte pela manhã eu liguei pra ele que estava no trabalho assim como eu e disse que ele fosse pra o Shopping, nós precisávamos conversar. Cheguei ao Shopping ao meio dia e meia, e o esperei na praça de alimentação, uma hora depois ele apareceu estressado.

- Oque é que você quer? Fala logo que eu vou almoçar em casa. – Ele indagou em pé sem querer sentar e olhando para o relógio aturdido.

- Calma amor. Poderia sentar, por favor? – Falei tranquilo tentando relaxa-lo.

- Fala mais baixo imbecil, quer que os outros escutem? – Ele sentou ligeiro olhando para os lados.

- Desculpa. Já que você não se sente bem em meu apartamento...

Ele interrompeu: - Apartamento? Você chama aquilo de apartamento? Francamente Maurício aquilo é uma espelunca, não sei como você consegue viver num lugar daquele.

- É oque eu posso pagar no momento, sinto muito, mas eu tive a ideia de a gente se encontrar em um motel, o melhor, você escolhe.

- E você paga?

- Sim, sem problema, eu te amo!

- Legal, então a partir de hoje só vamos nos encontrar no motel, nada de vim pra cá.

- Mas só estamos conversando.

- Por isso mesmo, vai que minha mulher aparece aí e nos flagre, eu não disse á ela que tenho amigos íntimos pra ir ao Shopping. – Ele falou em um tom hostilizante.

- Nada a ver Caio.

- Tudo a ver Maurício, só temos um caso sexual, não somos namorados ok e você sabe muito bem disso, ou é assim ou então diga adeus pra mim. – Ele foi tão explícito que me deixou sem céu e sem chão.

- Está bem, como queira. – Falei tentando segurar as lágrimas que ameaçavam rolar sobre o meu rosto.

- Estamos entendidos, e mais uma, não liga pra mim, só manda torpedo ok e de preferência das 12 às 13hs. – Ele olhou com frieza e foi embora.

O Caio tinha mudado, não era mais o mesmo de quando conheci a três meses, mas eu não podia fazer nada, sou muito sentimental e estava perdidamente apaixonado por ele, e nem que nossa vida fosse só sexo, eu aceitaria, o pior era não estar com ele.

De segunda a sexta depois da faculdade a gente se encontrava no motel mais caro e luxuoso da cidade. Sábados, domingos e feriados eram dedicados pra ele e a mulher. Toda essa despesa estava me custando caro e eu tive que encontrar urgentemente um emprego que pagasse acima do que eu ganhava. Graças aos amigos e conhecidos que tenho, encontrei.

Assim que completou seis meses desta ilusão de relacionamento, Caio me contou algo que não foi música para os meus ouvidos.

- Eu vou ser papai! – Ele disse isso depois que acabamos de transar, pulando na cama e propondo que repetíssemos a dose para comemorar, que cara de pau, ele achava que eu estava feliz com essa notícia?

Gostaria muito de ter palavras para explicar detalhadamente tudo oque eu sentia, sei lá, acho que era uma amargura misturada com ociosidade. Pra falar a verdade eu não era feliz, mas sentia que iria ficar pior sem o Caio, mesmo sabendo que eu só era um objeto de prazer. Eu me apeguei á ele de uma forma que preferia destruir a minha vida em vez de perde-lo.

Assim chegamos há quatro anos nessa mesma rotina, oque mudou foi que eu tinha terminado a faculdade e até hoje exerço a minha profissão, ganhando bem, tenho um apartamento melhor do que o de Caio. E assim que minha vida profissional mudou, mudei com Caio também, nos encontrando só nas sextas.

Continua...

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