// rua

Conto de CAL como (Seguir)

Parte da série DELIVER

cheguei em casa, vi o carro do meu pai do lado de fora e me liguei que ele já estava em casa, peguei minha chave na mochila e abri a porta, entrei em casa, passei pela sala e fui até a cozinha beber um suco, de lá fui para o meu quarto, quando abri a porta meu pai estava lá e o inesperado aconteceu.

- pai, o que você tá fazendo aqui?

- confirmando o que todos falam sobre você, seu viado, vou te matar! - meu estômago revirou, comecei a tremer, tentei correr, mas já era tarde demais, meu pai consegui me segura e me deu um soco que me fez ir ao chão, golpes e mais golpes foram dados na minha cara, achei que ia morrer, com o rosto cheio de sangue reuni forças e empurrei ele, sai correndo a tempo de me salvar, mas não a tempo o suficiente de não ouvi suas últimas palavras "nunca mais volte aqui, se você voltar eu te mato, eu não quero um filho viado." aquelas palavras doeram mais que os socos que ele me deu, a minha dor emocional foi muito maior que a dor física.

corri como não se houvesse amanhã, sem rumo e sem destino, só parei de correr quando eu tive certeza de que eu estava bem longe de casa, parei em uma praça, sentei em um banco e comecei a chorar...o que eu vou fazer agora? para onde eu vou? fiquei pensando em várias coisas, de repente o meu celular tocou dentro da minha mochila, rapidamente o peguei, atendi e nem vi quem era.

- alô?

- oi, amigo, sou eu paola!

- oi, amiga!

- tá em casa? preciso falar com você!

- paola, eu tô na rua, meu pai descobriu que sou gay, me espancou e me colocou para fora de casa.

- o que? seu pai é um filho da puta. vem pra cá agora, você não vai ficar na rua não!

- obrigado, amiga, mas primeiro eu vou no médico ver meu rosto, eu acho que ele quebrou o meu nariz e depois eu vou pra ir!

- me diga em qual hospital você vai está que eu te encontro lá!?

- amiga, não precisa, eu vou ao médico e de lá vou para a sua casa.

- então tá bom, mas me mantenha informada!

- tá bom, muito obrigado, amiga!

- por nada, bjs e se cuida, hein!

- ok, tchau.

logo a frente, tinha um ponto de ônibus, fiquei uns dez minutos ali esperando um ônibus e assim fui rumo ao hospital onde eu tenho um plano de saúde e já conheço bem os médicos. chegando lá fui na recepção e falei com uma moça, dei meus documentos para ela e ela pediu para eu ficar esperando o dr. henrique acabar de atender um paciente, em menos de três minutos o paciente já tinha sido atendido, então a moça me chamou e assim fui para sala do dr. henrique.

- oi, dr. henrique!

- valentino, o que foi isso? - diz ele perplexo ao ver meu rosto.

- foi meu pai que fez isso.

- vem senta logo aqui, para mim cuidar disso!

o doutor, limpou todo o sangue do meu rosto e na minha bochecha tinha um corte que tive que levar cinco pontos e meu nariz foi deslocado, o doutor puxou e colocou no lugar, recomendou fazer compressas de água morna três vezes ao dia e passou uma pomada para cicatrização da ferida na bochecha.

- bom agora que tá tudo certo, me conta o porque de seu pai fazer isso com você?

- dr. henrique...

- valentino, só me chame de henrique!

- bom, henrique, meu pai fez isso porque ele descobriu que eu sou gay e me expulsou de casa.

- nossa, você tem que ir na delegacia e fazer uma queixa, isso não pode ficar assim!

- não, eu não vou prestar queixa, os policias vão fazer chacota de mim, já basta o que eu passei hoje!

- você não pode deixar isso assim!

- eu não vou fazer nada henrique, agora eu só tenho que ver o que eu vou fazer da minha vida.

- você tem para onde ir?

- sim, eu tenho!

- se você precisar de qualquer coisa você pode me procurar, faz melhor você pode me ligar, anota meu número aí! - ele falou o número dele e eu anotei.

- pode deixar, qualquer se eu precisar eu te procuro e henrique, muito obrigado!

- não precisa agradecer não e é para procurar mesmo hein, me liga a qualquer hora que precisar!

- tá bom, tchau, henrique! - ele veio e me abraçou, senti algo acontecer ali naquele abraço, me senti seguro e protegido.

- tchau, valentino. - sussurrou ele no meu ouvido.

saindo do hospital, fui direto para a casa da minha amiga, quando cheguei lá fui recebido pelo seu pai, um homem bem bonito e atraente por sinal.

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