Um novo começo

Conto de Diogo como (Seguir)

Parte da série Um passo para a felicidade

O cheiro de café que vinha da cozinha estava me deixando com fome, geralmente não como antes de ir à escola só que nesse dia eu deveria comer algo, já que a viagem seria um pouco mais demorada. Eu já havia planejado como tudo seria, toda a paz e...

- Diogo. Está me ouvindo? - Letícia me olhava nos olhos procurando ouvir meus pensamentos.

- Na verdade não, foi mal. – Ela havia dormido na minha casa para irmos juntos para a escola. – Você falava sobre?

- Então, sei que o acampamento vai ser legal e tal, mas não consigo nem pensar que eles vão acrescentar os dez dias nas nossas aulas. Eu achava que essa aula de campo faria parte dos dias letivos já que a gente também vai ter que fazer trabalho lá.

- Qual é Let, vai dizer que você não quer uns dias no campo, longe dessa agitação toda? Acredito que os trabalhos serão coisas simples, só pra gente fazer algo mesmo. – Eu já estava pensando em toda aquela imensidão verde e o cheiro de folhas vindo da mata fechada.

Fomos tomar o café da manhã e pegar nossas mochilas. Olhei pela janela e percebi que o dia seria muito quente, eram 9h e o sol não dava trégua. Minha mãe estava parada na minha frente dando as instruções sobre a viagem.

- Você pegou o protetor, o repelente e o seu antialérgico?

- Sim mãe, está tudo na minha mochila, conferi tudo ontem antes de dormir. – Essas perguntas eram tão frequentes quanto um simples “bom dia”.

- Não esqueça que você não sabe nadar, portanto, nem pense em entrar na água. Eu já fui nesse lugar e o rio é muito profundo. Antes de dormir feche sua barraca para que não entre insetos nela. – Tudo para minha mãe era motivo de alarme, mas para qual mãe não é?

- Calma mãe, não é possível que um mosquito me mate, e aliás, estou levando aquele repelente.

- Estou calma, mas você sabe que a ultima vez que foi picado por um inseto teve uma crise alérgica séria. Lembra disso Let? – Minha mãe falava olhando para a Letícia que ficava concordando com tudo como se fosse uma mulher responsável.

- Lembro sim Mirian, e concordo totalmente com a senhora. – nesse momento eu pensava em explodir a cabeça da Letícia, ela adorava os sermões dos meus pais.

- Está vendo Diogo? Espero que você aprenda a ser mais responsável como a Let. – Sim, para minha mãe a Letícia era o exemplo em pessoa. – A propósito, você pegou a barraca? E os colchões, o travesseiro, e não esqueça as suas roupas. Você tá levando cuecas suficientes? Lembre-se que vocês passarão dez dias fora. – Letícia me olhava com um olhar divertido. – Estou achando sua mochila tão pequena.

Olhei no relógio e vi que estava quase na de partirmos. Coloque metade do misto quente na minha boca e comecei a puxar a Let, caso contrário íamos nos atrasar.

- Ei querido! E o meu beijo? – Voltei e beijei o rosto da minha mãe que ficou sujo com os farelos de pão. – Tchau meninos, comportem-se.

Acenamos com a mão e fomos para a entrada da escola. Ao chegarmos lá sentamos em um dos bancos e esperamos o nosso ônibus. Toda a turma já estava lá e o barulho de gente conversando era imenso. Geralmente eu não gosto de tanta gente conversando ao mesmo tempo. Mas o dia estava especialmente agradável e eu sabia que tinha que colaborar um pouco. O vento estava cada vez mais forte e aquilo estava sendo uma sensação única. É bom sair da rotina escolar, porque ficar sentado boa parte do dia durante a semana era algo que fazia com que minhas costas latejassem de dor. Não que eu deteste estudar, na verdade até gosto, mas de vez em quando acordar para o mundo nos faz bem.

Já passava das 10h20min e os professores e alunos começaram a ficar impacientes com o atraso do ônibus. O som das conversas estava cada vez menor por causa do calor, as pessoas preferiam não gastar energia com aquele sol que parecia ficar cada vez mais forte. Por sorte, onde estávamos havia uma sombra deliciosa projetada por uma árvore. Isso foi um ponto positivo para mim especificamente, já que havia esquecido o boné em casa, nisso minha mãe tinha razão.

- Adivinha quem chegou Let? Pra não ficar muito difícil vou te dar uma pista: ele não sai do seu pé.

- Ah não, eu pensei que ele não ia com a gente. Minha viajem não poderia ficar pior. Eu não entendo, já falei pra ele que eu não gosto dele como ele gosta de mim, mas parece que ele simplesmente não me ouve. Sabe o que eu menos gosto dele? O “grude”, é como se ele não tivesse coisa melhor para fazer. – Eu não conseguia parar de rir enquanto ela falava e gesticulava.

- Vai Let, você deveria dar uma chance à ele. Mesmo que o Roberto seja muito meloso ele realmente gosta de você. Eu bem queria ter alguém que se preocupasse comigo e que fizesse eu me sentir especial, fizesse eu me sentir diferente, mas uma diferença legal. – falar isso foi um pouco melancólico.

- Ah Diogo, mas você gosta de alguém o problema é que você não tem coragem de falar com ele. – Apenas ela sabia que eu gostava de outro garoto. – Por falar nisso ele está parado perto da Isabella. –disse apontando com o dedo para minhas costas.

Tentei olhar de forma discreta para ele. Era incrível como ele era confiante. Não conversávamos muito, mas ele demonstrava pela forma de olhar e falar, até o próprio sorriso conseguia amansar qualquer fera que a vida colocasse em seu caminho. Ao lado de estava a garota mais bonita da turma, tinha cabelos loiros e olhos castanhos. Não posso dizer que eles não formam um belo casal, porque formam. Nunca assumiram o namoro, mas toda a escola comentava sobre eles. Ela tinha uma beleza rara, e por incrível que pareça era proporcional a sua simpatia. Ele realmente merecia alguém como ela.

- Claro Letícia, acho vou até ele e falar “ oi Miguel!, sei que você é hétero e namora a Isabella e tal, mas será que tem a chance de darmos uns pegas qualquer dia desses?” – Com certeza fora de questão.

- Nossa Diogo quanto drama, vai saber se ele não tem uma paixonite por você secretamente.

Nesse momento o ônibus chega e estaciona numa pequena vaga reservada para os carros dos funcionários da instituição educacional. Por sorte ele era confortável e tinha ar-condicionado. O tumulto de alunos se formou na entrada do ônibus, já passava das 11h e todos já estavam exaustos de esperar.

Depois que os professores colocaram as bagagens na lateral do ônibus os alunos começaram a entrar de forma desorganizada.

- Calma meninos, garanto que só vamos embora depois que todos subirem e tem espaço pra todo mundo, então nada de correria. – Era o nosso professor Walter Silva que era o responsável pela viagem. Era professor de Biologia e um dos mais respeitados do colégio. Estava sendo auxiliado por mais dois professores: Morgana Nogueira e Matheus Neto, que lecionavam química e geografia respectivamente. – Façam o seguinte. Esperem fora do ônibus que farei a chamada e de acordo com que eu chamar vocês vão entrando. Assim, eu não corro o risco de deixar algum aluno pata trás.

Fui um dos primeiros a ser chamado, e escolhi o primeiro lugar que vi, bem no meio. As últimas poltronas me deixavam enjoado. Aos poucos foi ficando cheio e a conversa voltou.

- Silêncio! Por favor, silêncio! – A professora Morgana falava com as mãos em forma de conchas envolta da boca – Alguém sabe pra onde o Miguel foi? Ele é o único que falta.

- Ele foi ao banheiro professora. Mas já está quase chegando. – Informou Isabella.

Olhei para o lado e vi que a poltrona estava vazia. No momento pensei que a Letícia não houvesse entrado. Olhei para todos os lados e vi que ela estava sentada mais à frente, havia esquecido que como eu, Let só senta na poltrona próxima á janela. Quando olhei através do vidro que lacrava a janela, vi Miguel se aproximando com passos rápidos. O vento forte batia contra sua face, colocando seus cabelos castanhos numa forma engraçada. Ri com a cena.

Ao entrar no ônibus, Miguel procurou uma poltrona vazia, e por ironia do destino ela estava do meu lado. Quando vi que ele vinha em minha direção prendi a respiração, a única vez que ficamos tão próximos foi no segundo ano, quando chegou atrasado para a aula de literatura e acabou por sentar na minha frente. Agora era diferente, ele estava ao meu lado.

- Oi! – Ele falou tão baixo que mais pareceu um sussurro.

- Oi. – Por incrível que parece, essa foi a única vez que o vi sem jeito perto de alguém. A única coisa que me veio à mente é que ele estava desconfortável em estar ao meu lado. Isso foi perturbador.

Todos pararam de conversar e olharam para o professor Matheus Neto que estava com a mão levantada pronto para falar:

- Bom, queria pedir desculpas em nome dos professores pelo atraso e pedir que os senhores se comportem durante toda a viagem. Ao chegarem ao acampamento vocês irão descansar e depois farão algumas tarefas que planejamos para todos. Por hora vou deixá-los descansar e quando estivemos no nosso destino final, ditaremos as regras que deverão se cumpridas por todos, e sem exceção. Uma boa viagem a todos.

Quando o professor terminou de falar olhei para o lado e ele estava de olhos fechados, duvido que dormindo, mas descansando. Foi uma das visões mais belas que tive em toda minha vida. O sol estava refletindo o brilho dourado de sua pele, conseguia ver o pulsar de suas veias em sua têmpora direita, o leve contorno dos lábios carnudos e levemente vermelhos. Descendo pela sua garganta tinha uma leve saliência formada pelos anéis traqueais. A linha de sua mandíbula carregava alguns pontos de uma barba recém-feita que se estendia até seu queixo. O que tornava tudo encantador era uma pequena mecha de cabelos castanhos que caia um pouco abaixo dos seus olhos, tocando na lateral de seu nariz perfeitamente esculpido, uma visão dos deuses. Ele abre os olhos e aquilo me deixa vermelho. Espero que ele não tenha percebido.

Os olhos dele brilhavam como fogo, estavam me fitando de uma forma que chegava a ser desconfortável, mas apesar disso, a única reação que tive foi de beijá-lo. Podia sentir a doçura dos seus lábios, tão macios quanto veludo. Estávamos ofegantes pelo beijo, cada vez mais selvagem, uma sensação que nunca havia experimentado em toda minha vida. Enquanto beijava meu pescoço eu coloquei minha mão sob sua camisa, sentido o calor de sua pele, eu estava insaciável, continuei descendo até o zíper da sua calça e comecei abaixá-lo lentamente e...

- Diogo acorda! – Pulei da poltrona com o susto que levei – Cristo! Eu estava quase chamando um professor, já tava preocupado.

- Droga, você me acordou na melhor parte do sonho Eduardo – falava com as mãos nos olhos.

- Hum, estava sonhando com que? Com qual das garotas da sala? Não vai me dizer que era com a Letícia porque isso vai ser um pouco estranho – Eduardo falava na minha frente com os braços cruzados.

- Claro que não. E por falar nela, por que não é ela quem está me acordando?

- Muito obrigado pela consideração. Ela pediu para vir aqui te busca e ajudar com as mochilas e é melhor irmos logo porque os professores estão reunindo todo o pessoal para falarem algumas porcarias. – Como sempre falava da forma mais irônica que podia. Eduardo era quase um irmão para mim, sempre agia de forma responsável e sempre cuidava de mim apesar do seu algo grau de sarcasmo.

- Quer dizer que eu fiquei esse tempo todo sozinho aqui e ninguém me acordou? – Eu estava incrédulo com quilo.

- Bem, quando eu cheguei o Miguel estava sentado do seu lado olhando para você, tanto que eu achei que vocês estavam conversando e por isso não havia saído do ônibus quando a Let me chamou para vir aqui. Por falar nisso, foi estranho porque quando eu cheguei ao ônibus e o vi, ele estava com os olhos vidrados em você como se fosse te matar e quando ele me viu ele ficou muito estranho, meio que nervoso. – seu semblante agora era pensativo, como se tentasse encaixar as peças de um quebra-cabeça. – aí do nada ele pegou uma sacola de cima da poltrona de vocês e saiu sem olhar na minha cara.

- Vamos então, é... os... os professores devem estar nos esperando. – Essa informação havia me deixado atordoado.

Os professores estavam falando sobre cada lugar do acampamento e onde cada aluno colocaria a barraca, quais seriam os trabalhos que faríamos entre outras coisas. Mas não conseguia me concentrar em qualquer palavra que eles falassem, ainda estava pensando no que o Eduardo havia me falado a respeito do que viu ao chegar ao ônibus.

No mesmo momento lembrei-me do sonho que havia tido durante a viagem. Agora o medo estava me consumindo, estava começando a pensar que eu poderia ter emitido algum som ou qualquer coisa do tipo, ainda pior, que minha excitação estivesse tão evidente. Creio que o medo estava evidente em minha face, tanto que a professora interrompeu seu discurso.

- Você está bem Diogo? Diogo? – Quando voltei à realidade todos estavam olhando para mim.

- Oi? Estou sim professora, só um pouco cansado da viagem. - Agora estava mais sem graça que nunca.

- Você está um pouco pálido. Provavelmente foi a viagem mesmo, afinal todos estamos cansados. – Já passava das 18h – Façam o seguinte meninos, agora todos vão montar as barracas e depois vão até aquela cabana – apontou para a esquerda – para que possamos jantar, e amanhã pela manhã acordamos vocês para começarmos os trabalhos e terminar de falar algumas das outras orientações. Sei que todos estão exaustos e querem um pouco de descanso, inclusive os professores.

- Ei, vamos montar as nossas barracas em qual lugar meninos – Let chegava com um olhar cansado.

- É bom colocarmos um pouco afastado do rio por causa do frio, sem falar dos insetos. Por falar nisso, você trouxe o seu repelente Diogo?

- Sim Eduardo, agora você está falando igual à minha mãe. –Eu já havia me acostumado com sua figura paternal.

Começamos a andar pelo lugar que estava iluminado de uma forma bem agradável. Várias luzes grandes estavam postas por toda parte, mesmo assim não era possível ter uma descrição do local de uma forma mais exata, teríamos que esperar até o amanhecer para conhecermos tudo por completo.

Enquanto eu tentava montar minha barraca, que não estava sendo um desastre, Letícia e Eduardo discutiam qual era a forma correta de montagem, enfim chegaram a um acordo. Não vi muita diferença na forma como montamos nossas barracas, para mim, todas eram iguais, mudando o tamanho e a cor, mas o modelo era basicamente o mesmo. Apenas os professores tinham uma tenda montada, que havia sido emprestada pela escola, já que eles estavam ali a trabalho. Olhei e percebi que o Miguel havia montado sua barraca um pouco longe da minha, estava próximo ao Gabriel, seu outro amigo Joaquim e claro, estava colado com a barraca da Isabella. Não sei como que sinto em relação ao namoro dos dois, não sei se é inveja ou até mesmo ciúmes. Provavelmente ambos.

Após a montagem das nossas barracas ao encontro do restante da turma para comermos. Mesmo que todos estivessem cansados, conversavam com muito entusiasmo, pelo que parecia, todos estavam à espera de uma boa semana. Contudo, um aluno especificamente não estava tão animado assim.

Miguel estava sentado a duas mesas após a minha com uma cara de poucos amigos. Sua expressão facial era de angústia e desapontamento, às vezes parecia que seu olhar estava um pouco deprimido. Como eu o observava com frequência na escola, podia notar algumas de suas expressões, sejam sorrisos verdadeiros ou apenas para ser educado, ou quando estava com raiva, o ponto em questão é que algo estava acontecendo e eu estava com um pouco de receio, pois podia crer que essa situação havia se formado após o episódio que ocorreu no ônibus. De repente ele me fita nos olhos e pude ver seu constrangimento, entretanto não foi maior que o meu. Por sorte o professor Matheus Neto interrompeu o som das conversas ao levantar e bater dois objetos entre si, formando um som estridente que era capaz de prejudicar a audição de qualquer pessoa ali presente. Não consegui identificar o que era, mas funcionou e todos olharam em sua direção.

- Boa noite senhores. Primeiro gostaria de agradecer por terem vindo e lembrá-los que estamos aqui não apenas por diversão, mas também para obtermos conhecimento – Let revirava os olhos ao meu lado, fazendo-me rir baixinho – dessa forma, como todos sabem, temos alguns trabalhos para cumprir, e ao invés de falar sobre quais são e depois todos esquecerem, fizemos uma lista da ordem que deve ser respeitada e a cada dois dias os trabalhos serão recolhidos. São atividades fáceis, para que vocês possam aproveitar ao máximo a viagem – Continuou a falar – e para garantirmos que haja uma máxima interação entre a turma, os trabalhos serão realizados por duplas sendo que precisarão entregar apenas um trabalho por dupla de cada atividade realizada. Ficou claro?

- Sim! – responderam uníssono.

- Professor? – Isabella estava com a mão para o alto.

- Sim Isabella.

- Podemos escolher as duplas né? – Questionou.

- Como eu disse Isabella, queremos que a turma se comunique mais, contudo não com as mesmas turminhas de sempre, como prova disso, no exato momento vocês estão sentados junto aos amigos mais íntimos da sala. Dessa forma nós escolhemos as duplas. – Pela forma que o professor Matheus falava, parecia que estávamos conversando com algum tipo de Cavalheiro Inglês – Caso prefiram, posso falar as duplas agora, ou melhor depois que entregarmos as listas de atividades.

Os professores começaram a distribuir as folhas e realmente não eram coisas de outro mundo. Tínhamos que encontrar algumas espécies de plantas que eram até um pouco comum na região. Identificação do tipo de formação de algumas rochas que lá se encontravam, entre outras coisas. Minha maior preocupação era com quem eu iria sair, sempre faço meus trabalhos com a Let ou com o Eduardo. Eu não faço a linha “Nerd”, mas sempre fiz meus trabalhos com muita dedicação e não gostava da ideia de poder ficar com alguém que não está nem aí para tudo. As poucas vezes que fiz trabalhos da escola com pessoas assim, sempre acabava por fazer tudo sozinho e isso era extremamente irritante e cansativo.

- Eu não acredito que os professores escolheram as duplas. Eles não deviam fazer isso, não vejo o problema de ficarmos apenas com as pessoas que nós gostamos. Deus me livre de ficar com o chato do Gabriel, ele se acha de mais. Já viu como ele se gaba dos músculos e esquece o cérebro? Se ele for o meu parceiro para os trabalhos eu me mato ou mato ele – praguejava Let.

- Quem está sendo dramático agora? Não se preocupa que as chances de você ficar com ele são pequenas, a sala é um pouco grande para que você tenha esse azar todo. – de certo modo ela tinha um pouco de razão, o Gabriel era bem conhecido por adorar os músculos e esquecer um pouco que existe coisa mais interessante para estimular.

- Com quem você quer sair Eduardo? – Perguntou Let.

- Para mim tanto faz, quando não estou com algum de vocês sempre acabo fazendo só, tem muita gente burra nessa sala. – Seu sarcasmo era tão evidente quanto o catolicismo de um papa.

- Então, vamos falar as duplas agora. Todos estão com a lista de atividades? – Perguntou Morgana e todos afirmaram positivamente – Ótimo, vamos lá então – Nesse momento ela começou dize algumas duplas, achei que seria um dos primeiros a descobrir, contudo alista não esta em ordem alfabética – Isabella vai com Frederico, Eduardo com Larissa, Camila com Gabriel – Nesse momento ele soltou um suspiro de satisfação – Letícia com Ricardo – Agora o pânico se instalou em seu rosto, a Let sabia que ele era louco por ela e com certeza não ia perder essa oportunidade, por outro lado ele estava com sorriso de uma criança quando vê o mar pela primeira vez, a achava isso muito bonito – E por fim, Diogo ficou com Miguel.

- O QUÊ? – Aquilo foi uma grande surpresa para mim, mesmo que eu gostasse muito dele, eu sabia que algo aconteceu naquele ônibus e que havia me deixado muito constrangido. Ao olhar no seu rosto sua expressão era tão apavorada quanto à minha foi aí que me dei conta de que havia falado alto demais.

- Algum problema Diogo? Morgana estava com uma expressão de surpresa estampada no rosto – Espero que não tenha problema por ter escolhido o Miguel como seu parceiro – Agora estava mais séria.

- Não professora eu... he... sem problema, é porque eu... estava... pensando em outra coisa – por mais estúpida que fosse minha resposta foi a melhor coisa que passou na minha cabeça. – Tudo bem, não tenho problema algum. – Disse por fim.

- Muito bem então, que já tiver terminado o jantar pode ir dormir e amanha todos devem estar acordados e fora das barracas por volta das 8h e 30min – Informou Morgana.

- Diogo, eu não acredito que você saiu com ele – Nem eu acreditava ainda – Você tem muita sorte. – Let estava encantada com isso.

- Ou muito azar não é Let – Falava enquanto olhava para Miguel que parecia estar preocupado.

- Eu é que estou com azar, por falar nisso o Ricardo tá vindo aí – Olhei para o lado e Ricardo se aproximara com o rosto cheio de esperança.

- Então Let – Disse Ricardo – Como vamos fazer o trabalho? – Quando Letícia ia responder eu a interrompi.

- Já vou indo então, estou um pouco cansado e minhas costas estão doendo, vejo você amanhã. Boa noite – E saí vendo a careta que a Let fez, eu sabia que ela não gostava de ficar a sós com ele, mas como íamos passar dez dias ali achei que ela devia começar a prender a conviver com isso.

Fui caminhando lentamente até minha barraca, perdido em meus pensamentos, sem saber qual o rumo que esse passeio ia tomar. Sempre fui um pouco controlador e essa mudança estava me provocando certo desconforto. O medo de ser quem eu realmente sou ainda estava circulando em minhas veias, mesmo que não tivesse vergonha, tinha um certo receio em relação a opinião alheia. Parei e olhei para as estrelas que brilhavam no céu, a lua estava proporcionando um brilho incomparável sobre as águas do rio. Todo aquele ambiente seria mais puro caso eu estivasse com ele. Às vezes sonhava que ele estava em meus braços, o que era extremamente reconfortante, lembro-me de um sonho em que tudo parecia que era possível apenas por esta com ele, do calor e da proteção que seu corpo me transmitia, e lembro também da angústia de acordar e descobrir que tudo não passava de um pequeno, porém delicioso delírio.

Continuei minha caminha com passos curtos e vagos. Ao chegar à minha barraca Eduardo toca em meu ombro, e novamente me faz pular de susto, tudo estava tão calmo e do nada e chega, como sempre.

- De novo Eduardo, que susto! – Ele gargalhava com divertimento – Vou começar a andar com um spray de pimenta agora – ironizei.

- Que perigo! Mas sério o que aconteceu durante o jantar?

- Como assim?

- Quando a professora falou que você faria uma dupla com o Miguel você meio que surtou – Ele estava preocupado.

- Ah aquilo não foi nada. – Tentei disfarçar como pude – é porque não esperava mesmo, mas foi só isso. – Não consegui olhar em seus olhos.

- Tudo bem Diogo, vou fingir que acredito por hoje - Agora ele me desarmou – olha sabe que pode falar qualquer coisa comigo né? – Fiz um sinal positivo com minha cabeça – Que bom que sabe. Sou praticamente seu irmão mais velho, e realmente fico preocupado com você. – Sua figura me deixava calmo, realmente era um irmão para mim.

- Obrigado Edu – Nos abraçamos, eu parecia uma criancinha perto dele, era bem mais alto que eu e apesar de termos a mesma idade era bem mais desenvolvido fisicamente, era de arrancar suspiro de qualquer um, mas eu o via apenas como um grande irmão.

- Com licença! – Olhei para trás e Miguel estava parado com um olhar sério em direção ao Eduardo – Desculpa atrapalhar o momento, mas acho que deveríamos falar a respeito do trabalho que faremos amanhã Diogo – Mesmo que falasse comigo ele não tirava os olhos do Eduardo, que ainda estava com as mãos em meus ombros. Eu estava desconfortável, mas ele estava certo.

- Certo, nos vemos amanhã então Diogo – Disse Eduardo sem tirar os olhos do Miguel que fazia o mesmo. Por um momento achei que iam se matar. – Amanhã conversamos mais sobre aquele assunto – Ao sair deu um beijo em minha testa, podia jurar que vi os músculos do Miguel que cobrem suas maxilas se contraírem. Não sei se realmente vi, mas seus punhos estavam cerrados.

Tentei manter a calma que não tinha.

- Então Miguel, por onde você quer começar – Agora olhava nos seus olhos.

- Como começaremos pela manhã, acho que é melhor começarmos a procurar algumas plantas que ficam mais próximas ao rio e depois vamos procurar as mais distantes – não entedia sua lógica por completo, mas achei melhor por concordar.

- OK, acho que já vou dormir estou um pouco cansado – eu realmente estava – nos vemos amanha então.

- Certo – Disse com um leve sorrido e se despediu com um leve aceno com a cabeça. Aquele sorriso fez desaparecer toda a tensão que havia se formado no ambiente. – Boa noite! – Disse um pouco distante.

- Boa noite! – Disse em voz alta e entrei em minha barraca.

Depois que todos estavam em suas barracas apagaram algumas luzes para que pudéssemos dormir. Não sabia como, mas eu estava sentido que viagem mudaria toda minha vida. Viajando em pensamentos, com o sorriso dele em minha mente, acabei por adormecer.

Comentários

Há 3 comentários.

Por perry201 em 2014-07-28 20:24:27
Ameiiiii
Por jeffribeiro em 2014-07-22 12:57:58
Continua. Posta logo o próximo capítulo por favor /\
Por dodo em 2014-07-18 10:16:30
Mtto fooodaaa.... cooontinuua